Contando e Cantando (Volume 2)

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Bienal Internacional do Livro de São Paulo 2016 anuncia data do evento

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Fãs de Kiera Cass participam de evento com a escritora na 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, no ano passado (Foto: Leonardo Benassatto/Futura Press/Estadão Conteúdo)

Fãs de Kiera Cass participam de evento com a escritora na 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, no ano passado (Foto: Leonardo Benassatto/Futura Press/Estadão Conteúdo)

24ª edição acontecerá de 26 de agosto a 4 de setembro no Anhembi.
Lista de convidados e venda de ingressos ainda não foram divulgados.

Publicado no G1

A Câmara Brasileira do Livro anunciou, nesta terça-feira (25), que a 24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo vai acontecer entre 26 de agosto de 4 de setembro de 2016 no Pavilhão de Exposições Anhembi. A lista de autores convidados, o início da venda de ingressos e valores ainda não foram divulgados pela organização.

Na edição anterior, a Bienal Internacional do Livro de São Paulo teve como principal proposta ser mais do que “só uma feira de livros” para se tornar “um momento multicultural”, com atividades que foram da gastronomia ao rap, passando por música, teatro e dança. O tema geral foi “Diversão, cultura e interatividade: Tudo junto e misturado”.

A 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo atraiu 720 mil pessoas em dez dias. Em 2012, o público total foi de 750 mil, com um dia a mais de evento.

Entre o público, 120 mil foram estudantes de 2 mil escolas. Mais de 400 mil pessoas visitaram os espaços culturais, que receberam 186 autores brasileiros e 22 internacionais.

Um dos destaques estrangeiros foi Kiara Cass, autora da série “A eleção”, que participou de bate-papo e sessão de autógrafos e levou mais de 2 mil pessoas à Bienal. Também vieram nomes como Cassandra Clare, Ken Follet e Sally Gardner.

Dentre os brasileiros, participaram Cristovão Tezza, Milton Hatoum e Ziraldo.

Autora do sucesso “Não se apega, não” dá dicas para desapego e conquista leitores

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Com 23 anos, Isabela Freitas acaba de lançar o romance Não se Apega, Não (Foto:Divulgação/Leo Aversa)

Com 23 anos, Isabela Freitas acaba de lançar o romance Não se Apega, Não (Foto:Divulgação/Leo Aversa)

Jovem mineira Isabela Freitas começou a escrever no microblog Twitter. Seus conselhos e dicas fizeram tanto sucesso que ela foi convidada a lançar seu primeiro livro

Giulia Marquezini, no Correio da Bahia

Mineira, 23 anos, e dona dos melhores conselhos sobre relacionamentos. Isabela Freitas tinha apenas 19 anos quando, em 2011, atingiu mais de 25 mil pessoas no Twitter e resolveu criar o blog isabelafreitas.com.br.

Seus conselhos amorosos faziam sucesso em 140 caracteres e ela quis expandir, já que seus fãs pediam textos mais longos e diziam que gostariam de dividir suas histórias com a moça. O blog atualmente já soma mais de 60 milhões de visualizações e conta com outros colaboradores.

A plataforma, que serviria inicialmente para colocar seus sentimentos para fora e se expressar, alcançou um sucesso inesperado e os conselhos de Isabela foram parar no livro Não se Apega, Não (Intrínseca/R$ 14,90/256 páginas).

No livro, a blogueira cunhou as 20 regas do desapego, tema central da publicação de auto- ajuda. Em uma das passagens, Isabela é clara ao definir a palavra. “Desapego não é indiferença, covardia ou desinteresse. O desapego é se libertar de tudo aquilo que faz mal e causa sofrimento […] É sinônimo de se libertar”.

Não se Apega, Não conta a história da personagem Isabela, que decide terminar o namoro de dois anos com Gustavo. Mas a Isabela da ficção sempre namorou sério desde a adolescência e permanecer solteira é um enorme desafio na sua busca pelo autoconhecimento.

A coincidência com o nome, inclusive, foi uma jogada publicitária para que o leitor se sentisse mais próximo da história e da autora. E deu certo. O romance conquistou o público jovem, mais especialmente as meninas, fãs ansiosas que se espelham em Isabela e interagem com ela nas redes sociais na busca de um conselho amoroso sobre suas vidas.

As conclusões sobre amor e relacionamento que a personagem chega no decorrer da história foram embasadas nas experiências que os leitores do blog enviavam.

Em Entrevista ao CORREIO, a jovem autora se diz feliz com o sucesso das vendas, o feedback positivo do público, responsável pela façanha de colocar Não se Apega, Não na lista dos livros mais vendidos durante a 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, superando o best-seller A Culpa É das Estrelas, do americano John Green. Confira.

