Canal Pavablog no Youtube

resenhas

Resenha: O Manuscrito

0

Karen, no Por essas páginas

Falou em thriller eu já quero ler! Por isso, quando vi O Manuscrito na lista de lançamentos da Editora Arqueiro sabia que precisava lê-lo. A sinopse, a capa, a chamada do livro, tudo é tão urgente. E, assim que o livro chegou, comecei a lê-lo com a mesma urgência. No entanto, apesar de consistente e bem escrito, o suspense não foi tão empolgante quanto pensei. Um tanto previsível e bastante descritivo, O Manuscrito poderia ter sido ótimo, mas foi apenas bom.

o-manuscrito“Não existe no mundo uma única pessoa que possa comprovar tudo o que está nestas páginas. Mas há uma pessoa que pode chegar perto disso. Há outras pessoas que poderiam, se devidamente motivadas, confirmar certos fatos. Talvez este livro seja a motivação para essas testemunhas, um impulso para revelarem suas verdades, para comprovarem esta história. Mas o autor não é uma dessas possíveis testemunhas. Porque, se o que você está lendo for um livro concluído, impresso, encadernado e distribuído para o mundo, é quase certo que eu já esteja morto.” Fonte

O Manuscrito tem uma peculiaridade interessante em relação aos demais thrillers que eu li; enquanto a maioria começa lenta e então acelera à medida que as páginas avançam, tornando-se enlouquecedores próximos do final, esse livro simplesmente faz o contrário. A leitura estava muito mais empolgante no início e, mais ou menos do meio para o final, tornou-se um tanto cansativa. E eu só ficava pensando: mas como, como assim, eu deveria estar louca para chegar ao final!

Um original de uma biografia polêmica chega às mãos de uma agente literária. O manuscrito, se publicado, acabará com a carreira de um figurão empresário e potencialmente destruirá sua empresa. É a partir dessa premissa que o livro se baseia, e então acompanhamos o desenrolar dos fatos desencadeados por isso. A agente, Isabel, fica alucinada pelo original e o oferece ao seu editor mais confiável, Jeff, e aí vocês já sabem: é claro que o manuscrito deixa de ser segredo. Várias cópias são feitas, todo mundo querendo um quinhão do sucesso. Ao mesmo tempo acompanhamos a perseguição alucinante aos manuscritos, com o lado dos “vilões” – mas na verdade ninguém é mocinho ou vilão por aqui -, que tentam destruir os originais a todo custo. Em meio a tudo isso, ainda temos partes do manuscrito dentro do livro, com a história do tal figurão, Charlie Wolfe.

o-manuscrito-capa

O grande ponto positivo desse livro talvez seja, além da originalidade da trama, os vários pontos de vista, até mesmo dos personagens mais perigosos do livro, que estão à caça do manuscrito. Ao mesmo tempo que temos a visão dos gatos, temos as dos ratos, e o livro se divide em trechos da adrenalina da fuga e da perseguição. Cada personagem tem seu próprio background, estão longe de meros figurantes na história; mas, como todos estão em perigo, cuidado, não se apegue a ninguém! Porém, ao mesmo tempo, essa qualidade pode se voltar contra a narrativa, que ficou excessivamente dividida e com muitos personagens. É difícil se lembrar de todos, é difícil se apegar a todos – ou à maioria.

Mas o maior pecado para mim nesse livro foi a sua previsibilidade. Desde o início já descobri uma porção de coisas – e quando cheguei ao final, percebi que estava correta em todas! O maior mistério que se sustentou na minha leitura foi algo não tão impactante e, mesmo ele, descobri cerca de 50 páginas antes do final, portanto, não foi assim uma grande revelação. No final, nada me surpreendeu. E o pior é que eram tramas inteligentes, que poderiam sim surpreender, mas o autor pecou na montagem das peças de sua narrativa, contando fatos importantes logo no início, o que prejudicou a leitura. Além disso, há trechos excessivamente descritivos, que tornaram tudo ainda mais cansativo.

A edição da Arqueiro está competente como sempre, e gostei bastante da capa, achei que teve tudo a ver com a história e foi bastante instigante. No final, o saldo da leitura de O Manuscrito foi positivo – há trechos definitivamente tensos, com sequências de ação angustiantes, mas o todo o mistério foi decepcionante. Diverte, mas não surpreende.

