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Milan Kundera, autor de “A Insustentável Leveza do Ser”, faz 90 anos

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Imagem de 30 de novembro de 2010 de Milan Kundera em Paris – AFP/Arquivos

Publicado na Isto É

“Nasci no dia 1º de abril. Não foi algo sem impacto no plano metafísico”, recordou, com a ironia que o caracteriza, durante uma de suas raras entrevistas, o escritor Milan Kundera, que comemora na segunda-feira seu 90º aniversário.

Nascido tcheco, e francês desde 1981, o autor de “A Insustentável Leveza do Ser” (1984), pintor sarcástico da condição humana, não pertence à Academia Francesa, não recebeu o Nobel da Literatura – horarias amplamente merecidas -, mas é um dos maiores autores contemporâneos.

O escritor que foge da mídia, mas que pode ser visto passeando com sua esposa Vera perto da rua Cherche-Midi, no 6º distrito de Paris, não deve comemorar seu aniversário.

Em seu último romance, “A Festa da Insignificância” (2014), um de seus personagens confessa desconfiar dos números que nos remetem à “vergonha do envelhecimento”.

Milan Kundera gosta que falem sobre seu trabalho antes de falar sobre ele. Sua última aparição na televisão remonta a 1984, e sua última entrevista com um jornalista foi em 1986.

Quase invisível, o autor de “A Imortalidade” e “A Vida Está em Outro Lugar” é regularmente vítima de boatos macabros nas redes sociais onde, por diversas vezes, sua morte foi anunciada.

– Não levar o mundo a sério –

Nascido em Brno, na atual República Tcheca, em 1º de abril de 1929, destinado (como seus pais) a uma carreira como músico, Milan Kundera foi, a princípio, um amante da música. Seus primeiros textos, poemas escritos em tcheco, foram compostos como sonatas.

Próximo do regime comunista, Kundera se afastou com rapidez sem, porém, se tornar um dissidente.

Em 2008, uma revista checa exumou um “documento” da polícia comunista de Praga de 1950, sugerindo que o escritor denunciou um de seus concidadãos durante o sombrio período stalinista. Ferido por essas acusações, Milan Kundera não revida.

“Dificilmente perdoamos um homem grande e ilustre. Mas ainda menos, se é silencioso”, escreveu em um artigo publicado pelo Le Monde a dramaturga Yasmina Reza. Escritores como Gabriel Garcia Marquez e Philip Roth saíram em sua defesa.

Quando ainda era tcheco, Milan Kundera publicou dois romances, “A Brincadeira” (1965) e “Risíveis Amores” (1968), textos que fazem um balanço amargo das ilusões políticas da geração do golpe de Praga, que em 1948 permitiu que os comunistas chegassem ao poder.

Kundera, que foi colocado na lista negra em seu país após a Primavera de Praga, exilou-se na França com Vera em 1975. Naturalizado francês em 1981, escolheu o francês como sua língua de escrita para marcar sua ruptura com seu país natal, que em 1978 retirou sua nacionalidade (Praga propôs devolvê-la no ano passado).

Na França, publicou “A Valsa dos Adeuses”, “O Livro do Riso e do Esquecimento” e, em 1984, aquele que alguns consideram sua obra-prima, “A Insustentável Leveza do Ser”, um maravilhoso romance de amor e uma ode à liberdade, ao mesmo tempo grave e casual, cujo tema nada mais é do que a condição humana.

O livro foi adaptado ao cinema em 1988 pelo americano Philip Kaufman, com Juliette Binoche e Daniel Day Lewis.

Analista de seu próprio trabalho, ele assinou notavelmente em 1986 o ensaio “A Arte do Romance”, onde explica que “ao entrar no corpo do romance, a meditação muda a essência. Fora do romance, nos encontramos no campo das afirmações, todo mundo tem certeza de sua palavra: um político, um filósofo, um porteiro… No território do romance, não nos afirmamos: é o território do jogo e das hipóteses”.

