Literanua: fotografia + literatura = arte

Metrópoles-5

Naira Amorelli, no Embarque na Viagem

A Arte sempre fez parte do ser humano e da sociedade desde a pré-história até os dias de hoje. Toda e qualquer produção cultural do homem, introduz novos modos de pensar, novas perspectivas, novas ideias, novas formas de observar o mundo, novas relações, emoções e anseios que habitam em nós. E com este olhar desafiador, ousado e emocional o Fotógrafo brasiliense Diego Ponce de Leon registra brilhantemente a relação entre o nu artístico e a literatura.

Crítico de teatro, performer e jornalista cultural, o carioca radicado em Brasília também se aventura como fotógrafo. Depois de alguns anos, clicando pela cidade de forma livre, Diego resolveu propor um projeto próprio, que levasse sua assinatura. Assim nasceu o Literanua, que traz a relação entre o nu artístico e a literatura.

Uma das preocupações é naturalizar a nudez por meio da arte, do lírico, e aproveitar para lançar algumas provocações específicas sobre o tema: os livros podem ser mais íntimos do que o corpo? Podem dizer mais sobre você? Podem servir como máscara, como vestimenta?”, pergunta.

O desafio inicial foi convocar os voluntários para o projeto. Em pouco tempo, mais de 40 pessoas se ofereceram para participar do projeto em um convite aberto no Facebook. E, para surpresa de Diego, a maior parte dos voluntários são pessoas comuns, estudantes, publicitários, engenheiros, geeks, fisioterapeutas… além de atores, atrizes, bailarinos e profissionais do teatro. “Estava esperando artistas e pessoas mais familiarizadas com essa temática do corpo” afirma Diego. Muitos destes voluntários posaram nus pela primeira vez. “Impressionante como há gente interessada nessa desconstrução cultural, dispostos a quebrar paradigmas obsoletos e alcançar um senso maior de liberdade”, aposta o fotógrafo e jornalista. Algumas sessões renderam, além de boas fotos, momentos especiais. “Há quem experimente uma sensação de catarse na hora, uma ruptura”.

Além de fazer uso de residências e lugares fechados, Diego investiu em locais conhecidos da capital federal, como o Jardim Botânico e a UnB, e contou com o apoio de estabelecimentos ligados ao universo literário: Sebinho, Ernesto Café, o sebo Achei! e a casa-produtora Medusa. Ele ainda ousou ao agendar registros pelas ruas da cidade, a exemplo da Rodoviária do Plano Piloto, do Espaço Cultural Renato Russo e de paradas de ônibus da W3. “Foram as fotos mais difíceis. De forma a evitar transtornos ou ofender alguém, fizemos esses cliques na madrugada, sem qualquer movimento por perto”.

O resultado, que não traz qualquer nudez explícita, apenas sugerida, pode ser conferido no Instagram por meio do perfil @literanua. “Não imaginava que o projeto pudesse receber essa acolhida e apoio. Só agradeço. São muitos depoimentos de pessoas sensibilizadas pelas fotos, repensando o nu, refletindo sobre tabus que, muitas vezes, estão apenas na nossa cabeça. Esse retorno já justifica o esforço. A literatura é essencialmente poética. E muitos estão descobrindo que a nudez também pode ser”.

Um viva a toda forma de arte!

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