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Curiosidades Romanas

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O comportamento e os hábitos dos romanos, desde a época clássica até alguns séculos depois do início da Era Comum, podem parecer bizarros para os cidadãos do século 21 – muito embora tenham influenciado profundamente a cultura ocidental. Mas, em sua época de concepção, foram importantes e muito respeitados, defende o professor de latim J. C. McKeown – o que não torna menos esquisitas as frases, normas e explicações encontradas em diversos textos da época, escritos em grego ou latim. Observações que “impressionam por serem interessantes, curiosas ou simplesmente divertidas”, encontradas por McKeown em seus estudos, estão reunidas em O Livro das Curiosidades Romanas (240 págs., R$ 24,90), lançado pela Editora Gutenberg.

Entre as tais curiosidades, essas: um peixe de 15 centímetros teria conseguido evitar o avanço da capitânia de Marco Antônio durante a Batalha de Ácio; Milão tenha sido fundada após a aparição de um porco felpudo na futura área ocupada pela cidade, e tocar com os lábios as narinas de uma mula cessaria espirros e soluços.

O livro foi elaborado a partir de cartas e documentos dos territórios que já fizeram parte do império romano. Na obra, relatos sobre temas como a criação dos filhos, casamentos e divórcio, o arranjo de noivados em tenra idade, a busca pela beleza através de cosméticos e a força que a mulher possuía em conduzir uma relação dentro de sua casa. #Fica a dica de leitura!

Igreja do Livro Transformador

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Publicado originalmente em Interrogação

Não há outra forma de apresentar a ideia da Igreja do Livro Transformador sem soar um pouco sentimental e particular. Em 2010, o interrogAção teve a oportunidade de cobrir uma boa parte dos eventos que discutiam a produção literária atual na Bienal do Livro Paraná 2010, em Curitiba. Nesses dias — como você pode acompanhar aqui — estivemos em contato com muitas ideias e opiniões sensacionais sobre o ato de leitura, sobre o comportamento do leitor e ainda, soubemos de muitas experiências compartilhadas pelo outro lado do livro, o lado do autor-leitor.

Cada mesa do Café Literário — um dos eventos principais dentro da Bienal — era resumido em folhas e mais folhas de anotações e várias ideias iam surgindo, mas uma em especial foi ganhando corpo ao longo desses quase 12 meses depois: a Igreja do Livro Transformador. Tudo começou quando assistimos uma mesa do escritor Luiz Ruffato e a escritora Elvira Vigna chamada de Literatura: um ato de resistência? onde ambos expuseram seus históricos como leitores. No calor da conversa, Ruffato disse que apostava mesmo todas as fichas de que os livros transformam a vidas das pessoas e relatando todo o seu processo de formação de leitor contou que em um dado momento ele propôs, brincando, que houvesse a Igreja do Livro Transformador, onde as pessoas dariam seus testemunhos sobre os livros que deram outros rumos para suas vidas. A Bienal passou e tivemos outras oportunidades de ver o Luiz falando e reforçando sua ideia, que mesmo aparentemente cômica, era uma ótima desculpa para as pessoas falarem um pouco mais sobre o seu amor pelos livros e principalmente aqueles que deram novos rumos para suas vidas.

Sem muitas delongas, o própio Luiz Ruffato explica um pouco sobre a sua ideias no vídeo abaixo e nós tentaremos, ao longo do tempo, dar mais forma e vida para ela. A página da campanha é essa aqui. Participe!

O que é a Igreja do Livro Transformador?

