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‘Fidel Castro profetizou o 11 de setembro’, diz autor Fernando Morais

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Publicado originalmente no G1

Fernando Morais é autor de 'Olga' e 'Chatô', mas se intitula um 'eterno repórter' (Foto: G1)

Fernando Morais é autor de 'Olga' e 'Chatô', mas se intitula um 'eterno repórter' (Foto: G1)

Convidado da 15ª Bienal do Livro do Rio, o escritor Fernando Morais participa de debate no evento neste sábado (10), penúltimo dia do evento.

Autor de sucessos de venda como “Olga” e de “Chatô”, ele lança seu novo livro, “Os últimos soldados da Guerra Fria”, sobre agentes secretos infiltrados por Cuba em organizações de extrema direita nos EUA.

Em entrevista ao G1, Morais deu detalhes sobre seu mais novo trabalho, resultado de dois anos de pesquisas em Cuba e nos EUA, em que teve acesso a documentos e depoimentos inéditos. “O livro rompe um silêncio”, diz o autor.

“Quando eu fazia minha investigação, eles olhavam para mim e pensavam: o que esse brasileiro metido a besta está metendo o nariz aqui? Mas conquistei a ajuda de muita gente porque tinha uma coisa a favor: eu não tinha um lado, podia ter uma visão mais neutra”, diz o escritor, que se intitula um “eterno repórter” e tem 51 anos de jornalismo.

Mensagens entre Castro e Clinton

Em um dos trechos mais controversos de “Os últimos soldados da Guerra Fria”, Fernando Morais revela que o escritor colombiano Gabriel García Márquez, ganhador do Nobel de Literatura, serviu como uma espécie de mensageiro entre o presidente cubano Fidel Castro e o americano Bill Clinton.

“Cuba avisou aos EUA que havia grupos terroristas se organizando na Flórida, que eles eram uma ameaça e que as autoridades dali fechavam os olhos para isso”, conta o autor, que teve acesso à correspondência de García Marquez de 1998. “Fidel Castro profetizou o 11 de setembro”, afirma Morais.

Para ter acesso a documentos, informações e entrevistas inéditas, o autor diz que teve que fazer 20 viagens aos dois países envolvidos na investigação, incluindo visitas aos presídios onde os agentes que dão título ao livro estão atualmente presos e às casas de suas famílias. “Quando bati o olho nessa história, percebi que era um presente para qualquer repórter”, diz Morais. “Tive que organizar muita informação, mas o mais importante foi humanizar essa história. O leitor gosta de gente, não gosta de coisa”, completa o escritor.

‘Nunca pensei em publicar nada’, diz autor de best-seller francês na Bienal

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Publicado originalmente no G1

Com 25 milhões de livros vendidos, Marc Levy é autor de ‘E se fosse verdade’.
Ele participa de debate neste domingo (11) sobre adaptação para cinema.

O escritor francês Marc Levy lança novo romance na Bienal do Livro do Rio (Foto: Divulgação)Autor de 12 livros, Marc Levy é hoje um dos romancistas franceses mais bem-sucedidos, com 25 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo. No Rio para participar da 15ª Bienal do Livro, o escritor participa neste domingo (11), último dia do evento, de mesa sobre a adaptação de obras literárias para o cinema.

Levy fala do assunto de cadeira, já que teve seu romance “E se fosse verdade?” virar filme estrelado por Reese Witherspoon e Mark Ruffalo em 2005. “Foi um momento extraordinário; ver seus personagens ficcionais ganharem vida na tela é algo fascinante, mesmo que eles não apareçam exatamente como você imaginou”, diz o escritor em entrevista exclusiva ao G1.

Mas a adaptação Hollywoodiana era a última coisa que o autor francês imaginava quando escreveu “E se fosse verdade?”. “Depois que virei pai, comecei a escrever uma história para meu filho. Nunca tinha pensado em publicar nada. Minha ideia era guardar o texto para dá-lo de presente a meu filho quando ele tivesse a idade que eu tinha quando imaginei a história”, conta Marc Levy sobre a criação do best-seller. “Era uma forma de dizer a meu filho que ele seguisse seus sonhos e nunca deixasse ninguém desanimá-lo.”

