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Textos

Como fazer os filhos terem prazer pela leitura

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Publicado no UOL

A importância da leitura é inegável. A questão é: como fazer as crianças criarem o hábito? Pois, sabe-se que para a maioria das crianças a leitura não é tão atrativa. Especialmente se comparada com outras atividades, como esportes, brincar com amigos, e , claro videogames e computadores. Olhando por cima, ler parece chato. Então, como ajudar as crianças a sentirem o prazer da leitura? Olhando por cima, ler parece chato. Você está basicamente sentado encarando um maço de papéis por um longo tempo. Então, como ajudar as crianças ver a magia e possibilidades infinitas que estão escondidas nestas páginas?

Em MindShift, algumas sugestões (listadas abaixo) que podem não garantir curar todo o desdém de algumas crianças pela leitura, mas com certeza vão colocar você e sua família na direção correta.

Passos para desenvolver leitores:

De acordo com pesquisas realizadas em escolas dos Estados Unidos, três quartos dos pais reportam que gostariam que os filhos lessem por diversão. Mas como fazer isso?

Mesmo não sendo só uma alternativa, tem algumas atitudes que as famílias podem fazer para encorajar as crianças a ler, diz o Professor Psicólogo da Universidade da Vírginia, Daniel Willingham, em seu livro Raisiing Kids Who Read: What Parants and Teachers Can Do. A primeira delas é repensar suas razões por querer que seus filhos leiam mais.

Willingham quer que os pais reimaginem a leitura como tendo menos a ver com escola e mais com um prazer. Em vez de dizer as crianças que ler vai melhorar suas notas e ajudar na carreira, devem tornar a leitura parte de um valor familiar maior:o amor por aprender.

“A leitura é parte de um contexto mais amplo de valores que os pais comunicam às crianças”, disse Willingham. “São famílias que valorizam aprender coisas novas. E não apenas no contexto da escola. ”

Quando aprender sobre o mundo através dos livros se torna um valor familiar em vez de uma responsabilidade da escola, os pais não são mais vistos como executores: em vez disso, eles são os aproveitadores, Willingham sugere. As crianças podem então absorver a mensagem de valores, “a leitura é importante para quem somos; ler é o que fazemos.

DISPOSITIVOS DE LEITURA E DIGITAL

Modelar um bom comportamento de leitura também funciona, disse Willingham, em que uma criança pode observar que mamãe ou papai devem gostar de ler, então talvez eu também gostaria de ler. A modelagem pode ser feita até mesmo com o seu celular ou iPad, disse Devorah Heitner, pai de dois e autor de Screenwise: Ajudando Crianças a prosperar em seu mundo digital – apenas diga aos seus filhos o que você está fazendo quando está sentado no sofá, olhando para o seu telefone. “Eu faço muitas leituras na internet e em outras formas de exibição na tela”, ela disse, embora também passe bastante tempo em mídias sociais e jogos. “Então, quando estamos modelando hábitos de leitura para nossos filhos [e você está no seu telefone], informe a eles o que você está lendo. Eles não poderão dizer apenas olhando para você. ”

Uma coisa que Heitner adverte é criar uma mentalidade de Telas vs. Livros, em que os pais podem ser tentados a recompensar a “leitura real” com o tempo de tela. (Willingham também aconselha a pisar levemente com qualquer recompensa pela leitura, embora ele diga que às vezes possa ser usada) No entanto, os pais muitas vezes sentem que os dispositivos digitais competem pelo tempo que as crianças usariam para ler e estão procurando orientação.

O professor de inglês do ensino médio, Jarred Amato, sabe que, para seus calouros de Nashville, os telefones celulares são de fato uma barreira para a leitura. Em um post recente no blog intitulado “O que os 100 alunos do nono ano me disseram sobre o porquê de não lerem”, Amato relata uma pesquisa com estudantes e confirma o que ele já sabia: embora os alunos citam muitas razões para não ler – não consegue encontrar um silêncio lugar em casa, outras responsabilidades e atividades – os telefones celulares assumem a máxima prioridade.

