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Stephen King diz estar nervoso com continuação de ‘O Iluminado’

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Escritor conta que não gostou de adaptação para o cinema do primeiro romance e afirma que leitores estão mais difíceis de assustar.

Publicado no G1

Stephen King admitiu estar nervoso sobre a reação para seu próximo livro, uma continuação do romance de horror O Iluminado, de 1977.

Stephen King diz estar nervoso com continuação de 'O Iluminado' (Foto: BBC)Stephen King diz estar nervoso com continuação de ‘O Iluminado’ (Foto: BBC)

Em entrevista à BBC, o escritor americano disse esperar que 95% das resenhas sobre o livro Doctor Sleep (ainda sem título em português) sejam uma comparação com a obra anterior.

‘Você se depara com essa comparação e é natural que ela te deixe nervoso, porque muitas águas já passaram sob a ponte (desde o primeiro livro). Sou um homem diferente’, afirmou.

Ele disse ainda que visita sites sobre literatura na internet para saber o que os fãs estão dizendo sobre o livro mesmo antes do lançamento.

Aos 65 anos, o veterano da literatura de suspense acredita que a qualidade de seus livros aumentou desde que escreveu O Iluminado, quando tinha 28 anos.

‘O que muitas pessoas estão dizendo é ‘okay, eu devo ler (Doctor Sleep), mas não vai ser tão bom quanto O Iluminado’. Mas eu sou otimista e quero que elas mudem de opinião ao terminarem de ler. O que quero realmente é que achem melhor que O Iluminado.’

Filme ‘frio’

O autor também afirma que não gostou da versão do diretor Stanley Kubrick para O Iluminado, uma das adaptações mais famosas de seus livros para o cinema.

‘(O filme) É muito frio. Eu não sou uma pessoa fria. Acho que uma das coisas que as pessoas gostam nos meus livros é que há uma proximidade, algo que diz ao leitor ‘quero que você seja parte disso”, disse.

‘E com O Iluminado de Kubrick era como (os personagens) fossem formigas em uma fazenda, pequenos insetos fazendo coisas interessantes.’

Durante a entrevista, ele também fez críticas às performances de Jack Nicholson, que interpreta Jack Torrance, e Shelley Duvall, que interpretou sua esposa Wendy.

‘O Jack Torrance do filme parece louco desde o início. Eu tinha visto todos os filmes de motoqueiro de Jack Nicholson nos anos 60 e achei que ele estava só trazendo de volta o personagem’, afirmou.

‘Já Shelley Duvall como Wendy é um dos personagens mais misóginos já colocados em um filme. Ela basicamente está lá para gritar e ser burra, e essa não é a mulher sobre a qual eu escrevi.’

O escritor revelou que o personagem de Jack Torrance é o mais autobiográfico que ele já escreveu.

‘Quando eu escrevi o livro eu estava bebendo muito. Eu não me enxergava como um alcoólatra, mas os alcoólatras nunca se enxergam assim. Então eu o via como um personagem heroico que estava lutando sozinho contra seus demônios, como os ‘homens americanos fortes’ devem fazer.’

Assustar ficou mais difícil

Em entrevista ao editor de artes da BBC Will Gompertz, King disse ter receio de que as pessoas que leram ainda jovens sua primeira história sobre a família Torrance no Hotel Overlook tenham as mesmas expectativas com Doctor Sleep.

‘Acho que as pessoas liam aqueles livros sob as cobertas com lanternas quando elas tinham 12, 14 anos de idade e por isso tinham medo. Meu receio é que elas voltem esperando se assustar novamente como naquela época, e isso simplesmente não acontece. Eu quis escrever um livro mais adulto’, diz.

Para ele, é mais difícil assustar os leitores hoje, porque ‘eles estão mais espertos a respeito dos truques que os escritores e cineastas usam para provocar sustos’.

No entanto, o autor ainda acredita ser possível assustar as pessoas ‘de um jeito honrado, se elas se importam com os personagens’.

‘Quero que o público se apaixone por esses personagens e se importe com eles. E isso cria o suspense de que se precisa. O amor cria o horror.’

O novo livro começa um ano depois que o hotel Overlook, onde a família Torrance se hospeda, é destruído e mostra o crescimento do garoto, Danny Torrence.

