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Um jogo em capítulos

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Publicado originalmente no Link

Livro interativo mistura literatura, games e vida real e questiona os limites da ficção

17 finais. Escritora criou fluxogramas e fez aulas de Lógica para organizar o livro. FOTO: Wilton Junior (AE)

17 finais. Escritora criou fluxogramas e fez aulas de Lógica para organizar o livro. FOTO: Wilton Junior (AE)

Qualquer artista espera que seus trabalhos sejam olhados, ouvidos ou lidos. E para produzir, é preciso imaginar o quem está do outro lado da obra. Agora imagine escrever um livro pensando em vários modelos de leitores que podem intervir no destino dos personagens.

Após conquistar uma das bolsas do Programa Petrobras Cultural, Simone Campos, uma jovem escritora carioca, resolveu experimentar o desafio. Para isso, baseou-se em um tipo de literatura conhecida como livro-jogo ou ficção interativa, e armou uma história na qual o protagonista é um técnico de informática louco por videogames.

Seu novo livro Owned – Um Novo Jogador, em processo final de edição, tem 274 páginas e 17 desfechos possíveis. O mais curto vem logo na página 80 e o mais longo, na 229. O estilo não-linear segue uma característica da literatura que ficou famosa com o escritor argentino Julio Cortázar em seu romance O Jogo da Amarelinha (ed. Civilização Brasileira, 604 págs., R$ 44,50). A “rayuela” do título original é um jogo que se equivale à nossa amarelinha, em que o jogo muda conforme uma ação do jogador.

Em Owned, o personagem André ganha um objeto enquanto joga um game no computador e, a partir desse momento, sua vida começa a ser afetada pelas ações no ambiente virtual. A escritora afirma que assim como o personagem Dom Quixote, André também sofre na sua vida real por causa de elementos imaginários ou virtuais. “O objetivo é mostrar o poder da ficção no dia a dia das pessoas”, diz a autora.

A cada capítulo, o leitor decide qual atitude o personagem deve tomar, o que o leva a uma página diferente e, consequentemente, a uma outra história. Assim o leitor não só participa como molda o personagem, o que, segundo a autora, cumpre um dos objetivos do livro que é fazer o leitor refletir sobre sua personalidade e caráter. O livro estará disponível também online. Além de gratuita, a edição na web permite gravar as escolhas do leitor.

Gamer. Simone Campos, de 28 anos, com três livros e diversos contos na carreira, teve uma infância baseada nos dois elementos: literatura e videogame. Assim como André, Simone Campos também ganhava livros e jogos eletrônicos do padrinho desde os sete anos. Ela ainda é uma jogadora fiel e dona de um PlayStation 3 e, hoje, avalia sua infância e seu hobby favorito com mais maturidade.

Para ela, jogos cumprem a função de “largar âncoras longe da realidade”, diz. “A ficção inclui tudo que é fantasia: livro, videogame, imaginação, mentiras; elementos que servem para escapar e retrabalhar a vida real. A forma como você vive uma vida paralela na sua cabeça influencia a forma como vai ver a sua vida real.”

Videogames carregam o prejuízo de serem vistos como um desvio, sempre responsabilizados por notas baixas na escola ou introversão. A escritora carioca espera que seu livro seja não só uma quebra desse preconceito mas também tem a esperança de unir os dois mundos e seus habitantes. “Eu quero que leitores que nunca tiveram contato com videogames passem a jogar; e jogadores que se mantêm longe dos livros, se interessem por literatura”, diz. Até porque “o livro é como se fosse um software e a cabeça, o hardware”.

Owned - Um Novo Jogador

Questionada sobre a relação entre atrocidades no mundo real e jogos violentos, a escritora-gamer se mostra irritada. “Essa ligação é absurda. E quando o assassino é religioso? Veja Macbeth (William Shakespeare) ou Dom Casmurro (Machado de Assis). Não há violência quando Bentinho tenta matar o filho? E a suposta onda de suicídios após o Os Sofrimentos do Jovem Werther do Goethe? Videogame é arte e obras de arte em geral são capazes de muita coisa.”

Simone, que quando jovem fugiu da literatura de “moçoilas” para os videogames, explora o seu ponto de vista crítico quanto à visão desequilibrada em relação às mulheres também em Owned. Embora o protagonista seja homem, ele terá de se envolver com sete mulheres durante a história. Moldando suas personagens, Simone relembra heroínas duronas como Lara Croft, de Tomb Raider, mas diz que o perfil mais comum no mundo do games ainda é de mulheres muito frágeis ou seminuas e atraentes. No livro, algumas delas são nerds, fãs de pornografia e jogadoras ferrenhas.

