Contando e Cantando (Volume 2)

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Stephen King revela que suas outras obras também ganharão remake

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Vanessa Wohnrath, no CinePop

Fãs das adaptações das obras de Stephen King podem ficar esperançosos. Em entrevista à revista Entertainment Weekly, o escritor revelou que muitas de suas “velharias” podem ganhar novas roupagens no futuro.

Muita coisa antiga, talvez, possa ser refeita. Há também um problema com alguns dos antigos contratos expirando e os estúdios precisam se apressar se não quiserem perder… Eu não sei o que fazer com isso, realmente. Todos os dias recebo outro contrato, outra opção, informação de que alguém está fazendo isso ou aquilo… Vamos colocar desta forma: eu estou no mercado como um vendedor agora. Há uma enorme fome de história, porque há tantas plataformas agora. Não é mais só o cinema.

Enquanto novos projetos não são anunciados, os fãs poderão conferir a refilmagem de ‘Cemitério Maldito’, que chega aos cinemas nacionais em 9 de abril. Isso sem contar na aguardadíssima continuação ‘IT: A Coisa – Capítulo 2’, prevista para 5 de setembro, e ainda, ‘Doutor Sono’, programado para 7 de novembro.

Confira a sinopse de ‘Cemitério Maldito’:

O médico Louis Creed muda com a mulher e dois filhos pequenos para uma casa de campo em Ludlow, Maine. Em frente à casa passa uma rodovia movimentada e, atrás, há um cemitério de animais. Por meio do velho Crandall, seu vizinho, Creed descobre também perto dali um antigo cemitério indígena, que tem o poder de mandar de volta à vida os corpos enterrados nele. Quando sua filha Ellie morre atropelada, Creed resolve enterrá-la no cemitério indígena e esperar por sua ressurreição.

O elenco conta com Amy Seimetz, Jason Clarke, Obssa Ahmed, Alyssa Brooke Levine e John Lithgow.

Milionários da literatura mundial

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US$ 1 bi de patrimônio tem J.K. Rowling. Foto: Justin Tallis/AFP

Brasileiro Paulo Coelho aparece na segunda colocação, com fortuna de US$ 500 milhões

Publicado em O Tempo

É para poucos, mas o universo da literatura pode, sim, transformar autores em grandes celebridades internacionais, alavancar suas carreiras e, naturalmente, encher os cofres de um seleto grupo de escritores ao redor do mundo.

Com base na fortuna gerada pelos best-sellers de renomados autores, o site Boa Finança apresentou um levantamento dos escritores mais ricos do planeta e seus patrimônios.

U$$ 500 milhões é a fortuna de Paulo Coelho.
Foto: Guido Montani/AFP

Autora da saga “Harry Potter”, a britânica J.K. Rowling ocupa a primeira colocação do ranking, com patrimônio estimado em US$ 1 bilhão. Na segunda colocação, o brasileiro Paulo Coelho tem em seus cofres uma fortuna estimada em US$ 500 milhões. Autor de “O Alquimista”, o livro brasileiro mais vendido da história e traduzido para mais de 80 idiomas, Coelho terá duas obras de sua autoria adaptadas para o cinema em breve.

US$ 400 milhões nos cofres de Stephen KingFoto: Scott Eisen/AFP

Considerado o mestre do suspense, Stephen King, autor de clássicos como “O Iluminado”, surge na terceira colocação, com um patrimônio de US$ 400 milhões. A lista ainda conta com autores como James Patterson, Danielle Steel, Nora Roberts e Tom Clancy.

O curioso é que, apesar de a lista trazer os sete escritores mais ricos do mundo, apenas a obra “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, de J.K. Rowling, aparece no top 10 dos livros mais vendidos do mundo, ocupando a sexta colocação.

Outras fortunas

US$ 390 milhões já faturou James Patterson.

US$ 350 milhões tem a autora Danielle Steel.

US$ 340 milhões é o patrimônio de Nora Roberts.

Trilogia Cósmica de C.S. Lewis será republicada no Brasil

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Obra surgiu após uma aposta entre o autor e J.R.R. Tolkien

Gabriela Avila, no Omelete

Trilogia Cósmica, a série de livros de ficção científica de C.S. Lewis, ganha nova edição no Brasil. A obra surgiu de uma aposta do autor com J.R.R. Tolkien, responsável pela série Senhor dos Anéis. Segundo estudiosos, os temas foram decididos no cara ou coroa, com o criador da Terra Média ficando com o tema “viagem no tempo” e Lewis com “viagem no espaço”. Apesar de Tolkien não tenha cumprido sua parte, Lewis iniciou uma história que desencadeou na trilogia.