Em “A Festa da Insignificância”, o romancista, através da voz de um de seus personagens, continua sua reflexão sobre o padrão de seu trabalho: “Há muito tempo compreendemos que não é possível reverter este mundo, nem para reformular, nem para deter a sua infeliz corrida para a frente. Há apenas uma resistência possível: não levar a sério”.

Stephen King revela que suas outras obras também ganharão remake

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Vanessa Wohnrath, no CinePop

Fãs das adaptações das obras de Stephen King podem ficar esperançosos. Em entrevista à revista Entertainment Weekly, o escritor revelou que muitas de suas “velharias” podem ganhar novas roupagens no futuro.

Muita coisa antiga, talvez, possa ser refeita. Há também um problema com alguns dos antigos contratos expirando e os estúdios precisam se apressar se não quiserem perder… Eu não sei o que fazer com isso, realmente. Todos os dias recebo outro contrato, outra opção, informação de que alguém está fazendo isso ou aquilo… Vamos colocar desta forma: eu estou no mercado como um vendedor agora. Há uma enorme fome de história, porque há tantas plataformas agora. Não é mais só o cinema.

Enquanto novos projetos não são anunciados, os fãs poderão conferir a refilmagem de ‘Cemitério Maldito’, que chega aos cinemas nacionais em 9 de abril. Isso sem contar na aguardadíssima continuação ‘IT: A Coisa – Capítulo 2’, prevista para 5 de setembro, e ainda, ‘Doutor Sono’, programado para 7 de novembro.

Confira a sinopse de ‘Cemitério Maldito’:

O médico Louis Creed muda com a mulher e dois filhos pequenos para uma casa de campo em Ludlow, Maine. Em frente à casa passa uma rodovia movimentada e, atrás, há um cemitério de animais. Por meio do velho Crandall, seu vizinho, Creed descobre também perto dali um antigo cemitério indígena, que tem o poder de mandar de volta à vida os corpos enterrados nele. Quando sua filha Ellie morre atropelada, Creed resolve enterrá-la no cemitério indígena e esperar por sua ressurreição.

O elenco conta com Amy Seimetz, Jason Clarke, Obssa Ahmed, Alyssa Brooke Levine e John Lithgow.

Milionários da literatura mundial

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US$ 1 bi de patrimônio tem J.K. Rowling. Foto: Justin Tallis/AFP

Brasileiro Paulo Coelho aparece na segunda colocação, com fortuna de US$ 500 milhões

Publicado em O Tempo

É para poucos, mas o universo da literatura pode, sim, transformar autores em grandes celebridades internacionais, alavancar suas carreiras e, naturalmente, encher os cofres de um seleto grupo de escritores ao redor do mundo.

Com base na fortuna gerada pelos best-sellers de renomados autores, o site Boa Finança apresentou um levantamento dos escritores mais ricos do planeta e seus patrimônios.

U$$ 500 milhões é a fortuna de Paulo Coelho.
Foto: Guido Montani/AFP

Autora da saga “Harry Potter”, a britânica J.K. Rowling ocupa a primeira colocação do ranking, com patrimônio estimado em US$ 1 bilhão. Na segunda colocação, o brasileiro Paulo Coelho tem em seus cofres uma fortuna estimada em US$ 500 milhões. Autor de “O Alquimista”, o livro brasileiro mais vendido da história e traduzido para mais de 80 idiomas, Coelho terá duas obras de sua autoria adaptadas para o cinema em breve.

US$ 400 milhões nos cofres de Stephen KingFoto: Scott Eisen/AFP

Considerado o mestre do suspense, Stephen King, autor de clássicos como “O Iluminado”, surge na terceira colocação, com um patrimônio de US$ 400 milhões. A lista ainda conta com autores como James Patterson, Danielle Steel, Nora Roberts e Tom Clancy.

O curioso é que, apesar de a lista trazer os sete escritores mais ricos do mundo, apenas a obra “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, de J.K. Rowling, aparece no top 10 dos livros mais vendidos do mundo, ocupando a sexta colocação.

Outras fortunas

US$ 390 milhões já faturou James Patterson.