Ficha Técnica
Título: O Manuscrito
Autor: Chris Pavone
Editora: Arqueiro
Páginas: 336
Avaliação:

O piloto e o pequeno príncipe

0

Douglas, no Cafeína Literária

O piloto e o pequeno príncipe – A vida de Antoine de Saint-Exupéry
Peter Sís

Mundialmente conhecido como o autor de O Pequeno Príncipe, Antoine de Saint-Exupéry foi piloto de profissão. Ele nasceu na França, em 1900, justamente na época em que foram inventados os aviões, e foi uma das primeiras pessoas no mundo a entregar correspondências via aérea.
Nesta biografia escrita e ilustrada por Peter Sís, os leitores vão descobrir como Antoine ajudou a criar novas rotas para lugares distantes, os acidentes que sofreu e as suas reflexões enquanto estava nos céus – que depois o inspiraram a escrever sobre suas experiências -, além de muitas outras histórias dessa figura tão apaixonante.
(fonte: companhiadasletras.com.br)

(mais…)

Peter Pan tem que morrer

0

Karen, no Por essas páginas

Esse não foi o primeiro livro de John Verdon que li. Da mesma série do detetive David Gurney, também li Não Brinque com Fogo (leia a resenha), que foi um livro bom, mas que não me conquistou a fundo. Nunca mais pensei no autor ou na série até ver… esse título. Confesso, foi um livro que me atraiu, primeiro, pelo título, depois, pela capa. Fui ler a sinopse e pronto, estava feito, eu queria ler. Mais uma chance para John Verdon e David Gurney e devo dizer: não me decepcionei. Esse livro conseguiu fazer o que seu antecessor não fez: me conquistar por completo e, até mesmo, me tocar.

peterpan“Peter Pan tem que morrer traz de volta o detetive Dave Gurney, protagonista de Eu sei o que você está pensando, Feche bem os olhos e Não brinque com fogo. “Uma sofisticada trama de suspense que os aficionados por mistério adorarão tentar resolver. Com um enredo tenso, cheio de intrigas inimagináveis, Peter Pan tem que morrer desafia a inteligência do leitor até sua dramática e espantosa conclusão.” – Library Journal No mais tortuoso romance policial escrito por John Verdon, o especialista em mistérios David Gurney dedica sua mente brilhante à análise de um assassinato terrível que não pode ter sido cometido da forma como os investigadores responsáveis pelo caso afirmam que foi. Detetive aposentado do Departamento de Polícia de Nova York, ele precisa cumprir uma espinhosa tarefa: determinar a culpa ou a inocência de uma mulher condenada pela morte do próprio marido. Ao descascar as diversas camadas do caso, Dave logo se vê travando uma perigosa guerra de inteligência contra um investigador corrupto, um cordial e desconcertante chefe da máfia, uma jovem linda e sedutora e um assassino bizarro que tem a altura e os traços de uma criança – aparência que lhe rendeu o apelido de Peter Pan. A uma velocidade assombrosa, reviravoltas assustadoras começam a ocorrer e Dave é sugado com força cada vez maior para dentro de um dos casos mais sombrios de sua carreira.” Fonte

Peter Pan tem que morrer é a continuação do já citado Não Brinque com Fogo (na realidade é o 4º livro da série do Detetive Dave Gurney, mas eu li apenas o #3 e o #4), mas, como a maioria dos romances policiais, é um livro que pode ser lido independente da série. Há citações e ganchos que fazem mais sentido lendo os demais livros, mas a trama funciona sozinha, o que é ótimo para quem quer apenas ler um bom policial, sem compromisso com a série. No livro anterior tive problemas no início, com uma leitura um pouco arrastada, mas fico feliz em dizer que isso não ocorreu nesse novo livro: desde o começo a trama é interessante e logo somos apresentados ao caso, que impacta à primeira vista: o debochado e grosseiro (e hilário) Jack Hardwick, antigo parceiro de Gurney, saiu da polícia por conta de algumas armações contra ele e agora quer se vingar fazendo a apelação de um caso famoso, no qual a esposa de um ricaço figurão político foi condenada por seu assassinato (mas, antes, o cara passou por maus bocados, vivendo como vegetal após levar um tiro na cabeça). Mas, claro, para David Gurney não é uma questão de apenas reverter o processo, mas, sim, encontrar o verdadeiro assassino.

