Cristina Danuta

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Posts by Cristina Danuta

Culpa e Graça (2)

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“O julgamento pode evaporar, como já vimos, depois de uma explicação franca, em um retiro ou em um impulso de amor, mas ele logo reaparece. São instantes fugitivos que aparecem com sinais de graça. Mas os estados de graça não duram. […] A graça não pode ser armazenada; nós só temos vislumbres dela, como diz Paulo em um texto onde ele evoca a estranha mistura de abundância e de pobreza, de vida e morte, do eterno e do passageiro, que caracteriza nossa condição humana (2 Co 4: 5-7). Mas esses momentos têm sabor suficiente para nos fazer entrever o vedadeiro relacionamento humano e nos fazer desejá-lo ardentemente.”

“Não há, pois, diante de Jesus duas categorias humanas, os culpados e os justos; só há culpados…”

“Observem esta reversão. Deus prefere os pobres, os fracos, os desprezados. O que os religiosos têm mais dificuldade ainda de admitir é que ele prefere os pecadores aos justos. Isto se explica precisamente por este ponto de vista bíblico que a psicologia moderna confirma: que todos os homens são igualmente carregados de culpa. Os que chamamos justos não estão isentos dela, mas a reprimiram; os que chamamos de pecadores estão conscientes da sua culpa e, por isso mesmo, mais preparados para receber o perdão e a graça.”

Paul Tournier – Culpa e Graça.

Persépolis

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“Eles vêm dos meios desfavorecidos, dá pra ver…depois de ouvir promessas de mundos e fundos no além, são forçados a cantar para entrar em transe…”

A hora da estrela

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De todos os treze títulos propostos por Rodrigo S.M. na página de rosto da publicação, para mim o que melhor se enquadra na narrativa do conflito entre o autor e sua personagem é o Ela não sabe gritar. Clarice (ou teria sido Rodrigo??) escolheu A hora da estrela. Uma história fascinante que conflita o autor e a personagem e revela o quanto quem escreve se identifica com as personagens. Instigante, por vezes arrepiante, Macabéia é o retrato de um povo, de uma nação, que calada, conforma-se com tudo que aí está. Existe um filme do livro, muito bom, antigo, mas vale a pena assistir.
Por quê escrevo? Antes de tudo porque captei o espírito da língua e assim às vezes a forma é que faz o conteúdo. Escrevo portanto não por causa da nordestina mas por motivo grave de “força maior”, como se diz nos requerimentos oficiais, por “força de lei”.

Silêncio.
Se um Dia Deus vier à terra haverá silêncio grande.
O silêncio é tal que nem o pensamento pensa.

Meu Deus, só agora me lembrei que a gente morre. Mas — mas eu também?!

• A hora da estrela. Clarice Lispector. Rocco. (88p.)

A Carolina

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Querida, ao pé do leito derradeiro

Em que descansas dessa longa vida,

Aqui venho e virei, pobre querida,

Trazer-te o coração do companheiro.

Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro

Que, a despeito de toda humana lida,

Fez a nossa existência apetecida

E num recanto pôs um mundo inteiro.

Trago-te flores, – restos arrancados

Da terra que nos viu passar unidos

E ora mortos nos deixa separados.

Que eu, se tenho nos olhos malferidos

Pensamentos de vida formulados,

São pensamentos idos e vividos.

Machado de Assis

Carolina Augusta Xavier de Novaes e Joaquim Maria Machado de Assis casaram-se no dia 12 de novembro de 1869 e viveram uma plácida e amorosa vida conjugal durante 35 anos. A morte da esposa, em 1904, deixa Machado abatido e queixoso. Em carta a Joaquim Nabuco, datada de 20 de novembro do mesmo ano, escreve, lamentando-se: “Foi-se a melhor parte da minha vida, e aqui estou só no mundo.”

Em 1906, depois de terem sido publicadas as Poesias completas, o poeta escreve seu mais pessoal e profundamente sofrido poema, um verdadeiro réquiem, intitulado “A Carolina”. Talvez, para não demonstrar vestígios de um sentimentalismo piegas, Machado elege uma forma poética que reverencia também, sutilmente, o tom e a textura camonianos. Essa aproximação estilística à linguagem castiça, que renova, mais do que copia, no século XX, o sabor do verso quinhentista, foi observada por J. Mattoso Câmara, no ensaio “Um soneto de Machado de Assis”.

Ao lado de conhecidos poemas como “Círculo vicioso” e “A mosca azul”, o soneto “A Carolina” é considerado a mais comovente pedra de toque da obra poética de Machado de Assis.

No ano de 2006, comemorou-se o centenário de “A Carolina”, publicado pela primeira vez no livro Relíquias de casa velha, soneto que não foi recolhido em algumas edições das poesias completas.

Fonte: Folha Ilustrada


A Carolina

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Querida, ao pé do leito derradeiro

Em que descansas dessa longa vida,

Aqui venho e virei, pobre querida,

Trazer-te o coração do companheiro.

Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro

Que, a despeito de toda humana lida,

Fez a nossa existência apetecida

E num recanto pôs um mundo inteiro.

Trago-te flores, – restos arrancados

Da terra que nos viu passar unidos

E ora mortos nos deixa separados.

Que eu, se tenho nos olhos malferidos

Pensamentos de vida formulados,

São pensamentos idos e vividos.

Machado de Assis

Carolina Augusta Xavier de Novaes e Joaquim Maria Machado de Assis casaram-se no dia 12 de novembro de 1869 e viveram uma plácida e amorosa vida conjugal durante 35 anos. A morte da esposa, em 1904, deixa Machado abatido e queixoso. Em carta a Joaquim Nabuco, datada de 20 de novembro do mesmo ano, escreve, lamentando-se: “Foi-se a melhor parte da minha vida, e aqui estou só no mundo.”

Em 1906, depois de terem sido publicadas as Poesias completas, o poeta escreve seu mais pessoal e profundamente sofrido poema, um verdadeiro réquiem, intitulado “A Carolina”. Talvez, para não demonstrar vestígios de um sentimentalismo piegas, Machado elege uma forma poética que reverencia também, sutilmente, o tom e a textura camonianos. Essa aproximação estilística à linguagem castiça, que renova, mais do que copia, no século XX, o sabor do verso quinhentista, foi observada por J. Mattoso Câmara, no ensaio “Um soneto de Machado de Assis”.

Ao lado de conhecidos poemas como “Círculo vicioso” e “A mosca azul”, o soneto “A Carolina” é considerado a mais comovente pedra de toque da obra poética de Machado de Assis.

No ano de 2006, comemorou-se o centenário de “A Carolina”, publicado pela primeira vez no livro Relíquias de casa velha, soneto que não foi recolhido em algumas edições das poesias completas.

Fonte: Folha Ilustrada


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