“O vício em telefones celulares é, de longe, o motivo número um pelo qual meus alunos disseram que não liam”, disse Amato. “Eles são quase impotentes para isso. Não é apenas um problema de crianças – adultos e crianças estão lendo menos em todo o mundo. E acho que há um valor em conversar com os alunos sobre isso. “Na esperança de reconectar um hábito, Amato tem feito com que os alunos guardem seus telefones e pratiquem a leitura silenciosa em sua aula com qualquer livro que eles gostem, esperando que façam o mesmo. mesmo por alguns minutos – em casa.

Willingham disse que com o tempo as crianças são adolescentes, quando o aumento da autonomia e atividades sociais lotam seus dias, incentivar a leitura pode ser uma batalha difícil, então é melhor incutir o “valor da família” cedo, quando as crianças passam mais tempo com os pais. E embora ele tenha dito que há pesquisas para comprovar como a chegada da televisão mudou os hábitos de leitura, para os dispositivos digitais, pode não ser tão cortada e seca – afinal, as crianças vêm encontrando outras coisas por muito tempo.

“Não é o caso que houve essa idade de ouro da leitura, nos velhos tempos”, disse ele, rindo. “Eu penso em mim mesmo crescendo nos anos 70, e quem está enganando quem? Se eu quisesse andar com meus amigos, eu queria andar com meus amigos. Nós não gostamos de olhar um para o outro e dizer, bem, não temos nada para fazer, vamos ler! Nós tínhamos outras maneiras de matar o tempo, mesmo que não tivéssemos o X-Box. ”

Embora ler mais melhore o desempenho escolar, essa não a única vantagem. Habilidades de pensamento crítico, empatia e um método de relaxamento estão no topo da lista. No começo seu filho pode ler somente porque não tem escolha, mas Baumert está otimista de que ele encontrará o livro que “inflama” o amor pela leitura. Ela também adorava ler quando criança, e ainda acha que a leitura a ajuda a relaxar e descomprimir.

O que é importante é tentarmos não só com palavras, mas com exemplos. Se os pais amarem a leitura, fica muito mais fácil. Então podemos criar famílias que valorizem e incentivem o prazer de aprender e ler

Baseado em fatos reais?! Os experimentos que inspiraram a história de Frankenstein

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Cena de “O Jovem Frankenstein”, de 1974.

Publicado no Tudo Celular

Recentemente uma série de terror brasileira foi anunciada pela Netflix, o gênero de horror é um dos mais clássicos que há. A sensação de tensão, gerada pelo medo instigado por palavras ou gravuras é algo que atrai um grande público. E aqui veremos como pode ter começado uma das histórias de terror mais conhecidas, a de Frankenstein e o seu Monstro.

Tudo começou em janeiro de 1803, quando um jovem chamado George Forster foi enforcado, culpado de assassinato, na prisão de Newgate, em Londres. Depois de executado, seu corpo foi levado para a Faculdade Real de Cirurgiões da Inglaterra, onde seria dissecado publicamente, não só isso, como também seria eletrocutado.

Os experimentos seriam conduzidos por Giovanni Aldini, sobrinho de Luigi Galvani, quem descobriu a “eletricidade animal”. O jornal The Times acompanhou os ocorridos:

Na primeira aplicação do processo ao rosto, a mandíbula do criminoso falecido começou a tremer, os músculos adjacentes estavam terrivelmente contorcidos, e um dos olhos estava de fato aberto. Na parte subsequente do experimento, a mão direita se levantou e cerrou-se, e as pernas e coxas foram postas em ação.

O motivo dos experimentos era defender os estudos do seu tio, de pessoas como Alessandro Volta, que clamava que a eletricidade “animal” era produzida pelo contato de metais e não devido a uma propriedade de tecido vivo.

A ideia de eletricidade estar, de forma peculiar, ligada a força vital já existia há bastante tempo, como por exemplo com Isaac Newton foi um dos que especularam pelas entrelinhas do assunto, pois também era, assim como Aldini, um filósofo natural.

Portanto não é surpreendente que a ideia fosse no mínimo presente nos círculos que Mary Wollstonecraft Shelley frequentava. O amigo da família e poeta inglês, Samuel Taylor Coleridge, era fascinado pelas conexões entre eletricidade e vida. Seu marido, que casou-se com ela no mesmo ano que o livro começou a ser escrito, em 1816, era outro entusiasta de experimentos galvânicos.