Jovem crítico

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Publicado originalmente no Will Tirando

Os melhores links literários

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A biblioteca pessoal de Fernando Pessoa

1.142 livros da biblioteca particular de Fernando Pessoa estão  disponíveis na internet para consulta on-line. A digitalização do acervo foi  feita pelo Centro de Linguística da Universidade de Lisboa. Os livros de vários gêneros e idiomas, no formato PDF e JPG, trazem dedicatórias, anotações, assinaturas, notas, diagramas e poemas do maior poeta de língua portuguesa da história. Para acessar: http://bit.ly/dnJxA9

A biblioteca pessoal de Cortázar

O Centro Virtual Cervantes, dentro do projeto La Biblioteca del Escritor Argentino,  fez um dossiê com parte da biblioteca (composta de mais de quatro mil livros) de Julio Cortázar. São dedicatórias, anotações, rascunhos e objetos pessoais. Uma preciosidade para quem gosta daquele que é considerado um dos autores mais inovadores e originais de seu tempo,  comparável a Jorge Luis Borges e Edgar Allan Poe. Para acessar: http://bit.ly/4CvMIy

A obra completa de Machado de Assis para download

Uma parceria entre o portal Domínio Público e o Núcleo de Pesquisa em Informática, Literatura e Linguística, da Universidade Federal de Santa Catarina, sistematizou, revisou e disponibilizou on-line a Coleção Digital Machado de Assis, reunindo a obra completa do autor para download. Além dos romances, “Ressurreição” (1872), “A Mão e a Luva” (1874), “Helena” (1876), “Iaiá Garcia” (1878), “Memórias Póstumas de Brás Cubas” (1881), “Casa Velha” (1885), “Quincas Borba” (1891), “Dom Casmurro” (1899), “Esaú e Jacó” (1904) e “Memorial de Aires” (1908),  a coleção engloba sua obra em conto, poesia, crônica, teatro, crítica e tradução. O projeto, que foi criado em 2008, também disponibiliza teses, dissertações e estudos críticos, e traz um vídeo sobre a vida do autor e sobre o contexto histórico em que ele viveu. Para acessar:http://machado.mec.gov.br

750 mil livros para download

Open Library é um projeto sem fins lucrativos do Internet Archive e da Fundação Austin. O projeto consiste na disponibilização crescente de milhares de livros para download legal ou leitura on-line. Atualmente são 750 mil exemplares e, embora a língua predominante seja a inglesa, podem ser encontrados livros em cerca de 40 idiomas. Também faz parte do acervo preciosidades históricas dos séculos 15, 16, 17 e 18. Para acessar: http://bit.ly/cPvcIT

toda a obra poética de Fernando Pessoa para download

O portal Domínio Público disponibilizou para download a poesia completa de Fernando Pessoa. Embora sem uma ordem cronológica adequada e com edições repetidas, o acervo contempla toda a obra conhecida do poeta português. O crítico literário Harold Bloom, em entrevista à revista “Época”, afirmou que a obra de Fernando Pessoa é o legado da língua portuguesa ao mundo. Para acessar: http://bit.ly/ffoF7T

120 livros acadêmicos para download gratuito

Cultura Acadêmica  é um selo da Fundação Editora da Unesp, que publica livros em primeira edição apenas nos formatos digitais, com a possibilidade de download gratuito. Atualmente são 120 títulos,  pautados nos conselhos editorias e comissões científicas e divididos em áreas como matemática, política, psicologia, comunicação, medicina, direito, filosofia, artes e literatura. Para acessar: http://bit.ly/bEpO3N

Toda a obra poética de Vinícius de Moraes para download

A Brasiliana, a biblioteca digital da Universidade de São Paulo, disponibilizou para  download gratuito, toda a obra poética de Vinícius de Moraes. Ao todo são 15 livros, compreendendo o período de 1933 a 1975. São eles: “O Caminho para a Distância”, “Forma e Exegese”, “Ariana, a Mulher”, “Novos Poemas”, “5 Elegias”, “Poemas, Sonetos e Baladas”, “Pátria Minha”, “Orfeu da Conceição: Tragédia Carioca”, Livro de Sonetos”, “Receita de Mulher”, “Novos Poemas: II”, “Antologia Poética”, “O Mergulhador”, “Um Signo: Uma Mulher” e “A Casa”. Para acessar:http://bit.ly/9RPdCW

