Vai desacelerar no final do ano? Eis bons livros para ler entre os cochilos

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Rodrigo Cazarin, no Página Cinco

Dia 21 de dezembro. Quem nessa época do ano não está pensando em alguns dias de descanso? Para os afortunados que poderão desacelerar e curtir uma praia, uma montanha ou até mesmo o sofá de casa, separei cinco bons livros que servem de companhia entre uma cochilada – ou uma cerveja – e outra:

“Detetive à Deriva”, de Luís Henrique Pellanda (Arquipélago Editorial): Pellanda é atualmente um dos cronistas mais respeitados do país. Suas histórias são retiradas das ruas de Curitiba, de onde surgem achados como um par de botas abandonado, um misterioso rastro de pétalas, um bebê chinês sozinho na calçada e uma família de urubus que habita o topo de um prédio. Vale a leitura para conhecer um cronista que ainda se preocupa mais com uma boa história do que em expor suas opiniões sobre tudo.

“Guerra de Ninguém”, de Sidney Rocha (Iluminuras): daqueles nomes que ainda carecem de reconhecimento que faça jus à qualidade de seu trabalho, Sidney Rocha fala da morte nos contos de seu novo livro. Da morte de quem foi parar em uma cova sem nome em Alto Santo, da morte de uma garotinha jogando videogame, da morte em Bombaim, na Índia. Vale a leitura para conhecer a estética bastante própria do autor e para refletir sobre os caminhos que o mundo tem tomado – sim, férias também servem para isso, principalmente para aqueles que vivem sem tempo para nada além do próprio umbigo.

“Allegro Ma Non Troppo”, de Paulliny Gualberto Tort (Oito e Meio): romance de estreia de Paulliny, a obra narra a jornada de um violinista que precisa atender ao pedido de uma mãe um tanto desvairada: encontrar onde seu irmão mais velho está vivendo, isso após o pai de ambos, um ex-político de certa importância, falecer. Vale a leitura por conta do bom ritmo que autora emprega, pela complexidade dos personagens e pelos cenários que se alternam entre a gélida Brasília e as cachoeiras da Chapada dos Veadeiros.

“De Tudo um Pouco”, de Ana Luisa Escorel (Ouro Sobre Azul): “Conjunto de impressões de alguém frente a seu cotidiano, ao qual se acrescentaram histórias de outro tempo que parecia fazer sentido contar”. É assim que Ana Luisa Escorel define o seu “De Tudo um Pouco”. Vale a pena porque, além da autora ser uma ótima escritora – vencedora do Prêmio São Paulo de Literatura de 2014 por “Anel de Vidro”, romance que lançou aos 70 anos -, quando reflete sobre o cotidiano, fala a respeito de temas corriqueiros, e quando recorre às memórias, traz registros relacionados a nomes como Rubem Braga e Umberto Eco.

“Eu Contra o Sol”, de Alex Tomé (Confraria do Vento): Benício, um estudante de direito, escapa da morte e tenta entender como funciona a vida adulta enquanto o país ameaça entrar em colapso. No romance, Alex cria um possível retrato da juventude nos dias de hoje. Vale para conhecer um novo autor publicado por uma editora que costuma ousar em suas apostas.

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