“Poucos comportamentos de outras pessoas são tão irritantes quanto aqueles que mostram nossas falhas de um modo pouco atraente.” Página 72

A narrativa de John Verdon continua consistente como antes; a trama é inteligente, ainda mais que o livro anterior, trazendo um hábil jogo perigoso entre caça e caçador, no qual você nunca sabe de que lado está. Gostei muito do fato de que, apesar de sabermos desde o começo quem realmente disparou o gatilho (só lendo a sinopse e olhando para capa se percebe isso), passamos o livro inteiro sedentos para descobrir quem realmente foi o mandante do atentado, e pode ser qualquer um, até mesmo a tal viúva que Hardwick tenta inocentar. É isso que deixa Gurney maluco, atrás de respostas em um dos casos mais difíceis e perigosos de sua carreira. E o desfecho é tão surpreendente que acredito que seja impossível adivinhar – e adorei ser surpreendida.

peterpan2

Mas algo que me agradou ainda mais nessa obra foi descobrir que David Gurney também é humano. Senti muita falta disso no livro anterior, e agora tivemos um pouco mais de envolvimento com a história dele, seus sentimentos, sua família, e até mesmo alguns momentos tocantes e um que trouxe lágrimas aos meus olhos. A explicação de porque Gurney se distanciou do filho Kyle (que continua um personagem muito interessante); porque o detetive, mesmo aposentado, continua se expondo ao perigo… tudo isso teve uma ótima explicação, o que humanizou o personagem e nos deixou ainda mais próximos dele. A torcida não foi apenas pela descoberta e captura do assassino, mas sim pelo próprio Gurney, por sua redenção. Madeleine, sua esposa, continua sendo ferramenta chave no livro e foi ainda mais importante nessa obra, uma personagem fascinante, o que me deixa bastante feliz, porque em alguns livros os (as) companheiros (as) dos policiais parecem meros espectadores e/ou vítimas, e isso não acontece com a esposa de Gurney, que realmente tem momentos brilhantes no livro.

“Você tem uma esposa. Que direito você tem de arriscar a vida do marido dela? Você tem um filho. Que direito você tem de arriscar a vida do pai dele?” Página 235

A edição da Arqueiro está ótima: uma capa instigante, papel e diagramação confortáveis (o papel dos livros da Arqueiro é um dos meus preferidos, na grossura certa para tornar a experiência de virar as páginas deliciosa). Encontrei alguns probleminhas de revisão incômodos, mas a trama estava tão boa que foram ignoradas no decorrer da leitura.

Tudo isso é coroado por um vilão fantástico e bizarro: Peter Pan, que chegou a me dar arrepios – especialmente por esse apelido notório, que tem um grande significado na história. O autor apenas de uma leve escorregada no final, com algumas sequências de ação um pouco confusas, mas o desfecho foi tão brilhante que mais uma vez ignorei o pequeno incômodo. Denso e inteligente, Peter Pan tem que morrer é uma leitura intensa, extremamente recomendada para fãs da boa literatura policial, com um desfecho impressionante e muita humanidade em seus personagens.

Arqueiro_parceria
Ficha Técnica
Título: Peter Pan tem que morrer
Autor: John Verdon
Editora: Arqueiro
Páginas: 400
Avaliação:

Correr, de Drauzio Varella

0

Cristine, no Cafeína Literária

Correr
Drauzio Varella

Drauzio Varella é médico oncologista, autor de best-sellers, voluntário na penitenciária feminina de São Paulo e pesquisador, tendo se tornado célebre por suas intervenções na TV e na mídia impressa. Mas consegue há mais de vinte anos, conciliar esse atribulado dia a dia com a prática regular de exercício físico.
Para Drauzio, correr não é apenas um hobby: é o que lhe dá o equilíbrio, a força e a serenidade necessária para enfrentar os desafios da vida.
(fonte: quarta capa do livro)

(mais…)

Suicidas, de Raphael Montes

0

Cristine, no Cafeína Literária

Um porão, nove jovens e uma Magnum 608. O que poderia ter levado universitários da elite carioca – aparentemente sem problemas – a participar de uma roleta-russa? Um ano depois do trágico evento, que terminou de forma violenta e bizarramente misteriosa, uma nova pista, até então mantida em segredo pela polícia, ilumina o nebuloso caso. Sob o comando da delegada Diana Guimarães, as mães desses jovens são reunidas para tentar entender o que realmente aconteceu, e os motivos que levaram seus filhos a cometerem suicídio. Por meio da leitura das anotações feitas por um dos suicidas durante o fatídico episódio, as mães são submersas no turbilhão de momentos que culminaram na morte de seus filhos. A reunião se dá em clima de tensão absoluta, verdades são ditas sem a falsa piedade das máscaras sociais e, sorrateiramente, algo maior começa a se revelar.
fonte: www.benvira.com.br

