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Posts tagged 15 Anos

Garota de 15 anos conquista fãs ao escrever cinco livros, em Goiânia

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Keslley já escreveu cinco livro e tem outros dois em andamento (Foto: Arquivo Pessoal/Keslley Cremonezi)

Keslley já escreveu cinco livro e tem outros dois em andamento (Foto: Arquivo Pessoal/Keslley Cremonezi)

Um deles, ‘O sabor da vingança’, foi publicado e os outros, divulgados na web.
Romances se passam no século XIX e fazem críticas sociais durante história.

Vitor Santana, no G1

A estudante Keslley Michelly Cremonezi tem conquistado diversos fãs nas redes sociais por já ter escrito cinco livro com apenas 15 anos de idade, em Goiânia. Seus romances, divididos em uma trilogia e duas obras, se passam no século XIX e estão baseados em críticas sociais que se encaixam até mesmo nos tempos atuais. Um exemplo dessa temática é a busca constante e exagerada por dinheiro e poder. Além dos romances já finalizados, ela está escrevendo outros dois livros simultaneamente e os divulgando, parte por parte, na internet.

“As ideias surgem da análise das pessoas, da formação da sociedade. Gosto de fazer essas análises. Comecei com isso aos 10 anos, lendo grandes filósofos e livros iluministas”, diz a adolescente. Entre os autores que mais a influenciaram, Keslley cita Confúcio e Voltaire e explica que, ao ter contato com eles, começou a pesquisar suas vidas e ideias centrais de suas teorias.

Em seu primeiro livro publicado “O sabor da vingança”, escrito quando ainda tinha 13 anos, Keslley conta a história de um homem que não faz parte da elite social e se apaixona por uma jovem rica. Entretanto, ela o esnoba por não serem da mesma classe. Com raiva de tantas humilhações sofridas, o rapaz se muda para outra cidade, ganha poder e dinheiro e decide voltar para seu local de origem e se vingar de todos que o desprezaram.

“A história se passa em um lugar fictício, mas tem traços da história da sociedade brasileira”, explica. A escritora diz ainda que todos seus livros são de amor, mas cada um trabalha uma crítica diferente diante das mais variadas questões sociais.

Primeiro livro publicado trata de amor que se torna vingança(Foto: Arquivo Pessoal/Keslley Cremonezi)

Primeiro livro publicado trata de amor que se torna
vingança(Foto: Arquivo Pessoal/Keslley Cremonezi)

Orgulho
A mãe de Keslley, a vendedora Fabrícia Cremonezi disse que, no início, não desconfiava do potencial da filha. “Ela ficava até tarde no computador escrevendo. No início eu não dei muito valor. Quando ela terminou e eu fui ler, achei demais. Foi quando ela me falou que queria publicar”, lembra.

Ela também conta que a filha sempre se destacou na escola com boas notas. “É um orgulho para mim e uma surpresa toda essa inteligência e criatividade na escrita. Pelo que andei pesquisando, ela é a romancista mais nova do Brasil”, diz.

Com tamanha dedicação aos estudos, Keslley fez a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e, ainda no 1º ano do ensino médio, foi aprovada em duas faculdades particulares para administração e direito. Porém, por ainda não ter idade para entrar em um curso superior, ela continua estudando e, principalmente, escrevendo.

“Ela está com dois livros em andamento. E na internet, em um site, ela vai divulgando aos poucos, a medida que ela vai escrevendo as pessoas vão acompanhando. E tem muita gente que manda mensagem para ela, curiosos, querendo ler ainda mais, saber o que acontece com os personagens”, relata orgulhosa a mãe.

Além boa aluna e promissora escritora, Keslley também é uma inspiração para os irmão. “Tenho outros dois filhos, de 13 e 14 anos que viram ela escrevendo e também começaram, então a família toda está sendo contagiada e virando escritora graças à Keslley”, finalizou.

Estudante em MG fala sobre emoção em lançar primeiro livro aos 15 anos

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Laís Álvares conta que gosto por leitura e escrita é herança de família.
‘Meu Pedacinho de Mundo’ reúne poesias escritas pela adolescente.

