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Lula ironiza ex-presidentes e diz que pretende escrever livro sobre seus mandatos

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Via VEJA

Foi sob protestos de um grupo de cerca de 100 estudantes ligados ao Diretório Central da Universidade Federal da Bahia (UFBA) que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, no início da tarde de hoje, o título de doutor honoris causa da instituição. O grupo chegou ao prédio da reitoria da instituição para cobrar aumento para 10% do Produto Interno Bruto (PIB) o montante a ser obrigatoriamente investido em educação no País.

Como não havia espaço no salão onde ocorria o evento, os estudantes tiveram de ficar do lado de fora. Depois, conseguiram entrar no salão, onde acompanharam o fim das homenagens a Lula e voltaram a gritar palavras de ordem – enquanto pegavam autógrafos do ex-presidente nos próprios cartazes nos quais estavam escritas as reivindicações.

“Essa é uma reivindicação nova”, disse Lula. “Até outro dia, os estudantes falavam em 7% (do PIB) – o que foi colocado no plano de governo da presidente Dilma (Rousseff) até 2014. Eu até brinquei, dia desses, que se fizessem essa reivindicação antes, enquanto eu era presidente, talvez a gente tivesse atendido.”

Para Lula, é natural que o montante do PIB destinado à educação cresça gradualmente. O ex-presidente, porém, disse que seu governo conquistou “muitos avanços” na área. “Nós fizemos 14 universidades federais novas, 126 extensões universitárias, 214 escolas técnicas, um Reuni e ainda o Prouni”, enumerou. “Ainda é preciso fazer muito para a educação chegar aonde a gente quer. Nós não queremos continuar sendo apenas exportadores de produtos in natura ou de commodities. Nós queremos ser exportadores de conhecimento, de inteligência.”

Sobre a condecoração oferecida pela UFBA, Lula disse já ter aceitado 67 títulos como esse. “E vou continuar aceitando os que me forem oferecidos”, afirmou. “Certamente existe uma parcela da elite retrógrada deste País que não se conforma. Se eles souberem que vou receber, no dia 27, o título de doutor honoris causa da Sciences Po Paris (Instituto de Ciências Políticas de Paris) é que eles vão ficar doentes. Eu serei o primeiro latino-americano a receber esse título.”

Na coletiva, Lula ironizou os ex-presidentes que escreveram livros sobre os seus mandatos. Mas durante seu discurso, disse ter a intenção de fazer um livro sobre seu governo. “Todo ex-presidente que acaba de deixar o mandato em seis meses está com um livro pronto”, brincou. “Eu resolvi que não era correto eu mesmo fazer um livro, porque o livro de um ex-presidente nunca vai ser verdadeiro. Não sei se vocês leram o livro do (ex-presidente americano Bill) Clinton. A Monica Lewinsky (estagiária com quem Clinton teve um caso) não está lá. Um livro meu também não ia contar tudo – e eu não ia fazer um livro para contar apenas o que vocês já leram no jornal.”

Eu vou chamar o povo brasileiro para fazer a avaliação dos oito anos de meu governo”. Questionado na entrevista coletiva sobre o que não incluiria em um possível livro sobre o seu governo, Lula respondeu, dando risada: “Essa sua pergunta, por exemplo”

O lado negro de Coco Chanel: antissemita e agente nazista

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Publicado originalmente na Veja

Livro conta segredos chocantes da mademoiselle da moda durante a II Guerra

Coco Chanel, em foto de 1944 (AFP)

Coco Chanel, em foto de 1944 (AFP)

Para o mundo da moda, Gabrielle Chanel (1883-1971) era Coco, a estilista que revolucionou o mundo da moda no começo do século XX. Para o serviço de inteligência alemão (Abwehr), porém, ela era a agente nazista identificada pelo número F-7124. A mademoiselle chegou a financiar uma revista fascista editada por um dos amores de sua vida, o ilustrador Paul Iribe. De língua afiada, nunca teve pudores nas conversas entre amigos. “Só tenho medo dos judeus e dos chineses, e mais dos judeus do que dos chineses”, disse ela ao escritor francês Marcel Haedrich, autor de uma de suas biografias, que definia o antissemitismo da estilista como “veemente, antiquado e muitas vezes embaraçoso”. Mas é um novo livro sobre Coco, lançado na última sexta-feira no Brasil, que revela detalhes desse lado mais obscuro de sua vida.

