Enem: bullying e obesidade são temas prováveis para redação

Estudantes ansiosos na reta final para realização do Enem 2017 (Foto: Adailson Calheiros)
Estudantes ansiosos na reta final para realização do Enem 2017 (Foto: Adailson Calheiros)

 

Assuntos ligados às minorias e à saúde são apostas para edição deste ano do exame

Evellyn Pimentel, na Tribuna Hoje

Bullying, obesidade, deficiência física, índios e público LGBT são temas apontados num ‘Top 5’ entre os mais cotados para a redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano. É o que analisa o professor Thalles Barros, que atua há oito anos em cursos preparatórios.

E justamente a redação é o motivo de maior preocupação para os participantes, de acordo com o professor.

“Tem alguns temas que estão em alta há algum tempo. Por exemplo, Bullying é um bom tema para esse ano, temas relacionados a minorias também, já que o Enem acaba abordando sempre nessa área. As minorias que ainda não foram contempladas que podem aparecer esse ano são deficientes físicos, índios, homossexuais. E um tema que corre por fora já que mudaram a banca é obesidade, porque nunca caiu no Enem temas relacionados à saúde. No entanto, mais importante que saber o tema é saber escrever. É o caminho construído ao longo do ano para que o aluno tenha a segurança de que sabe escrever sobre qualquer tema”, explica.

Para Barros, a preocupação em torno de uma boa redação é atribuída não só pelo peso na nota final do exame, mas também pelas dificuldades que grande parte dos participantes tem de produzirem bons textos.

“O jovem hoje tem pouquíssima prática de leitura. Essa dificuldade em ler acaba prejudicando na hora de produzir um texto, de escrever, já que a proposta do Enem é produzir um texto dissertativo argumentativo. A maioria não está preparada para um debate, muitas vezes eles acabam se esquivando de temas importantes para a discussão social”.

Coordenadora de um cursinho preparatório em Maceió, Rosemée Gomes de Lima também aponta a produção textual como o ‘bicho de sete cabeças’ dos alunos.

“Falta de leitura acontece muito, por isso eles têm tanta dificuldade, porque não têm mais hábito ou paciência. Quando fala no livro, eles perguntam quando vai sair o filme… o resumo… Eles não querem mais abrir o livro, ler, marcar no livro, pesquisar, é tudo na internet, é tudo muito rápido e as coisas que demoram muito para surtir efeitos eles não querem. Querem coisas rápido. E isso precisa ser corrigido agora”, destaca.

Rosemée explica ainda que a preparação para as provas começa em janeiro e segue até setembro num ritmo acelerado. A partir daí começa a parte de revisão, principalmente para os temas da redação.

“Temos as aulas de redação desde janeiro, as oficinas e duas vezes na semana a correção das redações feitas pelos alunos. O professor chega a corrigir 39 redações por período. Alguns alunos chegam às 6h da manhã para garantir que o nome vai entrar na lista e seu texto vai ser corrigido, eles se preocupam muito com isso”, detalha.

CONTANDO OS DIAS

Há 19 anos atuando com turmas em preparatórios, o professor de História Gilberto Rodrigues explica que nos dias que antecedem as provas os candidatos ficam em uma situação máxima de estresse.

“Neste momento existem dois sentimentos conflitantes. O primeiro é a tensão de estar se aproximando do Enem. O segundo é a ansiedade. Por incrível que pareça, muitos alunos estão ansiosos para que chegue logo. Chega o momento que você se prepara tanto que quanto mais distante, mais ansioso fica. Tem muita gente realmente que quer que o Enem seja amanhã, até para aliviar essa carga de adrenalina, a pressão”, expõe.

Até ano passado as provas ocorriam no mesmo fim de semana (sábado e domingo). Este ano o Ministério da Educação (MEC) fez algumas reformulações. As provas serão aplicadas em dois domingos consecutivos, 5 e 12 de novembro. A ordem das áreas de conhecimento também mudou: O primeiro domingo terá linguagens, ciências humanas e redação, com cinco horas e meia de prova; e o segundo, matemática e ciências da natureza, com duração máxima de quatro horas e meia. A novidade é avaliada como positiva, segundo o professor.

“Ajuda demais. A principal mudança, a mais significativa é que a redação é uma prova que pesa muito, pela necessidade de produção intelectual e escrita, boa e legível. Mas o nervosismo pesa na hora de escrever. É necessário ter um momento especial. Quando você pega a prova e divide, você diminui a carga da prova na hora da redação. Outro benefício é trabalhar melhor os conteúdos específicos na semana que antecede a prova”, reforça.

Para a estudante Vitória Fidelis, de 16 anos, fazer o Enem este ano servirá como treino para o ano que vem, quando a prova ‘vale’ o ingresso no curso desejado: Medicina.

“Vou testar este ano. Quero fazer Medicina. Mas acho que estou preparada para o que vier. Estou treinando diversos temas para redação, por exemplo. Estudo nos três horários, escola pela manhã, cursinho à tarde e à noite, em casa também. É bem pesado”, explica a moça.

Já para Vivian Couto de 17 anos, a preparação é intensa e segue um cronograma definido pela própria estudante.

“Terminei ano passado e este ano estou tentando realmente entrar. Quero Medicina. Basicamente fico o dia todo estudando. Acordo às 6h da manhã e às 7h já começo a estudar. À tarde estou no cursinho e à noite, estudando em casa. Para mim o segredo é estar sempre praticando, pedir sempre para o professor corrigir meus erros, treinar bastante”, diz.

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