A obra viria a ser considerada a primeira do gênero ficção científica da história e considerada por muitos um dos três grandes clássicos do gênero de terror, junto de Drácula e O Médico e o Monstro, um dos que defendem isso é o aclamado escritor Stephen King.

Meses após o lançamento do livro, em 1818, o químico escocês Andrew Ure realizou experimentos elétricos em outro condenado por assassinato. A respeito do processo, Ure escreveu:

Quando o falecido foi eletrocutado, todos os músculos de seu corpo entraram em ação assustadoramente; raiva, medo, desespero, angústia, e sorrisos fantasmagóricos, uniram suas expressões hediondas no rosto do assassino.

Os experimentos que haviam sido abertos ao público, resultaram em diversos espectadores fugindo do apartamento e um cavalheiro desmaiando, de acordo com relatos.

Apesar de hoje em dia parecer nada mais que uma história de fantasia, tanto para Mary Shelley quanto para seus leitores era completamente possível que fosse real, sendo uma teoria fortemente considerada e discutida no decorrer do século que precedeu o livro.

Pedro Bial faz nova versão do texto “Filtro Solar” para incentivar consumo de livros

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Ramón Vasconcelos / TV Globo/Divulgação

Apresentador exibiu a adaptação em seu programa, na madrugada desta sexta-feira

Publicado no Gaúcha ZH

O apresentador Pedro Bial também resolveu se manifestar a respeito da crise editorial no Brasil. Nas últimas semanas, redes de livrarias entraram em processo de recuperação judicial e lojas se uniram com a campanha #VemPraLivraria, a fim de incentivar a comercialização de obras literárias.

Pensando nisto, o apresentador do Conversa com Bial fez uma nova versão de seu clássico texto Filtro Solar em edição que busca incentivar a compra de livros. Considerado um dos primeiros virais da internet, Filtro Solar é a tradução de Wear Sunscreen, da jornalista americana Mary Schmich, publicado em 1997 no jornal Chicago Tribune.

Veja o manifesto de Bial

“Senhoras e senhores do ano de 2019: livros, nunca deixem de usar livros! Se eu pudesse dar uma dica sobre o futuro seria esta: usem os livros!

Os benefícios a longo prazo do uso de livros estão provados e comprovados pela ciência; já a única base confiável de meus conselhos são mesmo… os livros… Não vou compartilhar conselhos, garanto que os livros contém todos os conselhos de que você precisa.

Aproveite bem: nos livros habitam o poder, a beleza e a juventude. Pode crer, daqui a vinte anos você vai evocar os seus livros e perceber de um jeito que você nem desconfia, hoje em dia, quantas, tantas alternativas os livros escancararam a sua frente.

Pegue, pague, sinta o cheiro, o peso, a textura; compre, venda, aprecie a capa, a cor, a moldura. Não se preocupe com o futuro, ocupe-se dele, a chegar, página por página. Os livros são máquinas de viajar no tempo.

Todo dia, leia, conheça novos livros, recomende outros, troque, doe, dê ou… Empreste, se quiser, mas diga adeus aos livros emprestados. Nos livros, a gente conhece pessoas que só poderia conhecer nos livros, pessoas de verdade e de mentira, ambas reais. E através dos livros, você conhece melhor quem está a seu lado. Livros aproximam as pessoas. Livros aproximam os continentes.

Talvez você case… Talvez tenha filhos.. Talvez se divorcie… talvez bodas de diamante. Os livros são marcadores no livro de sua vida. Desfrute dos livros, use-os de toda maneira que puder, mesmo! Se precisa de distração, se busca instrução, se estuda, se descansa, tem livro pra tudo. Se quer saber de onde vem, tem; se quer saber para onde vai, uai! Se nem aí pra isso, também!

Leia os livros que seus pais leram, você vai encontrá-los por lá. Leia os livros de seus filhos, aproveite a desculpa! Os livros guardam todos nossos amores, mesmo os perdidos. Tudo vivo, nos livros, sempre. Eles são a melhor ponte com o passado e guardam o futuro.