Dormindo com o Inimigo – a guerra secreta de Coco Chanel, do jornalista Hal Vaughan, deixa o glamour da incomparável profissional da moda de lado para detalhar o comportamento dúbio e imoral em seu flerte com o nazismo durante a ocupação alemã na França, entre 1940 e 1944. Além de talentosa e criativa, Coco sempre foi uma mulher determinada, que sabia onde queria chegar e mais: o que fazer para alcançar seus objetivos. Nascida em uma família pobre no interior da França, teve uma infância difícil até ser levada, adolescente, a um orfanato de freiras, onde teve aulas de antissemitismo – em uma época na qual três quartos dos franceses detestavam os judeus (considerados os “assassinos de Cristo”). No começo da vida adulta, depois de passar por um bar onde cantava por alguns poucos trocados, começou sua escalada social ao ir viver no castelo do ex-oficial Étienne Balsan, o primeiro de seus muitos amantes. Com ele, descobriu a importância de se manter bons contatos e o poder que poderia alcançar seduzindo homens. Essas lições foram cruciais para o caminho escolhido por Coco durante a II Guerra Mundial.

Tempos de guerra – Não foi difícil para uma antissemita passar para o lado dos “futuros vencedores”, como acreditava ela, ao ver que os alemães estavam tão poderosos a ponto de tomar Paris. Oportunista diante do caos que se instaurou sobre a capital da França, Coco achou um homem para defendê-la, o alto espião do serviço secreto alemão, barão Hans Günter Dincklage, com quem viveu um longo romance. Foi Dincklage o responsável por envolve-la na inteligência alemã, com quem negociou uma constante troca de favores. Para libertar seu adorado sobrinho André Palasse, prisioneiro de guerra dos nazistas, por exemplo, Coco serviu como mediadora entre os alemães e as suas importantes conexões – que incluíam o então homem mais rico da Europa e ex-amante dela, duque de Westminster, e o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Winston Churchill. Essa era sua principal função como agente: estender seus contatos pessoais ao regime. Por isso, era definida agente e não espiã, já que nunca chegou a investigar a vida de ninguém. Coco chegou a ser usada, inclusive, para uma tentativa frustrada de mediação de paz entre autoridades dissidentes de Adolf Hitler e Churchill na operação Modelhut (chapéu da moda, em alemão), em uma referência ao fato de ser uma estilista e confeccionar chapéus masculinos para mulheres.

Com o barão Dincklage, a primeira-dama da alta costura continuou a desfrutar uma vida de luxo enquanto os franceses reviravam o lixo nas ruas da cidade-luz para ter o que comer. Ela vivia no soberbo hotel Ritz, em Paris, onde ganhou como vizinhos de quarto inúmeras autoridades nazistas nos quatro anos de ocupação. Coco chegou a ir a Berlim com seu amado para conhecer o chefe da Abwehr, o general Walter Schellenberg. Além disso, aproveitou-se das leis nazistas para tentar, inutilmente, tirar a empresa de perfumes e cosméticos Chanel das mãos de seus sócios judeus, Pierre e Paul Wertheimer, que a ajudaram no início da carreira e lucraram milhões com suas fragrâncias. Como ela, muitos outros franceses cooperaram com a ocupação nazista em Paris. A maioria foi duramente punida após a libertação da França pelos aliados, em 1944. As mulheres que dormiram com os nazistas nessa época, chamadas de “colaboradoras horizontais”, foram arrastadas nuas para fora de suas casas, tiveram seus cabelos raspados, uma suástica pintada em suas cabeças e foram obrigadas a desfilar dessa forma pelas ruas da capital. Coco, porém, não sofreu um único arranhão. Foi poucas vezes obrigada a comparecer à Justiça para explicar suas relações com os alemães, sempre negando seu envolvimento com a inteligência nazista. Depois, mudou-se para a Suíça, só retornando ao seu país-natal em 1956. Tudo com a ajuda de seus poderosos contatos, é claro.