Como surgiu a ideia do blog e depois do livro?

O blog surgiu a pedido das minhas seguidoras no Twitter, que na época, novembro de 2011, contavam mais de 25 mil pessoas. Decidi entrar nessa de cabeça, e criei!. Nunca imaginei que fosse dar tão certo, ou que fosse fazer sucesso. Só me senti bem por ter um lugar onde podia me expressar, e colocar para fora meus sentimentos. Escrever um livro sempre foi um sonho, veja bem, eu, uma leitora assídua desde muito nova, escrevendo um livro? Só em sonho! Até que um dia recebo um e-mail despretensioso me convidando a escrever um livro. Era a editora Intrínseca, e eles estavam acompanhando o blog, e gostaram do meu trabalho. Foi inacreditável, ainda é.

A Isabela do livro é realmente você?
Não, eu nunca disse isso. A Isabela é uma personagem – ponto. Coloquei nela algumas de minhas experiências e as transformei em ficção. A brincadeira com o nome foi uma jogada, porque queria que o leitor se sentisse próximo, como se fôssemos amigos.

Isabela Freitas em entrevista no Encontro com Fátima Bernardes (Foto: Reprodução)

Isabela Freitas em entrevista no Encontro com Fátima Bernardes (Foto: Reprodução)

Como seu ex-namorado encarou essa exposição?

Exposição? Mas ele nem é citado no meu livro! O ex-namorado do livro só existe no livro.

Escrever funcionou como uma espécie de terapia para curar decepções amorosas?

Escrever é terapia para tudo, na real. Decepção amorosa, tristeza, insatisfação, angústia, ressentimento. Todos esses sentimentos ruins se esvaem quando os colocamos em palavras. Escrever funcionou – para mim – como um processo de autoconhecimento, através da escrita percebi meus defeitos, erros, e mudei muita coisa que não estava certa na minha vida.

O que significa desapegar pra você?

Se livrar de coisas ruins que só te retém e te fazem mal. É isso que o desapego deve tratar. Deixar para trás o que é negativo, e levar consigo somente o que te faz bem.

Qual a diferença da Isabela de antes do livro e a de depois?

Como escritora, a diferença foi gritante. Como foi minha primeira obra, me sentia muito insegura ao escrever. Não sabia o que o leitor queria de mim, e se ele ia gostar do que foi apresentado. Escrevia, apagava, escrevia, apagava. Sou extremamente perfeccionista, e acho defeito em tudo. Então dá pra imaginar como foi esse processo de escrever o primeiro livro. A Isabela de depois do livro se viu feliz com o sucesso das vendas, o feedback positivo do público, e ganhou uma confiança para escrever o próximo. Parece que agora as palavras fluem com muito mais naturalidade.

Você está namorando. Esse novo amor veio de forma distraída, como você afirmou em seu livro? Como vocês se conheceram?

Ah, sim, sim. O Leonardo, meu namorado, é irmão do meu melhor amigo, Leandro. Já conhecia o Leandro há algum tempo, mas nunca tinha sido apresentada ao irmão. Quando o conheci, logo vi que tínhamos coisas em comum, mas nada mais do que isso – afinal, eu namorava outro garoto na época. Quando terminei meu namoro, nós percebemos tudo que estava ali, e nós nunca percebemos. A química era inegável, e nós, distraídos, nunca notamos.

Como seu namorado lida com a exposição dos seus pensamentos no blog?

Ele acha o máximo, de verdade. Fico até espantada. Ele me apoia em tudo que faço, e isso é essencial, sabe? Não podemos ter ao lado uma pessoa que tudo desconfia, afinal, um escritor é uma pessoa que imagina muitas histórias, e se você for levá-las todas a sério, não há relacionamento que aguente. Além de que ele se diverte, vai nos meus lançamentos, me cobra quando esqueço de postar alguma coisa, posso dizer que ele é meu assessor.

O blog tem colaboradores que escrevem além do público que sempre comenta. Como surgiu a ideia dessa colaboração?

Surgiu da necessidade de sempre produzir novos posts, afinal, é difícil conseguir manter o blog atualizado sozinha. Então, selecionei algumas pessoas das quais gosto do trabalho, e eles colaboram uma vez por semana, com textos novos.

Você pretende lançar outro livro? Ou alguma continuação desse?

O Não se Apega, Não vai ter uma continuação, sim. Estou escrevendo neste momento! A Isabela ainda vai se encrencar muito nos seus relacionamentos…

Meninas que se identificaram e que dizem que o seu livro mudou a vida delas. Qual a sensação, como escritora, desse retorno?

