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Posts tagged 1940

Concurso Cultural Literário – Especial para Professores (3)

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capa pesquisa

LEIA UM TRECHO

Pesquisa-ação, Investigação na ação, Pesquisa colaborativa ou Praxis emancipatória, essas são as expressões empregadas para designar uma forma de investigação auto-reflexiva que tem o objetivo de ajudar as pessoas a mudarem suas realidades a partir da observação e da análise de suas práticas. A expressão pesquisa-ação foi cunhada na década de 1940, por Kurt Lewin. Segundo os professores Stephen Kemmis e Mervyn Wilkinson, da Austrália, “em educação, a pesquisa-ação participativa pode ser utilizada como meio de desenvolvimento profissional, melhorando currículos ou solucionando problemas em uma variedade de situações de trabalho”. Além disso, pode oferecer oportunidades de criação de fóruns para reunir pessoas interessadas na busca da racionalidade e da democracia. “Trata-se de um processo social e colaborativo de aprendizado, conduzido por grupos de pessoas que se reúnem em torno da mudança de práticas por meio das quais interagem em um mundo compartilhado socialmente – um mundo onde, para o bem ou para o mal, vivemos uns com as conseqüências das ações dos outros”.

Vamos sortear 3 exemplares de “A pesquisa na formação e no trabalho docente“, da Autêntica Editora.

Para participar, use a área de comentários para completar a frase: “A Educação pode transformar o país porque…”

Se usar o Facebook, por gentileza deixe seu e-mail de contato.

O resultado será divulgado dia 13/6 às 17h30 neste post.

Participe!

***

Parabéns aos ganhadores: Bárbara BoratinoLoan MedeirosDamião Fernandes! =)

Por gentileza enviar seus dados para [email protected] em até 48 horas.

Em livro, Mário de Andrade revê arte e política nacional

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‘Sejamos Todos Musicais’ reúne pela primeira vez 22 crônicas escridas entre 1938 e 1940

João Marcos Coelho, no Estadão

Depois de praticamente 70 anos de sua morte, em fevereiro de 1945, ainda temos de admitir que não conhecemos ou temos acesso à íntegra da obra do intelectual mais múltiplo que o Brasil já teve. Poeta, escritor, musicólogo, gestor cultural, o autodenominado “lobo sem alcateia” Mário de Andrade fez questão de espraiar seu talento caleidoscópico por todos os setores da vida cultural brasileira.

Divulgação O escritor em ilustração de Anita Mafaltti

Divulgação
O escritor em ilustração de Anita Mafaltti

O mais recente acréscimo é o do pequeno e precioso volume Sejamos Todos Musicais, reunindo, pela primeira vez em livro, as 22 crônicas escritas entre agosto de 1938 e junho de 1940 para a Revista do Brasil, período em que morou no Rio.

Com introdução, estabelecimento do texto e notas de Francini Venâncio de Oliveira e introdução de Flávia Camargo Toni, do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP, ele preenche um vazio entre a intensa atuação pública de Mário como diretor do Departamento de Cultura de São Paulo e seu período final já de volta a São Paulo, quando praticou um engajamento político mais escancarado, enxergando praticamente um modelo no realismo socialista soviético e em Shostakovich seu ídolo preferencial. Ele continua em sua cruzada permanente contra os virtuoses (seus lemas eram “o princípio mesmo da grande virtuosidade é um vício, uma imoralidade” e “a alta virtuosidade se desencaminha e principia a ter a sua finalidade em si mesma”). Mas esses quase três anos no Rio lhe dão novas certezas. Contrapõe ao doentio culto ao solista e ao virtuose a opção pelo coletivo. Daí a comovente crônica, por exemplo, sobre um coral de crianças na Escola Nacional de Música: “O simples fato de acostumar essas crianças, ainda facilmente moldáveis ao exercício coletivo da música, é um grande golpe na falsa virtuosidade que ainda domina entre nós”.

