Jurado do Nobel explica a verdadeira razão em se premiar Bob Dylan

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Segundo o membro da academia, era preciso valorizar, no mundo literário, algo que fosse além dos livros

Luiz Prisco, no Metropoles

A escolha de Bob Dylan para o Nobel de Literatura causou certa controvérsia. Afinal, o compositor não apresenta uma trajetória de destaque no mundo dos livros. Um jurado do prêmio sueco confirmou que a honraria foi fruto de uma vontade de valorizar “a arte da composição”.

À “Le Magazine Littéraire“, Horace Engdahl, jurado da Academia, explicou a decisão. “É preciso recolocar no mundo literário as coisas que vão além do livro e da escrita. Por exemplo, a arte da composição”, declarou.

O especialista usou uma referência histórica para convencer os colegas da importância de Dylan. Ele evocou o poeta sueco Carl Michael Bellman, um trovador do século das Luzes, conhecido por cantos eróticos.

“A poesia era cantada até meados do século 18. Carl escreveu com a ajuda da música de seu tempo, com inspiração nas melodias”, argumentou.

Segundo Engdhal, Dylan é um trovador dos tempos modernos e representa uma oposição “ao narcisismo que caracteriza a era literária atual”. “Sua obra é recheada de textos de poetas do mundo inteiro”, completa.

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