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Cristina Danuta

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Doze mil livros são encontrados em um lixão de Goiás

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Foi preciso usar uma retroescavadeira para confirmar a denúncia anônima.

Fontes de pesquisa e leitura no lixo. Livros didáticos, material produzido pelo Instituto Aytron Senna para alfabetização de crianças e dicionários em vez de estar nas mãos de professores e alunos, o material foi parar no lixão de Iporá, a 200 quilômetros de Goiânia.

Um homem, que não quer mostrar o rosto, diz que na semana passada transportou livros da Subsecretaria Estadual de Educação para o depósito de lixo da cidade. Foi preciso fazer duas viagens no caminhão da prefeitura. O que mais chamou a atenção dele foi o bom estado de conservação dos livros, muitos editados recentemente.

“Eu sou funcionário público, se mandarem eu fazer uma coisa, eu sou obrigado a cumprir”, diz o homem.

A Secretaria de Educação de Goiás informou que existe um procedimento padrão quando um livro não é mais utilizado. Na maioria dos casos, o destino é a doação para reciclagem, por isso será feita uma sindicância. No fórum da cidade, o Ministério Público informou que será aberto um inquérito, o objetivo é saber se houve desperdício de dinheiro público.

“Essa situação em si já denota indícios de improbidade administrativa que pode resultar na pena de perda de cargo, multa etc. Mas também a conduta pode configurar crime“, fala o promotor de Justiça Denis Augusto Bimbati Marques.

A Secretaria de Educação do município de Iporá também foi procurada pela nossa equipe, mas ninguém atendeu as ligações.

Fonte: G1 Notícias

A Cultura dos Sebos

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O administrador André Garcia tinha 26 anos quando abandonou uma promissora carreira na área de inteligência de mercado em operadoras de celular, no Rio. Estava farto do mundo corporativo. Na dúvida do rumo a seguir, buscou a vida acadêmica. Mas, ao procurar livros para um mestrado, notou uma lacuna no mercado que mudaria sua trajetória.
Garcia não achava os títulos que queria em bibliotecas e livrarias, perdia-se nos sebos e na falta de oferta de usados na internet. Veio então o estalo. Em um ano, lançou o Estante Virtual, portal de compra de livros usados, que completa quatro anos com 1.670 sebos, com 22 milhões de obras reunidas.

Aos 31 anos, Garcia comanda um negócio que vende 5 mil livros diários, em 300 mil buscas (12 buscas por segundo em horário de pico). Para ele, os sebos devem ser valorizados como agentes de democratização da leitura. “Ela tem de estimular a imaginação e a reflexão.

Qualquer leitura não é leitura”, diz com a autoridade conquistada pelo sucesso da iniciativa inédita de intermediação. Garcia diz ser um erro achar que só à escola cabe estimular a leitura. É desafio do país, afirma, fazê-la vista como prazer. O Estante Virtual quer provar que até uma iniciativa de negócio pode fazer a sua parte.

O brasileiro não gosta de ler ou não compra livros por achar muito caro?
Os dois. Há muita gente que poderia gostar e não gosta, mas há ainda mais gente disponível à leitura se o livro fosse barato. Para quem não gosta de ler, há a razão educacional: a escola ensina a não gostar, usa uma metodologia que tem êxito inverso. Temos uma base pedagógica em que ler é obrigatório e a biblioteca é vista como lugar de castigo. Mas leitura é subjetividade, é ver o que agrada à sensibilidade e se ajusta à sua forma de ser, ao seu momento. A escola nunca me deu esse espaço e duvido que, salvo exceção, garanta isso a muito aluno. Para os que driblam a escola e aprendem a gostar de ler, há um preço alto a ser encarado. Se você considerar só a lista dos dez mais vendidos, a média é de R$ 43 o exemplar. Lê esses livros quem tem mais recurso.

Muitos acham que best-seller estimula a leitura.
Tudo bem, o cara lê 800 páginas de Harry Potter. Mas esse tipo de livro leva mesmo a outra leitura que não seja a mais coisa parecida com Harry Potter? Outro dia, um membro da Câmara Brasileira do Livro disse num evento que se o brasileiro ler bula de remédio, ou revista de fofoca, já está ótimo. Na minha opinião, isso é só tecnicamente leitura. A leitura tem de estimular a imaginação e a reflexão. Qualquer leitura não é leitura.