‘As pessoas me perguntavam o que aconteceu com o garoto de O Iluminado. Eu fiquei curioso sobre o que aconteceria com ele, porque ele era realmente um filho de uma família disfuncional.’

Já adulto, Danny trabalha como enfermeiro em uma casa de repouso, que usa suas habilidades psíquicas para ajudar pessoas que estão morrendo a passarem deste mundo para o próximo, de acordo com o autor.

Ele conhece uma menina que tem as mesmas habilidades e é perseguida por ‘vampiros psíquicos’, que vivem da essência de crianças como ela.

 

Professor ‘rapper’ utiliza a música para ensinar história em Guarujá, SP

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Altair Peique, de 28 anos, dá aulas em uma escola estadual.
Alunos melhoraram o desempenho na escola com o método.

Professor Altair Peique usa até um boné para animar os alunos durante as aulas (Foto: Mariane Rossi/G1)

Professor Altair Peique usa até um boné para animar os alunos durante as aulas (Foto: Mariane Rossi/G1)

Mariane Rossi, no G1

Um professor criou letras de rap para ensinar história aos alunos de uma escola estadual de Guarujá, no litoral de São Paulo. Ele conseguiu estimular os jovens a estudar mais e os resultados apareceram dentro e fora de aula. Além disso, o ‘professor do rap’ usa a redes sociais e a conversa para se aproximar dos alunos e mostrar que a educação é capaz de garantir um futuro brilhante para eles.

O professor de História Altair Peique, de 28 anos e nascido em Vicente de Carvalho, teve o exemplo de educação em casa. O pai e a irmã professora foram a sua inspiração para seguir carreira em sala de aula. “Apesar de sermos de uma família simples, nós sempre demos muito enfoque para a educação”, conta ele. Por isso, enquanto lecionava na Escola Estadual Vicente de Carvalho, Altair percebia uma falta de interesse dos alunos nas suas aulas de História e ele tinha consciência que precisava mudar essa realidade. “Eu percebi que os alunos estavam tendo um pouco de dificuldade em absorver a disciplina. História é uma matéria que não é muito acessível para os alunos. Eu precisava dar uma apimentada na aula”, afirma Peique.

No começo do ano, ele tentou fazer uma experiência com a turma do Ensino Médio. Ele se inspirou nos professores de cursinhos para poder lidar com os alunos de uma forma diferente. “Eu via que tinha professores que davam aula com violão, que cantavam, ensinavam física assim. Além de professor, sou músico e, então, aproveitei minha experiência e comecei a inserir as músicas com eles”, lembra. O professor levou um tema para a classe e criou um refrão com rima. Ele também adicionou uma batida de rap ao texto e criou uma música com a matéria que estava sendo estudada na aula. Os alunos começaram a ler a letra na lousa e cantaram os refrões, que não saiam da cabeça dos jovens. Assim, ele conquistou a simpatia e a atenção dos alunos e, com isso, começou a ensinar história de uma forma descontraída.

A metodologia passou a ser usada frequentemente. “Eu trago os tópicos, por exemplo, sobre a Crise de 1929. Dou uma introdução, explico como uma aula normal, porque não dá para eu chegar só com a música. Depois da introdução, eu faço a música junto com eles, eles vão me ajudando a rimar e eles vão decorando os pontos principais para a matéria”, explica o professor. Os alunos ficam animados com o rap, fazem batidas diferentes e acompanham a letra batucando na carteira escolar enquanto, sem perceber, adquirem conhecimento. “Eu chego em casa cantando”, conta a aluna Gabriela Galdino de Lima, 17 anos.

Professor escrevendo a matéria e a letra da música na lousa (Foto: Mariane Rossi/G1)

Professor escrevendo a matéria e a letra da música
na lousa (Foto: Mariane Rossi/G1)

As músicas tiveram impacto na vida dos alunos. Segundo o professor, o interesse pela história aumentou e os jovens estão se dedicando mais e os resultados aparecem nas provas. “O primeiro resultado que eu vejo é a questão dos vestibulares, do interesse maior deles. Eu não crio minhas provas, eu pego perguntas dos principais vestibulares. O que eu acho da matéria eu incluo na prova e eles conseguem fazer. Eu preciso sempre estar estimulando eles”, afirma o professor.

