Drika, no Por essas Páginas

A_BIBLIOTECARIA_DE_AUSCHWITZUma garota de 14 anos. Um professor. Oito livros. Esperança. Em plena Segunda Guerra Mundial, no maior e mais cruel campo de concentração nazista, cerca de quinhentas crianças convivem todos os dias com a morte e com o sofrimento. No pavilhão 31, de vez em quando uma janela é aberta para férias. Obra de Fred Hirsch, o professor que consegue convencer os alemães a deixa-lo entreter as crianças. Desta forma, garante ele aos nazistas, seus pais – judeus – trabalhariam bem melhor. Os alemães concordam, mas com uma condição: seria terminantemente proibido o ensino de qualquer conteúdo escolar no local.
Mal sabiam eles o que a jovem Dita guardava na barra da saia: livros.
Baseado na história real de Dita Dorachova, A bibliotecária de Auschwitz é o registro de uma época triste da história, mas também o relato de pessoas corajosas que não se renderam ao terror e se mantiveram firmes na luta por uma vida melhor, munindo-se de livros. (Fonte)

Este foi meu último livro lido de 2014. A Lucy o recebeu em um dos Encontros de Blogs de Letras e achou que seria a minha cara – e ela acertou! E apesar da tristeza que traz em suas páginas, também traz uma história de perseverança de um jovem alemão judeu, Fredy Hirsch, e de uma menina de apenas 14 anos que aceita uma responsabilidade que pode custar sua vida, em Auschwitz, um dos campos de concentração mais conhecidos na época da 2a. Guerra.

Segundo o próprio autor “esta narração foi construída com materiais reais, que se uniram nas páginas com uma argamassa de ficção”.

Para nós, livrólatras, não é difícil entender porque Dita aceita a tarefa tão perigosa de se tornar a bibliotecária do bloco 31.

Fredy Hirsch, e mais tarde Dita e sua família, foram transferidos do campo de Terezín, uma cidade cercada na atual República Tcheca que foi utilizada como campo de concentração na 2a. Guerra, para Auschwitz-Birkenau, na Polônia. Ali havia o campo familiar, onde, diferentemente dos outros campos de concentração, poderiam ser encontrados idosos e crianças. Neste campo familiar o bloco 31 servia para abrigar um espaço para as crianças, onde elas poderiam ser entretidas com jogos e brincadeiras, mas qualquer conteúdo escolar e livros estavam proibidos.

Fredy era um jovem extremamente dedicado, que após a morte de seu pai encontrou consolo no JPD, a versão judaica e alemã dos escoteiros, e que por isso dedicou sua vida aos jovens. Ao reencontrar Dita em Auschwitz lhe oferece o cargo de bibliotecária do bloco 31. Mas esta não é uma tarefa nada fácil, considerando que quem fosse encontrado com livros certamente seria executado. Mas a menina aceita e se dedica de todo coração à tarefa.

Sua biblioteca continha apenas 8 livros, entre eles um em russo e um em francês, os quais as crianças e a maioria dos professores não poderiam ler por causa do idioma. Mesmo assim, eram tratados com o mesmo cuidado. Escondidos diariamente sob tábuas soltas do quarto de Fred Hirsch, o único “morador” do bloco 31. Depois de uma inspeção de surpresa, na qual Dita quase foi pega com os livros, ela tem a ideia de fazer bolsos sob a saia para esconder os livros em caso de emergência.

O livro se desenrola mostrando como era a vida ali no campo familiar. Até que o grupo que completava 6 meses de sua chegada ao campo foi transferido para o campo de quarentena, e dali, certamente, iria para a morte.

Depois disso, mais próximo ao fim da guerra, Dita e sua mãe, Liesl, são transferidas para Bergen-Belsen, outro campo de concentração, na Alemanha, onde morreram Anne Frank e sua irmã, Margot, em março de 1945, pouco antes da libertação do campo em 15 abril de 1945. Ali elas foram deixadas à própria sorte com a comida cada vez mais escassa, aglomeradas em barracões infestados de doenças, pulgas e piolhos, sendo obrigadas, por vezes, a carregar os corpos das colegas mortas até a vala comum. Esta situação quase fez com que Dita desistisse de lutar pela vida e simplesmente esperasse a morte chegar. Mas, então, chegaram tropas inglesas que libertaram o campo.

Achei interessante a Etapa Final, onde o autor nos apresenta algumas informações a respeito da pesquisa realizada para o romance, e o Anexo, que nos mostra o que aconteceu com alguns personagens verídicos da história.

É um livro por vezes chocante e, também, tocante. Um livro que trata de um episódio tão triste da história da humanidade, mas que traz o valor de se defender aquilo em que se acredita, aquilo que se ama. Um livro com um final feliz, apesar do desenrolar amargo.

Costumo dizer que não gosto muito de finais felizes, mas neste caso, nada mais justo!

Dei quatro estrelas na avaliação. E você pode se perguntar: “Mas o livro não é ótimo?” É sim. Mereceria as 5 estrelinhas, mas infelizmente alguns erros de revisão e um erro terrível de tradução atrapalharam minha leitura.

Ficha Técnica
Título: A Bibliotecária de Auschwitz
Autor: Antonio G. Iturbe
Páginas: 366
Editora: Agir
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