Mas uma irmã de Levy gostou tanto do romance que resolveu encaminhar uma cópia do manuscrito para uma editora, que entrou em contato oito dias depois já com uma proposta. “Com isso pude largar meu emprego e me dedicar inteiramente à escrita. Hoje escrevo 15 horas por dia, sete dias por semana”, diz o romancista.

Novo romance
Na Bienal, Marc Levy lança seu novo romance, “Tudo aquilo que nunca foi dito”, que gira em torno da conturbada relação entre uma mulher e seu pai, que morre pouco antes da cerimônia de casamento da filha.

Levy conta que o novo trabalho tem referências autobiográficas. “O luto por palavras não ditas pode durar mais do que o luto por vidas perdidas”, comenta o autor, que diz ter sua principal fonte de inspiração nas “pequenas coisas do dia a dia” e na observação das pessoas ao redor. “Para ser escritor, é preciso saber ouvir e olhar”.

Entretanto, perguntado sobre a dica que daria para transformar uma história em um best-seller, Levy afirma: “Não há segredo. Se há, não conheço”.

‘Quero ser como Jesus Cristo’, diz autor de ‘A Cabana’

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Publicado originalmente na VEJA
Uma das atrações mais aguardadas desta Bienal do Livro do Rio, o canadense William P. Young fez questão de abraçar e dar dois beijos, ao estilo carioca, em cada fã da extensa fila formada para a sessão de autógrafos de A Cabana (Sextante), na última quarta-feira. Foram necessárias três horas para atender a todos os que buscavam rubricar seu exemplar do best-seller, há 152 semanas na lista dos mais vendidos de VEJA. A generosidade de Young é proporcional ao sucesso alcançado no Brasil. Best-seller acidental – A Cabana foi escrito como um presente para os filhos –, o livro lançado em outubro de 2008 acaba de atingir a marca de 3 milhões de exemplares vendidos só no país – em vendas, a versão em português só perde para a do inglês. E Young agora quer mais: ele planeja lançar seu segundo título em breve. “Jesus Cristo não veio à Terra para criar uma nova religião, sua missão foi destruir o pensamento religioso para incentivar os relacionamentos humanos. É o que eu quero fazer com meus livros.”

A religião não é citada gratuitamente: o tema está, de fato, no centro de A Cabana. O livro fala do sofrimento de um homem que tem a filha de cinco anos brutalmente assassinada. É esse sofrimento que o empurra a encontro de Deus e dá início a um debate sobre a fé, a origem da dor e o caminho para a cura. A pergunta que surge durante a leitura é como um livro que retrata Deus como uma mulher negra e voluptuosa pode fazer tanto sucesso num país fundamentalmente ligado aos preceitos do catolicismo como o Brasil? Nem o autor sabe ao certo. “Os leitores brasileiros me dizem que o livro mudou suas vidas. Acho que a sociedade está mais aberta para questionar as religiões e a presença de Deus em suas vidas. Isso se deve ao maior acesso às informações”, disse Young a VEJA Meus Livros. Leia abaixo a entrevista.
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Como você avalia a reação dos leitores brasileiros a seu livro, já que é este é um país essencialmente católico? Leitores me dizem que o livro mudou suas vidas. E a maioria agradece pelo fato de terem ampliado sua visão de Deus após ler A Cabana. Os brasileiros são altamente espiritualizados. O livro foi traduzido para 41 idiomas, mas a versão em português é a mais lida, logo após a publicação em inglês. Isso significa que esse tipo de história fala diretamente aos seus corações. Sinto que os brasileiros são muito receptivos a discussões sobre o sofrimento, a dor e as questões da vida.

Por que as pessoas buscam publicações que as ajudem a pensar na vida? As pessoas querem encontrar alguém que lhes diga o que devem fazer. Mas eu não quero ser essa pessoa. Desejo apenas levantar os questionamentos que levanto por acreditar que cada ser humano é importante e que as decisões que tomam são significativas para o funcionamento do universo.

O senhor sente que interfere na vida dos leitores quando escuta declarações de que A Cabana mudou suas vidas? Eu costumo dizer que não tenho nenhum poder em fazer isso. Não posso curar ninguém e muito menos mudar a vida de uma pessoa. Mas Deus utiliza diversos recursos para tocar os nossos corações – uma música ou as palavras de um livro. A Cabana foi um presente para meus filhos, agora todo o mundo está lendo esse presente dedicado a eles. Nunca premeditei esse sucesso, nunca foi minha intenção.