O livro pode virar fator de exclusão social?
Sem estímulo à escolha, sim. Há essa segmentação, em que uma minoria de livros é bem mais apresentada que todo o resto. A leitura termina aberta a um universo restrito de não mais que uns vinte livros. Uma derrota para a cultura. As pessoas leem só isso? O.K., melhor que não ler. Mas é um quadro de pauperização preocupante. Não basta democratizar a leitura. É preciso democratizar os autores de qualidade.

Daí o papel dos sebos…
Drummond tem uma crônica, O Sebo, em que diz que o sebo é o verdadeiro templo da democracia literária. As livrarias se concentram nos 20% de produtos responsáveis por 80% das vendas. Fazem isso não porque são “malvadas”, mas por não haver espaço para tudo. Não há como dar vazão a 1.500 títulos novos todo mês, 52 por dia, fora as reedições. Já o sebo virou uma reserva cultural. Nele, há os de agora, os de antes, os fora de catálogo. Estamos falando da história editorial do país, não só dos livros do momento.

Muitos evitam sebos pela poeira e desordem, não é?
Quem vê o sebo como o lugar de obras raras ou esgotadas deixa de usufruir o que ele tem a oferecer, pois trabalha com livro novo, seminovo ou em edição. À medida que as livrarias priorizaram os mais vendidos, os sebos viram que a demanda por eles cresceu. Boa parte se modernizou, está organizada. Os sebos com bagunça, obras empilhadas, empoeiradas, hoje são minoria.

Mas esse “preconceito” não impediu o avanço…
Se livro não fosse tão caro, sebos não teriam o papel que têm no Brasil. Em Portugal, os alfarrábios são só para obras raras e esgotadas, mesmo. Não se vai a um sebo português para comprar um novo Lobo Antunes ou Saramago, pois a loja não terá. Terá o exemplar raro, o autografado, a edição há muito esgotada. Aqui não, o sebo tem tudo, e o que a livraria de novos não tem mais, pois se concentrou nos mais vendidos e nos lançamentos recentes.

Qual o tamanho real desse mercado?
O Brasil tem hoje 1.800 livrarias em meio a 2.300 pontos de venda de livros. A estimativa de sebos é de 2 mil pontos de livros usados no país, 1.670 dos quais estão no Estante Virtual. Deste número, metade é de lojas de rua e a outra metade, de virtuais.

Quem toca esses virtuais?
Em geral, ex-professores, intelectuais aposentados, com muitos livros em casa, que ampliam o acervo e vendem. A gênese desse mercado ocorreu conosco. Antes, ia-se ao Mercado Livre ou montavam um blog, mas sem movimentação, pois ficavam perdidos na rede.
E aí surgiu o Estante.

Atuava na área de inteligência em operadoras de celular, mapeando mercados, mas cansei da hipercompetição, dos valores focados em maximizar lucros, das relações pessoais pouco saudáveis nas empresas e de brigar com concorrentes por um produto que era, de fato, igual ao deles. Chutei o balde, queria virar professor e me preparei para um mestrado em Psicologia Social na PUC-SP. Procurei livros para estudar quando veio o estalo.
Criar o lugar dos sebos…

Eu ia a bibliotecas e livrarias, e não achava o que queria. Nos sebos, vi uma forma de busca elementar. Olhava as lombadas, umas com as letras subindo; outras, descendo; mesmo com paciência, não achava. Vi, então, que o sebo era mais um lugar para deixar o livro encontrar você do que encontrar o livro que de antemão se deseja. É lugar de garimpagem, não busca. Fui à internet e só achei uns seis sites de sebos. Todos caros. Aquilo me chamou a atenção. Pelo desperdício de um acervo inalcançável – o cliente não conseguia uma mera busca. Eu me perguntei porque só uma elite de sebos estava na rede. Mas sabia a resposta: montar um site com acervo e sistema de busca não é barato, uns R$ 5 mil à época. Minha ideia era resolver a procura e criar uma vitrine para sebos sem visibilidade.

