Canal Pavablog no Youtube

escritores

Edgar Allan Poe: 210 anos depois, grandioso como nunca

0

No Brasil, eventos e lançamentos marcam o aniversário do autor de “O Corvo”

Oscar Nestarez, na Galileu

Em 19 de janeiro de 2019, Edgar Allan Poe completaria 210 anos de vida. Mais de dois séculos após seu nascimento em Boston (EUA), ele permanece como um dos maiores autores da literatura ocidental. O que explica esta grandiosidade? O que justifica o interesse de gerações e gerações pela sua figura, pelo seu legado? Qual é a origem do fascínio que títulos como O Corvo, O Gato Preto, A Queda da Casa de Usher, O Barril de Amontillado e inúmeros outros continuam a exercer em nós, tanto tempo depois?

Hoje existem, pelo mundo, milhares de pesquisadores em busca dessas respostas. E vêm de áreas que não se restringem às letras: da filosofia, da psicologia, da história e da antropologia, entre outras. Talvez aí encontremos uma possível chave para entendermos o feitiço Poe: o fato de sua obra transcender a ficção literária, em muitas esferas.

Seus contos e poemas alcançam os recessos e os mistérios da alma humana — mas sempre com os dedos da escuridão, é verdade. Afinal, para muitos (o signatário desta coluna entre eles), trata-se do fundador, ou do “consolidador” das narrativas de horror e de mistério como as conhecemos hoje.

Retrato inquietante
Outro fator que contribui para o sucesso de Poe é a sua figura. O olhar provocador, os cabelos desalinhados, os lábios cinicamente desenhados: antes mesmo dos textos, o próprio retrato do autor já causa estranhamento. É impossível não nos inquietarmos diante de sua expressão ora enigmática, ora melancólica, mas prestes a sair da moldura para nos fustigar, assustar, desestabilizar. É o retrato de um rosto esculpido pela genialidade, mas também vincado pelo desequilíbrio, pelo álcool e por uma incontrolável tendência à autodestruição.

Pois, quanto à vida de Poe, também ela é uma duradoura fonte de interesse e comoção. Foi uma vida algo breve e trágica, que começou naquele janeiro de 1809 e se encerrou misteriosamente em outubro de 1849, em Baltimore.

Hoje, é conhecida a trajetória de Poe rumo à ruína. Alguns biógrafos atribuem-na ao contato precoce com a morte — antes de completar três anos, ele perde a mãe, Elizabeth Arnold. O pai, David Poe, desaparece sem dar notícias. Mas devemos considerar também o temperamento combativo do autor, que sempre lhe custou caro: primeiro, a ruptura com o pai adotivo (o que o impediu de herdar sua significativa fortuna); depois, o “convite para se retirar” da Universidade de Charlottesville; por fim, os confrontos com chefes, que resultaram em seguidas demissões.

Dividindo águas
Mesmo assim, em meio ao caos exterior e interior, Poe conseguiu atingir o sublime. Desde 1827, quando publica seu primeiro livro — Tamerlão e Outros Poemas — até quase que o final da vida, ele jamais deixou de escrever. Contra tudo (e muitas vezes contra todos), legou-nos uma obra que praticamente dividiu as águas da literatura — as escuras das claras.

Hoje, a sombra de Poe alcança muito além dos livros. Trata-se de uma influência cuja origem é complexa — um território em que biografia e obra se confundem para aproximar o homem do mito. Seja como for, 210 anos após seu nascimento, nós o encontramos por todos os lados: ele está entre os escritores mais adaptados da história do cinema, roteiristas vivem recorrendo à sua ficção para criar séries, seus contos e poemas são frequentemente levados aos palcos do teatro, game designers têm transformado suas histórias em jogos, e por aí vai.

Edgar Allan Poe (Foto: Wikimedia Commons)

HQs celebram o mestre
Os quadrinhos também estão sob essa sombra. Aqui mesmo, no Brasil, temos dois exemplos recentes de como Poe influencia a nona arte. O primeiro é a coletânea Delirium Tremens, publicada pela editora Draco para marcar a efeméride de janeiro de 2019. A HQ traz oito histórias livremente inspiradas no universo poeano.

Algumas narrativas acenam sutilmente para os elementos ficcionais/biográficos de Poe. É o caso de “In articulo mortis”, criada a partir do interesse do autor pelas novidades de sua época—- notadamente, a hipnose, que o encantou e o levou a escrever “Os fatos no caso do sr. Valdemar”. O mesmo acontece com “Butim”, que explora o maior medo de Poe: ser enterrado vivo; e de “Murder”, que envolve a mística de O Corvo com as brumas da ficção científica e da conspiração.

