Jovem que lia somente por obrigação hoje ama os livros e é fã de Clarice Lispector

foto1
Maurilane descobriu a paixão pela leitura por meio do programa Caminho Melhor Jovem Foto: Mariana Annunziato

 

Publicado no Extra

Maurilane da Cunha, de 19 anos, nasceu e cresceu na Cidade de Deus, comunidade da Zona Oeste do Rio. Sem qualquer plano para o seu futuro, cuidava dos sobrinhos para ajudar a família. Não era muito de estudar e não amava nem um pouco os livros.

A mudança na trajetória de vida da jovem veio há três anos, por meio do Programa Caminho Melhor Jovem (CMJ), da Secretaria de Estado e Esporte, Lazer e Juventude, com financiamento do BID. Hoje, ela sonha em cursar pedagogia e espalha por aí seu amor pela literatura, e, em especial, por Clarice Lispector, uma de nossas maiores escritoras.

Criado em 2013, esse programa estimula o desenvolvimento pessoal e profissional de jovens de 15 a 29 anos, moradores de territórios com Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) ou em processo de pacificação. A equipe formada por psicólogos, assistentes sociais e pedagogos articula oportunidades e serviços sob demanda dos próprios jovens, para fortalecê-los na construção do seu projeto de vida.

– O meu papel é acompanhar esse jovem, entendê-lo e apoiá-lo no seu desenvolvimento para que ele enxergue um pouco mais além. O diferencial do CMJ é justamente a continuidade e a personificação desse atendimento ao jovem. Tudo é feito a partir do perfil e da vontade dele. É um espaço de escuta e reflexão, explica a conselheira e assistente social do CMJ Thainá Briggs.

Foi ela quem enxergou o potencial de Maurilane, aluna de escola pública, com dificuldades em Matemática e Português, mas que apresentava um comportamento muito comum entre meninas da sua idade: escrevia em um diário suas impressões sobre a vida e o seu dia a dia.

Programa Caminho Melhor Jovem atende moradores de territórios com UPPs Foto: Mariana Annunziato
Programa Caminho Melhor Jovem atende moradores de territórios com UPPs Foto: Mariana Annunziato

 

Percebendo seu gosto por escrever, a conselheira começou a estimular na menina o hábito da leitura, indicando os livros da biblioteca do Programa. Thainá incentivava Maurilane a escolher um título, ler em casa e fazer um resumo para ser entregue no dia do atendimento. A atenção da conselheira fez a jovem descobrir o gosto pelos livros, principalmente aqueles voltados para o universo feminino. Sua escrita e rendimento na escola também apresentaram uma melhora, de imediato.

– Antes de participar do Programa eu só lia por obrigação, confessa a estudante. Logo no primeiro contato com os profissionais do Programa é traçado o perfil desse jovem, com sua trajetória pessoal e profissional até ali. Depois, ele é estimulado a pensar sobre suas possibilidades e a elaborar um plano de autonomia para sua vida. O plano, é dividido em três metas: a curto (3 meses), médio (6 meses) e longo (1 ano) prazos.

Para o Secretário de Esporte, Lazer e Juventude do Estado do Rio de Janeiro, Marco Antonio Cabral, o principal retorno do CMJ é expandir as possibilidades na trajetória da vida dos participantes:

– O Programa tem mesmo este objetivo: orientar e estimular esses jovens a alcançarem sua autonomia, seja na vida pessoal, acadêmica ou profissional. A ideia é aumentar o número de jovens participando do CMJ. Para isso, a Secretaria conta com o trabalho dos articuladores, jovens participantes do programa, que também são influenciadores em suas regiões. Orientados por supervisores, eles fazem a divulgação do CMJ em pontos estratégicos, como escolas públicas.

Com o suporte do CMJ, Maurilane também participou de outros cursos, como os de teatro e auxiliar administrativo na Faetec; além de artesanato e oficina no Nesa/Uerj. Atualmente, ela cursa o último ano do Ensino Médio, faz estágio em uma escola para crianças da primeira infância e estuda para o vestibular de Pedagogia.

– Se eu não tivesse passado por aqui, não traçaria o meu caminho e também não estaria estagiando. Vou terminar meus estudos, fazer a prova do Enem e passar para a faculdade. Antes, não sabia que podia planejar meu futuro tão bem, nem mesmo que podia amar os livros tanto assim, finaliza a jovem.

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *