Contando e Cantando (Volume 2)

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Vaticano censura livro sobre “diversidade familiar”

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Publicado: Publico.PT

Uma editora católica argentina foi obrigada a retirar do mercado um livro sobre sexualidade e diversidade das famílias. O seu autor, o pastor metodista Pablo Manuel Ferrer, defende que “a sexualidade é um desejo válido”.

O livro, cujo título em castelhano é “Parejas y sexualidad en la comunidad de Corinto”, tinha sido publicado em 2010 pela editora argentina San Pablo. Mas agora a editora recebeu uma carta do responsável pela Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal norte-americano William Levada, com advertências sobre “opiniões contrárias à doutrina da Igreja acerca da sexualidade”, noticiou o diário espanhol El País.

Na carta, enviada a 5 de Novembro, é feito um pedido para que a situação “seja remediada o quanto antes”. Alguns dias depois a editora retirou das lojas todos os exemplares da obra, eliminou-a do seu catálogo e proibiu que seja publicitada em qualquer das suas publicações.

O livro centra-se na questão da diversidade das famílias e tinha sido publicado no âmbito de uma colecção de obras ecuménicas e de reflexão sobre temas bíblicos. Para a edição da colecção foram convidados vários teólogos de outras igrejas, entre eles o pastor metodista Pablo Manuel Ferrer, de 40 anos.

“Quando me convocaram para publicar um livro estranhei, mas pareceu-me muito interessante a questão ecuménica”, disse Ferrer ao El País. Este pastor metodista até já tinha pensado em escrever um livro sobre casais e sexualidade porque, adiantou ao diário espanhol, “Jesus abriu novas possibilidades”.

Exigiu que a editora não alterasse “nem uma vírgula”, e o livro acabou por ser publicado tal e qual como Ferrer o tinha escrito. “A leitura bíblica tem uma diversidade de interpretações. Também a tive no momento de escrever. A Bíblia não é homogénea”, adiantou.

A carta enviada à editora do livro terá tido origem numa denúncia ao Vaticano. A obra não refere a questão da homossexualidade, do aborto ou dos anticonceptivos, mas fala da diversidade das famílias, e é por isso que o autor julga ter desagradado ao cardeal Levada. “A minha obra é sobre a carta em que o apóstolo Paulo responde à comunidade de Corinto, de onde lhe dizem ‘Bom é para o homem não tocar na mulher’. Isso implica dizer que o desejo é perigoso. Paulo responde que o desejo existe. O meu livro fala da sexualidade como um desejo válido”, adiantou Ferrer ao El País.

Professor no Instituto Superior Evangélico de Estudos Teológicos de Buenos Aires, na Argentina, Ferrer sublinha que “no tempo em que o Império Romano quis impor normas para a família, o apóstolo Paulo defendeu que devia haver diversidade”. E adianta: “O meu livro deve ter causado ruído porque digo que a família composta por pai, mãe e filho é uma das possíveis construções familiares”.

No livro, Ferrer deixa bem claro que não é católico. O facto de a obra ter sido retirada das livrarias deixou-o surpreendido. “Não esperava que acontecesse isto, mas é evidente que a Igreja Católica oficial foi muito severa. (…) A mim o cardeal não pode fazer nada, mas se fosse um sacerdote já devia estar a dar explicações.”

Ferrer não sabe se tentará publicar o livro por outros meios, uma vez que cedeu direitos de autor à editora San Pablo. Mas garante que se a obra voltar a ser publicada “serão acrescentados outros capítulos sobre homossexualidade”.

Ainda nesta segunda-feira, o Papa Bento XVI criticou as políticas de alguns países e defendeu que, ao questionar a família tradicional baseada na união entre um homem e uma mulher, “ameaçam a dignidade humana e o próprio futuro da humanidade”.

Elton John vai escrever relato pessoal sobre AIDS

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Matéria da Reuters publicada no Estadão

Elton John vai escrever um relato pessoal sobre sua vida durante a epidemia de Aids, inclusive sobre sua amizade com o vocalista do Queen Freddie Mercury, que morreu de uma doença relacionada à Aids em 1991, aos 45 anos.

O músico de “Rocket Man” fundou a Fundação Aids Elton John há cerca de 20 anos para levantar fundos para ajudar no combate à doença, e a renda obtida com “LOVE IS THE CURE: Ending the Global Aids Epidemic” (O AMOR É A CURA: Acabando com a epidemia global de AIDS) vai para a caridade.

Em um comunicado divulgado nesta segunda-feira, a editora Hodder&Stoughton prometeu “uma história muito pessoal da… vida de Elton durante a epidemia de Aids, inclusive sua agonia em ver amigo atrás de amigo perecendo desnecessariamente”.

Entre as pessoas que o relato descreve estão Mercury e Ryan White, um menino norte-americano que se tornou “criança-símbolo” do HIV/Aids depois de ser expulso da escola por sua condição.

Segundo relatos da época, John estava com White quando ele morreu em um hospital norte-americano em 1990, aos 18 anos.

“Essa é uma doença que deve ser curada não por uma vacina milagrosa, mas mudando mentes e corações, e através de um esforço coletivo para romper as barreiras sociais e erguer pontes de compaixão”, disse John.

“Por que não estamos fazendo mais? Essa é uma questão sobre a qual pensei muito e que desejo responder -e ajudar a mudar- escrevendo este livro.”