A trágica biografia do autor de O Corvo também é o objeto de A Vida e os Amores de Edgar Allan Poe, publicada pela editora do Sebo Clepsidra. A HQ tem roteiro de R.F. Lucchetti, o papa das narrativas pulps brasileiras, e arte de Eduardo Schloesser. Ambas serão lançadas no Festival Edgar Allan Poe, evento comemorativo com palestras, leituras dramáticas e exibição de filmes que acontecerá no dia 19 em São Paulo (este link tem mais informações).

Túmulo de Edgar Allan Poe (Foto: Wikimedia Commons)

Poe, personagem
Por tudo isso e muito mais, Edgar Allan Poe continua vivo — e lido. Continuam enfeitiçando-nos os movimentos de sua escrita e de seu atormentado espírito; os rodopios de uma alma insatisfeita.

Criando com a própria vida, ele acabou por tornar-se o grande personagem de si mesmo. Antes de Roderick Usher, de Arthur Gordon Pym ou de William e Wilson, foi Poe, e ninguém mais, a vítima de neuroses transmutadas em atrocidades, o acossado pelas sombras, o perseguido e o perseguidor, o obcecado por aquilo que oculta o espesso véu do cotidiano.

Melhor para nós que, em meio a tanto tumulto, Poe ainda encontrasse lucidez para empunhar a pena. E para imprimir, no papel, a marca perene do gênio, que mais de dois séculos não foram capazes de apagar.

*Oscar Nestarez é ficcionista de horror e mestre em literatura e crítica literária. Publicou Poe e Lovecraft: Um Ensaio Sobre o Medo na Literatura (2013, Livrus) e as antologias Sexorcista e Outros Relatos Insólitos (2014, Livrus) e Horror Adentro (2016, Kazuá).

Stephen King salva seção literária de periódico local dos EUA

0

Publicado no EM

Um jornal local queria acabar com a crítica literária para cortar custos, mas o escritor Stephen King conseguiu, com alguns poucos tuítes, salvar a seção ameaçada, um final feliz na luta pela sobrevivência vivida por muitos meios de comunicação americanos atingidos pela crise.

O caso começou na sexta-feira, quando Stephen King, mestre da literatura de terror e fantástica, anunciou que o Portland Press Herald, um dos principais jornais do Maine, onde mora, iria acabar com a sua seção dominical dedicada aos livros escritos por autores deste pequeno estado fronteiriço com o Canadá.

“Diga ao jornal que NÃO FAÇA ISSO”, tuitou o bem-sucedido escritor de 71 anos, que se tornou famoso com livros como “Carrie a Estranha” e “O iluminado”, levados, inclusive, ao cinema.

Muitos escritores locais “dependem destas críticas para sobreviver”, continuou.

Mais de 8.000 de seus fãs fizeram a mensagem se espalhar. A direção do jornal, que emprega 70 jornalistas, reagiu desafiando-o a ajudá-la a encontrar novos assinantes para compensar os “milhares de dólares” que a seção lhe custa, escrita em sua maioria por profissionais que trabalham por matéria.

“Se conseguir convencer mais de 100 dos seus fãs a assinar a edição digital, iremos reincorporar imediatamente as resenhas de livros”, tuitou o jornal, que tem menos de 10.000 assinantes digitais.

Nesta segunda-feira, o objetivo de 100 assinaturas – a um custo de 15 dólares por 12 semanas – se espalhou amplamente: “Obrigado a todos que assinaram o Press Herald”, escreveu Stephen King. “Salvaram o dia. Existem países onde as artes são consideradas vitais. Infelizmente, este não é um deles”, declarou.

Cliff Schechtman, editor do jornal, afirmou que o periódico havia coletado “quase 250 novos assinantes” graças a essa iniciativa.

“Quando alguém como Stephen King se envolve, com mais de cinco milhões de seguidores no Twitter, sabíamos que teria um impacto, e nos questionamos como poderíamos usar a sua influência para apoiar o jornalismo local”, disse à AFP por telefone.

“As pressões financeiras não se reduziram até agora, o setor vive mudanças consideráveis, mas, neste caso, teve um final feliz”, disse.

