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Cristina Danuta

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Um Experimento na Crítica Literária – CS Lewis

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Neste livro o autor afirma que a literatura não deve ser avaliada por um a pseudocapacidade de revelar verdades sobre a vida ou como auxiliar da cultura. Ele acredita que a recepção da obra deve ter um fim em si própria. Para Lewis, quanto mais especificamente literárias forem as observações, menos contaminadas estariam por uma teoria de valor.

O livro considera a literatura uma prática que permite que tenhamos acesso a experiências que não são as nossas. Elas podem ser realistas, estranhas, belas, terríveis, assustadoras, hilariantes, patéticas, cômicas ou picantes, entre infinitas alternativas. Nesse aspecto, a literatura seria uma libertação para que o homem não seja apenas ele mesmo.
Lewis argumenta que a experiência literária aumenta o referencial do indivíduo sem ferir a individualidade. Ler um bom livro significaria ver de mil maneiras o mundo com manutenção da autonomia de pensamento. Torna-se, assim, uma possibilidade de transcendência, ou seja, uma jornada para fora do eu que leva à ampliação da própria capacidade de cada um se relacionar com a realidade.

UM EXPERIMENTO NA CRÍTICA LITERÁRIA
Editora UNESP
Autor: LEWIS, C. S.
Formato: 14X21
Páginas: 128
Edição: 1
Ano: 2009

Trabalhar cansa

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Trabalhar cansa é um livro que vale a pena ler com em ritmo lento. Comecei a leitura dele na sexta-feira e terminei na terça. O poeta foi traduzido do italiano para o português por Maurício Santana Dias, que fez o brilhante e gigantesco trabalho de traduzi-lo preservando a métrica dos versos. O prefácio, de setenta páginas, é fundamental para entender a história de vida de Cesare Pavese e de suas poesias.

Trecho de Mania di Solitudine
Mangio un poco di cena alla chiara finestra.
Nella stanza è giá buio e si vede nel cielo.
A uscir fuori, le vie tranquille conducono
dopo un poco, in aperta campagna.
Mangio e guardo nel cielo — chi se quante donne
stan mangiando a quest’ora — il mio corpo è tranquillo;
il lavoro stordisce il mio corpo e ogni donna.

Mania de Solidão
Como um leve jantar posto à clara janela.
Já está escuro no quarto e se vê pelo céu.
As estradas tranquilas lá fora conduzem,
em um breve percurso, aos campos abertos.
Como e olho para o céu — quiçá quantas mulheres
fazem o mesmo a esta hora — e o meu corpo está calmo;
o trabalho atordoa o meu corpo e as mulheres.

• Trabalhar cansa. Cesare Pavese. Cesare Pavese, Cosac Naify e Viveiro de Castro Editora. (400p.)

Ciumento de carteirinha

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Dizem que os jovens não gostam de ler. Não é verdade. Jovens leem, sim, e leem com prazer, desde que sejam bem motivados. Disso posso dar um exemplo pessoal: na minha turma de colégio tínhamos grandes leitores. Tínhamos não, temos: muitos de nós continuamos amigos e, quando nos reunimos, agora com nossas mulheres e nossos filhos, sempre falamos dos livros que estamos lendo, dos livros que já lemos um dia – livros que, garanto a vocês, fizeram nossa cabeça. A gente aprendeu muita coisa com a leitura, muita coisa que vem nos ajudando pela vida afora. E, muito importante, aprendemos com prazer e emoção. Como dizia o professor Jaime: livro bom é aquele que emociona, que diverte – e que ensina a gente a viver.

trecho de Ciumento de carteirinha, de Moacyr Scliar

Carta a D. – História de um amor

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Carta a D. – História de um amor é, literalmente, uma carta que o escritor André Gorz escreveu para sua esposa, D., já na velhice. Ele fala da história de suas vidas do seu ponto de vista. Qualquer comentário a mais que eu possa fazer, quebrará com as expectativas. Leia, é curto e vale a pena.

Você acabou de fazer oitenta e dois anos. Continua bela, graciosa e desejável. Faz cinquenta e oito anos que vivemos juntos, e eu amo você mais que nunca.

A sua resposta era incontornável: “Se você se une a alguém para a vida inteira, os dois estão pondo em comum sua vida e deixarão de fazer o que divide ou contraria a união. A construção do casal é um projeto comum aos dois, e vocês nunca terminarão de confirmá-lo em função das situações que forem mudando. Nós seremos o que fizermos juntos”. Era quase Sartre.

• Carta a D. – História de um amor. André Gorz. Annablume; Cosac Naify e Éditions Galilée. (80p.)


André e D.

Ler e esquecer

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“Montaigne queixava-se a toda hora (queixava-se ou gabava-se) da sua falta de memória. Quanto a mim, acho isso uma ótima vantagem, por motivos óbvios. E, ao reler um livro, espanta-me e diverte-me o que relembro na hora, às vezes uma simples frase, um gesto, um acidente mínimo.
Mas por que exatamente essas e não outras coisas?
Seria o caso de fazer uma auto-análise, pesquisando a natureza dessas fixações. E, como além da desmemória, a minha outra qualidade é a preguiça, deixo aqui a sugestão aos especialistas.
E continuarei sempre a ler, com a alegria de um descobrimento, o velho Machado, Tchekov, Dostoiévski e outros rapazes eternamente jovens.”

Mário Quintana, Porta Giratória, Ed. Globo

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