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A biblioteca particular que está à venda por 7 milhões de reais

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Maristela Calil: acervo com 13 000 obras coletadas por seu pai durante décadas (Leo Martins/Veja SP)

O terceiro maior conjunto de livros do país guarda raridades como a primeira edição de O Ateneu

Laís Franklin, na Veja SP

Dona de uma pequena livraria no centro, a empresária Maristela Calil tenta há 23 anos vender uma biblioteca guardada na casa de sua família, no bairro do Ipiranga. As 13 000 obras raras, grande parte delas de temas ligados a brasilidades, foram coletadas durante décadas por seu pai, o libanês Miguel Calil, morto em 1993. Não existem estatísticas na área, mas estima-se que seja o terceiro maior acervo particular do país, atrás apenas dos reunidos pela família Safra e pelo bibliófilo José Mindlin.

A coleção contempla artigos autografados e exemplares únicos, como uma cartilha manuscrita por dom Pedro II e a primeira edição do livro de poemas Pau Brasil (1925), de Oswald de Andrade. Autenticado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), esse tesouro está disponível por 7 milhões de reais.

Além de ter um valor alto, o conjunto das obras não pode ser desmembrado em lotes nem deixar o Brasil, o que explica a demora para a venda do material, ofertado no mercado há 23 anos. “Recebi propostas dos Estados Unidos e de instituições da Turquia e do Japão, mas esse é um patrimônio nacional e deve ficar aqui”, explica Maristela, que também chegou a tratar com Fiesp e Unicamp.

Maristela Calil: acervo com 13 000 obras coletadas por seu pai durante décadas (Leo Martins/Veja SP)

Até hoje, a informação sobre a oferta só circulou entre especialistas da área. O primeiro anúncio será publicado em janeiro, na internet, dentro da nova loja virtual da Livraria Calil, que pertence a Maristela e fica no 9º andar de um prédio na Rua Barão de Itapetininga. Por lá, ela reúne outros 200 000 títulos esgotados e raros, de diferentes assuntos, e comercializa em média quarenta exemplares por dia.

Especializada em restauração, a livreira não perde a esperança de concretizar o maior negócio de sua vida. “É um sonho ver o legado de meu pai sendo preservado”, afirma.

Raridades

(Leo Martins/Veja SP)

Nova York investe US$ 317 milhões em reforma de sua biblioteca mais famosa

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Biblioteca pública de Nova York (Foto: Getty Images)

Biblioteca pública de Nova York (Foto: Getty Images)

Com a nova reforma, a biblioteca ganhará 20% de espaço para salas de pesquisa, exibição e oficinas educativas e incorporará uma cafeteria, uma nova loja, um elevador e um novo terraço

Publicado na Época Negócios

A biblioteca mais emblemática de Nova York, conhecida pelos famosos leões que descansam em sua entrada, realizará a maior reforma da sua história, que custará US$ 317 milhões e não está livre de polêmicas.

A biblioteca, que fica na Quinta Avenida, está sempre bastante movimentada devido ao fluxo de turistas, mas também é uma das que mais recebe pesquisadores em todo o país, e permanecerá em obras até o fim de 2021.

Há quatro anos, um grupo de pesquisadores conseguiu derrubar o projeto de reforma anterior e ameaçou processar a instituição se esta não voltasse atrás em sua tentativa de se desfazer de suas estantes centenárias.

Com a nova reforma, a biblioteca ganhará 20% de espaço para salas de pesquisa, exibição e oficinas educativas e incorporará uma cafeteria, uma nova loja, um elevador e um novo terraço.

No entanto, o plano diretor não trata de um assunto complicado: o uso que será dado às estantes emblemáticas.

Estas, datadas de 1911, não cumprem com os requisitos de temperatura, umidade e segurança para incêndios que são necessários para as coleções mais delicadas.

É por isso que a maior parte dos arquivos que costumavam ficar nelas estão temporariamente realocados na biblioteca de Bryant Park, e suas prateleiras abrigam outra coleção diferente, a da biblioteca de Mid-Manhattan, que está envolvida em outra enorme reforma avaliada em US$ 200 milhões.

“Vamos levar um tempo antes de tomar uma decisão. É melhor demorar um pouco mais do que decidir às pressas e cometer equívocos”, afirmou o presidente da rede de bibliotecas públicas de Nova York, Anthony Marx, durante a apresentação do plano diretor em uma audiência pública nesta semana.

“Como se atrevem a chamá-lo de plano diretor se ele não contempla o aspecto mais importante da biblioteca, como o das estantes?”, questionou um usuário durante a sessão de perguntas.

“O que as pessoas querem é ter mais livros à disposição e acesso aos mesmos o mais rápido possível”, afirmou outro, que lembrou com nostalgia da época em que podia sentir o cheiro entre as estantes, pegar ele mesmo o livro e, durante o caminho, “deparar-se com outros exemplares” que sequer sabia que existiam.

Marx defendeu que, apesar dos livros estarem em outras bibliotecas, o tempo médio de entrega é de 27 minutos, e destacou que, graças a um acordo com as universidades de Harvard, Columbia e Princeton, o catálogo foi ampliado em 7 milhões de novos exemplares.

