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Ziraldo é condenado por estelionato

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Sentença definiu pena de 2 anos e 2 meses; advogado de Ziraldo diz que vai recorrer da decisão

A Justiça Federal do Paraná condenou o cartunista Ziraldo Alves Pinto a dois anos, dois meses e 20 dias de prisão pelo registro indevido da marca do Festival Internacional do Humor de Foz do Iguaçu, realizado em 2003. Ziraldo foi enquadrado no crime de estelionato. Através de seu advogado, Gustavo Teixeira, o cartunista negou o crime.

Segundo Teixeira, Ziraldo, que também é seu tio, ficou “extremamente revoltado” com a sentença proferida pelo juiz federal Mateus de Freitas Cavalcanti Costa. “Foi uma sentença que o acusou de um crime que ele não cometeu, que não aponta qual é o prejuízo, de uma marca que ele nunca utilizou e, no final das contas o condenou a uma pena que não é aplicável, está prescrita”, diz.

O crime de estelionato prescreve após 5 anos – que é o tempo máximo para a pena. Mas, independente de haver ou não prescrição, o advogado de Ziraldo afirmou que vai recorrer da condenação. “Para o Ziraldo, não significa nada isso (se prescreveu ou não).”

Ele também criticou o juiz por ter considerado que a culpabilidade de Ziraldo deveria “ser valorada negativamente” por ele ser um nome reconhecido. “A notoriedade e o prestígio gozados pelo réu, sobretudo sua representatividade perante o público infantil, fazem com que o agir ilícito dele se revista de maior grau de reprovabilidade”, anotou o magistrado na sentença.

O caso

Em 2003, Ziraldo participou do Festival Internacional de Humor Gráfico de Foz do Iguaçu, aparecendo como presidente de honra do evento. O cartunista também foi responsável pela criação do cartaz do festival, o que lhe rendeu R$ 75 mil – previstos no edital, mediante a cessão perpétua do desenho. Em 2004, representado por uma das organizadoras do evento, Arlete Andrion Bonato, o cartunista registrou o desenho em seu nome no Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (Inpi). Em sua ação, o Ministério Público Federal denunciava o registro junto ao Inpi, pois ele caracterizaria a intenção de Ziraldo de utilizar a marca comercialmente.

Para Teixeira, a acusação não faz sentido. “Onde essa marca foi veiculada para poder gerar benefício financeiro para o Ziraldo? Não há vantagem”, afirma. O advogado ad mite que seu tio possa ter errado ao registrar a marca – chega a definir o gesto como burrice. Mas, diz ele, não houve dolo. “Estelionato tem que ter vontade de cometer o crime, tem que ter a prova do dano. Registrou errado a marca? Então desfaz”, defende. O advogado afirma que a intenção de seu tio ao fazer o registro era evitar pirataria. Teixeira argumentou ainda que o cartunista tem outras marcas que rendem e não precisa da marca criada para um “festival sazonal”.

Zélio

Teixeira comentou ainda a condenação de Zélio, irmão de Ziraldo, que também ajudou na coordenação do evento. Ele foi condenado por pagamento duplicado. Segundo o advogado, Zélio foi responsável pela organização do evento nos dias das atividades e houve confusão em relação aos pagamentos das diárias. Segundo o advogado, não houve pagamento duplicado. “Se tivesse havido, o Zélio teria pago mais do que o que ele recebeu”, afirmou. Além de Ziraldo e Zélio, outras cinco pessoas que participaram do Festival do Humor foram condenadas.

Médicos podem aprender muito com Shakespeare

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Publicado originalmente no Clicrbs

Escritor se destacou por sua capacidade de vincular sintomas físicos e angústia mental

Segundo pesquisador, inspiração em Shakespeare poderia ajudar médicos a fazerem diagnósticos melhores

Os médicos devem ler Shakespeare, é a indicação de um estudo recente e incomum divulgado e que afirma que o Bardo era excepcionalmente habilidoso em detectar sintomas psicossomáticos.

Kenneth Heaton, médico da Universidade de Bristol, no oeste da Inglaterra, analisou as 42 principais obras de Shakespeare e 46 trabalhos do mesmo gênero de contemporâneos do escritor. Ele descobriu que Shakespeare se destacou por sua capacidade de vincular sintomas físicos e angústia mental.

