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Posts tagged 100 Anos

Melhor tarde do que nunca: nos EUA livro é devolvido passados 100 anos

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Um norte-americano devolveu à biblioteca da cidade de São Francisco um livro que tinha sido pedido emprestado pela sua avó 100 anos antes.

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Publicado no Sputinik Brasil

A informação foi divulgada pelo jornal San Francisco Chronicle.

O livro devolvido é uma coletânea de contos de Francis Hopkinson Smith, intitulada “Forty Minutes Late and Other Stories” (“40 Minutos Mais Tarde e Outras Histórias” na tradução do inglês), que a avó de Webb Johnson pediu emprestado em 1917.

Segundo o neto, a avó faleceu muito jovem, uma semana antes da data em que o livro deveria ser devolvido à biblioteca. O homem descobriu o livro em 1996, mas não o devolveu logo porque acreditou que fosse propriedade da família, por estar em casa há tantos anos. Ao devolver o livro, Johnson só deu um suspiro triste, admitindo se sentir culpado por não entregar o livro durante mais de 20 anos. A biblioteca decidiu não cobrar multa por expiração do prazo de devolução do livro, uma vez que atualmente está realizando uma ação para reaver livros que por razões diferentes acabaram não foram entregues no prazo devido. Um incidente semelhante tinha lugar no Reino Unido no ano passado, quando uma reformada devolveu a uma biblioteca escolar um livro 63 anos após o ter pedido.

Foto: Valeri Menilkov

Professora de Tapiratiba, SP, faz 100 anos e ganha homenagem da cidade

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Alzira Siqueira de Souza lutou para melhorar a educação no município.
“Batalhei, batalhei, batalhei até quando me aposentei”, diz aniversariante.

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Publicado no G1

A professora Alzira de Souza Siqueira recebeu neste domingo (26) uma grande homenagem em Tapiratiba (SP). Ela completou 100 anos e a festa de aniversário foi realizada na Praça da Concha Acústica com direito a discurso, moda de viola e a presença de ex-alunos e discípulos.

Primeira mulher a aprender a dirigir na cidade, ela chegou à comemoração na garupa de uma moto e relembrou no evento sua luta pela educação no município, para onde se mudou em fevereiro de 1942.

“Não fiz com interesse. Eu fiz por necessidade. Tinha quatro classes só a escola”, contou. “Não tinha vaso sanitário, não havia água encanada, puxavam a água no poço, era um sacrifício tremendo. Quatro classes. Pois eu batalhei, batalhei, batalhei até quando me aposentei e aí tinha até ginásio”, relatou orgulhosa.

Lúcida e ativa, ela disse que seu segredo é dividir o que tem de melhor com aqueles que precisam.

“Eu não tenho tempo de falar da vida alheia. Eu só tenho tempo de cuidar das vidas alheias que necessitam”. E completou: “O meu coração é assim, um coração aberto, aberto para o bem, o bem de todo mundo. Eu não distingo classe, nem cor, nem situação financeira. Todo mundo para mim tem o mesmo valor”.

Parabéns
Na hora do “parabéns”, 99 integrantes de entidades e associações acenderam e seguraram as velas, apagadas com um grande “Viva a dona Alzira”.

“Ela continua com todo aquele idealismo que ela tem, colaborando com as entidades, fazendo parte e praticamente é a história viva da nossa cidade”, justificou o secretário de Cultura, Márcio Kitano. “A dona Alzira é uma pessoa muito especial para nós aqui de Tapiratiba”, completou o morador Luiz Carlos Araújo.

“Para a gente foi uma homenagem maravilhosa. Uma porque ela foi nossa diretora, para a gente é uma honra”, disse a professora Cleonete Zimak.

“Ela foi um modelo que a gente procurou seguir nesse tempo todo”, finalizou a professora aposentada Maria Petruci, que se inspirou em dona Alzira. “Desde pequenininha eu queria ser professora e ela ajudou a aumentar minha vontade”.

Há exatos 100 anos, Tolkien idealizou o mundo fantástico da Terra-Média

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Ian Castelli, no Megacurioso

Há exato um século, em setembro de 1914, J. R. R. Tolkien teve os primeiros vislumbres do universo fantástico que criou em suas renomadas e principais obras, como “O Hobbit”, “O Senhor dos Anéis” e “O Silmarillion”, livros que encantaram pessoas por gerações e fascinam leitores do mundo todo até hoje.