Uma bíblia sem Deus

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Filósofo imita estrutura do livro sagrado em guia para ateus

Crédito: Tommy Ga-Ken Wan

Crédito: Tommy Ga-Ken Wan

O professor de filosofia da Universidade de Londres A. C. Grayling lançou o livro The Good Book: A Secular Bible (O Livro Bom: Uma Bíblia Secular, ainda sem edição no Brasil), uma espécie de guia para ateus. Ao lado do cientista Richard Dawkins e do escritor Christopher Hitchens, Grayling, 62 anos, é um dos expoentes do chamado Novo Ateísmo, que milita pelo abandono de religiões e superstições. Assim como na bíblia cristã, a obra de Grayling começa no Gênesis e segue para Lamentações e Provérbios, tudo organizado em capítulos e versos. “A estrutura bíblica é convidativa e acessível. O leitor pode escolher trechos ou seções para ler separadamente”, diz o autor.

Porém, nas 608 páginas da obra de Grayling não há sequer uma menção à palavra “Deus” ou qualquer outra referência divina, mas sim citações e conceitos de grandes pensadores como Aristóteles, Isaac Newton e, não podia faltar, Charles Darwin. O autor acredita que há pensamentos profundos e sérios sobre o bem nas grandes tradições não-religiosas que seriam mais humanos e vivíveis — sem estar sob o comando de uma autoridade.

Antevendo críticas, Grayling já declara: “Quase tudo escrito em meu livro vem de grandes mentes do passado. Quem atacá-lo automaticamente atacará Cícero, Confúcio e por aí vai”. Para terror dos católicos, Grayling chegou a elaborar os 10 mandamentos dos ateus, estes sim redigidos a partir de suas próprias ideias. “Só espero não me tornar um ‘deus’. Certamente eu não seria bom nisso.”

Bibliotecas públicas americanas emprestam livros para Kindle

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Publicado originalmente na Galileu

A Amazon afirmou que mais de 11 mil instituições dos EUA vão disponibilizar gratuitamente livros digitais para o tablet

 A empresa americana Amazon divulgou hoje que mais de 11 mil bibliotecas públicas dos Estados Unidos vão passar a emprestar, a partir desta semana, livros no formato Kindle. E a novidade não está limitada aos que possuem o tablet. Quem tiver um smartphone ou um computador com o aplicativo Kindle instalado, também pode ler os e-books emprestados.

O sistema vai funcionar da seguinte forma: o leitor vai usar o site da própria biblioteca para ver os livros disponíveis. Quando escolher a obra, vai clicar em “Enviar para o Kindle”, e então será redirecionado para o site Amazon.com para o download. Se o usuário não estiver conectado à internet, pode fazer a transferência via USB.

O lado bom de emprestar um livro digital é que as bibliotecas não vão sofrer com danos nas obras. No Kindle, os leitores podem escrever o que quiserem em suas páginas eletrônicas – e essas anotações estarão disponíveis sempre que o mesmo usuário emprestar o próprio título ou se decidir comprá-lo mais tarde.

Desbravando o mercado de e-books no Brasil

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Publicado originalmente por Daniela Moreira na  

Duda Ernanny

Duda Ernanny, fundador da Gato Sabido: “prometi que largaria tudo aos 35”

São Paulo – Depois de passar mais de 17 anos trabalhando no mercado financeiro, Duda Ernanny tomou uma decisão radical: trocar a sólida carreira por sua paixão: os livros. “Fiz uma promessa a mim mesmo de que quando chegasse aos 35 anos, independente da situação em que eu tivesse no mercado, iria me levantar e fazer alguma coisa da vida”, conta. A promessa foi cumprida e assim nasceu a Gato Sabido, pioneira no mercado de e-books no Brasil.

Ao embarcar nesta jornada, Ernanny tinha uma única certeza: queria fazer algo relacionado ao mercado de livros.  “Estudei o modelo de negócio de livrarias, editoras, distribuidoras e cogitei até virar autor e escrever um livro. Foi a pior experiência, não passei da primeira pagina”, lembra o empreendedor, com bom-humor.

Foi de um amigo que veio a ideia de desbravar o mercado de livros digitais, que começava a dar seus primeiros passos no mundo e, no Brasil, sequer engatinhava. “Ele tirou um leitor digital da Sony da mochila e eu fiquei apaixonado pelo que vi”, recorda.

