Ler para as crianças melhora o desempenho escolar

(Tatyana Tomsickova Photography/Getty Images)

A exposição à leitura beneficia os desenvolvimentos emocional e neurológico.

Raquel Drehmer, no M de Mulher

Ler sempre é bom. Por meio da leitura desenvolvemos a empatia, aumentamos o vocabulário, relaxamos, conhecemos e entendemos pensamento e realidades diferentes do nosso padrão, entre outros fatores. Quando lemos perto das e para as crianças, isso se amplifica, pois elas recebem estes mesmos benefícios e, de quebra, os laços familiares são fortalecidos. E tem mais: quando o assunto é desempenho escolar, os pequenos que são expostos com frequência aos livros antes dos cinco anos ficam à frente daqueles que não têm este estímulo.

Esta é a conclusão de um estudo realizado pela Universidade de Newscastle (Austrália) divulgado no final de 2018. Com base na observação da dinâmica de 1320 crianças e seus pais – metade das famílias orientadas a ler para os filhos, metade orientada a não ler –, observou-se que, depois de três anos, o grupo infantil da leitura tinha o vocabulário mais amplo e a compreensão de situações cotidianas mais apurada que o outro grupo.

Naturalmente, houve consequências no rendimento em sala de aula: no geral, as crianças do primeiro grupo tiveram avaliações e/ou notas mais elevadas que as do segundo.

O resultado confirma o que havia sido revelado em um outro estudo, de 2017, publicado no periódico Pediatric Academic Societies Meeting. Nele, pela análise por 4 anos de 250 filhos para os quais as mães liam desde os 6 meses de vida, observou-se que o vocabulário e a compreensão da linguagem eram mais amplos que a média na entrada na escola.

Desenvolvimento cerebral infantil pela leitura

Deborah Moss, neuropsicóloga especialista em psicologia do desenvolvimento pela USP, afirma que a ação da leitura é tanto emocional quanto física: “Além de toda a questão de afeto e troca neste momento de qualidade que os pais se dispõem a ficar com os filhos, o contato com os livros e as letras estimula uma parte do desenvolvimento neurológico que chamamos de ambiente alfabetizador, onde as letras circulam. À medida que eles crescem, a associação com as letras é feita.”

Que fique claro, porém, que o objetivo não é alfabetizar precocemente essas crianças, mas sim estimular sua familiaridade com as letras, com a escrita – que serão fundamental ao longo de toda sua vida. “O mundo letrado estimula a curiosidade. Este é o ponto principal”, explica.

A pedagoga Caroline Assis, professora de ensino fundamental I, conta que em sala de aula é perceptível quando a criança vem de uma realidade da qual livros, gibis e revistas façam parte do dia a dia. “Elas tendem a ser mais curiosas, criativas e capazes de associações incríveis, pois deixam a imaginação voar longe desde cedo. Aproveitam muito melhor o mundo do faz-de-conta e participam da construção de histórias mais ativamente”, diz.

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *