Também ‘ouve’ a personagem depois de terminar o livro?

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Se respondeu afirmativamente, fique a saber que não está sozinho.

Daniela Costa Teixeira, no Notícias ao Minuto

Um bom livro consegue cativar qualquer um, numa espécie de hipnotismo em que a realidade se confunde com a ficção e as personagens passam a ter um lugar central nos pensamentos e nas ideias quotidianas.

Algumas pessoas, 20% dos amantes de livros para sermos mais precisos, continuam a ‘ouvir’ a personagem mesmo depois de terem terminado o livro, não se conseguindo desligar daquele ser ficcional que pode mesmo interferir com a sua forma de estar.

Mas, porque é que isso acontece? Segundo um estudo publicado este mês na revista Consciousness and Cognition, não estamos a falar de algum tipo de psicose como a esquizofrenia, mas sim de um fenómeno chamado de ‘cruzamento experimental’, algo que pode acontecer quando as pessoas se apegam de forma demasiado emocional a personagens televisivas ou de filmes, não conseguindo tirá-las da sua vida real.

Se acontece porque a personagem é cativante, ou porque o autor é extraordinariamente detalhado ou ainda porque a pessoa tem uma imaginação incrível, não se sabe. A ciência ainda não foi capaz de encontrar o porquê da questão, mas já encontrou a questão e até um padrão.

Conta o site Science of Us que os investigadores da Universidade de Surham acreditam que a literatura pode estimular o lado bom de uma psicose que não o chega a ser, no sentido de dar vida a vozes internas positivas que as pessoas criam quando estão a ler. Mas mais comum do que ouvir as vozes dos personagens depois de acabar o livro, é ouvir enquanto se lê, numa espécie de construção de personagem completa – sim, é também comum idealizar o corpo, as roupas, o cabelo, etc.

O estudo teve por base a participação de 1,500 pessoas que frequentaram o Festival Internacional do Livro de Edimburgo em 2014, sendo que 400 relataram experiências sensoriais associadas ao hábito da leitura.

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