suicidas-capa

Há tempos esta resenha está em modo rascunho. E sempre, por um motivo ou outro, acabava ficando para depois. Desde que comecei a escrevê-la, Raphael Montes já publicou mais um livro – Dias Perfeitos, de que eu talvez fale em algum outro post -, já vendeu direitos de seus dois livros para ‘virarem’ filmes, já lançou seus livros em diversas outras praças e países. E, além disso, comprovando seu pendor para a escrita policial, Dias Perfeitos recebeu chancela de um dos maiores autores policiais da atualidade, Scott Turow. Talvez por isso, e por inúmeros outros sites e blogs já terem falado a respeito, eu fui procrastinando a escrita da resenha.

Ler e resenhar um YA policial – Jack, estripador em Nova York – reavivou a vontade de escrever sobre outro thriller que me fez algumas vezes perder a hora de ir dormir. Leitores inveterados sabem o quanto isso é agradável e o quanto é um indício forte de que a leitura vale muito a pena.

Utilizando-se de um artifício que George R.R. Martin usa e abusa nas Crônicas de gelo e fogo, o livro tem três linhas narrativas que se alternam. Uma delas não é exatamente uma linha narrativa, são as anotações feitas por um dos personagens, Alessandro, em primeira pessoa, como em um diário. Outra acompanha a turma de jovens nos dias que antecederam ao atráfico evento. E a terceira, um ano depois, acompanha as mães dos jovens durante a leituras das anotações de Alessandro. É um recurso que, bem utilizado, causa o suspense necessário para incutir no leitor uma necessidade premente de continuar a leitura.

Há que se relevar o fato de que a obra é o primeiro livro publicado pelo autor. E, sendo assim, há alguns detalhes que poderiam ter sido melhor trabalhados. Não chegam a prejudicar a leitura, nem a apreciação da obra, mas incomodam em alguns momentos. Um deles é a narrativa de Alessandro. Enquanto atem-se ao formato de diário, discorrendo sobre seu cotidiano na escola e com os amigos, está ok. O problema está quando passa a ser a transcrição dos acontecimentos em tempo real. Convenhamos, não faz muito sentido que em momentos de tensão extrema, como os vividos no porão da Cyrille’s House, alguém continue relatando calmamente por escrito o que está ocorrendo. Talvez funcionasse melhor se fosse uma gravação, em vez de anotações.

raphael-montes

Raphael Montes
(foto: diariodigital.sapo.pt/)

Outro problema talvez não fique tão perceptível, caso o leitor não seja um “habitué” de romances policiais. O desfecho talvez se apresente como surpreendente para a maioria dos leitores. Mas para os veteranos, a surpresa nem é tão grande assim. Possivelmente, faltando um terço ou mais para o final do livro, mata-se a charada. A exemplo de muitos livros famosos de mistério, o ocorrido é um típico exemplo do “mistério do quarto fechado”, um clássico howdunit (leia mais aqui). É um recurso tão recorrente na literatura policial que chegou a ser objeto de estudo, gerando um livro sobre o assunto – Locked Room Murders, de Robert Adey. Nele, Adey lista 20 formas possíveis de cometer um crime de quarto fechado. E, leitores inveterados, mesmo não tendo parado para listá-las, certamente conseguem identificar a solução rapidamente. Apesar de o final conseguir desviar do clichê total, é isso que acontece em Suicidas.

Montes é bastante habilidoso com as palavras e na construção de personagens. Se, no início, os nove jovens parecem variações sobre o mesmo tema, com linguajar e atitudes similares, vão se diferenciando à medida que a trama avança. Eventualmente, ocorre algum deslize, mas no geral, são todos bem estruturados e se desenvolvem bem no decorrer da narrativa. Incomoda um pouco a forma superficial com que os personagens secundários são abordados, quase como estereótipos. Mas não chega a atrapalhar a fluidez da leitura. A narrativa em primeira pessoa revela-se uma boa escolha, já que a intenção não é revelar todos os fatos ao leitores e deixá-lo tão às escuras quanto os demais personagens.

Sendo sua obra de estreia, há muito a se elogiar. E, quem já leu seu segundo livro, percebe nitidamente a evolução da escrita e da concisão da narrativa. Mesmo tendo detestado o final de Dias perfeitos, é inegável o progresso do autor. E que venham outros! O mote do próximo é bem promissor, veja na entrevista que o autor deu ao Jô.

Vale um capuccino

Go to Top