Vertigem e tontura são sentidas por cinco personagens masculinos no auge de problemas emocionais, em A Megera Domada, Romeu e Julieta, Henrique VI, Parte 1, Cimbelino, e Troilo e Créssida.

Onze episódios de falta de ar relacionados a emoções extremas são encontrados em Os dois cavalheiros de Verona, O estupro de Lucrécia, Vênus and Adônis e Troilo e Créssida.

Mágoa ou angústia aparecem através de sintomas de fadiga em Hamlet, O mercador de Veneza, Do jeito que você gosta, Ricardo II e Henrique IV, Parte 2.

Distúrbios de audição em períodos de crise mental aparecem em Rei Lear, Ricardo II e Vida e morte do Rei João.

Enquanto isso, frieza e desmaios, emblemáticos de choque profundo, ocorrem em Romeu e Julieta, Julius Caesar, Ricardo III e em outras obras.

— A percepção de Shakespeare de que torpor e sensações fortes podem ter uma origem psicológica parece não ter sido compartilhada por seus contemporâneos, nenhum deles incluiu estes fenômenos nos trabalhos examinados — observa Heaton.

Shakespeare pode ajudar hoje em dia médicos que precisam atender a pacientes cujo estado físico mascara problemas emocionais profundos, sugere o pesquisador. Segundo ele, muitos médicos são relutantes em atribuir sintomas físicos a distúrbios emocionais, e isso resulta em diagnósticos tardios, mais investigação e tratamentos impróprios.

— Eles poderiam aprender a ser médicos melhores estudando Shakespeare. Isto é importante porque os chamados sintomas funcionais são a principal causa de visitas a clínico geral e a encaminhamentos para especialistas — diz Heaton.

O estudo foi divulgado na quarta-feira em uma publicação britânica, o Journal of Medical Humanities.

Cheirando livros

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Texto escrito por Vanessa Barbara no Blog da Companhia

Em 2010, a norte-americana Rachael Morrison arrumou um emprego como bibliotecária-assistente do MoMA (Museum of Modern Art), de Nova York. Tomada por um irrefreável ímpeto artístico, resolveu aproveitar seu horário de almoço para dedicar-se à performance “Smelling the Books” (Cheirando os livros), que consistia em cheirar todos os volumes da biblioteca.

A peripécia teve início com o primeiro livro da primeira prateleira, conforme a classificação oficial: o AC5.S4, Sermons by artists, e irá terminar com o número ZN3.R45, Bibliography of the history of art. Há 300 mil volumes ao todo e, até o presente momento, ela só cafungou 300. “É uma ideia corajosa”, declarou David Senior, bibliógrafo do MoMA, “pois alguns dos nossos livros cheiram muito mal.”

Rachael tem o cuidado de discriminar cada fragrância num caderno de registros, anotando o número, o título da obra e uma descrição de seu olor. O objetivo dessa exploração farejadora é suscitar uma discussão sobre o futuro da mídia impressa e a relação do olfato com a memória.

Em suas anotações, o livro Collected papers on museum preparation and installation, de 1927, foi imortalizado com uma só frase: “cheiro de sovaco”. Outro volume, de 1967, American folk art in the collection of the Newark Museum, possui “um cheiro nojento de cocô de cachorro”. The civic value of museums evoca o odor de fumaça de cigarro e de chá, e An experiment in museum instruction tem cheiro de chuva de verão e papel velho. Outros aromas catalogados são o de “abraçar a vovó com sua blusa de lã”, o de cola, urina, talco, sótão, fogueira, parte de baixo do sofá, móveis de madeira, cabelo, esmalte, fritura, cera de chão, protetor solar, meia suja e “nenhum”.

Procurada pela reportagem deste blog, Rachael diz que ainda não chegou a conclusões definitivas, mas que, curiosamente, entre os cheiros mais populares estariam o de flores, sovaco, barro e tomilho.