Cerca de 34 milhões de pessoas no mundo tinha o vírus da imunodeficiência adquirida (HIV) que provoca a Aids em 2010, 17 por cento a mais do que em 2011, quando 28,6 milhões conviviam com o HIV.

Segundo o comunicado da Hodder, o HIV/Aids já matou 60 milhões de pessoas.

A Hodder & Stoughton adquiriu LOVE IS THE CURE com a empresa irmã norte-americana Little, Brown and Company.

Deve publicar o relato em julho para coincidir com a 19a Conferência Internacional de Aids 2012, que será realizada em Washington.

(Reportagem de Mike Collett-White)

A maior obra de Confúcio – quem diria – é falsa

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Estudo publicado por pesquisador chinês mostra que a obra na qual se baseia boa parte dos preceitos da cultura do país nada tem a ver com os escritos originais do filósofo

Publicado na revista Veja

Busto do filósofo chinês Confúcio: maior obra foi redigida por estudiosos e é pouco fiel ao originalBusto do filósofo chinês Confúcio: maior obra foi redigida por estudiosos e é pouco fiel ao original (David Gray/Reuters)

Uma grande interrogação paira sobre um dos principais ícones da cultura chinesa: a obra de Confúcio. Shang Shu, a bíblia dos estadistas chineses escrita pelo filósofo há cerca de 2.400 anos, seria, em grande parte, falsa. A afirmação é feita pelo professor Liu Guozhong, da Universidade de Tsinghua, em Pequim, que fez um detalhado estudo comparando o livro atual a manuscritos gravados em bambu, cuja grafia também remonta a mais de dois milênios. Guozhong disse ao jornal Le Figaro que há cerca de mil anos a autenticidade do livro é colocada em xeque por intelectuais chineses.

Os manuscritos analisados pelo pesquisador pertencem à Universidade e tiveram sua autenticidade comprovada há três anos, por meio de testes de carbono 14. Não se sabe se o documento é o original escrito pelo filósofo, mas acredita-se, pela datação, que ele foi redigido no meio do período dos “Reis Combatentes”, no século IV a.C – época em que Confúcio vivia. Os manuscritos teriam sido roubados e vendidos a ricos mercadores que habitavam a ilha onde hoje fica Hong Kong há cerca de 2.000 anos. Em 2008, de maneira misteriosa, foram encontrados e comprados por um antigo acadêmico da Universidade de Tsinghua.

Quando o primeiro imperador Qin Shi Huang unificou o país, em 221 d.C., ordenou que todos os livros fossem queimados, sobretudo os de Confúcio. Dessa forma, conta o pesquisador Guozhong ao Le Figaro, a nova versão do Shang Shu, datada do ano 300 d.C., teria sido uma compilação muito pouco fiel aos volumes originais. Essa versão, que teria sido adaptada por estudiosos chineses durante a dinastia Qin, é a base de toda a antiga cultura chinesa.

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Livro sobre Umberto Eco será lançado em e-book gratuitamente

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Publicado na  Ansa Latina

O livro “Fenomenologia de Umberto Eco”, da autora Michele Cogo, será lançado amanhã gratuitamente em versão e-book pela editoria italiana Baskerville, por ocasião dos 80 anos do escritor italiano.

A obra trata sobre o nascimento da figura pública de Eco como intelectual contemporâneo e estará disponível para download no site www.baskerville.it.

A editora, ao anunciar o lançamento gratuito, comentou que Eco teve um “papel decisivo para trabalhar verdadeiros movimentos tectônicos dentro da cultura italiana e internacional”.

Segundo a editora, as mudanças provocadas pelo autor tocaram em hierarquias e “reescreveram os critérios tradicionais de dominação cultural”. “Sem Eco, esta mudança não teria acontecido, ou talvez teria acontecido muito mais tarde e de forma diferente”, continuou.

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Confira quais serão os destaques na literatura deste ano

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Publicado no Jornal Cruzeiro do Sul

Jorge Amado

Jorge Amado e Nelson Rodrigues fariam 100 anos em 2012. Carlos Drummond de Andrade, 110. James Joyce, 130 – mas nesse caso, mais importante que a data do aniversário é que 2012 representa o primeiro ano desde a entrada de sua obra em domínio público, ou seja, qualquer editora interessada na obra do irlandês poderá ter sua própria edição sem passar pelo crivo, ou pelas garras, da família do escritor a partir do ano novo. Essas datas redondas são sempre um bom motivo para as editoras reavivarem a obra de seus autores, e os leitores podem esperar novidades para o ano que vem.
De Joyce, o selo Penguin-Companhia das Letras lança, em abril, uma nova tradução de “Ulisses” feita por Caetano Galindo. Já a Iluminuras publica o infantil “O Gato E O Diabo”, com tradução da pesquisadora e escritora Dirce Waltrick do Amarante, e “De Santos E Sábios”, seleção de escritos estéticos e políticos organizados por Sérgio Medeiros e por Dirce. Mais misteriosa é a programação de lançamentos da Nova Fronteira, que edita Nelson Rodrigues. Ela garante que publicará textos inéditos do autor, releituras de suas peças e edições populares, mas não dá detalhes.
Drummond ressurge nas livrarias com nova roupagem também pela Companhia das Letras, que ganhou, em 2011, o direito de publicar toda a obra do poeta mineiro. “A Rosa do Povo”, o primeiro, chega em março, em tempo da homenagem da 10.ª Festa Literária Internacional de Paraty, marcada para julho. Ainda em 2012, outros três serão lançados.

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