Livros vão e vem; alguns não, os de cabeceira. Livros diminuem as distâncias geográficas e de estilos de vida. Livros fazem a gente mais velha quando jovem, e mais jovem quando velha. Em São Paulo, nos levam à praia. No Rio, à montanha. Livros, use e os abuse, como enfeite, por deleite, ao encalço, como calço, a metro ou aquilo outro, isto: estique-os… entregue-se, livre sua pele, filtre e infiltre livros ao brilho solar, livros à luz do luar.

Cuidado com os conselhos que comprar, com os bens que vão se lhe oferecer. Gaste seu dinheiro, em coisas fúteis, úteis, supérfluas ou essenciais, torre ou invista, seja pão duro ou manteiga derretida.

Adquira o que precisa, consuma o que não precisa. Mas guarde o troco para os livros. Livros costumam ter mais valor que preço. Use os livros, como quiser usar, agora, como nunca; agora, como sempre, Use os livros, a mais não poder usar”.

Pedro Paulo Graczcki, em carta a Luiz Schwarcz: “Vocês nos ferram há muitos anos”

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Foto: Ministério da Cultura/Reprodução

Nós livreiros estamos aqui, sempre estivemos e estaremos, mesmo quando os senhores tiverem desistido de publicar livros por que o lucro é baixo. Se querem ajuda pra arrumar a casa, então queremos ser convidados pra festa quando ela acontecer

Publicado na Revista Forum

Por Pedro Paulo Graczcki*

Carta de amor aos livros uma ova.

O sr. Luiz Schwarcz, da Cia das Letras, escreveu uma pseudo-carta de amor aos livros e nos pede algo que ele nunca teve: solidariedade e defesa de classe. Pois bem, qualquer estagiário sabe que ter somente um fornecedor, ou somente um ou dois clientes é burrice. Ou erro estratégico se preferir.

Quer saber? Bem feito, vocês nos ferram há muitos anos. Sou pequeno livreiro em Cachoeira do Sul (RS), faço 200 feiras de livros por ano. Sem ajuda governamental. E faz muitos anos que o Sr. Schwarcz me ignora e tenta me derrubar. Ele com a Saraiva, a Cultura, a Fnac e as grandes editoras, fizeram de tudo para destruir o mercado livreiro, e agora que destruíram ele pede solidariedade, clama por socorro. Bem feito!!!!

Aprendam, nunca apostem todas as fichas numa única jogada e nunca menosprezem pequenos parceiros.

Nossa maior incoerência é termos muito mais editoras que livrarias. É como se tivéssemos 1.000 frigoríficos e 50 açougues no Brasil inteiro. E os frigoríficos ainda tentassem acabar com os açougues. Dá pra imaginar? Pois é assim mesmo no mercado livreiro. E para piorar as “grandes editoras e livrarias” tem 100% de isenção de impostos enquanto as pequenas pagam 7,8% sobre o faturamento.

Agora a vaca foi atirada no precipício. Que momento lindo, que oportunidade única para sentarmos todos, pela primeira vez em pé de igualdade e discutirmos de igual pra igual nosso futuro. Ao invés de uma mega-caloteira, por que não, 200 pequenas livrarias?

O Brasil tem mais de 5 mil municípios, mas os senhores só querem vender nas capitais. Dos 200 milhões de habitantes quantos compram na internet?

Não existe associação de livrarias. As associações que estão por aí são todas tomadas por grandes editoras ou grandes livrarias. Quem fala em nosso nome, dos pequenos livreiros?

Schwarcz pede atenção aos protagonistas, mas nunca consideraram o protagonismo dos livreiros que são os Dom Quixote do mercado, correndo para cima e para baixo com caixas de livros para levar nossa literatura onde os senhores jamais foram. O senhor demitiu seis empregados de salários gordos? Eu vi muitos colegas mudando de profissão depois de 20, 30, 40 anos de estrada por que os descontos praticados pela Saraiva eram muito superiores ao preço que vocês nos vendiam.

É no andar de baixo que a vida pulsa mais profundamente. No andar de cima os acionistas têm capacidade financeira pessoal para salvar suas empresas. Que bom, então tá tudo ok? Agora é arrumar a casa, pedir umas orações, uma ajudinha pra galera e seguir em frente!