100 livros sobre comunicação para download

O Departamento de Comunicação e Artes da Universidade da Beira, de Portugal, disponibilizou para download legal e gratuito cerca de 100 livros sobre comunicação. Os livros estão disponíveis em formato PDF. Os interessados em obter a versão impressa poderão fazê-lo sob encomenda, com preços acessíveis. A maior parte dos livros são publicações do ano de 2010 e 2011. Para acessar: http://bit.ly/eI9n2o

20 aplicativos do Facebook para amantes de livros

O site Mediabistro, especializado em publicidade digital e marcas, listou os 20 melhores aplicativos do Facebook para os apaixonados por livros. Por meio dos aplicativos você pode listar preferências, trocar livros em formato Kindle, compartilhar trechos preferidos, fazer listas, ler capítulos inicias de livros que ainda não foram lançados, escrever pequenas resenhas, fazer compras on-line com descontos consideráveis e ficar por dentro do mercado editorial mundial. Se você gosta de livros vale a pena perder algumas horas. Para acessar: http://bit.ly/eJTJt6

A irreversível digitalização dos livros

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Publicado originalmente por Tiago Doria no Weblog

A indústria musical foi uma das primeiras a ser atingida pelo rolo compressor da digitalização. Não teve muito tempo para pensar. Foi pega de surpresa. Saiu distribuindo processos judiciais contra os próprios clientes e usando tecnologias (DRM) que, no final das contas, se mostraram ineficientes. Foi a típica indústria que confundiu serviço (experiência musical) com tecnologia utilizada (CD).

A indústria de livros, última a passar pelo processo do digital, promete estar mais preparada. Aliás, as expectativas seriam cada vez mais positivas. A esperança é que a transição para o digital seja menos traumática que na indústria musical, revela matéria da Economist.

Um dos símbolos dessa transição seria a atitude da IKEA, a qual anunciou que remodelará a Billy, tradicional modelo de estante produzida pela empresa de móveis. A nova versão será voltada justamente para guardar qualquer coisa menos livros de papel.

Esse processo de digitalização já estaria aumentando as margens de lucro e minimizando problemas na logística de distribuição de livros. Porém, criando novos transtornos, mesmo que em menor volume, como a “pirataria de livros digitais”.

Responsável atualmente por 60 a 70% do mercado de ebooks nos EUA, a Amazon, que construiu seu negócio em torno dos livros de papel, continuaria firme e com folga no páreo. Cenário no qual, porém, não depositaria todas as fichas.

A Amazon tem a vantagem de ter o melhor leitor de ebook (aka Kindle) e de já ter relacionamentos com editoras. Porém, quando digitalizados, livros transformam-se em bits. E, atualmente, a melhor empresa que gerencia bits na web é a Google. Se a Google quiser entrar para valer no mercado de ebooks, as coisas prometem não ficar tão fáceis para a Amazon.

Além disso, é preciso lembrar que junto com a digitalização vem um processo de “softwarização“. Ou seja, livros podem se transformar em softwares (aplicativos). O que abre espaço para que se remixem com outros tipos de mídia e que desenvolvedores ganhem mais relevância na indústria de livros. Enfim, muita água ainda promete rolar no mercado de livros.

Talvez a matéria da Economist seja um ótimo exemplo de que a indústria de livros passa pelo que o futurista Thomas Frey chama de “Maximum Freud“. Um período de interseção de tecnologias em que os protagonistas de uma indústria devem passar por uma fase de autoanálise para entender o que realmente está acontecendo. Um espaço de tempo marcado por um caos extremo, mas também por muitas novas oportunidades.

Livro infantil “diferente” ensina como se proteger caso sua mãe vire um zumbi

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A Sociedade de Pesquisa de Zumbis lançou um livro para crianças intitulado That´s not your Mommy Anymore, A Zombie Tale  [Essa não é mais a sua mãe: um conto zumbi].

O fundador da “Sociedade”, Matt Mogk e autor do livro diz que pretende ensinar “as crianças como reconhecer um ataque de zumbis e como tomar medidas para se proteger”. O livro tem ilustrações de Aja Wells .

A cultura americana, em especial o cinema, parece ter uma predileção por esse assunto de mortos-vivos que dominarão o mundo em algum momento. Agora ensinar as crianças que sua mãe pode ser um zumbi que veio para comer o seu cérebro parece mais um livro de piadas que um livro infantil. Depois do sucesso do livro que usa palavrões para ninar as crianças parece que o limite do bom gosto parece ter sido definitivamente alargado.

Quando ela vem se arrastando pelo chão do quarto
Essa não é mais a sua mãe
Quando a voz dela mais parece o ronco do seu pai
Essa não é mais a sua mãe

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