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12,9 milhões de brasileiros não sabem ler nem escrever, diz Pnad

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Diogo Martins e Alessandra Saraiva, no Valor Econômico

A taxa de analfabetismo entre pessoas de 15 anos ou mais de idade recuou de 9,7% para 8,6% no país entre 2009 e 2011. Porém, mesmo com o recuo, o Brasil ainda tem 12,9 milhões de analfabetos. É o que mostrou nesta sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em sua edição mais recente da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), que tem 2011 como ano de referência.

A maior queda na parcela de analfabetos, no período, ocorreu na região Nordeste, cuja taxa de analfabetismo passou de 18,8% em 2009, ano de referência da Pnad anterior; para 16,9% no levantamento anunciado hoje. O IBGE ressaltou que, mesmo apresentando quedas sucessivas nos últimos anos, a taxa de analfabetismo na região Nordeste atinge quase o dobro da média nacional.

Os analfabetos do país se encontram concentrados em pessoas com idade mais avançada. Segundo o instituto, do total de analfabetos 96,1% eram pessoas com 25 anos ou mais de idade – e, neste grupo, com idade superior a 25 anos, mais da metade (ou 8,2 milhões) tinham 50 anos ou mais.

O IBGE também apurou que a taxa de analfabetos funcionais – pessoas que sabem ler e escrever enunciados simples, mas sem habilidades mais aprofundadas de leitura e de escrita – manteve-se em patamar mais que duas vezes superior ao da taxa de analfabetismo, permanecendo em 20,4% entre 2009 e 2011.

Entre os alfabetizados plenos, houve aumento no número médio de anos de estudo, que passou de 7,2 anos a 7,3 anos entre 2009 e 2011. As mulheres permanecem com maior tempo de estudo do que os homens: a média na população feminina completamente alfabetizada foi de 7,5 anos para número médio de anos de estudo em 2011 – sendo que, entre os homens, foi apurado média de 7,1 anos, no mesmo ano. Em 2009, o tempo médio de estudo entre os plenamente alfabetizados era de 7 anos para os homens; e de 7,3 anos para as mulheres.

O ensino público ainda é preponderante no país. Entre 2009 e 2011 a rede pública de ensino manteve atendimento a 87% dos estudantes do nível fundamental. No mesmo período, o atendimento da rede pública subiu de 86,4% para 87,2% do total de estudantes de nível médio; e avançou de 23,3% para 26,8% do total de estudantes de nível superior.

dica do Jarbas Aragao

Para presidente do Inep, queda do analfabetismo entre jovens é significativa

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Heloisa Cristaldo, no UOL Educação

O presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), Luiz Cláudio Costa, considerou “significativa” a redução da taxa de analfabetismo entre pessoas com 15 anos de idade ou mais, entre 2009 e 2011. Os dados são da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), divulgada hoje (21) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A média nacional de analfabetismo caiu de 9,7% para 8,6% no período. A maior proporção de analfabetos ainda é verificada na Região Nordeste, mesmo com queda na taxa de 18,8% para 16,9%. “A redução mostra que o Brasil está caminhando para alcançar a Meta de Dakar [estipulada pelo Fórum Mundial de Educação de Dakar, em 2000, e que deve ser alcançada até 2015] de reduzir para 6,5% os índices de analfabetismo no país. Temos que comemorar a redução”, disse.

“As ações do MEC [Ministério da Educação] tem surtido efeito. Outro ponto que consideramos importante é o estancamento de novos analfabetos entre os jovens, que já estão na escola e sendo alfabetizados”, completou o presidente do Inep.

Segundo Costa, a dificuldade em erradicar o analfabetismo entre a população mais velha acontece, entre outros motivos, por barreiras culturais. “Atingir pessoas com a faixa etária alta é difícil, mas essa queda mostra que os trabalhos dão resultado. Nos últimos anos, as quedas não foram como esperávamos. É uma maratona, mas estamos falando de uma redução de mais de um ponto percentual. A escuridão das letras deixou de existir para essas pessoas”, analisou.