O rap dentro da sala de aula também levou alguns alunos a mudarem de comportamento. “Antigamente eu só dormia nas aulas de história. Foi um modo legal de me despertar mais para os estudos”, acredita o aluno Lucas Cardoso dos Santos, 17 anos. O professor também diz que há alunos com deficiência intelectual na classe. Quando a música chegou, eles se aproximaram dos outros alunos. “Eles dois participam disso. Até é uma forma deles estarem interagindo. Eu me recordo no começo do ano que um desses meninos era meio introvertido e ele começou a participar também. As pessoas se sentem melhores participando, construindo juntas”, comemora.

Altair cantando rap durante as aulas de História (Foto: Mariane Rossi/G1)

Altair cantando rap durante as aulas de História
(Foto: Mariane Rossi/G1)

E, para se aproximar ainda mais, o professor que usa o rap como metodologia de ensino também passou a utilizar as redes sociais como meio de comunicação. Peique criou grupos nas redes sociais para discutir e tirar dúvidas das matérias. Além disso, ele disponibiliza conteúdo, filmes, documentários, exercícios e qualquer tipo de dica que possa ajudar o aluno a entender melhor alguns temas de História.

Dentro de sala de aula, os alunos obedecem e respeitam o professor porque o veem como um amigo. Peique diz que ouve os alunos, brinca e tenta entender os problemas pessoais de cada um. “Eu sempre tive muita afinidade com os meus alunos, nunca tive problema com a sala. A gente sempre fala a mesma língua. Às vezes você vê um aluno em um dia ruim e você como profissional deixa passar batido, mas eu não. Eu puxo eles em um canto e começo a desenvolver. Eu praticamente sou um amigo que ensina história. Eles me vêem como um irmão mais velho”, afirma. O professor diz que isso é mais uma forma de aproximá-lo do mundo em que vivem os alunos para que ele sempre tenha uma relação de amizade com eles.

O professor, que é apaixonado por história desde criança, fala ainda que a música é apenas um detalhe e é, na verdade, uma forma de estímulo. “Se cada professor encontrar um estímulo, na sua área, na sua limitação, na sua qualidade para trabalhar, você conseguir fazer com que eles absorvam a matéria é o principal”, diz. Ele diz que continuará incentivando e procurando formas para que seus alunos adquiram mais conhecimento, não importa como. “Eu gosto de desafiar eles a buscar novos conhecimentos e mostrar que eles podem ir além. Eu acho que é esse tipo de estímulo que eu quero passar para os meus alunos: acreditar na educação”, finaliza.

Professor e os alunos após uma aula de história (Foto: Mariane Rossi/G1)

Professor e os alunos após uma aula de história (Foto: Mariane Rossi/G1)

Brasileiros encaram frio de -30°C para estudar medicina na Rússia

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Cerca de 600 brasileiros foram para universidades russas desde 2007.
Preço é uma das vantagens, porém validação do diploma é necessária.

Lucirio Gonçalves de Morais, de 25 anos, enfrenta o frio da Rússia para estudar medicina há 7 anos (Foto: Arquivo pessoal)

Lucirio Gonçalves de Morais, de 25 anos, enfrenta o frio da Rússia para estudar medicina há 7 anos (Foto: Arquivo pessoal)

Vanessa Fajardo, no G1

Mesmo com rigorosos invernos, com temperatura negativa abaixo dos -30°C e idioma difícil de aprender, a Rússia tem sido um dos destinos procurados por brasileiros interessados em fazer faculdade de medicina. Dos 600 brasileiros que embarcaram para o país com o objetivo de cursar uma graduação, desde 2007, segundo a Aliança Russa, responsável pelo processo de seleção dos estudantes, a maioria optou por medicina. Ainda, de acordo com a agência autorizada pelo governo russo a fazer o intercâmbio, nos últimos anos houve um aumento da procura de 28% pelos cursos de ensino superior. Apesar da crescente demanda, o número de vagas não muda, gira em torno de 80 a 100 por ano.

O brasileiro Diego Gonçalvez em frente à faculdade de medicina na Rússia (Foto: Arquivo pessoal)

O brasileiro Diego Gonçalvez em frente à faculdade
de medicina na Rússia (Foto: Arquivo pessoal)

Diego Goncalves Gonçalez, de 28 anos, é de Mogi das Cruzes (SP) e chegou em Moscou, na Rússia há 8 anos. Ele já concluiu a graduação de seis anos no Primeiro Instituto Estatal de Medicina de Moscou Sechenova e há um ano foi convidado pelo governo russo para permanecer no país e fazer residência. Diego ganhou uma bolsa de estudos por conta do bom desempenho na faculdade – na Rússia, a residência é paga – e optou por anestesiologia e reanimação.

