Conheça os alunos que tiraram mil pela segunda vez na redação do Enem

Ana Júlia, 20 anos, e Carlos Felipe, 19, garantem que não há “fórmula mágica”; segredo é treinar muito e se dedicar à leitura

Ana Lourenço, no Guia do Estudante

Em 2015, 104 pessoas obtiveram nota 1000 na redação do Enem – A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira. Em 2016, o número caiu para 77, com as redações de tema Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil e Caminhos para combater o racismo no Brasil. Entre tão poucas pessoas, estão dois estudantes que conseguiram o feito em ambas as edições: Ana Júlia Pereira de Paula, de 20 anos, e Carlos Felipe Bezerra Barros, de 19.

Ana Júlia, 20 anos, vestibulanda de Medicina
Ana Júlia, 20 anos, vestibulanda de Medicina

 

Por duas vezes, eles completaram todas as cinco competências da prova – domínio da escrita formal; compreensão da proposta; defesa do ponto de vista; argumentação; e proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Há uma fórmula para este resultado? Os estudantes garantem que não. “Não há mágicas, segredos ou truques. É muito trabalho, muito treino, muito estudo”, explica Ana Júlia.

Preparação

Cursar Direito ou Medicina é o desejo de Carlos, que se preparou no cursinho do sistema Ari de Sá em Fortaleza (CE). O segundo ano de nota 1000 no Enem é também o seu segundo ano de preparação para o vestibular. Para a redação, ele afirma que se dedicou a fazer muitos textos durante o ano. “Eu fazia, no mínimo, uma ou duas redações por semana. Tornei esse exercício frequente”, conta

Carlos Felipe, 19 anos, vestibulando de Direito e Medicina
Carlos Felipe, 19 anos, vestibulando de Direito e Medicina

 

Outra tática de Carlos foi ler bastante, tanto literatura quanto artigos jornalísticos. “Buscava, também, citações e obras literárias para aumentar o repertório das redações. No final do ano, tentei ler todos os textos que havia feito.”

Já Ana Júlia, que vai prestar Medicina e participou de quatro edições do Enem – desde seus anos de escola -, obteve ótimos resultados em todos: 820 pontos em 2013, 920 em 2014, até chegar a 1000 em 2015 e 2016. Ela afirma que nos dois últimos anos fez o curso extra 100% Redação, que lhe impulsionou a nota.

“A primeira nota 1000 foi o ápice da felicidade, jamais imaginaria conquistá-la. Uma surpresa gigante”, conta. Na repetição do resultado, ela diz que a leitura foi essencial. “O conhecimento de outras áreas como filosofia, sociologia, história é fundamental, e era nas aulas e nos livros que eu encontrava o ‘incremento’ para minha redação. Para a prova como um todo foi a mesma coisa: muito estudo, dedicação, cerca de 12 horas diárias estudando.”

O caminho para a nota 1000

– Fazer ao menos duas redações por semana

– Tornar a leitura um hábito diário. Investir em literatura e artigos jornalísticos

– Fazer um compilado de citações e fatos interessantes que possam servir na construção dos argumentos

– Estudar história, filosofia e atualidades

– Debater temas da atualidade em sala ou com colegas

– Pedir orientação e correção aos professores

– Ler redações nota 1000 de outros anos

Dicas de redação

Tanto para Ana Júlia quanto para Carlos, a leitura é um dos aspectos fundamentais do sucesso na redação. “É bom que haja a leitura de artigos e de obras literárias que possam contribuir para o uso de comparações, por exemplo, na argumentação”, recomenda Carlos.

Carlos também recomenda uma boa organização no texto. “É essencial ter escrita clara, concisa, e a estrutura do texto bem definida em introdução, desenvolvimento e solução. Recomendo também o uso de referências filosóficas, literárias ou científicas para deixar os argumentos consistentes e persuasivos”, diz.

Na proposta de intervenção, Ana Júlia conta que se baseou primordialmente na defesa dos direitos humanos. “Escrevi uma sociedade que gostaria de ver, de viver e de usufruir. Sem utopias, mas com propostas diretas e amplas, que abrangem as diversas esferas sociais, cada qual com seu papel, unidas em prol de um país melhor”, conta.

Além disso, ela menciona o preparo que realizou especificamente para esta prova. “Por volta de um mês antes da prova, chegava a fazer de três a quatro redações por dia.” Além disso, Ana Júlia relata a importância dos temas desenvolvidos, especialmente o de 2015, A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira: “Ele foi um presente, não só para mim, mas para todos aqueles, que, assim como eu, lutam por um mundo menos desigual e com menos violência. Foi mais do que uma nota 1000”.

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