Ricardo Welbert, no G1

Laís Álvares posa ao lado de exemplares do livro dela (Foto: Laís Álvares/Arquivo pessoal)

Laís Álvares posa ao lado de exemplares do livro
dela (Foto: Laís Álvares/Arquivo pessoal)

Uma adolescente de 15 anos, moradora de Conceição do Pará, no Centro-Oeste de Minas, se destaca na literatura. Laís Álvares Fonseca lançou recentemente o primeiro livro dela, chamado “Meu Pedacinho de Mundo”, da editora All Print. A obra inclui poesias escritas por ela desde os oito anos de idade.

“Procurei criar um diferencial para atrair o público jovem. Todas as poesias são ilustradas e instigam o leitor a se perguntar sobre o significado de cada desenho”, explicou a autora.

Apesar da pouca idade, Laís já acumula experiências literárias. Algumas das poesias dela foram publicadas no caderno “Guri” do jornal “Estado de Minas”. Antenada com as tecnologias, a garota também usa a internet para publicar textos e divulgar os trabalhos. “Adoro escrever poesias para demonstrar meus sentimentos, minhas expectativas e para expor minha indignação com certas ações humanas. Ler e escrever poesias é vital para mim. É como respirar e me alimentar”, definiu.

Laís Álvares nasceu em Pitangui, a 40 quilômetros de Conceição do Pará. Ela se orgulha em dizer que pertence à sétima geração de Maria Tangará (mulher rica, senhora de muitos escravos e bastante influente na política do Brasil no século XVIII). O livro “Uma Dama Esquecida e Injustiçada”, de Tasso Lacerda Machado, traz a genealogia da família da personagem histórica, de quem a menina descende.

Leitores em fila para receber autógrafo da autora em lançamento (Foto: Laís Álvares/Arquivo pessoal)

Leitores em fila para receber autógrafo da autora
em lançamento (Foto: Laís Álvares/Arquivo pessoal)

Recém-formada no 1º ano do ensino médio, pela Escola Estadual Doutor Isauro Epifânio, Laís conta que o gosto pelas letras surgiu ainda na infância. Influência da mãe, Maria Raimunda Alves da Silva, professora de Língua Portuguesa. “Ela sempre teve incentivo para ler e escrever em casa. Toda vez que cria um novo texto, me mostra. Se encontro alguma coisinha fora do lugar, oriento sobre o jeito certo e ela conserta”, revelou a mãe.

“Nossa casa tem muitos livros. Além disso, meus antecedentes foram pessoas ligadas à literatura. Minha bisavó materna era poetisa e tenho inclusive, cópia de carta em que meu tio-bisavô trocava correspondências com Carlos Drummond de Andrade. Sou de uma família de gente que escreve e trago no DNA o gosto pela literatura”, acrescentou Laís.

O primeiro livro
A ideia de lançar um livro surgiu em 2010, quando Laís e os pais visitaram o estande da editora All Print durante a Bienal do Livro em Belo Horizonte. “Peguei um cartão deles, depois fiz contato e, desde então, trocamos muitos e-mails. Quando vimos que Laís já tinha uma boa quantidade de material produzido, fechamos o negócio. Inicialmente, imprimimos 500 exemplares” contou Maria Raimunda.

Detalhe da capa de ''Meu Pedacinho de Mundo'' (Foto: All Print/Divulgação)

Detalhe da capa de ”Meu Pedacinho de Mundo”
(Foto: All Print/Divulgação)

O passo seguinte foi contratar um desenhista para ilustrar os textos. Renato Faria, um artista plástico que mora em Pitangui, foi procurado. “Elas [Laís e a mãe] queriam ilustrações um pouco surreais. Algo que acrescentasse aos poemas, mas que não fosse uma representação literal dos textos. Inspirei-me no título do livro e tive a ideia de recriar o mundo da Laís, baseado nas visões dela. O resultado final foi a perfeita junção dessas linguagens”, explicou o ilustrador.

Enquanto observa o início da carreira de escritora da filha, o pai de Laís, o fabricante de calçados Heli Luiz Júnior, faz planos bem humorados. “Ela já me prometeu uma fazenda com dois mil bois e uma Ferrari na garagem”, disse o pai. “Brincadeira à parte, sempre apoio as decisões de minha filha e também a incentivo a perseguir seus sonhos com dedicação e nunca desistir deles”, acrescentou.