US$ 350 milhões tem a autora Danielle Steel.

US$ 340 milhões é o patrimônio de Nora Roberts.

Trilogia Cósmica de C.S. Lewis será republicada no Brasil

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Obra surgiu após uma aposta entre o autor e J.R.R. Tolkien

Gabriela Avila, no Omelete

Trilogia Cósmica, a série de livros de ficção científica de C.S. Lewis, ganha nova edição no Brasil. A obra surgiu de uma aposta do autor com J.R.R. Tolkien, responsável pela série Senhor dos Anéis. Segundo estudiosos, os temas foram decididos no cara ou coroa, com o criador da Terra Média ficando com o tema “viagem no tempo” e Lewis com “viagem no espaço”. Apesar de Tolkien não tenha cumprido sua parte, Lewis iniciou uma história que desencadeou na trilogia.

O protagonista da série é o doutor Elwin Ransom, professor e filólogo que foi inspirado na figura de Tolkien, que se aventura pelo espaço em aventuras que se passam em mundos fantásticos. O primeiro livro da série se chama Além do Planeta Silencioso e narra o sequestro do Dr. Ransom por parte do maligno doutor Weston, que o leva ao planeta Malacandra. Perelandra é o segundo livro, onde o herói decide combater o mal em um outro planeta. Por fim, forças malignas que Ransom combateu durante os outros livros se reúnem para atacar a Terra em Aquela Fortaleza Medonha.

A nova versão da série será publicada no Brasil em março pela Thomas Nelson, editora responsável por trazer grande parte da obra de Lewis, que relança a Trilogia em exemplares com capas inéditas e nova tradução.

Edição comentada de ‘A Máquina do Tempo’ traz conto que originou livro

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Rod Taylor viaja no tempo na adaptação de George Pal (1960) Foto: Warner Home Video

H.G. Wells não foi o primeiro autor a imaginar viagens no tempo, mas foi pioneiro ao pensar uma máquina capaz de realizar essa proeza

André Cáceres, no Estadão

Com a descoberta da Antártida, no início do século 19, não havia mais nenhum continente a ser encontrado, mas isso não significa que a humanidade deixou sua curiosidade de lado. O escritor britânico H.G. Wells (1866-1946) nasceu tarde para perseguir novas terras e cedo para ver a corrida espacial florescer. Dedicou-se, então, a outros tipos de exploração. Em seus romances de aventura com bases científicas – o termo “ficção científica” só seria cunhado pelo editor Hugo Gernsback, no início do século 20 –, Wells se debruçou sobre quimeras híbridas de humanos com animais em A Ilha do Dr. Moreau (1896); o perigo militar da aviação em A Guerra no Ar (1908); e o planeta vermelho em A Guerra dos Mundos (1898); mas um dos temas que mais o fascinou foi o tempo. Seu primeiro romance, A Máquina do Tempo (1895), ganha no Brasil uma nova edição comentada, lançada pela Zahar, com direito a esclarecedoras notas de rodapé e acompanhando o conto Os Argonautas Crônicos, cuja ideia inicial embasou o livro.

Na trama, o protagonista, identificado apenas como Viajante do Tempo, é um excêntrico inventor vitoriano que cria um dispositivo capaz de se transportar pela chamada quarta dimensão. Antes de jantar com seus amigos, decide ir ao ano 802.701, ávido pelo progresso do intelecto humano. Todavia, frustra-se ao descobrir que a humanidade se degenerou em duas espécies irreconhecíveis: os Elói, seres frágeis e desprovidos de qualquer inteligência ou criatividade, que apenas viviam de forma idílica; e os Morlocks, criaturas desprezíveis que habitavam túneis subterrâneos e caçavam à noite suas contrapartes da superfície.

