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Bibliotecas públicas americanas emprestam livros para Kindle

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Publicado originalmente na Galileu

A Amazon afirmou que mais de 11 mil instituições dos EUA vão disponibilizar gratuitamente livros digitais para o tablet

 A empresa americana Amazon divulgou hoje que mais de 11 mil bibliotecas públicas dos Estados Unidos vão passar a emprestar, a partir desta semana, livros no formato Kindle. E a novidade não está limitada aos que possuem o tablet. Quem tiver um smartphone ou um computador com o aplicativo Kindle instalado, também pode ler os e-books emprestados.

O sistema vai funcionar da seguinte forma: o leitor vai usar o site da própria biblioteca para ver os livros disponíveis. Quando escolher a obra, vai clicar em “Enviar para o Kindle”, e então será redirecionado para o site Amazon.com para o download. Se o usuário não estiver conectado à internet, pode fazer a transferência via USB.

O lado bom de emprestar um livro digital é que as bibliotecas não vão sofrer com danos nas obras. No Kindle, os leitores podem escrever o que quiserem em suas páginas eletrônicas – e essas anotações estarão disponíveis sempre que o mesmo usuário emprestar o próprio título ou se decidir comprá-lo mais tarde.

Desbravando o mercado de e-books no Brasil

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Publicado originalmente por Daniela Moreira na  

Duda Ernanny

Duda Ernanny, fundador da Gato Sabido: “prometi que largaria tudo aos 35”

São Paulo – Depois de passar mais de 17 anos trabalhando no mercado financeiro, Duda Ernanny tomou uma decisão radical: trocar a sólida carreira por sua paixão: os livros. “Fiz uma promessa a mim mesmo de que quando chegasse aos 35 anos, independente da situação em que eu tivesse no mercado, iria me levantar e fazer alguma coisa da vida”, conta. A promessa foi cumprida e assim nasceu a Gato Sabido, pioneira no mercado de e-books no Brasil.

Ao embarcar nesta jornada, Ernanny tinha uma única certeza: queria fazer algo relacionado ao mercado de livros.  “Estudei o modelo de negócio de livrarias, editoras, distribuidoras e cogitei até virar autor e escrever um livro. Foi a pior experiência, não passei da primeira pagina”, lembra o empreendedor, com bom-humor.

Foi de um amigo que veio a ideia de desbravar o mercado de livros digitais, que começava a dar seus primeiros passos no mundo e, no Brasil, sequer engatinhava. “Ele tirou um leitor digital da Sony da mochila e eu fiquei apaixonado pelo que vi”, recorda.

O ano era 2009 e a Amazon tinha acabado de lançar a segunda geração do Kindle, produto que deu um novo impulso ao mercado de leitores eletrônicos mundo afora. Ernanny partiu para o exterior e, na volta, trouxe na mala quatro modelos de aparelhos para testar no Brasil.

“Minha decepção foi enorme. Não conseguia comprar os livros lá de fora, porque eles exigiam um cartão de crédito com endereço local e aqui não havia opções”, diz. Assim, Ernanny decidiu montar a primeira loja de e-books do Brasil, a Gato Sabido.

Mas como vender e-books no mercado brasileiro se não havia clientes para compra-los? “Dois fornecedores tinham dito que iam fabricar leitores aqui. Mas próximo do lançamento da loja, em outubro, os dois tinham desistido”, lembra.

A solução foi importada da China. O empresário entrou mais uma vez no avião e voltou para o Brasil com uma encomenda de mil unidades do Cool.e.r, leitor que lançaria a R$ 750, junto com a estreia da Gato Sabido. “Os leitores eram muito caros no Brasil nesta época e ainda são. O principal motivo são os impostos de importação, que chegam a 60% do valor do produto”, justifica.

Mesmo com a escassez de leitores no mercado, a loja fez sua estreia em dezembro de 2009. Na época, contava com apenas duas editoras – Zahar e Lumen Juris – e 120 títulos em seu acervo. “Ninguém sabia quem éramos. Não conhecíamos ninguém no mercado editorial. Ligávamos de editora em editora tentando marcar uma reunião e a maioria nem sabia o que era e-book”, conta Ernanny.