Onde comprar
O exemplar de “Meu Pedacinho de Mundo” custa R$ 22. Em Pitangui, pode ser adquirido em na secretaria da paróquia de Nossa Senhora do Pilar, na Casa Lacerda e na Pimpolho Presentes. Em Conceição do Pará, no Solar dos Valério. O livro também pode ser adquirido pelo site da editora All Print, a R$ 25.

Garota de 15 anos escreve livro de quase 300 páginas em segredo

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O lançamento aconteceu em setembro deste ano, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (Foto: Arquivo pessoal)

O lançamento aconteceu em setembro deste ano, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (Foto: Arquivo pessoal)

Publicado na Folha de S.Paulo

Beatriz Gandolfi, 15, sempre gostou de escrever, mas surpreendeu familiares, amigos e professores quando revelou que tinha terminado o seu primeiro livro, “Só Mais um Espetáculo”, em fevereiro deste ano.

“Sempre tive muita vergonha, fazia e guardava para mim”, conta. Por isso, nos seis meses em que escreveu, não contou à ninguém sobre sua nova empreitada (só para sua irmã de 9 anos, que dava dicas e ajudava com os nomes dos personagens).

“Quando eu comecei, não tinha a intenção de publicar, nem achava que ia terminá-lo”, diz. Mas recebeu o incentivo de seus pais e avós e resolveu tentar. O livro foi lançado em setembro deste ano pela Chiado Editora, de Portugal.

“As editoras aqui do Brasil pediam um valor muito alto para publicar. Pela Chiado, eu consegui adquirir menos cópias e pagar mais barato”, explica. Os livros podem ser comprados pelo site da editora Chiado (€ 11, aproximadamente R$ 35) ou da livraria Cultura (R$ 41). “Na noite de lançamento vendi mais de 100 cópias”, diz.

A ideia do livro surgiu quando uma professora de história disse que, para ter uma vida completa, é necessário plantar uma árvore, criar um filho e escrever um livro. Uma outra professora já tinha lhe dito que um dia leria um livro dela.

“Acabei sonhando com a história do livro e fiquei com aquilo na cabeça. Até que comecei a escrever como um passatempo”, conta.

A história é sobre uma garota de 16 anos que não conhece o pai e é convidada para participar de uma importante e decisiva apresentação de balé no final do ano em sua escola.

HIGH SCHOOL

Apesar de nunca ter morado fora do país, Beatriz criou uma história que foge da realidade brasileira. A protagonista do seu livro se chama Connie, vive na cidade de RoseVille, onde neva, e sua escola, Juditch’s High School, tem grupinhos de líderes de torcida e jogadores de futebol americano.

“Acho que isso aconteceu pela minha proximidade com livros, filmes e séries norte-americanos”. Ela, fã do autor Nicolas Sparks e das sagas Crepúsculo e Percy Jackson, também ama neve. “Vi pela primeira vez em 2012, em uma viagem a Bariloche, foi mágico.”

“E eu adoro essa miscigenação de culturas e línguas. É impressionante como hoje conseguimos conversar com pessoas do Canadá, Estados Unidos, Austrália”, diz a garota, que mantêm amigos, que conheceu pelas redes sociais, em outros países. No futuro, ela pretende fazer um intercâmbio. “Quero passar pelo menos um mês na Europa.”

Depois do lançamento do livro, a vergonha diminuiu. “Eu acabei gostando da sensação de conseguir escrever e do reconhecimento”, diz.

Há poucos dias, foi até abordada por uma leitora. “Estava na pré-estreia de um filme e uma menina me perguntou se eu era Beatriz, autora do livro, e se não podíamos marcar para eu autografar o dela”, conta.

“O que também me incentivou mais foi pensar que, lendo meu livro, as pessoas poderiam se esquecer dos problemas, da vida agitada e perceber que a vida pode estar difícil, mas vai melhorar.”

Agora que o medo passou, ela pretende escrever outros livros. E o próximo está a caminho. “Até julho do ano que vem acho que consigo finalizá-lo.”

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Aluno com 20% de visão passa em 1º lugar em concurso no litoral de SP

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Gabriela Lousada, no UOL

Ter apenas 20% da visão não foi um empecilho para que Edson dos Santos Junior, de 15 anos, conseguisse o 1º lugar na prova que seleciona jovens estudantes para participar de um programa profissionalizante em Itanhaém, no Litoral Sul de São Paulo.