No excelente texto de apresentação, Adriano Scalondara explica que Wells não foi o primeiro autor a imaginar viagens no tempo. Livros como o francês L’An 2440, de Louis-Sébastien Mercier (1770), o irlandês Memoirs of the Twentieth Century, de Samuel Madden (1733), e os americanos Rip Van Winkle, de Washington Irving (1819), e Looking Backward, de Edward Bellamy (1888), antecederam A Máquina do Tempo. “Convém observar ainda que em todos esses casos a viagem se dá por meios místicos, mágicos ou sobrenaturais. A grande inovação de Wells foi ter concebido, a sério, a ideia de um dispositivo que poderia ser construído pela engenhosidade da ciência humana.”

Nem mesmo os amigos acreditam no relato do Viajante do Tempo, a não ser pelo narrador. O Médico – a maioria dos personagens são referidos por suas profissões – questiona se o protótipo da máquina que vê sumir diante de seus olhos não é um truque “tal como aquele fantasma que o senhor nos mostrou”. Lúcido, Wells oferecia um ceticismo salutar que era um contraponto ao pensamento corrente – até Arthur Conan Doyle se rendeu à superstição que seduzia intelectuais à época.

Wells se inspira nas discussões de filósofos como Thomas More e Platão, que teorizam sociedades perfeitas em Utopia e A República, mas segue na contramão do pensamento da Belle Époque ao vaticinar o declínio da humanidade no futuro. Mary Shelley já havia imaginado uma catástrofe que destrói a civilização no romance O Último Homem, e A Máquina do Tempo retoma esse tom apocalíptico indo além de nossa vulnerabilidade ante um cataclisma. Como biólogo, Wells demonstra que a evolução darwiniana (seu orientador era Thomas Henry Huxley, avô de Aldous e um dos principais defensores públicos da teoria de seu amigo Charles Darwin) inevitavelmente provocará a extinção humana. Assim como qualquer espécie se modifica gradualmente, também nós devemos sofrer mutações que, ao longo de um grande intervalo de tempo, nos tornará irreconhecíveis. Se aceitar a própria mortalidade individual já demanda uma enorme coragem intelectual, aceitar o iminente fim da humanidade é notável.

“Pela primeira vez comecei a compreender uma estranha consequência dos esforços sociais nos quais estamos engajados no presente”, relata o Viajante do Tempo. “A força é um resultado da necessidade; a segurança é um convite à fraqueza.” Ou seja, justamente os esforços que a sociedade do fin de siècle fazia para progredir tecnologicamente eram a raiz da debilidade dos Elói e da selvageria dos Morlocks – uma conclusão que contraria as expectativas otimistas da época, que logo seriam postas em cheque pela 1.ª Guerra Mundial.

No fim de sua expedição, o Viajante do Tempo avança para um futuro ainda mais distante, e seu relato impressiona: “Não consigo transmitir o sentimento de desolação abominável que pairava sobre o mundo. O céu rubro do oriente, o negrume do norte, o salso mar Morto, a praia rochosa infestada daqueles monstros vis e lentos, o verde uniforme e de aspecto venenoso dos liquens, o ar rarefeito que feria os pulmões: tudo contribuía para um efeito aterrador”. O planeta se desfigura cada vez mais até que encontra seu fim, como prevê a ciência. Não contente em preconizar a decadência humana, Wells constata o ocaso da Terra. “Por fim, um por um, rapidamente, um atrás do outro, os picos brancos nas colinas distantes desapareceram nas trevas. A brisa cresceu até se tornar um vendaval que gemia. Vi a sombra central escura do eclipse varrer o ar acima de mim. No instante seguinte, só as estrelas pálidas estavam visíveis. Todo o resto era uma obscuridade afótica. O céu estava absolutamente negro.”

Esse tom fatalista ressoa em outra obra de Wells sobre o futuro, O Dorminhoco (1899), em que um sujeito entra em estado letárgico por dois séculos e acorda em uma sociedade distópica, cuja economia gira em torno de seu patrimônio, que cresceu exponencialmente durante seu sono. Wells não impinge otimismo em seus vislumbres futuristas, e o remédio, segundo o narrador de A Máquina do Tempo, é um só: “Se assim for, o que nos resta é continuar vivendo como se assim não fosse.”

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