Caro Sr. Schwarcz, nós livreiros estamos aqui, sempre estivemos e estaremos, mesmo quando os senhores tiverem desistido de publicar livros por que o lucro é baixo. Se querem ajuda pra arrumar a casa, então queremos ser convidados pra festa quando ela acontecer.

Querem ideias pra sair da crise? Tenho várias, coloco elas em prática todos os dias. E é por isso que vou reabrir a Livraria São Paulo ainda em dezembro. Maior, mais bonita e mais prática, com a certeza que sem os senhores dando as cartas terei mais chance de sucesso no mercado.

Quer saber? Bem feito.

*Pedro Paulo Graczcki é livreiro em Cachoeira do Sul (RS)

Publicado originalmente no Jornal Já

Por que presentear quem você ama com livros neste Natal

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Uma biblioteca demarca territórios imaginários de afinidades literárias e intelectuais onde até mesmo os livros não lidos têm sua função Julio Cordeiro / Agência RB

 

Luiz Schwarcz propõe que editores, livreiros e autores busquem soluções “criativas e idealistas” para a crise editorial

Claudia Laitano, no Gaúcha ZH

Já leu isso tudo? Quem guarda muitos livros em casa acaba se acostumando a ouvir essa pergunta – principalmente de quem que não têm o hábito de ler ou comprar livros. A ideia por trás da questão é a de que livros são como utilidades domésticas que devem ser colocadas em uso para não perder o sentido, mas qualquer um que gosta de ler sabe que uma biblioteca expressa não apenas um plano prático de consumo imediato, mas também o vago desejo de demarcar territórios imaginários de afinidades literárias e intelectuais. Uma biblioteca é uma carta de intenções, um plano de voo, um projeto de vida.

A minha começou como uma estante de apenas três prateleiras, fragilmente aparafusada na parede de um quarto minúsculo, e hoje ocupa todas as paredes de uma sala inteira. Não li todos aqueles livros e é pouco provável que isso aconteça um dia. Mas isso não me aflige ou exaspera. Pelo contrário. Todos os meus livros, inclusive os não lidos, me representam e iluminam. São um retrato dos meus interesses, da pessoa que eu gostaria de ser, assim como da pessoa que eu fui e da que talvez, com sorte, um dia eu me torne. Uma biblioteca é um jardim de possibilidades essencialmente inesgotáveis, um organismo vivo que cresce, ganha novas formas, se recria. Se os meus livros ocupam tanto espaço na minha casa, não é apenas porque construí uma vida afetiva, profissional e intelectual em torno deles, mas porque a potência desse conjunto toca meu coração todos os dias – como qualquer coisa bela e transcendente que não se torna invisível com o passar do tempo.

Nos últimos meses, as notícias sobre o mercado editorial brasileiro têm deixado aflitas as pessoas que amam os livros. Governos comprando menos em função da crise, o consumo das famílias em queda, duas das maiores redes de megalivrarias do país (Cultura e Saraiva) entrando em recuperação judicial e uma política agressiva de descontos da Amazon desconcertando o já não muito sólido ecossistema de edição e distribuição no país são alguns dos fatores que contribuíram para esse momento de extrema fragilidade do mercado.

Na última terça-feira, o dono de uma das maiores casas editoriais do país, Luiz Schwarcz, da Companhia das Letras, lançou uma comovente carta aberta falando sobre sua preocupação com o futuro do mercado editorial brasileiro: “O efeito cascata dessa crise é ainda incalculável, mas já assustador”. Schwarcz propõe que editores, livreiros e autores encontrem soluções “criativas e idealistas” para enfrentar a situação.

Mas termina o texto com um apelo direto aos leitores: “Presentear com livros hoje representa não só a valorização de um instrumento fundamental da sociedade para lutar por um mundo mais justo como a sobrevivência de um pequeno editor ou o emprego de um bom funcionário em uma editora de porte maior; representa uma grande ajuda à continuidade de muitas livrarias e um pequeno ato de amor a quem tanto nos deu, desde cedo: o livro”.

Se você, como eu, ama os livros e o que eles significam, faça sua parte: neste Natal, dê o mundo de presente para quem você ama.

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