Ele superou 230 candidatos e alcançou a liderança no programa Camp (Círculo de Amigos dos Menores Patrulheiros), que seleciona alunos do primeiro ano do Ensino Médio e os direciona ao mercado de trabalho.

"Algumas oportunidades a gente tem apenas uma vez", afirma o estudante Edson Junior

“Algumas oportunidades a gente tem apenas uma vez”, afirma o estudante Edson Junior

Junto com os outros candidatos aprovados, Edson passará por um curso preparatório que aborda matérias como segurança pública, direitos trabalhistas e previdenciários e introdução a aprendizagem profissional.

Depois, será encaminhado a uma das empresas parceiras do programa para iniciar sua trajetória no mercado de trabalho.

“Gosto muito de estudar, mas não esperava esse resultado. Estava um pouco difícil (a prova) e fiquei até surpreso por ser o primeiro, mas eu achava que ia me classificar bem porque estudei bastante. Fiquei muito surpreso e feliz com a primeira colocação”, diz o adolescente.

O dia a dia de Edson é um pouco diferente da rotina dos outros alunos da classe do colégio particular onde estuda. Ele não utiliza o método Braille para ler, o que exige mais esforço para enxergar.

Precisa manter os livros a poucos centímetros do rosto para que as palavras ali escritas se formem no seu campo de visão.

Se o esforço é muito grande, Edson passa mal. “Ficar olhando para as letras por muito tempo me deixa enjoado, aí eu preciso fazer uma pausa. Cansa, mas é um esforço necessário”, diz.

De acordo com o oftalmologista Antonio Luiz Moreira Filho, que atua há 37 anos na área, quem possui 20% da visão pode ter qualidade de vida, desde que haja a “educação da deficiência”.

“A pessoa precisa ter a consciência dessa limitação e tomar atitudes que facilitem a vida dela, podendo ter um rendimento praticamente normal com o auxílio de recursos óticos (lentes) e não óticos (materiais adaptados para facilitar a rotina do deficiente visual). Não é fácil, é necessário ter dedicação”, diz.

Segundo o oftalmologista, na sala de aula, ações realizadas por Edson, como ir até a lousa para ler o que está escrito e aproximar o caderno do rosto ajudam a facilitar o aprendizado.

Os recursos não-óticos citados pelo oftalmologista, já estão incluídos no dia a dia do adolescente. Além do esforço complementar para ler a lousa, Edson utiliza cadernos e material de estudo com pauta, contraste e fontes maiores que o usual, para facilitar ao máximo o entendimento das palavras.

A informação é reforçada pela pedagoga Ana Carolina Silva, que leciona Estimulação Visual e Orientação e Mobilidade no Centro de Educação e Reabilitação Lar das Moças Cegas, em Santos (SP).

“Os recursos não óticos são muito eficientes e importantes na adaptação de um deficiente visual, principalmente no ensino”, afirma.

A pedagoga diz que a estimulação visual, quando bem aplicada, facilita a rotina de quem possui problemas na visão. “Para auxiliar o deficiente, trabalhamos com contrastes, tamanhos e texturas”.

Além dos recursos, Edson conta diz que não necessita da ajuda de ninguém para estudar, apenas presta bastante atenção nas aulas e na explicação dos professores. “Gravo na cabeça, assim fica mais fácil”, afirma.

Pais e irmão também são deficientes visuais
A família já esperava uma boa classificação do filho na prova do Camp, mas não a nota 8, que garantiu a liderança entre os aprovados.

“Tento mostrar para as pessoas que não é uma limitação que vai te impedir de ser bom no que deseja fazer, por isso que eu sempre me dedico ao que faço em todas as ocasiões”, diz Edson, que tem o exemplo em casa.

O adolescente mora com os pais e o irmão mais novo, no bairro Belas Artes. A mãe, professora da Rede Municipal de Ensino, Maria Isabel de Oliveira Santos, e o pai Edson dos Santos, fisioterapeuta, também são deficientes visuais.

Ela tem 8% da visão e ele ficou cego devido a um tumor no cérebro, quando tinha 12 anos. O irmão mais novo, Leonardo dos Santos, 13 anos, possui hoje 5% da visão.

