‘O Labirinto do Fauno’ ganha versão em livro


Foto: Divulgação

 

Adaptação para a literatura do filme de Guillermo del Toro chega em edição de luxo, que tem ilustrações e capa dura

Publicado no Destak Jornal

As melhores histórias ficam com seus criadores eternamente. É por isso que J.K Rowling, por exemplo, não consegue deixar o universo de Harry Potter de lado, ou porque J.R.R. Tolkien escreveu vários livros e contos sobre o universo da Terra Média. Com o cineasta Guillermo del Toro, o processo não é diferente. Quando a fábula “O Labirinto do Fauno” chegou aos cinemas, ainda em 2006, o sucesso de crítica e público foi imediato. A mistura entre fantasia, sonho e realidade construído del Toro era tão palpável, incrível e desejável que automaticamente aquele cenário ficou preso na cabeça das milhares de pessoas que acompanharam a história nas telas, mas também na mente do seu criador, que até hoje é referenciado pela mesma. É por isso que o livro homônimo, escrito pelo próprio diretor e por Cornélia Funke (também uma mestre em fantasia, como “Coração de Tinta” no seu portfólio), tem como objetivo adentrar esse universo, misturando contos com a narrativa da protagonista Ofélia, no filme vivida por Ivana Baquero.

“Era uma vez uma floresta no norte da Espanha” dá o pontapé inicial para o livro, assim como o filme. Mas as semelhanças nos meros detalhes não param por aí. Assim como a obra cinematográfica, a literária vem acompanhada de um visual impressionante, do momento que você abre o livro, até a forma como os contos são intercalados. A edição de luxo é feita com um papel especial e uma capa dura convidativa, fator que pode garantir a atenção de uma criança menos interessada por expandir tal universo ou acompanhar um livro mais ou menos extenso. Mas, assim como o longa de 2006, essa parte da história faz isso perfeitamente. Até mesmo os tons azulados tão presentes na imagem de del Toro são fundamentais aqui, sendo que o livro é completo de detalhes azuis e cheio de alusões às criaturas que assolam o Labirinto em si.

Um dos motivos pelo qual “O Labirinto do Fauno” ainda se mostra uma história tão necessária, mesmo após todos esses anos, é a essência de suas personagens femininas, que carregam desejos e sonhos diferentes entre si e, eventualmente, vêm de lugares diferentes. A protagonista Ofélia, por exemplo, tira essa característica das páginas que lê tão avidamente. Esse aspecto ainda é reforçado pelo livro, mas dessa vez são casos de seu passado que estão em pauta, ajudando a entender algumas decisões que tomaram lugar e forma durante o longa.

De contraponto com essas personagens está o capitão Vidal, uma figura que carrega em si uma personalidade simples, quase ignorante e que é repleta de um sentimento frio adquirido após anos vivendo sob um regime totalitário. Sua relação com Ofélia é algo aprofundado mais aqui, bem como seu machismo quase velado, e sua frieza.

No mundo de Guillermo del Toro, o cinismo não existe e o lugar dele agora abre espaço para metáforas, simbologias e uma mitologia muito rica e detalhada, algo que se mistura de forma homogênea com o surrealismo político e atemporal apresentado pelo cineasta mexicano. Algo que não falta no livro também. Dessa forma, del Toro e Funke fazem o que parecia impossível: o processo reverso de transformar um filme em literatura. A missão, no entanto, é bem sucedida. “São poucos e raros aqueles que sabem para onde olhar e o que escutar. Mas, assim como nas melhores histórias, são esses que fazem a diferença”, diz a última frase do livro. Não é à toa que a força-tarefa com dois escritores resgatou exatamente o sentimento exposto na sentença.

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