Livro de Harry Potter sairá em 31 de outubro no Brasil

Indianos posam com o novo livro de J.K. Rowlingís - ARUN SANKAR / AFP (31/7/2016)
Indianos posam com o novo livro de J.K. Rowlingís – ARUN SANKAR / AFP (31/7/2016)

 

Publicado no Jornal Cruzeiro

O feitiço de J. K. Rowling funcionou mais uma vez – pelo menos no palco. A crítica teatral britânica aplaudiu a peça “Harry Potter e a Criança Amaldiçoada”, que estreou no sábado (30), em Londres, e chegou a compará-la a um Dickens, só que com mágica. A edição em inglês chegou às livrarias do mundo em 31 de julho. A brasileira sairá em 31 de outubro, pela Rocco.

O problema é que ainda deve demorar para os fãs do bruxinho poderem ver a peça montada pelo mundo. Ela funcionará como livro? É pedir muito que uma geração de jovens acostumados à linguagem do best-seller leiam um texto teatral? O formato de roteiro não deve ser obstáculo, porque a leitura flui, como deve ser um best-seller -e as descrições das cenas trazem algo do humor que marca Rowling, que assina o livro em parceria com o diretor John Tiffany e o dramaturgo Jack Thorne.

Porém, como boa literatura infantojuvenil, o livro tenta encantar não só pela técnica, mas por falar de questões que meninas e meninas vivem como conflitos: o que eu quero ser quando crescer? Devo seguir os planos que meus pais traçaram para mim? E é esse o conflito central do livro. Na primeira cena, encontramos Harry Potter adulto, com três filhos, prestes a embarcar o do meio, Alvo, para a escola de magia de Hogwarts.

A relação dos dois é péssima. Filho de um sujeito que encarna a virtude, Alvo responde às expectativas depositadas sobre si com agressividade contra o pai. É um personagem em luta para fortalecer a própria identidade perante os pais. Chegando à escola, Alvo acaba selecionado para a Sonserina, escola de bruxos malvadinhos que sempre foram inimigos de Harry, que é da Grifinória, a casa dos valentes.

Para completar, Alvo ainda vira melhor amigo de Scorpius, filho do arquirrival de Harry nos tempos de escola, Draco. Também no centro da trama, estão as viagens no tempo, pelas quais os personagens tentam mudar o passado, disparando a ação na trama. No fim, elas também remetem às relações familiares. Ao fazer planos para os filhos, os pais da trama também tentam reescrever o próprio passado, gerando uma série de ressentimentos.

Os autores acertam ao voltar ao tema do amadurecimento, já presente na série original, que pode ser lida como um romance de formação. Porém, a influência de Dickens, tão evidente nos outros livros, inclusive com o senso de ironia dickensiano, aqui aparece mais diluída. O erro está quando a história cai na armadilha do best-seller: em dado momento, passa a apostar mais na ação do que nos personagens -problema que pode ser resolvido no teatro, a depender dos atores. Harry Potter e a Criança Amaldiçoada. (Folhapress)

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