O início foi difícil?
No um ano que levou para preparar o site, mapeei o mercado. No final de 2005, quando lancei o Estante, contávamos com 68 sebos. Hoje temos 600 mil clientes a quem vendemos 5 mil livros ao dia. É mais do que as lojas de rua da Travessa, rede tradicional do Rio, ou do serviço on-line da Cultura, de São Paulo. Não vendemos o livro diretamente, fazemos a intermediação entre o livreiro e o comprador. A cada mil livros on-line, cada sebo fatura em média R$ 600 mensais.

Que livro é procurado?
Literatura estrangeira e brasileira, uns 20% e uns 15% da procura cada, o resto é pulverizado. O livro mais vendido é Vidas Secas, do Graciliano Ramos, que não chega a 900 cópias vendidos. É pouco, claro. No Estante, a venda é pulverizada, não há a discrepância das livrarias, em que um livro dispara milhares de cópias e o 50º mais vendido não passa de dezenas de exemplares. Nos sebos, não. O consumo é bem mais equilibrado. Considero isso uma vitória deles, que têm acervos diversificados e servem a todo gosto, não a um ou outro autor, editora ou tipo de leitura.

Tecnologias como kindle tornarão o sebo obsoleto?
Se livro impresso é caro, imagine depender de um intermediário de leitura que custa bem mais. Sebos atuam em nicho inverso, o de pessoas que querem uma leitura mais barata.

Para além da venda, a internet estimula a leitura?
Autores que não conseguem editora escoam sua produção em blogs. Nessa hora, a internet ajuda a ler e a criar. Mas o gênero mais lido da rede é o jornalístico, leitura informacional, utilitária, não uma ordem de leitura, digamos, mais preciosa. A internet atrapalha, de fato, quando a ênfase da leitura é nos simulacros de interação, como orkut, MSN, Twitter. Eu me pergunto se essas são reais formas de interação, se as comunidades interagem como comunidade. No Orkut, são muito usadas como decalque para a pessoa inserir em seu perfil. Não há convivência genuína.

Não é julgamento severo?
Não podemos apenas rejeitar essa interação, mas não se deve só endossá-la. Pois podemos virar a civilização dos simulacros de interação e dos protótipos de leitura. A escola precisa mostrar que ler dá prazer e nem tudo é interação genuína. Dizem que, como os tempos são dinâmicos, as pessoas não param para ler, daí ser preciso coisas mais dinâmicas, com jogos e tal. É desistir cedo demais. É preciso opor alguma resistência a essa temporalidade imediata.

O problema é a educação.
Não é só a educação. Há um grau de precarização da vida contemporânea, da mente ocupada o tempo inteiro, o dia todo tomado, sem tantas zonas de pausa, tudo se junta para o sujeito chegar em casa e não ter energia para ler. Exercitar a imaginação dá trabalho. O sistema de vida que levamos não facilita. A leitura está condicionada a fatores que talvez não consigamos de fato mudar. Não será só a escola a ser obstáculo, mas mudá-la é um começo.

Como estimular a leitura, nesse contexto?
De cara, a escolha do que ler, o processo da leitura, deve dizer algo ao leitor. Damos um sinal errado ao aluno ou filho quando o fazemos ler só para fazer prova. Quando perguntamos o que o personagem falou ou fez, só para saber se houve leitura por parte do garoto. Ler não é isso. Tem de haver prazer envolvido. Devemos nos opor a certos dogmas intelectuais, de que os clássicos devem ser venerados sem restrições, os livros precisam ser lidos até o final etc. Por mim, começaria as primeiras séries proibindo provas sobre não didáticos. Se o garoto não ler, pior pra ele. Mas não se deve puni-lo. Senão, começa a odiar. A ver o tempo na biblioteca como castigo. Isso não forma leitores, só os afasta.

O Hobbit

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Canção dos anões, depois que souberam que Smaug estava morto, pelo relato de Roac, o corvo. Feita enquanto homens e elfos armavam acampamento em torno da Montanha Solitária.