A abertura de uma cafeteria na biblioteca também levantou paixões. “Café? Café neste edifício majestoso?”, resmungou uma senhora de idade avançada, provocando aplausos do público que assistia à apresentação do plano.

Dos US$ 317 milhões do plano diretor, 144 já foram investidos na última década, e a maioria desses recursos provém de doações para a rede de bibliotecas públicas de Nova York.

Esta rede é, apesar do nome, uma fundação privada que recebe recursos públicos e particulares, e tem 92 centros distribuídos nos distritos de Manhattan, Bronx e Staten Island.

A reforma envolverá uma reorganização dos espaços. Os andares superiores receberão as salas silenciosas de leitura, para estudantes, leitores e pesquisadores, enquanto os visitantes e os eventos ficarão restritos aos andares de baixo.

A parte externa do edifício não sofrerá mudanças, exceto pela transformação de uma entrada para funcionários na Rua 40, que se transformará em um terraço com jardim, pensado para os grupos de estudantes que visitam a biblioteca, e que ajudará a descongestionar os acessos.

A arquiteta holandesa Francine Houben, cujo escritório ficará responsável pela reforma, detalhou que o edifício é “esplêndido”, mas que existem algumas salas nobres que o público não vê na atualidade, um “erro” que será reparado após as obras.

Apesar da insistência do público, que perguntou pelo futuro das estantes, Anthony Marx se limitou a dizer que todos os usos possíveis serão avaliados.

“Que uso vocês querem dar para uma estante? Coloquem nela os seus livros!”, alfinetou uma senhora presente no evento, levando o público aos risos na sala.

(Por sergi Santiago)

Biblioteca em formato de olho gigante impressiona chineses

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O edifício é um dos cinco edifícios encomendados pelo Instituto de Planejamento e Design Urbano de Tianjin para formar um novo centro cultural para a cidade

Mariana Conte, na Casa Claudia

Em Tianjin, na China, uma biblioteca pública que parece um grande olho vem conquistando a população. O projeto tem assinatura do escritório holandês MVRDV e a forma ocular do átrio pode ser observada de fora do edifício, através da fachada de vidro. As paredes em ondas são encapadas por prateleiras repletas de livros do chão ao teto. No centro, um auditório esférico incandescente forma a pupila.

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As linhas curvas criam espécies de arquibancadas em que os visitantes podem se sentar e ler e observar outras pessoas fazendo o mesmo. Winy Maas, co-fundador da MVRDV, descreveu o projeto como “uma espécie de caverna, uma estante de livros contínua”.

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“Nós criamos um espaço público bonito por dentro. Ser uma espécie de sala de estar urbana é o centro desse projeto”, disse ele ao Dezeen. “As estantes de livros são ótimos espaços para se sentar e, ao mesmo tempo, permitem o acesso aos andares superiores. Os ângulos e as curvas destinam-se a estimular diferentes usos do espaço, tais como a leitura, caminhada, reuniões e debates. Juntos eles formam o “olho” do prédio: para ver e ser visto”, explicou.

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O MVRDV revelou pela primeira vez seus projetos para a Biblioteca Pública de Tianjin em junho de 2016, quando a construção já estava bem encaminhada. É um dos cinco edifícios encomendados pelo Instituto de Planejamento e Design Urbano de Tianjin para formar um novo centro cultural para o distrito de Binhai, na cidade costeira.

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O edifício de 33.700 metros quadrados foi o projeto com conclusão mais rápida do MVRDV até o momento. Foram apenas três anos entre o primeiro esboço e a cerimônia de abertura. Essa agilidade toda causou algumas dores de cabeça em relação ao design. As prateleiras mais altas, por exemplo, são atualmente inacessíveis. Ali, os livros são na verdade uma projeção de imagens. Esses espaços são limpos usando um sistema de andaimes móveis e cordas.

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Áreas de leitura para crianças e idosos estão localizadas no piso térreo, outras salas de leitura se espalham pelo primeiro e segundo andares. Os pavimentos superiores contêm salas de reuniões, escritórios, salas de informática e dois terraços. Salas subterrâneas abrigam um grande arquivo e fornecem armazenamento extra de livros.

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Biblioteca no Rio de Janeiro está entre as mais belas do mundo

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Publicado no Guia Viajar Melhor

O Real Gabinete Português de Literatura já serviu de locações para filmes, novelas e minisséries

Criado no século XIX, a instituição é uma verdadeira homenagem para a cultura portuguesa em solo brasileiro e teve início apenas 15 anos depois da Independência do Brasil, quando 43 imigrantes portugueses criaram um “gabinete de leitura” inspirado nos centros culturais do mesmo formato que se consolidavam cada vez mais na Europa. O objetivo era trazer um pouco da riqueza cultural portuguesa para os imigrantes que começavam a viver no Rio de Janeiro, na época capital do Império.