Luiz Cláudio Costa calcula que 1,2 milhão de pessoas foram alfabetizadas no período da pesquisa e destacou que os esforços do MEC devem ser concentrados na Região Nordeste. “Os programas dos Estados e municípios vêm trabalhando de forma integrada com o governo federal, mas sabemos que para continuar com reduções significativas é necessário concentrar esforços e aumentar investimentos. É uma obrigação do governo e direito de aprender do cidadão.”

Outro dado analisado pelo presidente do Inep é o impacto do rendimento familiar na matrícula da pré-escola. Segundo a Pnad, enquanto 69,1% das crianças de 4 e 5 anos com renda familiar per capita de até um quarto do salário mínimo estavam na escola, a proporção sobe para 88,9% na faixa de renda superior a um salário mínimo. “Por esse motivo, a construção de creches é tida como prioritária pelo governo da presidente Dilma Rousseff. Precisamos oferecer as creches para todas as classes sociais. As mães precisam ter seus filhos na escola para trabalhar.”

Costa destacou ainda o investimento previsto pelo governo federal de R$ 7,6 bilhões para abertura de 6 mil creches até 2014, como forma de diminuir o impacto negativo da renda familiar na educação infantil.

Pesquisa mostra que estagiários perdem vagas em empresas por falta de leitura

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Publicado no Blog do Galeno

Baixo aproveitamento em língua portuguesa é um dos motivos que mais reprovam candidatos. Pesquisa do Núcleo Brasileiro de Estágios, feita em todo o país, com cerca de sete mil pessoas, entre 16 e 24 anos, apresentou a seguinte pergunta: “Qual o motivo de os jovens se saírem cada vez pior nos testes de língua portuguesa?”. Para 70% dos entrevistados, o problema está na falta de leitura.

Veja o vídeo aqui.

Reportagem apresentada no Jornal Nacional no ano passado já mostrava essa realidade: Português reprova candidatos a vagas de estágio

Como os pais podem ensinar leitura para seus filhos

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Cristiane Ferreira, no Segs

A escola é o ambiente formal escolhido pela sociedade para o ensino da leitura e escrita e suas regras cultas. Dispõe de profissionais qualificados e os recursos necessários para o ensino. Porém, mesmo antes de ter a instrução formal na escola, a criança começa a aprender a ler na família, adquirindo os hábitos de leitura dos adultos que a cercam na primeira infância e construindo suas hipóteses iniciais sobre funcionamento da escrita ainda em casa.

Quando a criança tem oportunidade de entrar em contato com diversos materiais escritos, como livros e revistas, por exemplo, vai compreendendo que os textos são combinações de palavras, que por sua vez são formadas por sílabas e letras e que são a representação de objetos e da língua falada.

A descoberta de que é possível representar os sons por meio de grafismos é um passo muito importante para o aprendizado da leitura e uma conclusão nem sempre tão simples de se alcançar, mas que pode ser facilitada por meio da convivência com leitores ativos.

Ao ter contato constante com a leitura feita pelos adultos, as crianças aprendem também que os textos trazem uma mensagem e servem para comunicar, divertir, ensinar. Dessa forma, desde pequena, a criança começa a compreender a importância da leitura e escrita e sua função social na vida das pessoas.

O aluno que chega à idade escolar com uma base sólida sobre o funcionamento do sistema da escrita terá o aprendizado sistemático da leitura mais dinâmico e será alfabetizado mais rapidamente.

Por esse motivo, os pais devem ler para os seus filhos, indicando com os dedos as palavras que estão sendo lidas; o livro deve ser posicionado de forma que a criança possa acompanhar a leitura, ao lado do adulto, observando o texto e as imagens continuamente, ao invés de ficar no lado oposto, tendo apenas a visão da capa.

Assim a criança já vai aprendendo que as palavras escritas podem ser faladas, que para ler é preciso seguir da esquerda para a direita, que existe um sentido em tudo o que está escrito e que, ao contrário dos desenhos, as palavras não tem semelhança com os objetos que representam.

Ao ver o desenho de um carro, a criança já consegue identificar qual objeto está representado, diferentemente de ver a palavra carro. Para saber o que a palavre representa, será preciso ler, ou seja, aprender a decodificar o sistema de escrita. Saber a diferença entre as formas de representar objetos (por meio de textos ou imagens) é uma habilidade sutil e implícita, mas muito importante para a compreensão da língua e uma das bases iniciais do processo de alfabetização.