Do grupo de 35 estudantes que chegou na Rússia com Diego, só ele e mais três concluíram a faculdade. O restante desistiu, seja pela dificuldade de adaptação com o clima ou com o idioma. “No inverno os termômetros registram 30 graus negativos, no meu primeiro inverno, em novembro de 2005, foi um dos mais rigorosos da Rússia em 20 anos, com temperaturas de 43 graus negativos.”

Foi uma grande e revolucionária escolha ter vindo estudar em Moscou, com a descrença de muitos, e apoio de poucos. Diferente de hoje, quando cheguei em 2005 praticante não havia estudantes brasileiros aqui”
Diego Goncalves Gonçalez,
de 28 anos, há 8 na Rússia

O brasileiro também teve dificuldades com o idioma e com o povo. “Passei por momentos difíceis como agressão de skinheads, e me livrei por pouco de um atentado terrorista no metrô de Moscou próximo da onde eu vivo.”

Porém, segundo o estudante, também houve os momentos felizes. “Realizei o sonho que eu tinha desde pequeno de ser médico. Fui orador da minha turma, e na presença dos meus familiares aqui em Moscou, para uma grande plateia russa, falei um pouco do meu Brasil.”

Na Rússia, Diego também pode dar continuidade à natação, que praticava há 15 anos no Brasil, participou de competições e chegou a trabalhar como técnico.

Diego optou por estudar na Rússia porque não conseguiu vaga nas universidades públicas de São Paulo e não tinha condições financeiras de pagar por um curso de medicina no Brasil. “Foi uma grande e revolucionária escolha ter vindo estudar em Moscou, com a descrença de muitos, e apoio de poucos. Diferente de hoje, quando cheguei em 2005 praticante não havia estudantes brasileiros aqui.”

Uma vez por ano, ele volta ao Brasil para visitar a família. Em julho de 2014, termina a residência e retorna em definitivo para iniciar o processo de revalidação do diploma e trabalhar no Brasil.

Lucirio Gonçalves de Morais enfrentou baixas temperaturas na Rússia (Foto: Arquivo pessoal)

Lucirio Gonçalves de Morais enfrentou baixas
temperaturas na Rússia (Foto: Arquivo pessoal)

‘Vi a Rússia como oportunidade’

Lucirio Gonçalves de Morais, de 25 anos, é de São Paulo, e estuda medicina na Rússia há 7 anos. O jovem diz que sempre teve o sonho de estudar em outro o país e viu a Rússia como oportunidade. No início, sofreu um pouco com as diferenças.

“O clima e o idioma foram as principais dificuldades e depois os costumes e a diversidade de cultura por conviver com pessoas de diferentes países. O grande desafio foi ficar longe da minha família, porém eles sempre me apoiaram”, afirma.

Lucirio diz que na universidade fez amigos no mundo todo e é vizinho de moradores de vários países como Uzbequistão, Cazaquistão, Malásia e Índia. “Acabamos convivendo juntos, criei fortes amizades e hoje somos como uma família. A Rússia é um país de fortes raízes culturais e históricas, é comum hoje em dia as pessoas contarem histórias de suas famílias, o quanto sofreram na guerra e como era suas vidas na antiga União Soviética.”

A música clássica também o ajudou no processo de adaptação. “Comecei a participar de orquestras, tocar em teatros e aprender técnicas que me aperfeiçoaram, e me ajudaram a se relacionar mais com os russos.”

Marcelo Goyos no centro cirúrgico da faculdade no Brasil onde estudou quatro anos (Foto: Arquivo pessoal)

Marcelo Goyos no centro cirúrgico da faculdade no
Brasil onde estudou quatro anos
(Foto: Arquivo pessoal)

Embarque recente

Enquanto Diego e Lucirio estão prestes a concluir sua temporada na Rússia, tem brasileiro no caminho inverso. Marcelo Seiler Pinheiro Goyos, de 24 anos, deixou a casa da família em São Paulo há uma semana, para estudar na Universidade de Kursk, na Rússia nos próximos seis anos.