O protagonista da série é o doutor Elwin Ransom, professor e filólogo que foi inspirado na figura de Tolkien, que se aventura pelo espaço em aventuras que se passam em mundos fantásticos. O primeiro livro da série se chama Além do Planeta Silencioso e narra o sequestro do Dr. Ransom por parte do maligno doutor Weston, que o leva ao planeta Malacandra. Perelandra é o segundo livro, onde o herói decide combater o mal em um outro planeta. Por fim, forças malignas que Ransom combateu durante os outros livros se reúnem para atacar a Terra em Aquela Fortaleza Medonha.

A nova versão da série será publicada no Brasil em março pela Thomas Nelson, editora responsável por trazer grande parte da obra de Lewis, que relança a Trilogia em exemplares com capas inéditas e nova tradução.

Edição comentada de ‘A Máquina do Tempo’ traz conto que originou livro

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Rod Taylor viaja no tempo na adaptação de George Pal (1960) Foto: Warner Home Video

H.G. Wells não foi o primeiro autor a imaginar viagens no tempo, mas foi pioneiro ao pensar uma máquina capaz de realizar essa proeza

André Cáceres, no Estadão

Com a descoberta da Antártida, no início do século 19, não havia mais nenhum continente a ser encontrado, mas isso não significa que a humanidade deixou sua curiosidade de lado. O escritor britânico H.G. Wells (1866-1946) nasceu tarde para perseguir novas terras e cedo para ver a corrida espacial florescer. Dedicou-se, então, a outros tipos de exploração. Em seus romances de aventura com bases científicas – o termo “ficção científica” só seria cunhado pelo editor Hugo Gernsback, no início do século 20 –, Wells se debruçou sobre quimeras híbridas de humanos com animais em A Ilha do Dr. Moreau (1896); o perigo militar da aviação em A Guerra no Ar (1908); e o planeta vermelho em A Guerra dos Mundos (1898); mas um dos temas que mais o fascinou foi o tempo. Seu primeiro romance, A Máquina do Tempo (1895), ganha no Brasil uma nova edição comentada, lançada pela Zahar, com direito a esclarecedoras notas de rodapé e acompanhando o conto Os Argonautas Crônicos, cuja ideia inicial embasou o livro.

Na trama, o protagonista, identificado apenas como Viajante do Tempo, é um excêntrico inventor vitoriano que cria um dispositivo capaz de se transportar pela chamada quarta dimensão. Antes de jantar com seus amigos, decide ir ao ano 802.701, ávido pelo progresso do intelecto humano. Todavia, frustra-se ao descobrir que a humanidade se degenerou em duas espécies irreconhecíveis: os Elói, seres frágeis e desprovidos de qualquer inteligência ou criatividade, que apenas viviam de forma idílica; e os Morlocks, criaturas desprezíveis que habitavam túneis subterrâneos e caçavam à noite suas contrapartes da superfície.

No excelente texto de apresentação, Adriano Scalondara explica que Wells não foi o primeiro autor a imaginar viagens no tempo. Livros como o francês L’An 2440, de Louis-Sébastien Mercier (1770), o irlandês Memoirs of the Twentieth Century, de Samuel Madden (1733), e os americanos Rip Van Winkle, de Washington Irving (1819), e Looking Backward, de Edward Bellamy (1888), antecederam A Máquina do Tempo. “Convém observar ainda que em todos esses casos a viagem se dá por meios místicos, mágicos ou sobrenaturais. A grande inovação de Wells foi ter concebido, a sério, a ideia de um dispositivo que poderia ser construído pela engenhosidade da ciência humana.”

Nem mesmo os amigos acreditam no relato do Viajante do Tempo, a não ser pelo narrador. O Médico – a maioria dos personagens são referidos por suas profissões – questiona se o protótipo da máquina que vê sumir diante de seus olhos não é um truque “tal como aquele fantasma que o senhor nos mostrou”. Lúcido, Wells oferecia um ceticismo salutar que era um contraponto ao pensamento corrente – até Arthur Conan Doyle se rendeu à superstição que seduzia intelectuais à época.