Segundo o pai, isso não os impede de levar uma vida normal. “Meu filho (Edson) chega da escola, faz as lições de casa, brinca, tem aulas de inglês e música durante a semana”, afirma.

Ansiedade para entrar no mercado de trabalho
Junior nunca trabalhou, mas está ansioso para entrar no mercado de trabalho.

Quando não está jogando videogame com o irmão, ele passa horas estudando matemática e língua portuguesa, mas a sua matéria preferida é física.

“Quero cursar a faculdade de engenharia elétrica. Como não me dei bem com esportes, escolhi me empenhar nos estudos”, declara.

De acordo com o adolescente, “algumas oportunidades a gente tem apenas uma vez. O importante é que as pessoas nunca desistam dos seus sonhos porque é a partir deles que conseguimos fazer qualquer coisa”.

‘Atitude nas escolas é permissiva com o bullying’, diz escritora

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Autora do best-seller “Fale!”, que acaba de ganhar edição brasileira, Laurie Anderson fala sobre o tema abordado na obra
Publicado nos Estados Unidos em 1999, livro já vendeu mais de três milhões de cópias

Autora usou experiências vivênciadas na adolescência como inspiração Divulgação / Joyce Tenneson

Autora usou experiências vivênciadas na adolescência como inspiração Divulgação / Joyce Tenneson

Eduardo Vanini em O Globo

RIO – Para a escritora nova-iorquina Laurie Halse Anderson, a literatura é o melhor caminho para que os jovens estejam prontos para enfrentar o mundo real. E é através de um romance que ela tem ajudando milhares deles. Lançado em 1999, “Fale!” conta a história de Melinda, estudante do ensino médio que precisa lidar com problemas como bullying, abuso sexual, depressão e mudanças físicas, tão comuns a jovens de todo o mundo.

Finalista do disputado National Book Award, o livro já vendeu mais de três milhões de cópias e rendeu uma versão cinematográfica em 2004, com o filme “O silêncio de Melinda”, estrelado por Kirsten Stewart. Quase 15 anos após o lançamento, a obra acaba de ganhar uma edição brasileira pela editora Valentina. Em entrevista concedida ao GLOBO, a escritora garante que, apesar do hiato, a história está mais atual do que nunca.

O GLOBO: Já se passaram quase 15 anos desde que ” Fale!” foi publicado pela primeira vez. Por que o livro ainda é tão atual?

LAURIE ANDERSON: Infelizmente, é mais atual hoje do que quando foi publicado pela primeira vez. Com os celulares e a internet, há mais maneiras para os adolescentes praticarem o bullying. Nos EUA, tivemos vários casos trágicos de meninas que ficaram tão bêbadas em festas que perderam a consciência. Enquanto estavam neste estágio, elas foram estupradas por garotos que filmaram o crime e postaram o vídeo na internet. Em seguida, essas meninas foram perseguidas, expostas a situações vexatórias e insultadas on-line. Algumas ficaram tão aterrorizadas e angustiadas que cometeram suicídio. Este tipo de ataque é revoltante e tem que parar.

De onde veio a ideia para o livro?

Quando minha filha mais velha estava começando no ensino médio, tive um pesadelo com uma jovem chorando. Quando acordei, não sabia quem era aquela menina e nem por qual motivo ela estava chorando. Então, decidi escrever sobre ela para descobrir essas coisas. Além disso, parte da história vem do meu passado. Quando tinha 14 anos, fui estuprada e tinha muito medo de contar a alguém. Para construir a história, lancei mão da minha própria experiência com a depressão e a luta para falar sobre o assunto e pedir ajuda.

Desde que “Fale!” ganhou reconhecimento em todo o mundo, você começou a receber e-mails e cartas de milhares de adolescentes. Já foi procurada por brasileiros ? O que eles relataram?

Já ouvi relatos de meninas e meninos brasileiros, que se identificaram muito com Melinda. Em boa parte dos casos, algo de ruim havia acontecido com eles numa festa. O trauma e a memória do ataque os deixa muito deprimidos e vulneráveis. Mesmo assim, eles sentem medo de pedir ajuda.

Os modelos tradicionais de escola contribuem para o bullying? O que precisa mudar?