Graças ao pioneirismo e à persistência, a Gato Sabido foi conquistando seu espaço em um marcado que, aos poucos, começa a ganhar adeptos no Brasil. Hoje, a loja já possui parceria com 130 editoras – incluindo as grandes do ramo, como Companhia das Letras, Melhoramentos, Globo e Editora Saraiva – e dispõe de um acervo com 5 mil títulos. Embora os leitores digitais ainda não sejam populares por aqui – hoje apenas dois fabricantes, Elgin e Positivo, disputam o mercado –, a adoção dos tablets deu um novo fôlego ao setor.

“No começo, vendíamos um livro por dia, quando vendíamos. Hoje estamos vendendo uma média de 80 títulos diariamente”, diz o empreendedor. O salto se deu principalmente nos últimos seis meses, período em que o volume diário de vendas quadruplicou. “Grande parte dos nossos clientes hoje são usuários de tablet. Até o final do ano, esperamos estar vendendo 170 livros por dia”, antecipa o empreendedor.

Com o know how acumulado nestes dois anos, Ernanny identificou outra oportunidade de negócio. A Xerith, irma caçula da Gato Sabido, foi criada para atuar no segmento distribuição digital, ajudando editoras a gerenciar seus acervos e varejistas a abrir suas próprias lojas de e-books.

“Percebemos que não íamos conseguir desenvolver esse mercado sozinhos. Precisávamos de mais lojas. Com a Xerith, de concorrentes, passamos a ser viabilizadores desses projetos”, explica o empreendedor.

Além criar lojas de e-books, a companhia atua em outras frentes. Um dos projetos em que a empresa trabalha atualmente é a troca de todo o material didático da universidade Estácio de Sá por tablets, que já virão com todos os conteúdos do programa em formato digital. A empresa também pretende desenvolver projetos de bibliotecas eletrônicas, que permitirão que os alunos façam empréstimos de livros digitais para seus equipamentos.

Diante da perspectiva de crescimento de iniciativas como estas, Ernanny arrisca um audacioso palpite: “Até 2015, o livro digital já vai ter ultrapassado o físico em volume de vendas no Brasil”. Até, ele espera ter nada menos que 1 milhão de títulos digitais disponíveis em seu acervo.

Os meus livros

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Os meus livros

Os meus livros (que não sabem que existo)
São uma parte de mim, como este rosto
De têmporas e olhos já cinzentos
Que em vão vou procurando nos espelhos
E que percorro com a minha mão côncava.
Não sem alguma lógica amargura
Entendo que as palavras essenciais,
As que me exprimem, estarão nessas folhas
Que não sabem quem sou, não nas que escrevo.
Mais vale assim. As vozes desses mortos
Dir-me-ão para sempre.

Jorge Luis Borges, in “A Rosa Profunda”

via Folhas de Papel

Julgar um livro pela capa

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Texto escrito por Camila Kehl em Livros Abertos

Julgar um livro pela capa: certo ou errado? Num mundo em que tudo precisa ser rotulado, em que as coisas devem concebidas depois de se levar em conta os critérios de classificação (acho isso um horror), parece estranho responder que nem um, nem outro. Mas é isso mesmo. Considerando apenas a obra literária, as histórias continuam iguais ainda que a capa seja medíocre; o que importa é a a tradução (se for o caso), a diagramação, a revisão. O que interteressa é o conteúdo, afinal. Mas, quando se olha mais longe — um olhar mais demorado e mais abrangente sobre todas as artes —, ficamos satisfeitos ao encontrar um livro cuja capa nos desperta algo mais que apenas a vontade de abrir logo na primeira página e iniciar a descoberta do enredo. Não se trata de futilidade; talvez bem pelo contrário. O objeto livro, hoje, é composto não só de folhas e palavras. É um conjunto, e também por isso é maravilhoso. Não, uma capa excelente não salva uma escrita terrivel; e provavelmente não será um fator relevante para que críticos decidam por achincalhar uma edição. Mas, como complemento, como outra forma de apreciação e deleite, é louvável.

Eis as capas de edições — as brasileiras — das quais eu gosto. E que podem servir de inspiração (ao menos servem para mim).