Mesmo que Tolkien não pudesse prever o impacto que suas criações fantasiosas teriam no mundo real, ele fundamentou todas as suas criações mitológicas como se elas fossem verdadeiras – foram criados línguas, lendas, heróis e até mesmo poemas mitológicos. E foi justamente com os poemas que tudo teve início.

Aos 22 anos, durante o período da Primeira Guerra Mundial, o jovem Tolkien escreveu em Nottinghamshire um aparentemente despretensioso poema sobre um marinheiro estelar que navega em direção ao céu. Batizado de “The Voyage of Éarendel the Evening Star”, esse foi o primeiro texto do universo de Tolkien, que, posteriormente, foi adaptado às mitologias propostas pelo autor.

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Nas frases de 1914, não encontramos referências aos hobbits, elfos ou ao poder do Um Anel, já que esses conceitos provavelmente não estavam na mente do jovem Tolkien. Porém, temos um rascunho de Eärendil, um personagem extremamente importante que foi pai de reis e detentor do poder da luz.

É possível que você se lembre de Eärendil em trechos do livro e dos filmes de “O Senhor dos Anéis”, já que o frasco de luz que Frodo possui e que o protege em Mordor provém do próprio marinheiro estelar Eärendil. Veja abaixo o texto original em inglês (não encontramos traduções livres para o português):

Éarendel sprang up from the Ocean’s cup
In the gloom of the mid-world’s rim;
From the door of Night as a ray of light
Leapt over the twilight brim,
And launching his bark like a silver spark
From the golden-fading sand;
Down the sunlit breath of Day’s fiery Death
He sped from Westerland.

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Caso deseje saber mais sobre Éarendel, existem mais informações sobre ele no livro “Contos Inacabados”, Volume II, editado pelo filho do autor, Christopher Tolkien. Depois de escrever o poema de Éarendel (que posteriormente virou Eärendil), Tolkien começou um processo criativo que se estendeu por anos e que está presente em todas as suas obras. Com o amadurecimento desses conceitos, a Terra-Média foi criada por ele, assim como todas as suas criaturas, lendas e referências.

Inspirado por outros épicos clássicos nórdicos e germânicos, aos poucos as histórias que hoje já conhecemos tão bem ganharam as páginas – e depois, invadiram os cinemas também.

Elizabeth Bishop, a poetisa americana de ‘Flores Raras’

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Meire Kusumoto, na Veja

Quando o nascimento da poetisa americana Elizabeth Bishop (1911-79) completou 100 anos, em fevereiro de 2011, as comemorações no Brasil foram tímidas, sem grandes eventos ou relançamentos. Uma injustiça com um dos maiores nomes da poesia americana do século XX, que viveu por cerca de 20 anos, entre idas e vindas, em terras brasileiras, de onde saiu boa parte de sua produção. Uma injustiça que o livro Conversas com Elizabeth Bishop (Autêntica Editora, 192 páginas, 39,90 reais), uma reunião de entrevistas com a escritora lançada agora, e o filme Flores Raras, do cineasta Bruno Barreto, que entra em cartaz nesta sexta-feira, ajudam a desfazer.

Foi no Brasil que Elizabeth viveu dois momentos cruciais, costumeiramente os mais lembrados quando se trata da biografia da poetisa: o anúncio de que ela tinha ganhado o Prêmio Pulitzer, em 1956, e o seu intenso relacionamento amoroso com a arquiteta carioca, embora nascida em Paris, Maria Carlota de Macedo Soares (1910-67), entre 1951 e 1967, quando Lota, como era chamada, cometeu suicídio. O romance deu origem ao livro Flores Raras e Banalíssimas (Rocco, 248 páginas, 34,50 reais), da escritora Carmen Oliveira, que acaba de ganhar nova edição de carona no filme de Barreto, ao qual serviu de base.

Biografia – Quando embarcou no navio SS Bowplate em Nova York rumo ao Brasil, em 1951, Elizabeth Bishop tinha 40 anos e planos de viajar pela América do Sul em busca de um sentido para a vida, até então marcada por perdas. Seu pai, William Thomas Bishop, morreu de insuficiência renal crônica quando ela tinha apenas oito meses e, a mãe, Gertrude, abalada, foi aos poucos perdendo o equilíbrio mental. Em 1915, mãe e filha se mudaram para Nova Escócia, no Canadá, onde residia a família de Gertrude e onde ela se internou no ano seguinte em uma clínica psiquiátrica. Elizabeth nunca mais veria a mãe, que em 18 anos morreria no mesmo hospital.