Qual é a mensagem por trás do grande sucesso de A Cabana?Acredito que as pessoas estão em busca de si mesmas. Há muitas condições atuais que levam a isso. O acesso à informação é mais amplo hoje. Antigamente, políticos e religiosos impunham obstáculos imensos para que a sociedade fizesse perguntas pertinentes ao seu autoconhecimento e crescimento espiritual. A internet e a velocidade da comunicação acabam com esses obstáculos. Isso nos faz começar a entender que somos uma única família, a raça humana.

Essas conclusões o inspiram a escrever um segundo livro? Sim, sem dúvidas. Eu sempre fui escritor, mas nunca achei que mais ninguém fosse se interessar pelo que eu escrevo além de parentes e amigos. Há três anos e meio, eu tinha três empregos para sustentar minha família. Minha ocupação principal era como encarregado de uma pequena fábrica, eu enviava e recebia encomendas, limpava os banheiros, ou seja, sou uma pessoa bem comum. Estou apenas no meio de uma vivência fantástica.

Então, a vida melhorou bastante, não? No fundo, tudo não passa de uma questão de perspectiva. Não há nada de errado em limpar banheiros para viver. Se for possível sentir a presença de Deus, não importa o tipo de atividade que se pratica.

O que planeja para seu segundo livro? Será outra ficção com a mesma mensagem. Não será uma sequência de A Cabana, mas sim uma história diferente que irá envolver questões de relacionamento e sobre o mundo através dos olhos do próximo.

Em que estágio está a adaptação de A Cabana para o cinema? Eu estou curioso a respeito disso, há incertezas envolvidas nessa produção. Não tenho previsões. Os direitos autorais do livro pertencem aos donos da pequena editora criada apenas para publicar A Cabana, que foi recusada por muitos publishers. Eles podem fazer o que quiserem com a história e isso é totalmente aceitável para mim. Eu não ligo.

Quem escolheria se pudesse indicar alguém para interpretar um de seus personagens?Escolheria Queen Latifah para ser Papa (a mulher negra e voluptuosa que representa Deus no livro). Ou até mesmo Oprah Winfrey, porque ela já sabe como interpretar Deus. Isso é apenas uma piada, é claro (risos).

Qual é o lado positivo de se engajar em alguma religião? Entidades religiosas realmente têm ações positivas, administram hospitais, promovem a educação e ajudam os menos favorecidos. As religiões também tendem a oferecer valores morais à sociedade. Mas, por outro lado, esses valores se tornam limitantes porque impedem as pessoas de se relacionar livremente.

Acredita que há um exercício de poder inerente às religiões? Sim, a religião em si é maligna. As mulheres, por exemplo, sofrem terríveis abusos por conta dos sistemas religiosos. Cria-se um sistema de poder que demanda dinheiro dos fiéis para manter a máquina em funcionamento, além de separar quem é realmente espiritualizado de quem não é. A maioria das guerras foi fundamentada em princípios religiosos. Isso já é um indício de que há algo errado com a ideologia religiosa. Jesus Cristo não veio à Terra para criar uma nova religião, sua missão foi destruir o pensamento religioso para incentivar os relacionamentos humanos. É isso que eu quero fazer com meus livros.

Mariana Zylberkan

As 10 musas da literatura

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Texto de João Paulo Oliveira publicado originalmente no site Mais1Livro

Existe uma tese (representada pelo gráfico abaixo) que defende que quanto melhor uma mulher escreve, mais feia ela é. Nós discordamos. É lógico que existem alguns casos que corroboram com a teoria. Porém, selecionamos algumas boas provas contrárias – e definitivas.

É claro que para falar sobre as musas da literatura não podemos apenas contrariar a teoria acima. O assunto é muito mais… interessante.  A beleza não poderia ser nosso único parâmetro, simplesmente porque para ser musa não basta ser bonita. Se fosse o caso, chamaríamos nossa lista de “as escritoras mais gatas” ou algum outro título semelhante.

