Cristina Danuta

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Posts by Cristina Danuta

Por que você não quer mais ir à igreja?

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Em Por que você não quer mais ir à igreja? Wayne Jacobsen e Dave Coleman. nos mostram a história de Jake Colsen, um líder eclesiástico que tem sua vida completamente mudada para aprender como realmente se relacionar com Deus.
Apesar de me parecer um livro um tanto quanto tendencioso na questão eclesiástica, parecendo, por vezes, não incentivar a vida em Igreja, terminei a leitura do mesmo com a certeza que fora da instituição Igreja você não consegue compartilhar e desenvolver o cristianismo, nem que a instituição sirva só de contraponto à mensagem do Evangelho. O grande dilema de muitos é fazer com que sua caminhada comunitária e pessoal com Cristo se encontre com o discurso institucional e promova mudanças. A vida em Cristo pressupõe vida comunitária, e vida comunitária, o próprio autor mostra isso várias vezes no texto, leva a institucionalização. A pergunta é: como manter a relação com Cristo viva e ainda assim caminhar pelas veredas eclesiástica? A resposta é simples e dada no próprio livro a todo instante: deixe que Deus lhe mostre sua vontade.
Um pouco de ácido invejoso e crítico em forma de confissões: confissão de design: a capa do livro é linda. #invejasanta Confissão de diagramador: uma das melhores entre os livros que li este ano. #invejasanta Confissão de escritor: uma boa revisão para uma segunda edição vai bem, tem umas letras faltando em algumas palavras, mas não compromete a leitura. #nauminterfere
Deus vai providenciar. Ele sempre faz isso. Só que você não fica sabendo. Se você não tem emprego nem seguro-saúde, isso não significa que ele irá abandoná-lo. Se algumas pessoas estão destruindo sua reputação, isso não quer dizer que elas terão a última palavra. Deus não é uma fada madrinha que recorre à varinha de condão para deixar tudo do jeito que queremos. Você não irá longe se questionar o amor dele por você todas as vezes que suas expectativas não forem atendidas. Ele é seu pai. Sabe bem melhor do que você aquilo que você necessita. Ele é um provedor muito melhor para você e sua família do que imagina. Está trazendo você para a vida dele e, em vez de livrá-lo dessas coisas pelas quais está passando, preferiu usá-las para lhe mostrar o que são verdadeiramente a liberdade e vida autênticas.

• Por que você não quer mais ir à igreja? Wayne Jacobsen e Dave Coleman. Editora Sextante. (208p.)

Nota: sempre publico algo sobre o que libem depois de ter lido. Procuro sempre publicar minhas opiniões no mob bem depois de ter lido a obra, isso porque montei um arquivo de comentários das obras que li este ano, assim, toda semana tenho algo para publicar, acumulei opiniões para isso, mas como esta obra está bombando no twitter e aqui no mob e o próprio @adeus_igreja diz estar ansioso pela minha opinião, resolvi dar essa canja :))

Cartas entre amigos (2)

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Aos amantes não amados, não um conselho, mas um intento amoroso. Abandonar as roupas usadas e ousar novos caminhos. É um desperdício deixar o burburinho interminável da teimosia roubar a preciosidade da solidão e do silêncio. Não há por que ter medo. É bom ficar a sós e reconstruir com pedras e enfeitar com flores os sobrados que se desmancharam por aí. Talvez não fique igual. Talvez seja melhor que nasça diferente. As comparações podem ser corrosivas do metal nobre da escultura em modelagem ainda frágil. Não há pessoas iguais nem sentimentos iguais. Há novas tentativas, novas formas de descobrir e dar significado a um rosto que era só multidão. Obrigado, irmão, por partilhar seu tempo com minhas divagações. Com você, a travessia fica mais bonita.

Gabriel Chalita, em Cartas entre amigos: sobre medos contemporâneos (livro em parceria com Fábio de Melo, publicado pela Ediouro)

Cartas entre amigos

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Restituir sonhos é uma pretensão que carrego comigo. Ela nutre o meu desejo de ser casto, de ser do outro, não como objeto a ser usado, mas como um sentido a ser proposto. Carrego em mim um ofício que reconheço santo. Estabelecer as pontas da corda. Ser homem religioso, no mais profundo do termo. Viver para unir, para religar, congregar, para restaurar o que está danificado. Nestes tempos líquidos, ousar ser um lugar de segurança. Por meio de um gesto solidário, uma palavra bendita, uma celebração restauradora.

Fábio de Melo, em Cartas entre amigos: sobre medos contemporâneos (livro em parceria com Gabriel Chalita, publicado pela Ediouro)

A cidade do sol

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Em cidade do sol., Khaled Hosseini, tenta traçar um panorama histórico do Afeganistão. Parece-me mais uma apresentação do país sob a perspectiva de quem viveu lá. Deixando de lado as questões históricas e políticas, os dramas vividos por Mariam e Laila refletem o contexto social e religioso e revelam como a visão da cultura afegã não pode ser levada em conta somente pelos últimos trinta anos. O livro vale a leitura, e tal qual em O caçador de pipas (que li ano passado), Hosseini não deixa a desejar na descrição do Afeganistão e das mazelas sofridas pelas crianças e mulheres.
Mais tarde, depois que Rashid as deixou em casa e pegou o ônibus para ir trabalhar, Laila viu a filha acenando e se arrastando junto ao muro do orfanato. Lembrou da gagueira de Aziza,e do que ela tinha dito a respeito de fraturas e colisões fortíssimas que aconteciam bem lá no fundo, mas que, às vezes, nós só percebíamos como um ligeiro tremor na superfície.

• A cidade do sol. Khaled Hosseini Editora Nova Fronteira (368p.)

Barro Blanco (2)

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HOMENS! Chamar aquilo de homens! Aqueles seres que se fartavam de água. Depois, saindo à procura de comida pelo amor de Deus! A comida que a água bebida ensinava o estômago a reclamar. E eram muitos os homens estendendo as mãos para a caridade. Formando uma paisagem podre que faria doer a vista do citadino. Aqueles seres, para o higiênico, limpo e sadio homem da cidade, não podiam ser semelhantes seus, por mais que a religião de Cristo propagasse que sim.

Aquilo era mais uma fileira de caranguejos, recém-saídos da imundície dos mangues. Trazendo o odor, a catinga da lama dos brejos negros do Rio Potengi. Aqueles não podiam ser homens. Aqueles olhos que chamejavam inveja e cobiça, por tudo! Aqueles olhos trazendo uma marca de vingança, uma vontade de matar e de roubar, não eram de seres humanos. Eram, sim, de brutos, que não se importavam mais com o significado de civilização e de humanidade. Eles roubariam porque a seca tudo lhes roubara, deixando tanta coisa para o homem da cidade. Eles matariam porque a seca deixara as suas esperanças misturadas com o pó rachado do sertão, completamente mortas. A seca deixara, entretanto, para os homens da cidade, um ar sombrio de superioridade.

José Mauro de Vasconcelos, em Barro Blanco (Melhoramentos)

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