Nascidas logo depois de sua abrupta demissão do Departamento de Cultura paulistano, as crônicas exprimem a dor do exílio a que se impôs. Em várias, o tom é de paizão ainda acariciando suas crias a distância. Na quarta, de novembro de 1938, lambe as feridas ainda abertas. “O correio me traz semanalmente os programas dos concertos fonográficos que realiza, em São Paulo, a Discoteca Pública do Departamento de Cultura… Não há um dó de peito. São sempre obras importantes, na sua maioria difíceis de serem executadas entre nós.”

Queixa-se, como Gilberto Mendes há poucos anos, de que a música não está na moldura da formação cultural (na expressão de outro agudo intelectual, Edward Said). Em Outro Dia Era Um Compositor, observa: “O que assusta, o que é sintomático da nossa cultura literária, mesmo da mais elevada, é o desconhecimento completo da música em que vivem os nossos escritores (…) lhe desconhecem a existência (…) falta-lhes a polidez que só a música dá”.

Dá e provoca muitas risadas no hilário O Mundo da Musicologia e da Ciência, em que, após comentar pesquisas médicas sobre a surdez de Beethoven, confessa: “Uma bela manhã, senti nos ouvidos um ruído singular, um ronquido longínquo, e não sei que anjo danado da vaidade me segredou que eu estava destinado a sofrer a mesma doença de Beethoven”. O doutor foi enfático: era cera no ouvido. “Saí do consultório com ouvidos ótimos e, palavra de honra, bastante desligado de Beethoven, julgando-o já com menos adoração e maior clarividência. Não durou um mês e eu já comentava em voz alta e mesmo com certa maldade, defeitos e cacoetes do sublime surdo.”

Mas também se sentia, de certo modo, gratificado por ver a consistência de seu pioneiríssimo – e até hoje fundamental – trabalho de organização da vida musical paulistana (com a instituição dos corpos estáveis do Teatro Municipal, por exemplo, hoje sob discutível fogo cruzado).

Rio de Janeiro. Dedica uma crônica deliciosa à comparação entre a vida musical carioca e a paulistana, em que a primeira é uma ópera e a segunda uma sinfonia: “O Rio de Janeiro é uma ópera, basta de ópera. Ninguém quer ópera? Guarde-se a ópera. Talvez então a orquestra do Rio nos possa dar mais concertos. E não teremos então quatro ou cinco concertos sinfônicos por ano, quando em São Paulo só o Departamento de Cultura terá 14 em 1938, a Cultura Artística terá os dela, e agora a Sociedade Filarmônica, recentemente fundada, pretende dar (e já está realizando o seu programa) sete ou oito em cada temporada de ano”.

Conclui orgulhoso, ciente do dever cumprido: “O individualismo arrasa a nossa castidade racial. O individualismo deseduca o nosso povo, no entanto, bem mais nacional que o paulista. Mas em São Paulo a música caminha no sentido de formar uma consciência coletiva”.

Detalhe: não deixe de ler a primeira crônica, que dá título ao livro, na qual Mário conta da descoberta de Confúcio e dos pensadores chineses e distingue o “músico” treinado para ser virtuose dos “musicais”, protótipos dessa consciência coletiva do fazer musical pela qual tanto batalhou.

Junky

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Tony Bellotto, no Blog da Companhia

Junk: na gíria dos usuários, droga pesada (morfina, heroína).
Junky: dependente de drogas pesadas.

Acabo de reler Junky, de William Burroughs, na tradução de Reinaldo Moraes para a coleção Má Companhia. Reler não é a palavra certa, pois a leitura anterior foi de uma versão antiga e incompleta, ainda com cortes dos editores da primeira publicação norte-americana, de 1953, e que permaneceu como versão oficial por décadas. A publicação recente é a edição definitiva, com texto original recuperado e introdução reveladora de Allen Ginsberg. Isso explica que eu tenha experimentado só agora a sensação de ler o livro pela primeira vez. Ou então foi a tradução primorosa do Reinaldo que me deu essa impressão.

Junky é fabuloso por vários motivos. O primeiro, a narrativa amoral e distanciada do narrador, um certo Bill (?), nascido de boa família do Centro Oeste americano, que nos informa — com secura literária de deixar Hemingway com cara de mocinha — de sua condição, um junky no final dos anos 1940 e início dos 1950 nos Estados Unidos e no México (para onde Bill foge atrás de junk quando a barra pesa com a justiça americana). Contribuem para a força do texto a ironia agulheada do autor e seu conhecimento prático de drogas químicas, ervas rituais, alucinógenos, barbitúricos e afins.