Foto: Rosino

Foto: Rosino

Hoje, para quem passa próximo ao metrô Uruguaiana no centro da capital fluminense nem imagina a história da tradicional instituição portuguesa. O imponente edifício que abriga a biblioteca tem arquitetura luxuosa e foi eleito pela revista “Time” como uma das mais belas bibliotecas do mundo. O Real Gabinete Português de Literatura, também reúne o maior acervo de obras lusitanas fora de Portugal e o edifício está localizado na parte histórica do centro carioca e funciona tanto como biblioteca, como centro de estudos e instituição cultural.

Foto: Roland Sorg

Foto: Roland Sorg

A criação do Real Gabinete Português de Literatura teve início em 1837 em seu primeiro prédio e posteriormente foi transferido para o seu atual endereço na Rua Luís de Camões, 30, onde está instalado desde 1872.

Foto: Frank Alvarado

Foto: Frank Alvarado

Biblioteca Mário de Andrade fica sem climatização após infecção por fungos

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Vista da Biblioteca Mário de Andrade, na região central de São Paulo

Vista da Biblioteca Mário de Andrade, na região central de São Paulo

Rogério Gentile, na Folha de S.Paulo

A Biblioteca Mário de Andrade, que possui um dos acervos mais importantes do país, com 3,3 milhões de obras, está sem climatização adequada em suas reservas técnicas desde junho de 2013.

O sistema de ar-condicionado, instalado dois anos antes durante ampla reforma que custou R$ 20,6 milhões (valor corrigido pela inflação), foi desligado após recomendação técnica do Instituto de Pesquisas Tecnológicas.

O sistema, de acordo com o parecer do IPT, era responsável por uma proliferação de fungos, detectada em dezembro de 2012, que infectou cerca de 5% das obras do acervo, entre livros, documentos e outros itens.

Desde então, segundo inspeção feita pelo TCM (Tribunal de Contas do Município), “tenta-se manter de forma artificial a umidade relativa por meio de desumidificadores portáteis, em sua maioria antigos, que ficam ligados 24 horas nos dias úteis”.

Nos demais dias, de acordo com o constatado pela equipe de fiscalização do TCM, os aparelhos ficam desligados, pois a retirada de água dos desumidificadores depende de estagiários e de determinados funcionários.

Segundo os auditores, que realizaram a inspeção na biblioteca entre junho e agosto deste ano, há dois desumidificadores na sala da reserva técnica, bem como um equipamento que faz o monitoramento da umidade relativa.

“A temperatura e a umidade relativa variam conforme as condições climáticas externas”, afirmou ao TCM o funcionário responsável pela supervisão do acervo, Henrique Coimbra Ferreira.

“Os desumidificadores, ao menos, mantêm a umidade em níveis aceitáveis para a conservação dos itens”, disse o supervisor, que apontou variação de 40% a 65%.

Equipamento usado para preservar acervo da Biblioteca Mário de Andrade

Equipamento usado para preservar acervo da Biblioteca Mário de Andrade

No livro “Como Fazer Conservação Preventiva em Arquivos e Bibliotecas”, editado pelo Arquivo do Estado/Imprensa Oficial, Norma Cassares afirma que “o calor e a umidade contribuem significativamente para a destruição de documentos”.

Segundo a especialista em restauro e conservação, “o mais recomendado é manter a temperatura o mais próximo possível de 20°C e a umidade relativa de 45% a 50%, evitando-se de todas as formas as oscilações de 3°C e 10% de umidade relativa”.

JANELAS ABERTAS

Inaugurada em 1926, a Mário de Andrade tem uma coleção de obras raras com mais de 40 mil volumes de livros e 20 mil de periódicos.

Entre os itens, destacam-se as edições originais de álbuns de viajantes estrangeiros no Brasil colonial, como Spix e Martius, Thévet, Léry, Debret e Rugendas.

Possui também 500 mapas raros e 9 exemplares de incunábulos (obras que datam da origem da imprensa, anteriores a 1500).

De dezembro de 2007 a janeiro de 2011, na gestão Gilberto Kassab, a biblioteca passou por uma profunda reforma na qual ocorreram não apenas intervenções no edifício mas também o restauro de mobiliário e a desinfestação, higienização e reorganização física do acervo.

À Folha André Sturm, secretário da Cultura de João Doria, afirma que o diretor da biblioteca, Charles Cosac, é obcecado pela preservação do acervo e está adotando as medidas necessárias.

Segundo o secretário, consultores foram chamados para ajudar a resolver o problema e orientaram a biblioteca a não comprar outro sistema de ar-condicionado.

Novos estudos, afirma ele, indicam que o melhor procedimento numa situação como a da Mário de Andrade seria deixar as janelas abertas para estimular a circulação do ar, bem como manter o sistema de monitoramento e o uso dos desumidificadores.

De acordo com Sturm, a prefeitura está adquirindo telas especiais para instalar nas janelas do prédio, impedindo a entrada de bichos. A expectativa é que passem a ser utilizadas em outubro.

Segundo o secretário, todas as obras atingidas pelos fungos já foram recuperadas. “Não há mais nenhuma com fungo”, disse.

Sturm declarou também que a atual gestão optou por não investigar a responsabilidade pela compra do equipamento causador da proliferação dos fungos, ou tentar recuperar os valores investidos. “Mais importante era garantir a preservação das obras do que ficar investigando”, afirmou.

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