Diz-se que os livros mais antigos têm um peculiar aroma de baunilha devido a um polímero orgânico presente na madeira, a lignina – similar à vanilina. De acordo com o manual Perfumes: um guia de A a Z, de Luca Turin e Tania Sanchez (inédito no Brasil), a lignina é uma substância presente nas árvores, que serve para unir as fibras da celulose à parede vegetal e aumentar sua rigidez, impermeabilidade e resistência. Altamente volátil, o composto seria exalado pelo papel com o passar do tempo e, por ser muito ácido, também o acabaria amarelando e acelerando sua decomposição.

Essa hipótese se aplicaria somente aos papéis provenientes de pastas de madeira mecânica (“groundwood”), processo que emitiria fragrâncias de vanilina, anisol e benzaldeído. Por outro lado, os compostos resinosos derivados de terpeno (mais impermeáveis à tinta) resultariam em fedores mais canforados, gordurentos e amadeirados. Um cheiro de cogumelos estaria associado a álcoois alifáticos bem fortes, e não estou inventando. Os cientistas também consideram que a presença de 2-etil-hexanol pode gerar emulsões levemente florais e que a combinação de etilbenzeno e tolueno dá em aromas mais adocicados.

Do que se conclui, portanto, que o cheiro dos livros se deve aos compostos voláteis emitidos pelos diferentes materiais de que são fabricados, e que não existe um cheiro específico de “livro velho”. Mais de cem compostos diferentes já foram identificados no papel, entre ácidos, aldeídos, álcoois, cetonas, alcano e terpenos. Ainda assim, na busca de uma unanimidade, pesquisadores da Universidade de Londres publicaram um artigo na revista Analytical Chemistry na qual definem o cheiro de livro velho como sendo “uma combinação de notas campestres com um buquê de ácidos e um toque de baunilha sobre uma base de bolor”.

Os bumbuns de Lady Gaga e Nicole Scherzinger na sua biblioteca

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Enquanto muitas mulheres cobram cachês exorbitantes para posarem nuas, Lady Gaga e Nicole Scherzinger mostraram seus derrières em nome da arte.

As cantoras são os destaques do livro Culo, organizado pelo rapper P. Diddy, em parceria com fotógrafo Raphael Mazzucco e o produtor musical Jimmy Iovine, nos Estados Unidos.

Enquanto a foto de Lady Gaga é fruto dos photoshootings para o álbum Born this way, Nicole posou especialmente para a publicação com flores no cabelo e corpo tatuado, como se em sua terra natal, o Havaí, estivesse.

Muitos leitores de livros eletrônicos insistem em livros de papel para seus filhos

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Texto de Matt Richtel e Julie Bosman no The New York Time, traduzido pelo UOL.

Os livros impressos talvez estejam sendo superados pelo crescimento dos livros eletrônicos, mas eles têm um domínio tenaz sobre um grupo particular: as crianças. Os pais insistem que a próxima geração de leitores passe seus primeiros anos com os livros à moda antiga.

Este é o caso até de pais que são leitores ávidos de livros baixados em Kindles, iPads, laptops e telefones. Eles admitem que têm padrões de preferência diferentes para as crianças e explicam que querem que os filhos sejam cercados por livros impressos, que vivenciem a virada física das páginas e aprendam sobre formatos, cores e animais.

Os pais também dizem que gostam de se aninhar com os filhos e um livro e temem que um aparelho brilhante possa conquistar toda a atenção. Além disso, se o Joãozinho babar, o livro talvez seja mais fácil de limpar do que o tablet.
“E tem aquela intimidade, a intimidade de ler e tocar o mundo; aquele maravilhamento quando ela tenta pegar a página comigo”, disse Leslie Van Every, 41, usuária leal do Kindle que mora em San Francisco e cujo marido, Eric, gosta de ler no iPhone. Mas para sua filha de 2 anos e meio, Geórgia, a opção são os livros de árvores mortas, empilhados e jogados por toda a casa.

“Ela só lê livros impressos”, disse Van Every, acrescentando com uma risada que trabalha para uma empresa digital, CBS Interactive. “Ah, que vergonha”.

Enquanto o mundo dos livros adultos está se digitalizando a uma velocidade maior do que a esperada pelos editores, as vendas de títulos eletrônicos para crianças com menos de 8 anos quase não se alteraram. Elas representam menos de 5% das vendas totais anuais dos livros infantis, estimam vários editores, comparadas com mais de 25% em algumas categorias de livros adultos.