É sabido que Burroughs, além de grande escritor, foi notório consumidor de drogas e matou acidentalmente (?) a esposa com um tiro na cabeça durante uma bebedeira no México, o que talvez ajude a entender a intrigante — às vezes irritante — misoginia de Junky.

Mas o fato que mais me chamou a atenção na releitura do texto, paradoxalmente, não foi o aspecto literário, ou estético. O que surpreende no livro, e que censores e moralistas nos últimos sessenta anos nunca perceberam, é seu teor, talvez involuntário, antidrogas. Difícil alguém que não seja um dependente terminar a leitura de Junky seco por um pico (ou mesmo por uma cafungada). É claro que o texto transpira revolta contra ações policiais e criminalização de drogas e desperta simpatia pela ideia de que liberdade individual deve prevalecer sobre leis impostas por moralismo e interesses políticos. Mas as descrições cirúrgicas das agruras dos viciados quando privados da droga são de virar o estômago. Junky devia ser adotado em escolas (e tribunais e hospitais) como um livro esclarecedor sobre o uso de drogas pesadas (e de drogas leves também). Ou talvez, numa visão menos otimista, o livro simplesmente revela que não há tratamento para a miséria humana. Numa passagem, Bill admite que em certo estágio do vício, o único “barato” da droga é evitar o desespero da abstinência e a vida do junky se resume a garantir a próxima picada.

Príncipe para sempre

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O PEQUENO PRINCIPE CULTURA DIVULGACAO

Mônica Cristina Corrêa, no Valor Econômico

Há 70 anos, num dia 6 de abril, surgia um livro que se tornaria um fenômeno editorial, perpetuando-se como um mito: “O Pequeno Príncipe”, do escritor e também piloto francês Antoine de Saint-Exupéry. O livro foi escrito, ilustrado e lançado em Nova York, onde Saint-Exupéry esteve entre 1940 e 1943, desmobilizado e num exílio voluntário, após ter participado de perigosas missões na Segunda Guerra. Quinhentos exemplares em inglês chegaram às livrarias, junto a outros 260 em francês – língua em que foi escrito. Na França, a obra foi lançada apenas em abril de 1946, pela editora Gallimard. E postumamente: Saint-Exupéry havia morrido em uma missão em 31 de julho de 1944, no mar Mediterrâneo. Ele nunca conheceu o sucesso de seu último livro, que se diferenciava dos demais por ser ilustrado e constituir-se num conto fantástico, enquanto os anteriores se voltavam para o cotidiano da vida de piloto numa época em que voar era praticamente uma proeza. Exceção ao conjunto é o também filosófico “Cidadela”, obra inacabada e póstuma.

Em 1947, “O Pequeno Príncipe” foi traduzido para o polonês; em 1949, para alemão e italiano; em 1950, dinamarquês; em 1951, espanhol, finlandês e holandês; em 1952, foi vertido para o português (no Brasil), o hebraico, o sueco e assim por diante, até se somarem as mais de 250 traduções atuais, incluindo-se dialetos, abrangendo-se 26 alfabetos, 600 edições diferentes e as reimpressões. Em 2005, “Harry Porter” contava traduções em 60 línguas.

É mais de 1 bilhão de exemplares publicados e estima-se que, em média, sejam vendidos 5 mil livros por semana na França e 3,5 mil no mundo. Trata-se de um texto literário de caráter planetário, fenômeno que avança para o século XXI. Mas o que explicaria tamanho sucesso de um título relativamente breve e ilustrado com desenhos do próprio autor, que incitaram a criação de produtos derivados de toda sorte e um certo culto dos personagens? Sempre será difícil precisar, até porque as interpretações de críticos e leitores parecem tão plurais quanto as individualidades.

“O Pequeno Príncipe” difundiu-se num cenário pós-guerra. Suas premissas e a valorização da infância e do que ela poderia ter de precioso – ingenuidade, tolerância, espontaneidade – podem ter correspondido às ansiedades do Ocidente em reconstrução. Voltado às crianças, pelo que demonstram os números, atinge todas as faixas etárias.