Livro – Em Dormindo com o Inimigo, o jornalista Hal Vaughan mostra a dupla identidade de Coco de uma maneira diferente, ora como admirador, ora como crítico. Mas ele não se limita apenas ao lado nazista da dama da moda francesa, e traz à tona também outras verdades pouco conhecidas sobre ela, como seu vício em morfina e os casos homossexuais – inclusive com modelos da Chanel. E mesmo desmascarando certos pontos da conduta de Coco, o autor não consegue disfarçar o admirador que é da inegável genialidade chaneliana. Afinal, Coco foi grandiosa demais para ser derrubada por suas fraquezas. O mito Chanel prevalece.

O hábito de ler

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Texto de Taís Luso de Carvalho publicado originalmente no Porto das Crônicas

Lorenzo Mattotti

Sou de uma geração que curtiu muito os gibis; aprendemos a ler com os gibis, e era com ansiedade que íamos às bancas de revista comprar as novidades do mês. E a troca de gibis entre os amiguinhos era estimulante. Depois, se aprimorava o gosto com vários livros. Mas, estávamos criando o hábito da leitura. A criança precisa de ajuda e de estímulo para essa iniciação. E também na adolescência.
 
Lembro que na adolescência, tanto eu como minhas colegas de aula, perdemos um pouco desse hábito devido aos livros que a Escola oferecia como padrão: não queríamos os clássicos brasileiros; não queríamos ler por obrigação para fazermos uma resenha. Queríamos a liberdade de escolha, que nos foi negado. Acredito que isso desestimulou um pouco a nós todos. Há que se respeitar o gosto de cada um, e, à Escola, cabe analisar as preferências de seus alunos. O mesmo livro para todos os alunos? Foi um desastre; uns perguntavam aos outros a história – e a resenha estava feita! Ninguém aceitava uma leitura imposta.
 
Lembro que muitas de nós queríamos ler algo mais moderno, coisas da nossa época, para nosso momento. Lembro que me revoltei com isso e levei pra aula (colégio de freiras)  O Muro, de Sartre. Levei o livro para o recreio e caminhava pra lá e pra cá, meio que provocando… Era uma atitude pra encher o saco das freiras. Mas, em pouco tempo fui parar na sala da Madre Superiora, e meus pais foram chamados à escola:
 
Sua filha está muito rebelde, está dando mal exemplo aos colegas!
 
Foi nesta época que houve um desinteresse da parte de muitos alunos; não tínhamos opção, não tínhamos tempo de ler outras coisas, uma vez que a leitura dos clássicos brasileiros, obrigatórios, tinha prazo para a entrega do trabalho. Para tudo existe uma idade certa, era só ter esperado o amadurecimento dos alunos.  
 
A escola é a mola mestra; é nela que depositamos esperanças e mudanças. E cabe aos pais ajudar a incutir o hábito nas cabecinhas em formação; manter o elo, dar continuidade, estimular. Não impor! 
 

Se ficarmos pensando que somos um país em desenvolvimento, que os livros são caros, que o analfabetismo é enorme, que as crianças não são estimuladas à leitura, que as famílias têm outras prioridades, bem… então nada mais a fazer. É deixar como está pra ver como é que fica.

E vai piorar, uma vez que a educação é primordial para o desenvolvimento e a educação de um povo.  Quanto mais esclarecimentos,  mais qualificados seremos, mais oportunidades de trabalho, e consequentemente seremos mais felizes, aptos a cuidar mais de nossa saúde e de nossas famílias. 

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Alpinista brasileiro Rodrigo Raineri lança livro sobre seus desafios a mais de 8 mil metros de altitude

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Texto de Carol Knoploch publicado originalmente no O Globo

O frio é intenso, tempestades de neve são comuns, o ar é rarefeito; o terreno, hostil, com escaladas negativas ou em paredões de dar medo. Passa-se fome e sede. O esforço físico é extremo, algo para super homens, que têm de aguentar também a distância da família. O limite entre a vida e a morte é real e próximo. Lembrado a cada passo, a cada investida e quando se depara com corpos congelados que ficaram pelo caminho. Este turbilhão de sensações e sentimentos fez com que Rodrigo Raineri, que alcançou por duas vezes o ponto mais alto do planeta, o Monte Everest, com 8.844m de altitude, escrevesse uma carta de despedida para o filho. O texto foi entregue a um membro da expedição ao Aconcágua, na Argentina, em 2001, que, aliás, foi bem sucedida. Se ele morresse, o filho Rodrigo, hoje com 10 anos, receberia o texto. A carta (nesta página) é a abertura do livro “No teto do mundo”, sobre as façanhas de Raineri, escrito em parceria com o jornalista Diogo Schelp, da revista “Veja”.