Marcelo cursou quatro anos de medicina em uma universidade particular de São Paulo, mas queria ter a experiência de estudar fora do Brasil. Trancou a faculdade no ano passado e agora parte para recomeçar o curso do zero. “Eu até conseguiria aproveitar o currículo, mas há muitos termos médicos que crescem a cada ano. Eu poderia ter dificuldade mais para frente do curso por conta dos termos.”

Entre julho e setembro, o brasileiro vai fazer um curso preparatório de inglês e russo. Em setembro, inicia as aulas na universidade. Marcelo nunca foi para a Europa, mas acha que não terá dificuldade de adaptação. “Eu já moro sozinho, isso não me preocupa. Vou chegar no verão, vou conseguir pegar a mudança para o inverno aos poucos, comprar as roupas certas. Com a comida, não haverá problemas também, me adapto fácil.” A maior saudade será da irmã de 2 anos.

“Foi uma decisão muito difícil, mas agora estou animado. Me dediquei a esse projeto. Meu pai e meus tios são médicos e medicina é minha paixão”, diz o brasileiro que já planeja fazer a residência fora do Brasil também. Se for em cirurgia plástica será na França, se for em cirurgia vascular, na Alemanha.

1Exame de validação reprova 92%

Os Estados Unidos, país preferido dos brasileiros para estudos no exterior, não oferecem medicina como faculdade, somente em nível de pós-graduação. Bolívia, Cuba, Espanha e Argentina são outros países buscados por brasileiros que querem se tornar médicos, segundo dados do Inep, órgão do Ministério da Educação, que aplica o Revalida, prova obrigatória para validar no Brasil o diploma de medicina emitido no exterior.

Esta validação pode ser um empecilho para os brasileiros que optam por estudar medicina fora do Brasil, mas querem atuar em seu país de origem. Para conseguir a permissão, os formados precisam fazer o exame aplicado pelo Inep, cujo índice de reprovação beira a casa dos 92%. Em 2011, dos 393 inscritos, só 31 foram aprovados. No ano passado, 42 de um universo de 560, passaram (veja tabela acima).

Se por um lado, o Revalida pode ser um problema, por outro, fazer medicina na Rússia, por exemplo, tem vantagens como uma seleção muito menos rigorosa do que a brasileira e um custo bem menor, se comparado ao de uma universidade particular. Por semestre, segundo Carolina Perecini, diretora da Aliança Russa, o aluno gasta, em média, com o curso de medicina russo, R$ 5.500, com as despesas de mensalidade, moradia e plano de saúde. O valor chega a ser o equivalente ao de um mês no Brasil.

A seleção, menos rigorosa, funciona assim: a Aliança Russa faz uma primeira triagem por meio de uma entrevista com o candidato e seus pais para avaliar as condições emocionais. “Falamos da realidade que ele vai encontrar lá, pois tem de sair daqui pronto para morar fora, se virar sozinho. Além do mais, o curso é bem puxado. Tem aula teórica, prova oral, trabalhos e todas as aulas perdidas têm de ser repostas”, afirma Carolina. Segundo ela, cerca de 40% dos candidatos são eliminados nesta primeira etapa.

Se aprovado na entrevista, o estudante deixa o Brasil com a vaga garantida na Rússia, mas para ocupá-la de fato precisa ser aprovado em provas de química, física e biologia. As aulas são em inglês e quem não tem fluência no idioma pode fazer um curso preparatório de três, seis ou nove meses, antes de iniciar as aulas na universidade.

Quem se forma na Rússia recebe o diploma europeu, por conta do Tratado de Bolonha, e o custo é bem menor do que em universidades da Inglaterra ou França, segundo a diretora da Aliança Russa. Por causa do tratado, vários países da comunidade europeia têm carga horária e o currículo padronizados no ensino superior.

Calouros da USP fazem limpeza em asilo de São Carlos em trote solidário

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Fabio Rodrigues, no G1

Cerca de 500 estudantes realizaram trabalho voluntário em seis instituições.
Ação visa integrar alunos e aproximá-los dos problemas sociais da cidade.

