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Cristina Danuta

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Posts by Cristina Danuta

Amor é Prosa, Sexo é Poesia

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Em Amor é Prosa, Sexo é Poesia Arnaldo Jabor mostra-se o cronista que estamos acostumados a assistir no Jornal da Globo. Para aqueles que vivem no Rio de Janeiro, Jabor é velho conhecido nas páginas de Jornais. Por vezes católico ferrenho, por outras, liberal convicto de suas posições quanto à sexualidade, por vezes romântico irreparável, por outras pornográfico, por vezes complacente, por outras pernóstico, Jabor tece uma série de crônicas sobre amor, sexo, política, sociedade.
• Amor é Prosa, Sexo é Poesia Arnaldo Jabor Editora Objetiva (200p.)

Os sonhos não envelhecem (2)

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Ronaldo [Bastos] inventou os “socorros-costa”. Isso significava as ajudas sem cunho de parceria que prestávamos às letras uns dos outros. Primeiro isso começou entre ele e eu. Depois, estendemos a prática também para letras de Murilo Antunes; quer dizer, ele foi admitido na “instituição”. Na prática, funcionava mais ou menos assim: Ronaldo, por exemplo, estava compondo a letra de “Amor de Índio”. No finalzinho da música faltou inspiração. Então me mostrou o que já tinha escrito e eu introduzi dois versos:

“abelha fazendo mel

vale o tempo que não voou”

Isso não merecia ser chamado de parceria. Era chamado de “socorros-costa”

Márcio Borges, em Os sonhos não envelhecem – Histórias do Clube da Esquina

Protestantismo tupiniquim

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O grande mérito de Gedeon Alencar é fazer um panorama da realidade neopentecostal, inserindo-a sociologicamente e eliminando qualquer dúvida de sua diferença e afastamento do protestantismo de raiz. Com linguagem muitas vezes ácida, Gedeon Alencar soa irônico e beira o menosprezo, mas é uma opinião minha. O subtítulo da obra já é um sinal deste aspecto: hipóteses sobre a (não) contribuição evangélica à cultura brasileira. A obra, no geral, é boa, peca um pouco no projeto gráfico e na revisão, dos 33 livros que li até agora nesse ano de 2009, este é o mais fraco nesse sentido, mas não desqualifica a pesquisa de Alencar.

• Protestantismo tupiniquim. Gedeon Alencar. Arte Editorial. (160p.)

Deus e a Cabana

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A opinião de A Cabana sobre religião, sistemas e instituições é ambígua. Ou seja, é difícil de interpretar. O autor lança esses dizeres de Jesus no ar, como pequenas granadas, e nos deixa imaginando o qu fazer com eles. Algumas pessoas poderiam considerar isso uma irresponsabilidade. Mas talvez sua principal preocupação não seja tanto nos convencer de alguma coisa quanto nos fazer pensar de formas novas e saudáveis. Vamos explorar o que ele poderia pretender.

Em primeiro lugar, A Cabana está tentando mudar nossa opinião sobre o que significa ser seguidor de Jesus e amigo de Deus. A maioria das pessoas acredita que essas coisas envolvem necessariamente um nível elevado de lealdade e participação em organizações religiosas. Crescemos pensando que a religião cristã é a nossa identidade primária. A Cabana está tentando diferenciar lealdade a Jesus e amor aos nossos próximos, de um lado, de lealdade a organizações e sistemas humanos, de outro lado. E vai mais além do que isso. Significa que organizações e instituições religiosas podem muitas vezes nos atrapalhar em sermos seguidores fiéis de Jesus.

Por que muitas vezes colocamos a lealdade às instituições e organizações religiosas na frente de Jesus? A Cabana diz que isso ocorre porque almejamos a certeza e a segurança que pensamos que as instituições e os sistemas, como regras, podem oferecer. O Deus de A Cabana quer que abramos mão da nossa mania de certeza e de segurança, e que na fé nos lancemos a ele em total confiança. (A Cabana tem até Deus dizendo para Mack: “Eu gosto demais da incerteza” [p. 190]. Que enigmático!) Isso significa que todas as instituições, organizações e sistemas são ruins? Não necessariamente. Mas, segundo A Cabana, eles se transformam facilmente em substitutos para Deus à medida que esperamos mais neles do que em Deus. Deus fala para Mack que os sistemas humanos não podem nos oferecer segurança (p.166). Só Deus pode fazer isso, e é uma questão de confiança radical, mais do que provação, segurança ou estabilidade. Sistemas e instituições podem oferecer tais coisas em certa escala, mas não podem substituir a segurança que encontramos confiando apenas em Deus e tendo um relacionamento com ele.