As turmas e as escolas devem ser pequenas o suficiente para que comportamentos prejudiciais, como o bullying, possam ser notados e combatidos. Professores e administradores devem desenvolver políticas anti-bullying consolidadas também. É preciso que os valentões sofram sérias consequências, quando machucam outras crianças. Além disso, é necessário ensinar as crianças a respeitarem e cuidarem umas das outras desde o primeiro dia em que entram na escola. Se fizermos isso, e reforçararmos estas lições a cada ano, teremos uma geração de jovens mais fortes, emocionalmente mais saudáveis e mais bem preparados para vencer na vida.

Desde que lançou o livro, notou alguma mudança neste sentido?

A boa notícia é que há menos vergonha associada ao fato de ser vítima de estupro. Acredito que essa vergonha está sendo taxada agora aos meninos que praticam o estupro. Em vez de esta atitude ser vista como uma coisa legal ou ‘de macho’, nos EUA, ela está ficando mais fortemente reconhecida como algo repugnante. Também estamos ficando mais ágeis em prender e punir garotos e homens que abusam sexualmente de meninas. Mas ainda temos um longo caminho a percorrer.

Por que as escolas ainda têm dificuldade em ouvir seus alunos da forma adequada?

Acho que existem duas razões: não há professores suficientes e a atitude nas escolas ainda é permissiva em relação ao bullying. Embora seja caro para contratar mais professores e diminuir o número de alunos por classe, não custa nada para mudar as atitudes. Só é preciso coragem.

Por que os pais ainda têm dificuldade para perceber os problemas enfrentados pelos adolescentes na escola?

Parte do problema é que os adolescentes se afastam de seus pais como se isso fosse parte natural do processo de crescimento. Eles querem ser independentes antes de estarem prontos para isso. Além disso, muitos adolescentes não contam a seus pais sobre o bullying, porque têm medo de que o assédio se torne ainda pior, se os pais reclamarem na escola.

Como os pais devem agir?

Os pais que descobrem que seus filhos estão sendo intimidados devem reagir, antes de tudo, com amor. Eles devem confortar e tranquilizar seus filhos. Em seguida, é preciso exigir que a perseguição seja interrompida imediatamente, envolvendo polícia e advogados, se necessário. Adultos nunca tolerariam intimidações por parte de outros adultos no local de trabalho ou no shopping, por exemplo. Então, não há razão para permitirmos que nossos filhos sejam tratados pior do que gostaríamos.

Por que tantos estudantes, como Melinda, têm dificuldade em se adaptar à rotina escolar?

É difícil ser um adolescente! Seu corpo está mudando, sua cabeça ainda está se desenvolvendo, e a vida pode ser muito confusa. No meio de tudo isso, eles têm que acordar mais cedo do que gostariam, ir à escola e tentar aprender alguma coisa. Acho que alguns aspectos da escola poderiam ser modificados para tornar tudo isso um pouco mais fácil. Mas os adolescentes também precisam perceber que a vida adulta exige fazer coisas que você não quer, como o dever de casa.

Como os livros podem ajudá-los? Que tipo de literatura eles precisam?

Os adolescentes precisam ler livros pelos quais eles possam se conectar, e não apenas os velhos clássicos empoeirados de centenas de anos atrás. Eles podem ler os clássicos na faculdade e quando se tornarem adultos. A literatura é a melhor maneira de aprender sobre o mundo e desenvolver empatia por pessoas que são diferentes umas das outras.

O que você sabe sobre adolescentes brasileiros ? Você tem algo especial para dizer a eles?

Adoro viajar, mas não tive a oportunidade de visitar o Brasil ainda. Minhas informações sobre adolescentes brasileiros é apenas o que eu sei de leitura, e peço desculpas se não compreendo a cultura do país. Acredito que os brasileiros são, em geral, mais amigáveis, extrovertidos que os americanos. Há também mais respeito pelos idosos, o que gostaria de ter no meu país. Acredito também que os adolescentes brasileiros têm mais liberdade do que os americanos. Falo sobre ir a uma boate e a festas que entram pela madrugada, por exemplo. Num mundo perfeito, as noites seriam feitas para dançar, conhecer novas pessoas e ter ótimos momentos. No mundo real, no entanto, alguns adolescentes acabam se machucando, estuprados ou atacados de outras formas. Então, peço aos jovens que cuidem dos seus amigos e certifiquem-se de que todo mundo tenha uma diversão segura.

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