Cristina Danuta

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Posts by Cristina Danuta

O leitor é criador

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O texto é o lugar de uma experiência singular, privilegiada, de uma recreação da qual cada leitor pode se tornar o centro, por pouco que queira sair dessa passividade em que ele se empobrece, que o isola do texto, cujo sentido lhe escapa sempre em grande parte e necessariamente porque, fixado pelo autor, pertencendo somente ao autor, o leitor não tem parte nele. Que o leitor aprenda que ele não é o espectador deslumbrado ou entediado de uma história feita alhures com a qual ele não tem de ajustar contas. Que ele saiba apenas que o texto lhe fala dele e de sua própria história e, imediatamente, lhe aparecerão sentidos possíveis. O leitor aprenderá que o texto lhe traz em uma linguagem já codificada, que cabe somente a ele decodificar, o sopro noturno de sua vida mais longínqua, sepultada, indizível. Isto é dizer que o texto não tem um sentido fixado, que a variedade do texto está em todo o lugar e em lugar algum, que cada um tem o poder de fazer os sentidos existirem, de decidir os sentidos…

Serge Viderman, Le céleste et le Sublunaire.

O Caminho do Coração (3)

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“A natureza do Deus bíblico é essencialmente relacional. Esta é a diferença entre o monoteísmo trinitário cristão e os outros monoteísmos unitários, como o Judaísmo e o Islamismo”.

“A pessoa é mais humana e mais próxima de Deus quando transcende a si mesma em amor por outra pessoa”.

“A rejeição da amizade como espaço que possibilita o compartilhar do amor impede a compreensão de um Deus que é amor e que nos criou segundo sua imagem e semelhança”.

Ricardo Barbosa em, O Caminho do Coração (Encontro Publicações)

As cores do crepúsculo

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…dei-me conta de que aquilo que eu via pela primeira vez era o que eu sempre tinha visto. Ao final de minhas explorações eu retornava ao lugar de onde partira. O crepúsculo morara sempre dentro de mim. Ainda menino, eu já tinha um olhar crepuscular. Aquilo que eu via era, na realidade, o que eu sempre fora. Isso explicava a incompreensível nostalgia que sempre me acompanhara. O gosto pela solidão. O medo de morrer. O desejo de morrer. A vontade de chorar diante da beleza. A necessidade de deuses que retardassem o sol…

O Caminho do Coração (2)

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“Ao optar pela funcionalidade, optamos inevitavelmente pela ruptura. Muitos chegam a pensar que a experiência que o cristão tem com uma das pessoas da Trindade não é tão boa ou profunda quanto seria com uma outra”


“As relações que encontramos entre as pessoas da santíssima Trindade devem determinar o sentido das nossas relações, e não o contrário”

“A partir da Trindade descobrimos a importância da amizade como caminho para o conhecimento de Deus, uma vez que a natureza de Deus poderia ser resumida nesta expressão: Deus é amizade”

Ricardo Barbosa em, O Caminho do Coração (Encontro Publicações)

Conversas sobre política (2)

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não me recordo de nenhuma obra que Ghandi tenha inaugurado. Mas me lembro bem de outros gestos seus. Como uma longa caminhada que fez rumo ao mar quando tinha 61 anos de idade. Mais de quatrocentos quilômetros, 24 dias, 18 quilômetros por dia. Para quê? A inglaterra, potência colonial dominadora, proibia que os indianos possuíssem qualquer sal que não lhes estivesse sido vendido pelo monopólio governamental inglês. Ghandi Resolveu caminhar até o mar para ali transgredir a vontade dos dominadores: tomar nas mãos o sal que o mar e o sol haviam depositado nas rochas. Gesto mínimo, fraco, que não seria marcado por nenhuma fita cortada nem por nenhuma placa de bronze. Há situações em que a quebra da lei é a única forma de ser íntegro. Bem que podia ter ido em lombo de animal ou em vagão de trem. Seria mais rápido, mais cômodo. os políticos que se prezam tem horror a lentidão. Por isso se concedem atributos divinos de onipresença: agora estão aqui mas num abrir e fechar de olhos estão ali. Voam pelos espaços para se fazer ver e inaugurar… Ghandi pensava diferente, sabia que a vida cresce devagar.

Não queria inaugurar coisa alguma. Queria gerar um povo. E isso leva tempo, como uma gravidez. Era preciso que a caminhada demorasse, para que as pessoas caminhassem com ele e, com ele, sonhassem. E enquanto ele ia, crescia, na alma do seu povo, o sonho…

[…]

Pensei então que há dois tipos de políticos:

  • Os que se oferecem aos olhos do povo;
  • e os que oferecem novos olhos ao povo.
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