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educação

Catador de reciclados faz o Enem no ES e sonha em ser advogado por incentivo dos pais

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Carlos ao chegar no local de prova, com o sonho em mente — Foto: Arquivo Pessoal

 

Ele está pronto para fazer o Enem pela segunda vez. No ano passado, sonhava com o curso de medicina, mas o contato com livros da área de direito fez com que ele mudasse seus planos.

Ludmila Azevedo, no G1

Filho de catadores, Carlos Henrique Sales, 21 anos, que também trabalha no ramo, foi fazer o Enem incentivado pelos pais, neste domingo (4), em Vitória.

Ele está pronto para fazer o Enem pela segunda vez. No ano passado, sonhava com o curso de medicina, mas o contato com livros da área de direito fez com que ele mudasse seus planos.

“A Associação Ascamare, onde eu trabalho, vende muitos livros de direito. Tive acesso a eles e passei a me interessar por artigos sobre o assunto, e acabei me apaixonando. Seguindo essa profissão, posso ajudar as pessoas, defender aqueles que não têm condições de procurar um profissional, além de garantir um futuro melhor para mim e para minha família”, disse.

Carlos e os pais, José Carlos Santos, 52, e Marialva Sales Santos, 42 — Foto: Ludmila Azevedo/ G1

Carlos mora em Joana D’arc, Vitória, e trabalha como catador com a família há três anos. “Eu acordo às 7h, entro no trabalho às 8h. Como precisa de muito esforço físico, nos intervalos de 20 minutos eu aproveito para estudar”, disse.

“Eu me sinto cansado e às vezes isso me impede de estudar. O momento que eu mais sinto cansaço é quando eu estou indo para escola, durmo no ônibus porque estou cansado. E em alguns intervalos do trabalho também não consigo estudar”.

Viúva de Paulo Freire lança livro com artigos inéditos dele

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Nita Freire é a guardiã das obras de Paulo Freire Foto: Bárbara Lopes / Agência O Globo

Publicação de Nita Freire reúne ainda discursos feitos de improviso em diferentes países

Julia Amin, em O Globo

RIO — Viúva de Paulo Freire, Ana Maria Araújo Freire vai lançar, em novembro, mais um livro com artigos inéditos do educador. “Pedagogia do compromisso — América Latina e educação popular” reúne transcrições de entrevistas, conferências e discursos feitos de improviso na Argentina, no Chile e no Uruguai, além de um manifesto em homenagem ao povo da Nicarágua. Nita, como é chamada, afirma que é a guardiã das obras de Freire e que lutará “até as últimas forças” para expandir o legado dele .

Para ela, o fato de Freire ser tão combatido atualmente tem relação com a forma pela qual ele entendia educação. Alfabetizar significava para ele fazer com que as pessoas se tornassem conscientes de suas posições no mundo. Depois de terem uma formação crítica, a partir da leitura e da escrita, deixariam de ser oprimidas, e estariam, de fato, inseridas na sociedade, com participação ativa nas tomadas de decisão e em assuntos do país.

— Paulo tinha necessidade de fazer um programa de educação no país porque ele viu que grande parte do povo não se sentia igual a nós, vivia à sombra porque não sabia ler e escrever. Ele disse: “Eu quero tornar todo brasileiro sujeito de sua própria história, e para isso tenho que começar a alfabetizar”. Isso foi apavorante para o regime militar. Ele não estava lá para alfabetizar e as pessoas falarem blá-blá-blá. O intuito dele era fazer com que homens e mulheres fossem conscientes de suas posições no mundo, de seu direitos e deveres — explica Nita, que dentre alguns livros de sua autoria publicou “Paulo Freire: uma história de vida”, obra vencedora do Prêmio Jabuti em 2007.

Nita também ressalta o reconhecimento mundial de Freire, com milhares de prêmios recebidos. Só de títulos de doutor honoris causa foram 46, sendo o brasileiro a ganhar mais vezes a honraria. Em 2016, Elliot Green, professor associado da London School of Economics, divulgou um estudo em que mostrou que Paulo Freire foi o terceiro pensador mais citado em trabalhos acadêmicos de língua inglesa, com 72.359 aparições.

— Paulo é um homem brilhante, ilumina educadores do mundo todo. A revolução dele não é pegar em armas, é sobre mexer com a infraestrutura do país para mudar a superestrutura. Se a parte de baixo mexe, a de cima vai mexer também — afirma Nita.

Obras de autores como Malala e Aldous Huxley serão distribuídas em escolas

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Malala Yousafzai, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, faz uma pausa para uma entrevista à Reuters em um hotel local em Islamabad, Paquistão – 30/03/2018 (Saiyna Bashir/Reuters)

Cada aluno da rede pública receberá dois livros, que deverão ser devolvidos ao fim do ano

Publicado na Veja

Livros de Cecília Meirelles, Malala, Aldous Huxley, entre outros autores serão distribuídos aos alunos da rede pública junto com o material didático em 2019. Cada estudante deverá receber duas obras literárias, segundo o novo formato do Programa Nacional do Livro e do Material Didático Literário (PNLD), que, até este ano, distribuía apenas títulos para as bibliotecas e para serem usados em salas de aula.

De acordo com o Ministério da Educação, caberá a cada escola escolher os títulos a serem distribuídos aos seus alunos. No catálogo para o ensino médio, estão a biografia da paquistanesa Malala — a mais jovem a receber um Prêmio Nobel da Paz; o clássico de ficção Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley; poemas de Cecília Meireles, entre outros.