Embora todos os meios de comunicação tenham perdido renda com o crescimento das redes sociais e da disponibilidade de grande quantidade de informação gratuita na Internet, os jornais locais, com recursos limitados, se veem particularmente afetados e, muitas vezes, lutam para sobreviver.

Uma das histórias mais perturbadoras de Stephen King ganha filme pela Netflix

0

Victor Tadeu, no Desencaixados

Com acordo firmado desde agosto do ano passado, um dos atores mais renomados do mundo em quesito terror e horror estará lançando mais uma adaptação de sua história pela Netflix. In the Tall Grass é o próximo título do escritor junto com Joe Hill, seu filho, a ser lançada pela plataforma de streaming.

Contando com Patrick Wilson (“Conjuring”), Laysla De Oliveira e Harrison Gilbertson no elenco, o filme conta a história de um irmão e uma irmã na fase da adolescência realizando uma viagem de carro. Porém, entram em uma alta mata para ir até um auxílio de meninos coisas estranhas começam a acontecer, o tempo e o espaço misteriosamente tornam-se diferentes por uma força desconhecida.

Esta história de Stephen King conta com a colaboração do seu filho Joe Hill, a data de estreia está agendada para ser este ano.

A produção já afirmou que este pretende ser um dos longas mais perturbadores do escritor, inclusive Vincenzo Natali, o diretor da adaptação, revelou para um site estrangeiro que o filme torna-se aterrorizante pelo fato de a grama ser um labirinto e, ao mesmo tempo, guardar tantos segredos inimagináveis.

Além disso, ele também afirmou que esta é uma das histórias mais agoniante de King, pois nunca imaginou que grama poderia dar tanto medo como sentiu durante a leitura da história, mesmo ele tendo muito conhecimento e experiência na área.

Com um elenco de sucesso e mais uma parceria produtiva com a Netflix, In the Tall Grass pretende ser mais uma adaptação cinematográfica de sucesso do escritor em parceria com a plataforma de streaming.

Stephen King teve outras histórias adaptadas pela empresa, sendo elas Jogo Perigoso e 1922.

O Senhor dos Anéis | Conheça o anel que levou Tolkien a criar o Um Anel

0

Matheus Fragata, em Nos Bastidores

Pouca gente pode saber, mas a mitologia de O Senhor dos Anéis tem grandes fundamentos e inspirações na realidade e na nossa história medieval.

Celebrando o aniversário do escritor da franquia, J.R.R. Tolkien, o British Museum postou uma homenagem comentando sobre o anel que inspirou o autor a criar o Um Anel em sua fantasia.

O anel está exposto no acervo do museu:

“J.R.R. Tolkien nasceu no dia 03 de janeiro de 1892. Os livros dele se inspiraram nos anglo-saxões, como na inscrição nesse misterioso anel de ouro.”

O anel é datado de algum momento entre o século VIII e X d.C. Até hoje, ninguém descobriu o que as inscrições significam. Ele está no catálogo do museu desde 1817 e uma peça parecida foi encontrada anos depois em Bramham Moor, no norte da Inglaterra.

Curioso, não?

Por enquanto, a próxima aventura com a saga virá com a série da Amazon prevista para 2020.

Bird Box | Stephen King elogia o filme da Netflix com Sandra Bullock

0

Alexandre Guglielmelle, no Observatório do Cinema

O filme Bird Box, lançado pela Netflix na semana passada e protagonizado por Sandra Bullock está dividindo a opinião dos críticos. Entre os admiradores da obra, o autor e ícone do terror Stephen King.

“Eu estou completamente impressionado com Bird Box. Não acreditam nas críticas mornas, que eu acredito que tenham sido causadas pelo preconceito dos críticos com os lançamentos de streaming, em oposição ao cinema tradicional”, escreveu o autor em seu Twitter. Confira abaixo.

Bird Box é inspirado no livro de Josh Malerman, que conta a história de um futuro pós-apocalíptico. Nele, a Terra é invadida por aliens que dominam o mundo e buscam controlar as pessoas.

O elenco do suspense ainda conta com John Malkovich, Jackie Weaver, Trevante Rhodes, Lil Rel Howery, Machine Gun Kelly e Danielle Macdonald.

Eric Heisserer, indicado ao Oscar por seu trabalho em A Chegada, assina o roteiro de Bird Box. Susanne Bier, diretora dinamarquesa de The Night Manager, dirige.

Bird Box já está disponível na Netflix.

Go to Top