O que comemorar no Dia da Educação?

publicado no Zero Hora
Existe uma prática corporativa, também comum em associações políticas, que consiste em marcar uma reunião para resolver determinado problema, mas ao final dessa reunião a única solução encontrada é… marcar uma nova reunião. Em alguns casos, a solução proposta é constituir um grupo de trabalho, encarregado de encontrar as alternativas que o grupo principal não conseguiu. É a chamada procrastinação.

Em 2000, 180 países participantes da Cúpula Mundial de Educação assinaram, na cidade de Dacar, um documento em que se comprometiam a não poupar esforços, políticos e financeiros, para que o ensino básico chegasse a todas as pessoas do planeta até o ano de 2015. Esse objetivo não foi alcançado. Em maio de 2015, no Simpósio da Unesco, uma “Agenda 2030” foi lançada, que destaca a importância de melhorias nas políticas públicas para aí, sim, alcançarmos a tão sonhada reforma na educação. Como se percebe, na busca de soluções para nossos problemas educacionais, a melhor alternativa encontrada é propor novas datas futuras.

Neste 28 de abril, Dia da Educação, devemos comemorar? Devemos fechar os olhos para o que deixou de ser feito? Em meio a uma das maiores crises econômicas e políticas do país, comemorar talvez não seja a melhor alternativa, uma vez que ainda temos muito a evoluir. Embora a educação seja um dos direitos da cidadania, ela ainda não integra as prioridades nacionais. Nem mesmo o slogan Pátria Educadora pode ser levado a sério, pois ele não está no DNA do governo.

A educação básica de qualidade é o maior desafio a ser enfrentado pelo Brasil. A média de estudos no país está em sete anos, enquanto na Coreia do Sul, por exemplo, são 12 anos. Na Coreia, todas as escolas, públicas e privadas, são de turno integral, onde os estudantes permanecem nove horas/dia. No Brasil, os estudantes ficam em média 3,5 horas/dia. A educação pequena e de baixa qualidade, acompanhada da ausência de ética, certamente impede o desenvolvimento de uma nação.

No dia de hoje, comemora-se o aniversário do Fórum Mundial de Educação de Dacar. Precisamos utilizar a data como motivo para repensar nossas estratégias. Não temos o que comemorar no que concerne à qualidade da educação. Inclusive, se as coisas não mudarem, se não elegermos lideranças que efetivamente transformem o Brasil numa Pátria Educadora, já sabemos que, ao avaliar a “Agenda 2030” da Unesco, a solução que será apresentada será a nova Agenda 2050.

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