Sem os pais, a futura poetisa ficou sob os cuidados dos avós maternos até 1917, quando foi assumida pelos paternos e levada de volta para a sua cidade natal, Worcester, em Massachusetts. Ainda que tivesse conforto no lar dos abastados Bishop, Elizabeth se sentia só e abandonada, situação que piorou quando desenvolveu asma e uma série de alergias, que a impediram de frequentar a escola regular. A solidão era um mal que ela custou a superar: em 1948, escreveria para o amigo e poeta Robert Lowell, dizendo que era a pessoa mais solitária que já havia existido. Ao chegar ao Brasil, contudo, se sentiria em casa. Se não pelo próprio país, ao menos pela relação com Lota.

No ano seguinte, foi morar com uma tia e seu marido, Maude e George Shepherdson, que eram pagos para cuidar da menina, mas davam afeto e a deixavam visitar a família nas férias. Educada em casa, Elizabeth teve professores particulares e amplo acesso à biblioteca da tia, onde havia volumes de poetas como Robert Browning, Alfred Tennyson e Henry David Thoreau. Ela chegou a frequentar a escola por um ano, entre 1926 e 27, mas a sua educação formal só começou de fato em 1928, quando foi enviada para um internato na cidade de Natick. Em 1930, ela iniciou o ensino superior na Vassar College, em Poughkeepsie, estado de Nova York, onde se formou em Literatura Inglesa. Sem necessidade de trabalhar graças à herança que o pai, dono de uma construtora, havia deixado, após a formatura se dedicou a viajar e a escrever o primeiro livro, Norte e Sul, publicado em 1946, poucos anos antes de deixar os Estados Unidos.

Conheça as principais obras de Elizabeth Bishop

Norte & Sul / North & South (1946)

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Primeiro livro de poesia de Elizabeth Bishop, foi publicado enquanto a poetisa ainda estava nos Estados Unidos, em 1946. A obra reúne poemas escritos em diversos lugares dos EUA e em Paris, frutos das muitas viagens que a escritora fez durante a juventude, entre os anos 1930 e 40. No Brasil, algumas poesias de Norte & Sul foram publicadas no livro Poemas Escolhidos (tradução de Paulo Henriques Britto, Companhia das Letras, 416 páginas, 44,50 reais), um dos dois únicos volumes de versos (ambos coletâneas) de Elizabeth lançados no país pela Companhia das Letras. O outro é Poemas do Brasil, atualmente esgotado.

Chemin de Fer

Sozinha nos trilhos eu ia,
coração aos saltos no peito.
O espaço entre os dormentes
era excessivo, ou muito estreito.

Paisagem empobrecida:
carvalhos, pinheiros franzinos;
e além da folhagem cinzenta
vi luzir ao longe o laguinho

onde vive o eremita sujo,
como uma lágrima translúcida
a conter seus sofrimentos
ao longo dos anos, lúcida.

O eremita deu um tiro
e uma árvore balançou.
O laguinho estremeceu.
sua galinha cocoricou.

Bradou o velho eremita:
“Amor tem que ser posto em prática!”
Ao longe, um eco esboçou
sua adesão, não muito enfática.

(Tradução de Paulo Henriques Britto) (mais…)

Libertado pela literatura

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Maíra Fernandes no Cruzeiro do Sul

Sofro preconceitos até hoje, mas detesto falar disso; os obstáculos estão para serem ultrapassados e não lamentados – Por: Divulgação

Ele foi condenado a mais de 100 anos de prisão pelos crimes cometidos ainda muito jovem. Cumpriu mais de 30. Do sistema carcerário, saiu há nove anos, mas liberdade mesmo já havia conquistado tempos antes, ironicamente quando foi parar na chamada cela forte, uma espécie de solitária para castigar os presos no sistema carcerário.