Procurávamos por 10 escritoras que, além de serem surpreendentemente belas, tivessem alguma qualidade literária, umas em menor grau, outras em maior grau. Normal. Procurávamos, também, criar uma lista eclética (eita palavra odiosa), com escritoras de países e épocas diferentes.  Para nossa felicidade – e dificuldade na hora da seleção – encontramos bem mais do que dez nomes. Encontramos também ótimas histórias para contar sobre todas elas. Sem mais enrolação, vamos lá,

Eis nossas 10 musas da literatura:

 

#10 Colette

Sidonie-Gabrielle Claudine Colette Gauthiers-Villars de Jouvanel Goudeket
Saint-Sauveur Pulsaye, França, 1873
Obra selecionada: Gigi

Como você já deve ter percebido, Colette foi uma figura exótica. Sua literatura é considerada uma defesa à liberação moral, cheia de feminilidade e sexualidade, temas inspirados na sua segunda profissão: dançarina de cabaré. A escritora foi a segunda mulher a receber a Legião de Honra, foi eleita para a Real Academia Francesa e teve uma amizade duradoura com a Rainha Elizabeth. Sua popularidade era tamanha que, quando morreu, em 1954, recebeu as honras de um funeral de Estado. Isso é que é perfil. E ainda era considerada, digamos assim, um sex symbol no começo do século XX.

 

#9 Marisha Pessl

Marisha Pessl
Detroit, Estados Unidos, 1977
Obra selecionada: Tópicos Especiais em Fisica das Calamidades

Por enquanto, Marisha Pessl é escritora de um só livro: Tópicos especiais em física das calamidades. Lançado em 2006, fez um sucesso considerável lá fora, chegando à lista de best-sellers do New York Times. Pra ser sincero, as poucas páginas que li não conseguiram me convencer do talento literário da moça, mas uma coisa é inegável: quando o assunto é escritoras, sua beleza está bem acima da média

 

#8 Sylvia Plath

Sylvia Plath
Boston, Estados Unidos, 1932
Obra selecionada: The Colossus and Other Poems

Bela, mas infeliz. Única poetisa da nossa lista, Sylvia Plath viveu uma vida tão trágica que rendeu uma teoria: o chamado Efeito Sylvia Plath. Criada pelo psicólogo James C. Kaufman, a teoria defende que escritores criativos são mais suscetíveis a doenças mentais. Não resta dúvida que sua conturbada vida pessoal serviu como material para sua escrita, principalmente em sua poesia confessional, influência importante para o movimento feminista que explodiu alguns anos após seu suicídio. Plath foi interpretada por Gwyneth Paltrow no filme Sylvia – Paixão além das palavras, de 2003.

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“A pirataria de e-books pode destruir o mundo editorial”, diz autor campeão de vendas

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Publicado originalmente na Folha

O autor e advogado norte-americano Scott Turow, 52, best-seller mundial por thrillers jurídicos como “Acima de Qualquer Suspeita” ­- que originou o filme homônimo de 1990, dirigido por Alan J. Pakula e estrelado por Harrison Ford– disse hoje em sabatina da Folha ver com preocupação a forma como os livros digitais vêm sendo pirateados.

“É preciso ter uma ação contra isso, ou eles vão destruir a base financeira do mundo editorial. E não são os autores best-seller quem mais tem a perder com isso, e sim os que estão só começando”, afirmou o escritor na entrevista, conduzida pela editora da Ilustrada, Fernanda Mena, no Teatro Folha.

O escritor Scott Turow, durante Sabatina realizada pela Folha e o UOL, no Teatro Folha
O escritor Scott Turow, durante Sabatina realizada pela Folha e o UOL, no Teatro Folha

O autor tratou da discussão a respeito dos livros digitais ao ser questionado por Assis sobre artigo que publicou no “New York Times” criticando leis de flexibilização dos direitos autorais propostas pela organização sem fins lucrativos Creative Commons. “Concordo com [Lawrence] Lessig [fundador da organização] em algumas coisas. Não acho que direitos autorais deveriam ser estendidos do jeito que vêm sendo nos EUA no que diz respeito a estúdios de cinema, por exemplo.”

Turow, que participa neste domingo (11) na Bienal do Livro Rio, em mesa às 15h30 com Marc Levy, veio ao Brasil também para lançar o thriller “O Inocente”, sequência de “Acima de Qualquer Suspeita” – romance que o norte-americano sempre disse que não teria continuação. “Uma coisa que aprendi desta experiência é que você nunca deve acreditar em um escritor quando ele diz que nunca escreverá sobre determinado assunto.”

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