Para auxiliar os filhos nesse processo, os pais devem deixar livros à disposição das crianças, junto com seus brinquedos. É aconselhável adquirir livros infantis que contenham imagens e textos, para que a crianças façam comparações e possam ler livremente.

Como ainda não dominam a língua e nem o código escrito, provavelmente os pequenos inventarão suas histórias e indicarão as frases lidas com dedo, “fingindo ler”. Os adultos devem evitar corrigir e deixar a criança inventar suas histórias, pois isso favorece a imaginação e a relação positiva com a língua escrita. Com o tempo, a própria criança começará a fazer perguntas do tipo “o que está escrito aqui?”. Nesse momento o adulto pode fazer a leitura solicitada.

Os pais também podem despertar o interesse dos filhos fazendo suas leituras diárias na frente das crianças. Ler jornal, livro e até um manual de instrução na frente dos pequenos fará com que as crianças percebam que ler é algo tão saudável, rotineiro quanto escovar os dentes. Como a leitura, diferente do ato de escovar os dentes, é algo que só os adultos fazem, logo a criança terá curiosidade e irá pedir ou pegar o livro ou jornal da casa.

Além dos pais, outros membros da família como irmãos mais velhos, avós, primos e até vizinhos e amigos, podem e devem participar de momentos de leitura junto com os pequenos.

Dessa forma a leitura passará a fazer parte da rotina da criança. E isso é o grande passo para a alfabetização, uma vez que boa parte das dificuldades de aprendizagem em leitura consiste na desmotivação do aluno que não consegue entender o que é leitura, para que serve e sua importância na vida das pessoas.

Estudante de 13 anos criadora do ‘Diário de Classe’ é acusada de calúnia e difamação

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Publicado no Estadão

A estudante catarinense Isadora Faber, de 13 anos, que virou celebridade por denunciar problemas de sua escola no Facebook, foi intimada a prestar depoimento nesta terça-feira, 18, após sua professora de português ter registrado boletim de ocorrência em que acusa a aluna de calúnia e difamação. A garota foi à 8.ª Delegacia de Polícia de Florianópolis acompanhada do pai.

“Estranhei, pois, para mim, o assunto já estava encerrado desde o início do mês quando ela me pediu desculpas. Eu aceitei e publiquei, está aqui até agora”, escreveu Isadora em sua página na rede social, o “Diário de Classe” (www.facebook.com/diariodeclassesc), que já tem 255 mil “fãs”.

Segundo a estudante, na última aula de português a professora sugeriu que todos os alunos lessem o regimento interno da Escola Básica Maria Tomázia Coelho, especialmente os pontos 8 e 9, que apontam as “práticas vedadas” aos estudantes:

“8. Levantar injúria ou calúnia contra colegas, professores ou funcionários, bem como praticar contra eles atos de violência de qualquer espécie; 9. Promover ou participar de movimento de hostilidade ou desprestígio à unidade ou às pessoas que nela trabalham, inclusive por meios eletrônicos (internet, celulares).”

“Me parece censura”, afirmou Isadora em sua página. No pé do folheto, um outro bloco de texto informa as “medidas socioeducativas disciplinares” a que os alunos estão sujeitos caso desrespeitem as regras. Dependendo da “gravidade da situação”, o estudante pode receber suspensão de até 3 dias e até ser encaminhado ao Ministério Público Estadual para aplicação de “sanção” (no caso de maiores de 12 anos).

“Não sofri nenhuma medida socioeducativa, fui parar direto na delegacia, mesmo. Acho que ela (a professora) deveria ler o regimento também”, completou Isadora. “Nunca tinha entrado numa delegacia antes, mas lá dentro todos me trataram muito bem.”

A fan page “Diário de Classe” foi criada em 11 de julho. Nela, Isadora postava fotos de sua escola e reclamava, entre outras coisas, da existência de porta sem maçaneta, fios desencapados, carteiras quebradas e ventiladores que davam choque. Após a repercussão da iniciativa na imprensa, a Secretaria Municipal de Educação realizou uma série de reformas na unidade.

A reportagem não conseguiu contato com a professora de Isadora nem com a secretaria de Educação.

foto: G1

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