Calouros realizaram limpeza e organizaram os barracões do asilo durante trote (Foto: Fabio Rodrigues/G1)

Calouros realizaram limpeza e organizaram os barracões do asilo durante trote (Foto: Fabio Rodrigues/G1)

Calouros da USP de São Carlos (SP) dedicaram algumas horas do dia nesta quinta-feira (28) para participar do trote solidário, cujo objetivo é integrar os alunos e realizar um trabalho voluntário. As atividades reuniram cerca de 500 estudantes, que foram distribuídos em seis instituições entre asilos, orfanatos e ONGs.

No asilo Cantinho Fraterno, na região central da cidade, aproximadamente 120 alunos trabalharam no local que abriga 45 moradores. Enquanto alguns calouros passaram um tempo conversando com os idosos, outros colocaram a mão na massa e arrumaram os barracões onde são guardadas as doações. Eles também removeram objetivos que não tinham mais serventia.

Assista ao vídeo aqui.

“Para nós essa ajuda é muito gratificante porque tudo isso é revertido aos idosos. É importante manter o ambiente limpo e agradável, já que aqui é a casa deles”, disse a assistente social do asilo, Juliana Fávaro Costa, de 28 anos.

Os estudantes aproveitaram e limparam a horta, espaço essencial para manter a estrutura do asilo. “Ali eles plantam chá, verduras e legumes. A gente deu uma melhorada, carpindo, limpando e tirando madeiras”, contou o aluno do quinto ano de engenharia ambiental Lucas Beco, de 21 anos, diretor sócio-cultural do Centro Acadêmico Armando de Salles Oliveira (CAASO), órgão representativo dos estudantes do campus.

Para Lemuel Roberto, de 22 anos, estudante do quarto ano do curso de ciências da computação, a atividade vai além da integração entre todos. “Este é um momento que você ajuda quem mais precisa e com isso aprende a fazer certas coisas. É também uma oportunidade para os ‘bixos’ conhecerem os problemas da cidade”, disse ele, que também passou pela experiência quando saiu de Goiás para estudar na USP.

Estudante limparam horta que ajuda a alimentar os 45 idosos do asilo  (Foto: Fabio Rodrigues/G1)

Estudante limparam horta que ajuda a alimentar os 45 idosos do asilo (Foto: Fabio Rodrigues/G1)

Passeio no parque
Os calouros promoveram ainda uma tarde de passeio com a turma da Associação de Capacitação, Orientação e Desenvolvimento do Excepcional (Acorde). Uma atividade recreativa reuniu 18 alunos da entidade no Parque Ecológico de São Carlos. (mais…)

Pior escola de SP no Enem 2011 é chamada de “Aquilixo” por alunos; pais reclamam do ensino

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Escola da zona leste tira pior nota no Enem 2011 na capital paulistaEscola da zona leste tira pior nota no Enem 2011 na capital paulista

Thiago Varella, no UOL

Quem passa em frente à Escola Estadual Aquilino Ribeiro, em Guaianases, no extremo da zona leste de São Paulo, vê um prédio bonito, pintado e bem cuidado. Não parece que ali fica a escola com o pior desempenho entre as instituições de ensino da cidade no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2011, de acordo com dados divulgados na quinta-feira (22) pelo MEC (Ministério da Educação).

A E.E. Aquilino Ribeiro ficou com a pior nota entre todas as escolas da cidade de São Paulo. Vale dizer que o MEC levou em consideração apenas as instituições com mais de 50% de participação de alunos no Enem.

A média do colégio da zona leste, que teve 61,02% de participação dos alunos, foi de 438,35 pontos, contra os 737,15 pontos da melhor colocada no país, o Colégio Objetivo Integrado também da capital paulista.

“A direção dessa escola só liga para aparências. O colégio é muito bonito, com salas bem cuidadas, mas o ensino é fraco demais”, afirmou Maria Lúcia Calado da Silva, 55, moradora do bairro há 28 anos.

Em tom de gozação, muitos alunos que conversaram com a reportagem do UOL disseram chamar a escola de “Aquilixo”, apelido nada carinhoso confirmado pelo líder comunitário Geraldo de Sá.

A aluna Thais Vilharta, 17, estudante do 2º ano do ensino médio no período noturno, também não se surpreendeu com o desempenho ruim de sua escola.