FOTOGALERIA: Veja mais imagens das escaladas de Rodrigo Raineri

– Era como se fosse o Bope invadindo um morro. Podia não dar certo porque a face sul do Aconcágua não é brincadeira – compara Raineri – Meu filho ainda não tinha lido a carta. Viu no livro. Ficou feliz e disse que não imaginava que eu o amasse tanto – conta o alpinista, que levou o menino para escalar o Pão de Açúcar, no mês passado.

– Nada ficou de fora – garante Diogo, que também mata a curiosidade sobre tarefas do dia a dia no Everest.

Raineri discorda que seu esporte seja individualista, quando se refere aos familiares. Arriscar a vida longe deles.

– Quantas horas as pessoas trabalham diariamente, deixando de lado a família? E os riscos para motoboys, pilotos de avião? O alpinismo é meu esporte e minha profissão – afirma ele. – O mais difícil? Ficar longe do meu filho e da minha mulher. Se estivessem comigo na base da montanha, escalava o ano inteiro.

Os patrocínios de Raineri são apenas para as expedições. Não vive com salário mensal, mas conta com permutas que lhe permitem treinar durante o ano. Dá palestras, cursos, escreve sobre segurança e escalada, é contratado para expedições mundo afora… Hoje, tem uma empresa com 14 funcionários.

Sonho em explorar cavernas

Raineri chegou ao cume do Everest por duas vezes em quatro tentativas, sendo a última em 20 de maio deste ano. Seu objetivo era descer de paraglider, mas a neblina impediu, adiando o desafio para 2013.

– Também sonho explorar cavernas de gelo, no meio de um glaciário gigante. Seria como escalar dentro da terra. E medir as três maiores cachoeiras do Brasil, como fiz com a do Pai Nosso, no Amazonas (em 2001) – conta Raineri, que foi convidado a descer de rapel toda a extensão desta cachoeira e medi-la com precisão (353 metros). Este trabalho ganhou um capítulo do livro. – Para ser um projeto, tem de ter desafio. Não necessariamente difícil. Se não, faço no fim de semana. E tenho uma lista…

E é de perder de vista. Entre os sonhos, destacou escalar a Esfinge, no Peru, e a Table Mountain, na Cidade do Cabo.

– Não dá para fazer tudo em uma vida – constata Raineri, que chegou a ouvir da própria mãe uma pergunta inusitada. – Quando contei que queria ser alpinista, ela me perguntou para que servia isso… (risos). Acho que minhas histórias podem inspirar as pessoas nos seus desafios. Quem não me conhece me chama de doido. Mas sou um batalhador.

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Livro reúne fotos de Hitler feitas em 3D

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Propaganda do regime do ditador usou técnica desde 1936
 
Publicado originalmente na Band
 

Mulher vê imagens do livro "A face da ditadura: o II Reich em fotos 3D" / John Macdougall AFP

Um livro reunindo fotografias de Hitler em 3D, procedimento utilizado na época pela propaganda nazista, foi apresentada nesta sexta-feira, dia 16, na Alemanha.

Em “A face da ditadura: o III Reich em fotos 3D”, o historiador e jornalista Ralf Georg Reuth apresenta uma centena de imagens do ditador, de soldados nazistas, ou de eventos marcantes da época.

A obra é fornecida com óculos 3D. O autor pesquisou os arquivos da Biblioteca Nacional de Munique, onde estão 6.966 fotos em três dimensões do fotógrafo pessoal de Hitler, Heinrich Hoffmann.

Hoffmann elaborou seu primeiro álbum de imagens em 3D em ocasião dos Jogos Olímpicos de Munique-1936.

Na introdução, o jornalista, autor de várias biografias de lideranças nazistas, ressalta até que ponto a fotografia servia para a propaganda do III Reich.

“As primeiros imagens 3D dos nazistas surgiram em 1936, e isso durou pelo tempo que havia vitórias a celebrar”, comenta. Vinte álbuns foram comercializados entre 1936 e 1942.

“A anexação da Áustria e as jornadas do partido estão entre as obras mais vendidas”, segundo Ralf Georg Reuth.

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