Wells se inspira nas discussões de filósofos como Thomas More e Platão, que teorizam sociedades perfeitas em Utopia e A República, mas segue na contramão do pensamento da Belle Époque ao vaticinar o declínio da humanidade no futuro. Mary Shelley já havia imaginado uma catástrofe que destrói a civilização no romance O Último Homem, e A Máquina do Tempo retoma esse tom apocalíptico indo além de nossa vulnerabilidade ante um cataclisma. Como biólogo, Wells demonstra que a evolução darwiniana (seu orientador era Thomas Henry Huxley, avô de Aldous e um dos principais defensores públicos da teoria de seu amigo Charles Darwin) inevitavelmente provocará a extinção humana. Assim como qualquer espécie se modifica gradualmente, também nós devemos sofrer mutações que, ao longo de um grande intervalo de tempo, nos tornará irreconhecíveis. Se aceitar a própria mortalidade individual já demanda uma enorme coragem intelectual, aceitar o iminente fim da humanidade é notável.

“Pela primeira vez comecei a compreender uma estranha consequência dos esforços sociais nos quais estamos engajados no presente”, relata o Viajante do Tempo. “A força é um resultado da necessidade; a segurança é um convite à fraqueza.” Ou seja, justamente os esforços que a sociedade do fin de siècle fazia para progredir tecnologicamente eram a raiz da debilidade dos Elói e da selvageria dos Morlocks – uma conclusão que contraria as expectativas otimistas da época, que logo seriam postas em cheque pela 1.ª Guerra Mundial.

No fim de sua expedição, o Viajante do Tempo avança para um futuro ainda mais distante, e seu relato impressiona: “Não consigo transmitir o sentimento de desolação abominável que pairava sobre o mundo. O céu rubro do oriente, o negrume do norte, o salso mar Morto, a praia rochosa infestada daqueles monstros vis e lentos, o verde uniforme e de aspecto venenoso dos liquens, o ar rarefeito que feria os pulmões: tudo contribuía para um efeito aterrador”. O planeta se desfigura cada vez mais até que encontra seu fim, como prevê a ciência. Não contente em preconizar a decadência humana, Wells constata o ocaso da Terra. “Por fim, um por um, rapidamente, um atrás do outro, os picos brancos nas colinas distantes desapareceram nas trevas. A brisa cresceu até se tornar um vendaval que gemia. Vi a sombra central escura do eclipse varrer o ar acima de mim. No instante seguinte, só as estrelas pálidas estavam visíveis. Todo o resto era uma obscuridade afótica. O céu estava absolutamente negro.”

Esse tom fatalista ressoa em outra obra de Wells sobre o futuro, O Dorminhoco (1899), em que um sujeito entra em estado letárgico por dois séculos e acorda em uma sociedade distópica, cuja economia gira em torno de seu patrimônio, que cresceu exponencialmente durante seu sono. Wells não impinge otimismo em seus vislumbres futuristas, e o remédio, segundo o narrador de A Máquina do Tempo, é um só: “Se assim for, o que nos resta é continuar vivendo como se assim não fosse.”

Em Itaipava, casa frequentada por autor de ‘O pequeno Príncipe’ tem passeio guiado

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A varanda da casa La Grand Vallée, onde começa a visita Foto: Marcelo de Jesus / Agência O Globo

Anfitrião conta curiosidades sobre Saint-Exupéry e sobre a história da aviação

Julian Amin, em O Globo

RIO — Na agradável varanda de uma casa na estrada do Ribeirão Grande, o jornalista aposentado José Augusto C. Wanderley convida os visitantes a se acomodarem em cadeiras e em um sofá. Com fala calma e rica em detalhes, ele inicia o encontro que vai durar cerca de uma hora e 30 minutos. O anfitrião conta que a residência é chamada de La Grande Vallée, batizada assim, em francês, por seu antigo dono, o piloto Marcel Reine. É aí que a prosa vai ficando cada vez mais interessante. Reine era amigo de Antoine de Saint-Exupéry, autor de “O pequeno príncipe” e frequentador da antiga fazenda. Apaixonado por literatura e por aviões, José Augusto, como é conhecido, resolveu, há cerca de dois anos e meio, fazer de sua casa um espaço de visitação guiada mediante agendamento (R$ 25), em que relata curiosidades de Saint-Exupéry e da história da aviação no país e no mundo.