Para passar o tempo, um amigo comentava os livros que havia lido com ele, e acabou o incitando à leitura de obras como “Escuta, Zé Ninguém!”, de Wilhem Reich, “Um Homem”, de Oriana Falltti , a coleção “O Tempo e o Vento”, de Érico Veríssimo, entre outros, que não o ajudaram apenas a enfrentar os tempos difíceis dentro da penitenciária, mas foram responsáveis pela transformação na vida de Luiz Alberto Mendes, 60 anos e há 12 anos escritor e colunista do site da revista Trip.

Ainda preso, Mendes aprendeu a ler e a gostar de ler, escrever e a gostar de escrever, e que também tinha talento para a literatura.
Longe do crime e perto da escrita, ele hoje dá palestras, realiza oficinas e, claro, escreve muito. “Escrever, escrever, escrever. Criar, criar, criar. Arte, arte, arte, finalmente” é o que aspira para o futuro o escritor que vem hoje para Sorocaba lançar o seu mais recente trabalho, o livro “Cela Forte”, pela editora Global, na livraria Nobel do Sorocaba Shopping, às 19h. O livro tem apresentação do escritor Marcelino Freire e faz parte da coleção “Literatura Periférica”. “Conheço muito gente em Sorocaba. Fiz oficinas de leitura e escrita em quase todas as penitenciárias da região, estive fazendo palestras em quase todas as universidades sorocabanas, vivi momentos grandiosos de amor na Fazenda Ipanema, tenho um conhecimento com as pessoas assentadas lá na fazenda, em suma; depois de Embú das Artes (onde moro) e São Paulo, Sorocaba é o lugar onde mais estive e onde tenho mais contatos. Gosto da cidade”, declara.

Antes de “Cela Forte”, Mendes já havia publicado os livros, “Memórias de um Sobrevivente”, onde conta sobre sua vida na penitenciária. O livro, primeira obra do ator, foi lançado m 2001, com o apoio do escritor Fernando Bonassi e do médico Dráuzio Varella, pela Companhia das Letras. Em 2004, lançou “Tesão e Prazer” pela editora Geração Editorial e em 2005 publicou “Às Cegas”. Para se ter uma ideia, mal recebeu a sentença de liberdade e já estava lançando livro na Bienal de São Paulo e dando entrevistas. “Escrever é a parte mais intensa, que toma mais meu tempo e a única que realmente me arrebata a alma e expande a vida”, explica Mendes, que fugiu de casa ainda menino, para se libertar das mãos pesadas do pai alcoólatra, e ganhar as luzes da cidade que tanto o encantavam.

As experiências vividas dentro do sistema carcerário são recorrentes nas obras de Mendes e isso não o incomoda, pelo contrário, o escritor sabe que, quer queira ou não, difícil desassociá-lo de sua própria história. No entanto, ele adianta que explora outros gêneros como teatro, cinema, poesia. “Se criminoso é quem comete crimes, eu fui criminoso porque cometi vários crimes. Conto e até rio e brinco com o meu passado, quando não o choro. Não ligo muito para recepções. Quem quiser me julgar que julgue, fazer o que não é mesmo? Mas não esqueçam: cumpri a pena máxima do país e mais um pouco, não devo nada. Estou há nove anos aqui fora, reabilitado jurídica e socialmente e sou um escritor, um professor às vezes; são 60 anos de experiência e quase 40 anos de leituras. Torno-me útil socialmente e contribuo o quanto posso.” Confira a entrevista ao Mais Cruzeiro:

Quem era o Luiz antes de ir parar na penitenciária e como você recebeu a sua sentença da prisão?
Fui criado em Juizado de Menores (Fundação Casa, agora). Tive um pai alcoólatra e uma fascinação muito grande pelas luzes e liberdade que imaginava encontrar no centro da cidade de São Paulo. Então, aos 11 anos, comecei a fugir de casa e ir para a cidade. A polícia trazia para casa, o pai espancava e eu fugia novamente. Aprendi a roubar com os meninos que não tinham pais ou eram foragidos como eu que moravam na cidade como eu (nichos de prédios, “mocós”…). Sobrevivi à sanha dos policiais na cidade, aos comissários de menores, às vitimas de nossos pequenos roubos, sendo preso e fugindo sempre até completar a maioridade. Quando percebi, estava condenado a mais de 100 anos de prisão e tinha cerca de 23 anos de idade. Não sairia mais. Não recebi, sobrevivi a todas as sentenças e condenações que me imputaram. Não havia planos antes de sair, eu nem acreditava que sairia mais, rua era ilusão para mim.
(mais…)

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