Diria que perfeita. Escrever é libertador, você coloca para fora tudo que sente, e espera que alguém sinta a mesma de volta. E quando me dizem frases como essas, nossa! Tenho vontade de abraçar bem forte a pessoa, e nunca mais soltar. Para um escritor, é como ganhar um Grammy. Mudar a vida das pessoas é algo que sempre quis, mas nunca soube ao certo como fazer. Agora sei, com palavras.

Não se Apega, Não esteve na lista dos mais vendidos da Editora Intrínseca durante a 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, realizada em agosto, desbancando A Culpa É das Estrelas, do americano John Green. Como você encara essa conquista?

Olha, tem certeza disso aí? Não, é sério? Ainda acho que é pegadinha, rs. Brincadeira. Eu encarei dessa forma: sem acreditar. Afinal, John Green é um gênio o qual admiro e muito! Um dia chego na unha do dedo mindinho dele, sabe? Agora é sério, acho que ver o Não se Apega, Não na lista dos mais vendidos mostra que o jovem brasileiro está cada vez mais interessado na leitura, e isso é algo prazeroso de se ver. Espero que esses leitores continuem comigo, me acompanhando a cada novo livro.

Em sua descrição no livro você diz que pretende cursar Jornalismo. Como andam esses planos? Dá pra relacionar um curso na universidade com a literatura?

Tranquei a faculdade de Direito no oitavo período para terminar de escrever Não se Apega, Não, então eu pretendo primeiro concluí-la, para depois pensar na faculdade que farei em seguida. Não posso desperdiçar quatro anos de estudos, mesmo que o Direito não seja mais uma opção para mim. As pessoas mudam, eu mudei. O Jornalismo está dentro dos meus objetivos e, com certeza, cursar essa faculdade ajudaria e muito na literatura. Sempre quis escrever um romance sobre uma jornalista, rs… Não sei por quê, mas jornalistas sempre me dão uma inspiração a mais.

Autobiografia de Naldo tem sabor de chocolate

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O cantor Naldo e seu irmão Lula

O cantor Naldo e seu irmão Lula

Rafael Costa, na Veja

Naldo Benny enfrentou um ruidoso processo de divórcio para se casar com Ellen Cardoso, a Mulher Moranguinho, em uma celebração da qual seu filho se negou a participar. Mas as desavenças familiares são águas passadas – ao menos, nas páginas de Cada Vez Eu Quero Mais (Planeta, 91 páginas, 31,90 reais), autobiografia que o cantor de Amor de Chocolate lança na tarde deste domingo, na 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, com título emprestado de um verso do seu maior hit. A obra, para ficarmos na mesma música, tem sabor de chocolate: nela, o cantor adoça tudo o que viveu, para contar da maneira mais positiva a sua trajetória, desde quando era conhecido como Ronaldo Jorge na Vila do Pinheiro, no Rio, até o momento em que se viu na varanda do Hotel Fasano, na praia de Ipanema, ao lado do ator Will Smith, ouvindo um bloco de Carnaval cantar, na rua embaixo, versos da sua canção.

A vida de Naldo, ao menos no livro, não foge daquela história conhecida do menino humilde que decidiu investir em seu talento para alcançar o sucesso. Uma atitude louvável, ainda mais para quem, como ele diz ter feito, conseguiu atravessar a juventude sem ceder ao crime organizado ou às drogas, elementos que o rodearam no percurso. O problema é que o orgulho do músico por sua travessia – sem falar no fato de ele se declarar uma pessoa do bem – é exagerado a ponto de dar ao livro um grosso verniz chapa-branca.

1Com poucas páginas e letras garrafais, Cada vez eu Quero Mais é uma leitura fácil, rápida e pobre em detalhes, tanto sobre a vida pessoal como profissional do cantor, elementos que colocam um tempero a mais em uma biografia. No caso de Naldo, grande parte das situações narradas no livro pode ser facilmente encontrada no Google. Faltam detalhes sobretudo ao desfecho de Lula, irmão e parceiro musical no início da carreira, assassinado em 2008. Seu corpo foi encontrado dois dias depois, carbonizado, no Instituto Médico Legal (IML). O episódio, desde a morte até o luto, é narrado em pouco mais de uma página, sem qualquer menção a quem poderia ter cometido o crime. É muito pouco, dada a importância do MC na vida do cantor. “Fiquei uns quatro meses deprimido, me forçava a sair do escritório apenas por achar que era o que Lula desejaria”, escreve Naldo, para já no parágrafo seguinte reaparecer restaurado, narrando a sua “volta por cima”.

Já o filho, Pablo Jorge, 16, fruto do casamento com Branka Silva, mal é citado e aparece apenas – com a metade de seu corpo – em uma foto quando bebê, no colo do pai.