Muitos livros impressos também são comprados para serem dados de presente, já que as crianças de seis anos não entendem as delícias do cartão de presente da Amazon.

Os livros infantis também são um ponto luminoso para as livrarias de tijolo e cimento, pois os pais muitas vezes querem folhear o livro todo antes de comprá-lo, algo que em geral não podem fazer com os livros eletrônicos. Um estudo encomendado pela HarperCollins em 2010 revelou que os livros comprados para crianças de 3 a 7 anos frequentemente eram descobertos em uma livraria local –em 38% das vezes.

E há uma questão para debate na era digital: alguma coisa é perdida quando se tira uma foto de um livro de figuras e a converte em um livro eletrônico? Junko Yokota, professor e diretora do Centro para Ensino por Meio de Livros Infantis da Universidade Nacional Louis em Chicago, acha que a resposta é sim, porque o formato e tamanho do livro muitas vezes fazem parte da experiência de leitura. Páginas mais largas podem ser usadas para transmitir cenários mais amplos ou um formato mais alto pode ser escolhido para histórias de arranha-céus.

Tamanho e formato “tornam-se parte de uma experiência emocional, uma experiência intelectual. Há muita coisa que você não pode padronizar e enfiar em um formato eletrônico”, diz Yokota, que dá palestras sobre como decidir quando um livro infantil é mais adequado para formato digital ou impresso.
Os editores dizem que gradualmente estão convertendo mais livros de figuras ao formato digital, apesar de ser um processo caro e demorado, e os desenvolvedores vêm criando aplicativos interativos para livros infantis.

O lançamento de novos tablets da Barnes & Noble e Amazon neste outono deve aumentar a demanda para livros eletrônicos para crianças, mas ainda assim vários editores suspeitam que muitos pais ainda preferirão as versões impressas.

“Definitivamente há uma predisposição para imprimir” disse Jon Yaged, presidente e editor do Macmillan Children’s Publishing Group, que publicou “The Pout-Pout Fish” (o peixe lampreia) de Deborah Diesen e “On The Night You Were Born” (na noite que você nasceu), por Nancy Tillman.

“E os pais não têm o menor problema em comprar livros eletrônicos para si mesmos”, acrescentou.
Este é o caso de Ari Wallach, empreendedor em Nova York obcecado por tecnologia que ajuda empresas a se atualizarem tecnologicamente. Ele mesmo lê no Kindle, no iPad e no iPhone, mas o quarto dos filhos gêmeos está cheio de livros impressos.

“Sei que sou luddita nesse caso, mas há algo muito pessoal em um livro que não existe em 1.000 arquivos em um iPad, há algo que é conectado e emotivo, algo com o qual cresci e com o qual quero que eles cresçam”, disse ele.

“Reconheço que quando tiverem minha idade, será difícil encontrar um ‘livro de árvore morta’”, acrescentou. “Isso dito, acho que o aprendizado com livros é um rito de passagem tão importante quanto aprender a comer com utensílios ou usar o vaso sanitário.”

Alguns pais não querem fazer a mudança para seus filhos nem mesmo na idade escolar. Alexandra Tyler e seu marido leem em Kindles, mas para seu filho Wolfie, 7, os livros são todos impressos.

“De alguma forma, acho diferente”, disse ela. Quando você lê um livro para criança de verdade, ele envolve todos os sentidos. Ensina a eles a virar a página. Tem o cheiro do papel, o tato.”

Há muitos programas de computador que professam ajudar as crianças a aprenderem a ler, por exemplo, dizendo em voz alta uma palavra ou foto iluminada. Nem todos os pais concordam; Matthew Thomson, 38, executivo da Klout, site de mídia social, experimentou esse programa com seu filho Finn, de 5 anos. Mas ele acredita que o filho vai aprender a ler mais rapidamente com a página impressa. Além disso, os vários atrativos dos iPads se tornam uma distração.

“Quando vamos para a cama, e ele sabe que é hora de ler, ele diz: ‘Vamos brincar um pouco de Angry Birds’, disse Thomson. “Se ele pegar o iPad, não vai ler, vai querer jogar. Aí, a concentração para a leitura sai pela janela.”

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