“Era de se esperar. O ensino não é bom e há muita falta de respeito em sala de aula. Alunos e professores brigam muito. Há também muitas aulas vagas, já que os professores faltam muito”, reclama Thais. A jovem compara o ensino, já que pela manhã estuda nutrição em uma ETEC (escola técnica). A colocação ruim de sua escola no Enem não a assusta.

“Sinceramente, não fico muito preocupada com isso. Pretendo estudar biomedicina na faculdade e não acho que a colocação da minha escola vai influenciar isso”, disse a jovem que vai prestar o Enem no ano que vem.

Desinteresse

A mãe da garota também critica a escola. Valéria Vilharta, 32, conta que já se escondeu na classe da filha só para assistir a uma aula e avaliar o professor. Para ela, os alunos também têm sua parcela de culpa na qualidade do ensino.

“Se por um lado tem muito professor que não gosta do que faz, por outro existem muitos alunos desinteressados. Acho até que os professores têm medo de serem mais duros com os jovens”, falou. “No último dia de aula, a rua da escola fica um lixão. Os alunos saem da aula rasgando os cadernos e apostilhas e jogam as folhas no meio da rua. Fica tudo branco.”

Uma moradora da Cohab Jardim São Paulo, que fica em frente à escola, afirmou que, durante a noite, é comum ver alunos bebendo e fumando narguilé em frente ao portão principal. Além disso, carros estacionam e, com as portas abertas, tocam funks em volumes insuportáveis, segundo a mulher que não quis se identificar.

Faculdade pública não faz parte dos objetivos

Mesmo quem elogia o ensino da escola, admite que os alunos não se empenham. Henrique Gonella, 18, se formou no ano passado na E.E. Aquilino Ribeiro. Foram alunos de sua turma que prestaram o Enem que teve o resultado por escola divulgado na quinta.

No entanto, Gonella não fez a prova. Não foi por falta de ambição, já que o jovem, que trabalha como barman no centro da cidade, se matriculou para o curso de Administração na Uninove. Para o rapaz, o Enem faz parte de uma realidade distante aos moradores do seu bairro.

“A gente não se foca em Enem. Faculdades públicas, por exemplo, estão distantes de nós. Eu mesmo não fui nem ao menos correr atrás de uma bolsa de estudo. Acho isso tudo uma ilusão”, desabafou. Mesmo assim, Gonella elogiou a escola e se mostrou surpreso pelo mau desempenho no Enem.

A mesma opinião tem a professora de Química Eliane Barbosa. Para ela, o ensino é bom. Ou, pelo menos, não é diferente daquilo que é apresentado por outras escolas públicas de São Paulo. A escola é bem estruturada e limpa. Mas os alunos não se empenham o suficiente.

“Eles são jovens e muito desmotivados. É difícil morar em uma região como essa. Eles não veem a faculdade como um futuro viável para a vida deles”, explicou.

Uma funcionária da direção da escola que não quis se identificar admitiu que os professores não conseguem terminar o conteúdo programado para o ano letivo. “O Enem está fora da nossa realidade. Aliás, o que ensinamos aqui não cai nessa prova”, disse.

Carência

A última colocação da E.E. Aquilino Ribeiro entre todas as escolas paulistanas é algo que envergonha uma região carente da ação do poder público, segundo o líder comunitário Sá.

“Aqui em Guaianases falta tudo. Moradia, saneamento básico e educação de qualidade são problemas sérios. A alguns quarteirões daqui, 130 famílias moram em uma área de risco. Em outro canto do bairro, famílias sofrem com enchente toda vez que chove por causa de um córrego mal canalizado. Todo esse pessoal tem criança estudando na escola aqui do bairro”, explicou.

Outro lado

Procurada pelo UOL, a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo afirma que não é possível mapear quais foram os alunos que participaram do exame, se eram concluintes do ensino médio ou não.

Em relação à reclamação dos pais e alunos quanto à falta de professores, a secretaria afirma que o quadro docente da escola está completo, com faltas pontuais. Além disso, a instituição conta com três instituições eventuais. A secretaria afirma ainda que a diretora da unidade está há dez anos no cargo e que não há reclamações de pais sobre sua atuação na diretoria de ensino.

Segundo o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas), não há possibilidade de estar na conta alunos de outros anos que tenham feito o Enem como treineiros, já que as planilhas consideram, somente, os estudantes concluintes.

fotos: Shin Shikuma/UOL

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