Assim, de acordo com A Cabana, os cristãos tendem a pensar incorretamente sobre ser um seguidor de Jesus. Consideramos que seguir Jesus é praticar atividade religiosa nas instituições humanas que abraçam algum sistema de doutrina e moralidade humanamente criado. Alguns ainda o identificam com lealdade ao partido político ou a certa ideologia. Está tudo errado. Podemos estar envolvidos em instituições que trabalham em nome de Deus no mundo, e podemos acreditar em doutrinas, mas temos de ser cautelosos em relação a elas e guardá-las livremente. É muito fácil se tornarem corruptas, mortas, irrelevantes ou abusivas. Afinal de contas, são humanas. Mesmo o Cristianismo em si, como religião organizada, é uma invenção humana e, por conseguinte, sujeita ao fracasso.

Tudo isso me faz lembrar de um livro clássico do teólogo cristão Emil Brunner (1889-1966) intitulado The Misunderstanding of the Church [O mal-entendido da igreja]. Brunner alegou que a igreja não é uma instituição mesmo que assuma formas institucionais. A igreja deve sempre se distinguir dos seus aparatos e formas organizacionais, como fluxogramas, declarações doutrinais, cerimônias e monumentos. A verdadeiras igreja é a comunhão, daqueles que acreditam em Jesus e o seguem. Um contemporâneo de Brunner, Karl Barth (1886-1968) alegou que o cristianismo não é sequer uma religião! É o evangelho. Yong leva isso um passo adiante: ser seguidor de Jesus Cristo não significa ser membro de alguma igreja ou mesmo identificar a si mesmo como cristão. É somente confiar em Deus, encontrar a nossa segurança nele, e amar a ele e ao próximo incondicionalmente.

(…)

Por que você não quer mais ir à igreja?

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Em Por que você não quer mais ir à igreja? Wayne Jacobsen e Dave Coleman. nos mostram a história de Jake Colsen, um líder eclesiástico que tem sua vida completamente mudada para aprender como realmente se relacionar com Deus.
Apesar de me parecer um livro um tanto quanto tendencioso na questão eclesiástica, parecendo, por vezes, não incentivar a vida em Igreja, terminei a leitura do mesmo com a certeza que fora da instituição Igreja você não consegue compartilhar e desenvolver o cristianismo, nem que a instituição sirva só de contraponto à mensagem do Evangelho. O grande dilema de muitos é fazer com que sua caminhada comunitária e pessoal com Cristo se encontre com o discurso institucional e promova mudanças. A vida em Cristo pressupõe vida comunitária, e vida comunitária, o próprio autor mostra isso várias vezes no texto, leva a institucionalização. A pergunta é: como manter a relação com Cristo viva e ainda assim caminhar pelas veredas eclesiástica? A resposta é simples e dada no próprio livro a todo instante: deixe que Deus lhe mostre sua vontade.
Um pouco de ácido invejoso e crítico em forma de confissões: confissão de design: a capa do livro é linda. #invejasanta Confissão de diagramador: uma das melhores entre os livros que li este ano. #invejasanta Confissão de escritor: uma boa revisão para uma segunda edição vai bem, tem umas letras faltando em algumas palavras, mas não compromete a leitura. #nauminterfere
Deus vai providenciar. Ele sempre faz isso. Só que você não fica sabendo. Se você não tem emprego nem seguro-saúde, isso não significa que ele irá abandoná-lo. Se algumas pessoas estão destruindo sua reputação, isso não quer dizer que elas terão a última palavra. Deus não é uma fada madrinha que recorre à varinha de condão para deixar tudo do jeito que queremos. Você não irá longe se questionar o amor dele por você todas as vezes que suas expectativas não forem atendidas. Ele é seu pai. Sabe bem melhor do que você aquilo que você necessita. Ele é um provedor muito melhor para você e sua família do que imagina. Está trazendo você para a vida dele e, em vez de livrá-lo dessas coisas pelas quais está passando, preferiu usá-las para lhe mostrar o que são verdadeiramente a liberdade e vida autênticas.

• Por que você não quer mais ir à igreja? Wayne Jacobsen e Dave Coleman. Editora Sextante. (208p.)

Nota: sempre publico algo sobre o que libem depois de ter lido. Procuro sempre publicar minhas opiniões no mob bem depois de ter lido a obra, isso porque montei um arquivo de comentários das obras que li este ano, assim, toda semana tenho algo para publicar, acumulei opiniões para isso, mas como esta obra está bombando no twitter e aqui no mob e o próprio @adeus_igreja diz estar ansioso pela minha opinião, resolvi dar essa canja :))

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