Sob a Montanha alta e sombria

De novo o Rei em seu trono está!

Morto o inimigo, o Dragão do Perigo,

E sempre assim o mal tombará.


Cortante é a espada, comprida, a lança,

Rápida a flecha, forte, o Portão;

Nem teme agouro quem busca seu ouro

Nossos anões justiça terão.


Operavam encantos anões de outrora,

Ao som do martelo qual sino a soar

Na profundeza onde dorme a incerteza,

Em salas vazias sob penhascos no ar.


Em colares de prata eles juntaram

A luz das estrelas; fizeram coroas

De fogo-dragão e do mesmo cordão

Tiraram o som de harpas e loas.


O rei da Montanha de novo domina!

Ó vós que passais, ouvi seu clamor!

Vamos correr! Não há tempo a perder!

De amigo e parente o rei quer dispor.


Pelas montanhas gritemos todos

“Vamos voltar para o nosso tesouro!”

Eis o Portão o rei de plantão,

Suas mãos cheias de gemas e ouro.


Sob a Montanha alta e sombria

De novo o Rei em seu trono está!

Morto o inimigo, o Dragão do Perigo

E sempre assim o mal tombará.

Pra quem me lê eu digo: Leia Tolkien!

ABL lança concurso de microcontos inspirado no Twitter

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A Academia Brasileira de Letras lançou, na última segunda-feira, um concurso de microcontos com até 140 caracteres –mesmo limite utilizado no serviço de microblogs Twitter.

Para participar da competição, os interessados devem ser seguidores do perfil da ABL no Twitter (@Abletras) e enviar seus microcontos para o e-mail [email protected], acompanhado por seu perfil no serviço, nome, endereço e telefone. O tema dos trabalhos é livre.

Cada participante só pode enviar um microconto. O prazo para a participação é até 30 de abril, sendo que os três vencedores serão divulgados em 1º de julho.

Os escolhidos terão seus microcontos expostos no site da ABL e no perfil da instituição no Twitter. Além disso, o primeiro lugar receberá um Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP); o segundo lugar ganhará um minidicionário escolar; e o terceiro lugar receberá um minidicionário da Língua Portuguesa de Evanildo Bechara.

Pequenas histórias

Os microcontos se tornaram populares no Twitter no ano passado, com a criação de perfis específicos para a publicação das pequenas histórias. Perfis como o microcontos e o semruido publicam regularmente os pequenos contos.

Outro perfil famoso é o microcontoscos, que traz histórias bem humoradas.

Fonte: Folha Online

Contato com dicionários faz bem à saúde e dá prazer

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Dicionários são consultados, de maneira geral, quando há dúvidas a respeito de como se escreve uma palavra. Poucos os leem como se aqueles volumes fossem romances ou poemas épicos. Uma pena. Talvez, se essas obras de referência fossem mais utilizadas, tudo seria diferente.

Diferente, no caso, para melhor.

O português tem cerca de 400 mil palavras. O chamado “homem comum” usa durante toda uma vida não mais que três mil palavras. Quem fez esse cálculo foi Antônio Houaiss (1915-1999), que hoje empresta o seu nome a um dos mais importantes dicionários em circulação no Brasil.

Esta edição do Caderno G Ideias é uma espécie de elogio aos léxicos, elogio esse que se faz por meio de uma conversa com linguístas e escritores, que têm nos dicionários algo tão cotidiano como o abrir e fechar da porta da geladeira.

Em comum, todas as fontes consultadas afirmam: estar em contato esses compêndios faz (muito) bem à saúde.

O escritor Luiz Ruffato acredita que as pessoas que, como ele, usam e abusam desses “calhamaços”, tendem a ter mais facilidade para conquistar um lugar ao sol na socidade, devido à aquisição do valorizado diferencial que é o chamado amplo repertório.

Pai dos burros?

Que nada. Um dicionários deveria ser chamado de mãe dos inteligentes.

Abrir um dicionário é se permitir saborear muitos prazeres, únicos, que uma língua pode proporcionar.

Fonte: Gazeta do Povo

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