Cada Vez Eu Quero Mais é uma leitura voltada exclusivamente para os fãs de Naldo Benny, que podem se comover com a história de superação e a batalha do cantor para sair do morro carioca e chegar à varanda do Hotel Fasano. E só. Já aqueles que procuram uma boa biografia, com histórias controversas e elementos inéditos, podem poupar trinta reais e meia-hora da vida com uma leitura de pouquíssima relevância.

A biografia de Naldo em cinco tópicos

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* Chapa-branca
Ao longo de todo o livro, Naldo exalta de maneira exacerbada sua história de superação e seu jeito de bom moço. A narrativa ofusca alguns fatos controversos de sua vida, como a briga judicial com sua ex-mulher, a produtora musical Elizete Pereira, mais conhecida como Branka Silva, em julho do ano passado, e a relação tortuosa com seu filho, Pablo Jorge, fruto do casamento com Branka, que tem apenas seu nome citado em poucos momentos da biografia. “Fui exposto desde cedo à realidade das drogas, assalto, roubo e crime, mas eu tinha muito medo de decepcionar minha mãe. E meu pai, que sempre nos ensinou que as conquistas vinham de trabalho e dedicação, também fez o que pôde para afastar desse cotidiano perigoso da gente”. Um dos – muitos – trechos em que Naldo destaca a importância de seus pais em sua vida e seu bom caráter.

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* Morte do irmão

A morte de Lula, seu irmão mais novo e parceiro musical no início da carreira, é citada brevemente, assim como muitos outros episódios da biografia. O episódio, desde o assassinato do MC, que é encontrado com o corpo carbonizado Instituto Médico Legal (IML), em 2008, até o luto vivido pelo cantor, é narrado ao longo de pouco mais de uma página, em que Naldo se limita a descrever que passou cerca de quatro meses deprimido e que acabou voltando ao trabalho com apoio da equipe da gravadora. “Mais bem cercado na época pelas gravadoras, tive apoio da equipe e dos empresários, que me trataram com carinho e não pressionaram para que eu voltasse logo a trabalhar”, escreve o funkeiro.

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* Busca pela fama

A busca pela fama é uma das partes mais interessantes da biografia, senão a única. Apesar de ser descrita sem muitos detalhes, Naldo fala sobre os “nãos” que recebeu de alguns produtores e o preconceito que sofria de muitos funkeiros pelo fato de tentar emplacar um estilo com mais melodia e letras românticas, que não citavam temas como crime, drogas e sexo. “O funk na época era mais pesado; as letras seguiam a linha da porrada ou sacanagem, não tinha sutileza ou romantismo. Não era exatamente a nossa praia, mas era o que fazia sucesso. Eu sempre tentava puxar os versos para ‘censura livre’. (…) O tal produtor nos recebeu supermal. A casa dele não tinha varanda, só um quintal para a gente atravessar e se molhar ainda mais. (…) Ao entrara na casa dele, a gente sentou e tudo estava molhado, e ele reclamou, grosseiro, desandando a falar que era responsável pela caravana tal, que administrava uns trinta MCs e blá-blá-blá”.

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* Historia de superação

A vida de Naldo contada em seu livro, não foge daquela história conhecida do menino humilde que decidiu investir em seu talento para alcançar o sucesso profissional, ou o estrelato. A história de superação, apesar de ser algo louvável, é citada em diversos momentos da obra, muitas vezes desnecessariamente. “Nessa hora, um filme passou na minha cabeça – uma história que começa como tantas outras, um moleque que desejava ter uma roupa de marca ou um tênis bacana, uma trajetória comum como a de qualquer garoto da favela. Ali, porém, no coração da praia mais famosa do mundo, na varanda de um hotel de luxo, esse menino da Vila do Pinheiro estava deixando o superstar de Hollywood de boca aberta”, escreve Naldo sobre o momento em que está ao lado de Will Smith na varanda do Hotel Fasano, no Rio de Janeiro, enquanto uma multidão na rua canta versos de sua música.

* Primeiro sucesso

Pouco depois da morte de Lula, Naldo se viu obrigado a seguir carreira solo e lançou o álbum Na Veia, em 2009. O disco foi produzido por uma gravadora independente e ganhou vida graças ao investimento do próprio cantor, que começou a ganhar uma “quantia razoável de dinheiro” como compositor. Uma de suas obras é a canção Depois do Amor, que viria a ser gravada por Belo e Perlla. As músicas, no entanto, foram todas compostas em parceria com o irmão, como o hit Como Mágica, primeira canção a fazer sucesso em nível nacional. “Peguei a grana que eu tinha juntado com os direitos autorais de Depois do Amor e Como Mágica, e banquei a gravação desse novo CD. A turma da música já conhecia a gente, os caras da rádio, locutores, diretores etc.”

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