Todas as obras serão devolvidas às escolas depois do período de um ano para reutilização. Cada editora pode inscrever quatro obras para serem selecionadas para o catálogo.

Colégio Santo Agostinho, do Rio, suspende uso de livro considerado ‘comunista’ por grupo de pais

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Livro de Luiz Puntel seria usado na última prova de redação do ano Foto: Rafael Andrade/27-2-2012

Obra escrita nos anos 1980 foi retirada da lista de leitura do sexto ano; ‘Meninos sem pátria’ retrata vida de família exilada na ditadura

Ana Paula Blower e Renato Grandelle, em O Globo

RIO — Zé Maria chega em casa apavorado e anuncia para a família que o jornal em que trabalhava foi fechado pelos militares. Deixa o país, a mulher e os dois filhos, que depois o encontram no Chile. Não ficam lá muito tempo — vão para o exílio em Paris logo depois que o ditador Augusto Pinochet assume o poder em Santiago.

Esta é a história de “Meninos sem pátria” (Ática), livro de Luiz Puntel lançado em 1981 e que já está na 23ª edição. Apesar da longevidade, a obra enfrenta agora uma situação inédita — a pedido de alguns pais, o Colégio Santo Agostinho Leblon, na Zona Sul, suspendeu sua leitura, prevista desde o início do ano letivo.

‘Meninos sem Pátria’, de 1981, é um dos títulos mais vendidos da Coleção Vaga-Lume Foto: Reprodução

Pais de estudantes do 6º ano alegaram à escola que o livro “doutrina crianças com ideologia comunista”. Em uma página do Facebook, a obra é acusada de promover um “discurso esquerdopata”. No entanto, a decisão também foi alvo de críticas por internautas que se queixaram de ver o colégio se render a um “faniquito”. Procurada pelo GLOBO, a coordenação do Santo Agostinho não quis se manifestar.

Puntel destaca que o livro foi escrito dois anos após a anistia, evento histórico que lhe serviu de inspiração. O educador reforça que “Meninos sem pátria” se baseia no drama da volta dos exilados, e não em uma apologia ao comunismo.

— Falo sobre algo que aconteceu no final da ditadura militar. E agora, mais de 30 anos depois, um pai vê o filho lendo o livro e o interpreta como uma apologia ao comunismo — critica. — Lamento a existência da censura quando vemos como o país precisa da democracia. Quero pensar um pouco e ver com a editora se alguma coisa precisa ser feita.

Alunos da rede pública receberão livros literários a partir de 2019

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Publicado no UOL

Estudantes da rede pública receberão livros de literatura em 2019, além do material didático, de acordo com o novo formato do Programa Nacional do Livro e do Material Didático Literário (PNLD). A escolha das obras pelas escolas credenciadas ainda não foi iniciada. A previsão é que o sistema seja aberto para registro a partir do dia 8 de outubro.

De acordo com o Ministério da Educação, a escolha será feita pelas escolas, a partir de uma lista, e levará em conta a opinião dos professores e diretores de escola. No catálogo para o ensino médio, estão livros como a biografia da paquistanesa Malala – a mais jovem a receber um Prêmio Nobel da Paz; o clássico de ficção Admirável Mundo Novo, de Aldous Juxley; e poemas de Cecília Meireles.

Até este ano, o programa destinava as obras literárias apenas para as bibliotecas e para serem usadas em salas de aula. A previsão é que os estudantes recebam os dois livros literários.

Para a assessora de projetos da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Andressa Pellanda, é importante o aspecto individual da leitura, mas o papel didático da biblioteca não se deve ser esquecido. Ela defende que a escolha dos livros deve ser a mais democrática possível, envolvendo não só os professores, como prevê o programa, e que os alunos também sejam consultados.

“Sempre falamos da necessidade sobre o processo de gestão democrática dentro da escola. Então, a escolha dos livros didáticos também tem que passar por isso, existe todo um trabalho que é feito e pensado para que as escolas possam ter de fato gestão democrática”, disse. “Se os professores, os diretores, os coordenadores pedagógicos puderem discutir com os estudantes a escolha dos livros de literatura e também os livros didáticos, isso sempre é muito mais frutífero porque uma gestão democrática gera apropriação de cultura, então gera educação e aprendizado”, acrescentou.

Na avaliação de Cândido Grangeiro, sócio de uma pequena editora que teve livros escolhidos para o catálogo literário do programa, houve conquistas com o novo modelo. “Isso é uma conquista enorme [o livro ficar com o estudante] porque o aluno tem um acesso maior à literatura”, disse, ressaltando ser mais um incentivo para publicações no mercado editorial.

Os professores terão acesso a um guia com resenhas das obras selecionadas pelo programa e a escolha será feita após uma reunião de professores e diretoria da escola. Ainda de acordo com as regras, uma mesma editora não poderá ter dois livros escolhidos. As obras serão devolvidas às escolas depois do período de um ano para reutilização. Cada editora pode inscrever quatro obras para serem selecionadas para o catálogo.

O PNLD não permite que as editoras, com obras selecionadas para o catálogo, façam ações promocionais, distribuam brindes ou visitem as escolas. Grangeiro alerta para um disputa desigual entre as grandes e pequenas editoras. “Essas editoras [grandes] trazem toda uma tradição de chegada, um poder comercial mesmo, tem distribuidor, tem dinheiro, enfim, de chegar nas escolas e conseguir concentrar todas as adoções [de livros]. As editoras pequenas não dominam esse universo comercial, nem tem recursos financeiros para esses estudos. A disputa é extremamente desigual”, disse.

 *Colaborou Nelson Lin, da Rádio Nacional

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