Editora americana lança seleção de 76 contos de Machado de Assis

O escritor brasileiro Machado de Assis (1839-1908) – Divulgação

‘The Collected Stories of Machado de Assis’ tem tradução de Margaret J. Costa e Robin Patterson

Paul Sehgak, em O Globo[via The New York Times]

SÃO PAULO – Para Stefan Zweig, Machado de Assis (1839-1908) era a resposta brasileira a Charles Dickens. Para Allen Ginsberg, ele era um outro Franz Kafka. Harold Bloom chamou-o de descendente de Laurence Sterne, e Philip Roth o comparou a Samuel Beckett. No prefácio de “The Collected Stories of Machado de Assis” (Liveright), que reúne contos traduzidos por Margaret Jull Costa e Robin Patterson, o crítico americano Michael Woods invoca Henry James, Henry Fielding, Anton Chekhov, Vladimir Nabokov e Italo Calvino – em apenas dois parágrafos.

Para complicar ainda mais as coisas, Machado sempre me lembrou Alice Munro. Mas o que é isso? Que tipo de escritor induz tantas caracterizações arrebatadoras e loucamente inconsistentes? Que tipo de escritor pode aparecer em tantas fantasias diferentes?

O insistentemente inclassificável Machado nasceu na pobreza, neto mestiço de escravos libertos. Ele não teve educação ou treinamento formal; como Mark Twain, seu contemporâneo, ele começou como aprendiz de impressor. Egresso de um regime feroz de autoaprendizado, ele se estabeleceu, inicialmente, como escritor de pequenos romances sobre e para as mulheres da elite dominante.

Capa de ‘The Collected Stories of Machado de Assis’ – Reprodução

Mas em 1879 seu estilo mudou – ou melhor, floresceu. Uma doença crônica (ele sofria de epilepsia) e a quase perda da visão despertaram sua atenção. O suave romântico se transformou em um irônico doente, cujas intromissões autorais, cortes secos e pequenas subversões influenciaram experimentalistas americanos como John Barth e Donald Berthelme.

Cinco romances foram produzidos nesse período – incluindo a obra-prima “Memórias póstumas de Brás Cubas” (1881) – cimentaram sua reputação. Se essa coleção de 76 contos (selecionados de mais de 200) não os alcançam em qualidade, pelo menos oferecem um ponto de vista diferente e valioso – especialmente para os leitores que gostam de estar atentos à vida e à arte.

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