De dezenas de edições da obra em diferentes idiomas a fotos antigas do autor enquanto pilotava e até xícaras com a aquarela infantil, a casa é toda decorada com referências ao Pequeno Príncipe e a Saint-Exupéry. A paixão pelo livro e pelo escritor, que também era piloto, surgiu de criança, já que seu pai comprou o sítio antes mesmo de ele nascer. José Augusto cresceu em meio a histórias sobre os antigos frequentadores do lugar e, num curso natural, começou a pesquisar detalhes do passado.

—Este é o meu projeto de vida. Comecei há dois anos e meio e estou crescendo numa escala aritmética. Recebo pequenos grupos e muitas escolas, creches… Já veio um grupinho de crianças francesas com deficiência auditiva. Tem sido muito lúdico alcançar esse meu objetivo, porque eu gosto de História, gosto de aviação e praticamente nasci aqui — ressalta José Augusto.

José Augusto C. Wanderley mostra uma edição de 1953

Em sua explanação aos visitantes, ele retorna ao início do século XX, quando foi criada em Toulouse, na França, a empresa de aeronaves Latécoère — depois se chamou Aéropostale, e atualmente é a Air France — , primeira a fazer a travessia do Oceano Atlântico. Uma rota com 11 cidades foi traçada de Natal, no Rio Grande do Norte, até Pelotas, no Rio Grande do Sul, e uma das paradas era justamente no Campos dos Afonsos, no Rio. Em uma de suas rápidas idas à Serra, Marcel Reine resolveu comprar uma fazenda que estava à venda. Era La Grande Vallée. Adiquiriu e pediu aos seus superiores autorização para ficar lá nos dias em que não estava pilotando — os funcionários eram obrigados a permanecer nos alojamentos da empresa. Conseguiu a permissão não só para ele, mas também para seus amigos do trabalho. Um deles era Antoine de Saint-Exupéry.

Aviação e literatura

A fazenda era o grande momento de lazer dos pilotos. Segundo José Augusto C. Wanderley, eles passavam de dois a três dias lá, cavalgando pela manhã e, à noite, ouvindo música pelo gramafone na companhia de amigas, sempre com bons vinhos e queijos franceses. De todos os funcionários da Latécoère, Marcel Reine foi o único a comprar uma propriedade fora da França.

— Os pilotos conseguiram a autorização para dormir na casa alegando que precisavam vir aqui para fazer pagamentos. Que nada! Eles eram jovens e bonitos, e vinham para se divertir. Cientes de que estavam a cada voo de frente para a morte, eles detestavam usar essa palavra. Marcel escreveu que iria se “retirar” aqui, mas quando a Latécoère foi comprada por outro grupo e passou a se chamar Aéropostale, ele e os amigos saíram da rota do Brasil. Ele vendeu a casa para um amigo de meu pai, que loteou o terreno. Papai comprou a sede da fazenda em 1938 — conta José Augusto.

Fotos, sinalizador e até uma rosa, colhida do jardim de José Augusto, decoram o espaço de visitação Foto: Marcelo de Jesus;marcelodejesus / Agência O Globo

Como seu público é bem diversificado — vai de crianças a franceses viajantes —, o anfitrião procura selecionar fatos de acordo com o interesse dos seus interlocutores. Para os pequenos, por exemplo, conta sobre o funcionamento de aviões, fala sobre Santos Dumont, que morou em Petrópolis, mostra algumas miniaturas que coleciona e o sinalizador usado pelos pilotos quando sofriam algum acidente — as quedas eram muito comuns naquela época, diz José Augusto: a cada sete voos um caía.

— Eu ajudo as crianças da região a terem orgulho de pertencerem, nascerem ou viverem em Petrópolis — afirma.

Sobre Saint-Exupéry, são muitas curiosidades. Nem o casamento do autor escapa. Durante os anos em que o francês escreveu “O pequeno príncipe”, em uma casa isolada nos Estados Unidos, ele não estava acompanhado de sua mulher, Consuelo. Foi seu único livro infantil. A grande obra foi publicada em 1943, mas só chegou à França em 1946, dois anos depois da morte do autor. Seu avião foi abatido por nazistas durante combate na França na Segunda Guerra Mundial.

A visita termina com um café quentinho nas xícaras do Pequeno Príncipe. No futuro, José Augusto pretende servir pequenos almoços de gastronomia francesa, inspirados na época. Os interessados em conhecer La Grande Vallée podem agendar horários de quarta a domingo, das 11h às 16h, pelo telefone 24 2222-1388.

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