O ano era 2009 e a Amazon tinha acabado de lançar a segunda geração do Kindle, produto que deu um novo impulso ao mercado de leitores eletrônicos mundo afora. Ernanny partiu para o exterior e, na volta, trouxe na mala quatro modelos de aparelhos para testar no Brasil.

“Minha decepção foi enorme. Não conseguia comprar os livros lá de fora, porque eles exigiam um cartão de crédito com endereço local e aqui não havia opções”, diz. Assim, Ernanny decidiu montar a primeira loja de e-books do Brasil, a Gato Sabido.

Mas como vender e-books no mercado brasileiro se não havia clientes para compra-los? “Dois fornecedores tinham dito que iam fabricar leitores aqui. Mas próximo do lançamento da loja, em outubro, os dois tinham desistido”, lembra.

A solução foi importada da China. O empresário entrou mais uma vez no avião e voltou para o Brasil com uma encomenda de mil unidades do Cool.e.r, leitor que lançaria a R$ 750, junto com a estreia da Gato Sabido. “Os leitores eram muito caros no Brasil nesta época e ainda são. O principal motivo são os impostos de importação, que chegam a 60% do valor do produto”, justifica.

Mesmo com a escassez de leitores no mercado, a loja fez sua estreia em dezembro de 2009. Na época, contava com apenas duas editoras – Zahar e Lumen Juris – e 120 títulos em seu acervo. “Ninguém sabia quem éramos. Não conhecíamos ninguém no mercado editorial. Ligávamos de editora em editora tentando marcar uma reunião e a maioria nem sabia o que era e-book”, conta Ernanny.

Graças ao pioneirismo e à persistência, a Gato Sabido foi conquistando seu espaço em um marcado que, aos poucos, começa a ganhar adeptos no Brasil. Hoje, a loja já possui parceria com 130 editoras – incluindo as grandes do ramo, como Companhia das Letras, Melhoramentos, Globo e Editora Saraiva – e dispõe de um acervo com 5 mil títulos. Embora os leitores digitais ainda não sejam populares por aqui – hoje apenas dois fabricantes, Elgin e Positivo, disputam o mercado –, a adoção dos tablets deu um novo fôlego ao setor.

“No começo, vendíamos um livro por dia, quando vendíamos. Hoje estamos vendendo uma média de 80 títulos diariamente”, diz o empreendedor. O salto se deu principalmente nos últimos seis meses, período em que o volume diário de vendas quadruplicou. “Grande parte dos nossos clientes hoje são usuários de tablet. Até o final do ano, esperamos estar vendendo 170 livros por dia”, antecipa o empreendedor.

Com o know how acumulado nestes dois anos, Ernanny identificou outra oportunidade de negócio. A Xerith, irma caçula da Gato Sabido, foi criada para atuar no segmento distribuição digital, ajudando editoras a gerenciar seus acervos e varejistas a abrir suas próprias lojas de e-books.

“Percebemos que não íamos conseguir desenvolver esse mercado sozinhos. Precisávamos de mais lojas. Com a Xerith, de concorrentes, passamos a ser viabilizadores desses projetos”, explica o empreendedor.

Além criar lojas de e-books, a companhia atua em outras frentes. Um dos projetos em que a empresa trabalha atualmente é a troca de todo o material didático da universidade Estácio de Sá por tablets, que já virão com todos os conteúdos do programa em formato digital. A empresa também pretende desenvolver projetos de bibliotecas eletrônicas, que permitirão que os alunos façam empréstimos de livros digitais para seus equipamentos.

Diante da perspectiva de crescimento de iniciativas como estas, Ernanny arrisca um audacioso palpite: “Até 2015, o livro digital já vai ter ultrapassado o físico em volume de vendas no Brasil”. Até, ele espera ter nada menos que 1 milhão de títulos digitais disponíveis em seu acervo.

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