Editora Autêntica lançará dois livros de Ferreira Gullar em 2017

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Gabriela Sá Pessoa, na Folha de S.Paulo

Ferreira Gullar trabalhava em duas novas edições de suas obras, previstas para sair em 2017 pela Autêntica. A casa publicou, em 2015, a “Autobiografia Poética” do escritor.

O primeiro é uma reedição do livro infantil “Dr. Urubu e Outras Fábulas”, com ilustrações de Cláudio Martins e publicado originalmente em 2005. O segundo, uma coletânea de textos sobre crítica de arte publicados pelo poeta ao longo da vida —inclusive em suas colunas na “Ilustrada”.

Segundo a editora e amiga Maria Amélia Mello, que cuida da obra de Gullar há três décadas, os projetos eram encaminhados pelo próprio poeta e ele deu a última palavra sobre os mais de cem ensaios selecionados para o livro.

O autor de “Poema Sujo” (1975) morreu na manhã deste domingo (4), aos 86 anos. Seu corpo está sendo velado nesta noite na Biblioteca Nacional, no Rio, e seguirá em cortejo às 9h de segunda (5) até a Academia Brasileira de Letras, de que era membro.

“Ele deixou orientações, que vou repetir”, disse Mello. A editora conta que Gullar seguia trabalhando de seu leito no Hospital Copa D’Or, em Copacabana, onde ficou hospitalizado por 20 dias em razão de problemas respiratórios.

Em sua penúltima visita, há cerca de dez dias, “ele estava escrevendo, querendo saber das coisas. E assistindo televisão, expressando opinião. E rindo muito”. Ela o visitou no sábado (3), quando já o percebeu mais abatido e a saúde, debilitada. Segundo Claudia Ahimsa, mulher do poeta, ele disse no hospital: “Se você me ama, me deixa ir embora”.

Até a internação, Mello conta que Gullar seguia a rotina de sempre: usava o transporte público, ia sozinho à padaria e à banca de jornal, fazia as compras no supermercado, conhecia todos no bairro, desenrolava os próprios problemas. “Nos falávamos todos os dias. Quando passava quatro dias sem ligar porque minha vida enrolava, no próximo telefonema ele perguntava: ‘O que aconteceu? Por que você não me ligou? Está tudo bem?’.”

Gullar andava rápido, “naquele passo dele, o cabelo branco voando”. “O mais importante é essa trajetória: ele manteve a coerência, o que ele escreve é o que ele está pensando. Tinha a lucidez como norte da vida dele. Se o chamassem para ir a uma escola se encontrar com jovens, ele ia. A um grande evento, também. Não ficava enclausurado em casa, cheio de glórias. Você ligava na casa dele e ele mesmo atendia.”

Além dos dois livros previstos para 2017, o escritor aparecerá aos leitores em um DVD, encartado em nova edição da “Autobiografia Poética”. Dirigido por Zelito, o filme documental registra o poeta maranhense falando sobre a própria obra, filmado ao ar livre, mais jovem, nos anos 1980.

“Ele falava muito bem, além de ter uma voz muito bonita —não se esqueça que ele começou a vida como locutor de rádio”, diz Mello.

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