Raiva nos raios de sol, Fernando Mantelli; Não Editora

Raiva nos raios de sol, Fernando Mantelli; Não Editora

Pulp, Charles Bukowski; L&PM Editores

Pulp, Charles Bukowski; L&PM Editores

Meu Fausto, Paul Valéry, Editora Ateliê Editorial

Meu Fausto, Paul Valéry, Editora Ateliê Editorial

Os cadernos de Dom Rigoberto, Mario Vargas Llosa; Editora Alfaguara

Os cadernos de Dom Rigoberto, Mario Vargas Llosa; Editora Alfaguara

O museu da inocência, Orhan Pamuk; Editora Companhia das Letras

O museu da inocência, Orhan Pamuk; Editora Companhia das Letras

Lolita, Vladimir Nabokov; Editora Alfaguara

Lolita, Vladimir Nabokov; Editora Alfaguara

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Lula ironiza ex-presidentes e diz que pretende escrever livro sobre seus mandatos

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Via VEJA

Foi sob protestos de um grupo de cerca de 100 estudantes ligados ao Diretório Central da Universidade Federal da Bahia (UFBA) que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, no início da tarde de hoje, o título de doutor honoris causa da instituição. O grupo chegou ao prédio da reitoria da instituição para cobrar aumento para 10% do Produto Interno Bruto (PIB) o montante a ser obrigatoriamente investido em educação no País.

Como não havia espaço no salão onde ocorria o evento, os estudantes tiveram de ficar do lado de fora. Depois, conseguiram entrar no salão, onde acompanharam o fim das homenagens a Lula e voltaram a gritar palavras de ordem – enquanto pegavam autógrafos do ex-presidente nos próprios cartazes nos quais estavam escritas as reivindicações.

“Essa é uma reivindicação nova”, disse Lula. “Até outro dia, os estudantes falavam em 7% (do PIB) – o que foi colocado no plano de governo da presidente Dilma (Rousseff) até 2014. Eu até brinquei, dia desses, que se fizessem essa reivindicação antes, enquanto eu era presidente, talvez a gente tivesse atendido.”

Para Lula, é natural que o montante do PIB destinado à educação cresça gradualmente. O ex-presidente, porém, disse que seu governo conquistou “muitos avanços” na área. “Nós fizemos 14 universidades federais novas, 126 extensões universitárias, 214 escolas técnicas, um Reuni e ainda o Prouni”, enumerou. “Ainda é preciso fazer muito para a educação chegar aonde a gente quer. Nós não queremos continuar sendo apenas exportadores de produtos in natura ou de commodities. Nós queremos ser exportadores de conhecimento, de inteligência.”

Sobre a condecoração oferecida pela UFBA, Lula disse já ter aceitado 67 títulos como esse. “E vou continuar aceitando os que me forem oferecidos”, afirmou. “Certamente existe uma parcela da elite retrógrada deste País que não se conforma. Se eles souberem que vou receber, no dia 27, o título de doutor honoris causa da Sciences Po Paris (Instituto de Ciências Políticas de Paris) é que eles vão ficar doentes. Eu serei o primeiro latino-americano a receber esse título.”

Na coletiva, Lula ironizou os ex-presidentes que escreveram livros sobre os seus mandatos. Mas durante seu discurso, disse ter a intenção de fazer um livro sobre seu governo. “Todo ex-presidente que acaba de deixar o mandato em seis meses está com um livro pronto”, brincou. “Eu resolvi que não era correto eu mesmo fazer um livro, porque o livro de um ex-presidente nunca vai ser verdadeiro. Não sei se vocês leram o livro do (ex-presidente americano Bill) Clinton. A Monica Lewinsky (estagiária com quem Clinton teve um caso) não está lá. Um livro meu também não ia contar tudo – e eu não ia fazer um livro para contar apenas o que vocês já leram no jornal.”

Eu vou chamar o povo brasileiro para fazer a avaliação dos oito anos de meu governo”. Questionado na entrevista coletiva sobre o que não incluiria em um possível livro sobre o seu governo, Lula respondeu, dando risada: “Essa sua pergunta, por exemplo”

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