Segundo o escritor e crítico franco-americano Philippe Forest, autor, entre outros, de “Le Siècle des Nuages” (O século das nuvens, tradução livre), “‘O Pequeno Príncipe’ é um livro destinado ao mesmo tempo aos adultos e às crianças. O leitor pode descobri-lo muito jovem. E pode continuar a ler e reler por toda a vida. Eis a força dos grandes textos. Parece que era o livro preferido do filósofo Heidegger. Que uma obra possa ser apreciada do mais complexo e mais absconso dos autores do século XX e por um garotinho de 10 anos é algo muito excepcional”.

Forest compara “O Pequeno Príncipe” a “Peter Pan”, de James Barrie: “Há muito em comum nessas obras. Atrás da leveza de uma narrativa para crianças, trata-se de aventuras muito melancólicas que falam do luto [Saint-Exupéry e Barrie perderam ambos um irmão criança]. São dois contos paradoxais que ensinam a não crescer e a manter viva a criança que fomos”.

Além disso, é convergência entre alguns estudiosos que “O Pequeno Príncipe” seja um livro abrangente em termos de conceitos. Stacy de la Bruyère, biógrafa americana de Saint-Exupéry, observa que “O Pequeno Príncipe” desafia categorias. Na linha tênue que separa uma fábula de uma sátira, “a obra tem um pé em cada campo”.

Não há, de fato, documentos do próprio Saint-Exupéry que deem muitas pistas da gênese de “O Pequeno Príncipe”. No entanto, várias versões do manuscrito ou mesmo datilografadas fornecem indícios de sua elaboração. O original encontra-se na Pierpont Morgan Library, em Nova York, ali deixado por Sylvia Hamilton, com quem Saint-Exupéry se relacionou na época. É um texto de difícil leitura, com as variantes das correções do autor, e contém 35 desenhos que foram descartados na edição original. Quatro outras versões foram localizadas, com correções datilografadas por Saint-Exupéry. Uma está em Paris, na Biblioteca Nacional, doada pela pianista Nadia Boulanger (amiga do autor); outra em Austin (Texas), que foi confiada pelo piloto a seu tradutor americano Lewis Galantière; uma terceira, de origem desconhecida, foi vendida em Londres em 1989 (contendo mais de cem correções do autor e dois desenhos a lápis incluídos) e, por fim, uma quarta versão é de propriedade do legatário de Consuelo, mulher de Saint-Exupéry.

Quem conhece o restante da obra do piloto-escritor nota que os temas tratados no conto estão presentes, de modo mais ou menos diluído, nos demais textos. A rosa desprotegida, a atenção à ecologia quando tal conceito ainda não existia, a solidão, o luto, a morte, sobretudo a dicotomia entre o visível (a matéria e a materialidade das coisas) e o invisível (essência das coisas ou os sentimentos) num autor de formação católica que acreditava nos valores acima dos objetos.

Virgil Tanase, dramaturgo romeno que acaba de lançar uma biografia de Saint-Exupéry na França, diz que é inegável que para o francês o mistério da existência é uma equação de simplicidade bíblica: “A bola de carne que cresce, torna-se adulta e morre é um sopro sobre um fio tênue, mas durável, que escapa ao tempo: o espírito”. No entanto, se há consenso em que a obra é também autobiográfica – a presença do deserto e do avião o atestam -, os especialistas reconhecem que se trata de um livro que pode nem sempre remeter a seu autor. Assim, diz Stacy de la Bruyère: “Mais do que nunca, acho que o Pequeno Príncipe obscurece seu autor”. Virgil Tanase está alinhado com ela: “A existência de Saint-Exupéry foi dedicada ao ‘espírito’, mas, ao mesmo tempo, ‘O Pequeno Príncipe’ que nos fala dele não precisa do autor para nos mostrar o caminho certo”. E prossegue: “O texto – que tem traços da vida de Saint-Exupéry, o que ocorre com todos os autores – funciona por si mesmo”. As estatísticas que o digam.

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