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’50 Tons’ para homens: editoras agora investem no ‘daddy porn’

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Bruno Astuto, na Revista Época

O mercado está desesperado para encontrar uma “resposta” ao fenômeno 50 Tons de Cinza. A palavra de ordem nas editoras inglesas é descobrir quem será o próximo ou a próxima E.L. James com seus milhões e milhões de livros eróticos vendidos em todo o mundo. Uma autora contou recentemente a um tabloide que desistiu de oferecer seu romance infanto-juvenil, meio magia à la Harry Potter, meio vampiresco à la Crepúsculo, porque estava cansada de lhe “bateram a porta na cara”. Segundo ela, os editores avisavam que a prioridade agora eram os romances adultos, de cunho erótico, os chamados ‘mummy porn’.

É interessante essa evolução dos fenômenos editoriais nos últimos anos. As cifras espetaculares começaram com Dan Brown e seu Código da Vinci, uma ficção policialesca que tentava decifrar e dessacralizar os dogmas cristãos, evidenciando a religião como instrumento de controle. Em seguida, como se tivéssemos nascido de novo, veio Harry Potter e seu mundo mágico de bruxaria. Um menino bem ao estilo Avenida Brasil; educado durante toda a adolescência para vingar a morte dos pais pelo feiticeiro malvado, alternando momentos de inocência dignos de Rita/Nina e o caráter duvidoso de Carminha. Seguiu-se a saga Crepúsculo, com seus vampiros, lobos e zumbis açucarados e apaixonados, que freavam os ímpetos de morder o pescoço alheio em nome do coração. E foi a partir dela que E.L. James cunhou seus 50 Tons de Cinza, soltando, na base do chicote, a franga e a repressão sexual.

Durante o império do Código, muitos tentaram — sem sucesso — criar fábulas de mistérios religiosos almejando as listas dos livros mais vendidos. Enquanto Harry Potter voava em sua vassoura, nenhum outro herói infantil conseguiu roubar-lhe a vedete. Aberrações vampirescas também sobravam, empoeiradas, nas livrarias ao passo que as sequências de Crepúsculo desapareciam delas. De onde se deduz que a febre sadomasô de 50 Tons também tende a morrer com ele.

Mas há os que ainda tentam, caso da reedição da trilogia The Hand Reared Boy, de Brian W. Adliss. Para quem não conhece os livros, eles foram os 50 tons de toda uma geração de garotos sexualmente reprimidos do início dos anos 70. Trata-se da saga de um menino, Horatio Stubbs, durante a descoberta de sua sexualidade. A editora alardeia o relançamento como a “resposta masculina à trilogia de E.L. James”. O herói passa boa parte do tempo se masturbando, procurando mulheres em série, comendo o mundo inteiro. Até que vai para a guerra, perde as ilusões da juventude e se torna um homem mais consciente – embora não menos tarado. Tudo é descrito à maneira crua masculina, sem o requinte ou a frieza de Christian Grey, herói de 50 Tons. Horatio é um homem como todos os outros, que tenta, até o último momento, alimentar o garoto que existe dentro de si.

Nos 50 Tons, a protagonista encontra o amor à sua maneira; em The Hand Reared Boy, Horatio é até um pouco patético em suas desventuras sexuais. Ele não é sexy, não é um herói do coito. Na verdade, desperta até uma certa piedade diante de seu drama para levar as mulheres para a cama. É o anti-herói erótico, que se parece com a maioria dos homens da vida real. Talvez, por isso, os leitores masculinos possam até se identificar com ele.

Mas o mundo mudou, e não estamos mais no início dos anos 70 quando os garotos tinham que bolar peripécias para ver a vizinha pelada ou conseguir uma revista masculina que aliviasse seus hormônios em ebulição. O sexo está hoje escancarado em toda parte; nas novelas, nos filmes, nos comerciais e, sobretudo, na Internet. Garotos que sonhavam com os seios das atrizes de cinema hoje os encontram com uma banalidade frugal. As divas sexuais não estão trancadas nos dancings ou nos teatros de revista; elas estão, de biquíni, nos reality-shows da TV, rebolando o enorme patrimônio calipígio para todas as idades.

Muito mais excitáveis por estímulos visuais do que por palavras da literatura erótica, qualquer homem hoje em dia achará The Hand Reared Boy um conto de Chapeuzinho Vermelho. Não haverá, portanto, um ‘50 tons’ masculino ou um ‘daddy porn’. Você, aliás, conhece um único homem que tenha gostado do livro? A imaginação sexual dos adolescentes morre quando eles descobrem a senha do pay-per-view do pai ou encontram no YouTube o banho caudaloso de Viviane Araújo na Fazenda. Por isso, quem sabe, Christian Grey esteja fazendo tanto sucesso com as mulheres. Ele sabe manipular o Viagra que mais funciona com elas: a fantasia.

E.L. James diz que sua trilogia erótica ajuda as jovens a escolher melhor os parceiros

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SUCESSO
A autora inglesa E.L. James, de 49 anos, em Londres, em maio. Sua trilogia, Cinquenta tons de cinza, vendeu 40 milhões de exemplares em quatro meses. O segundo volume chega ao Brasil (Foto: Bohdan Cap/Contour/Getty Images)

Luis Antonio Giron, na Revista Época

Meio-dia, soa o Big Ben. É uma sexta-feira quente de verão. Estou numa sala no 1º andar da agência literária Valerie Hoskins, no centro de Londres. De repente, uma moça vestida com uma calça âmbar aparece na outra sala, agacha-se para verificar se seu laptop branco está carregando, vira-se, olha, sorri e me acena. Sim, é ela: espevitada, jovial, roliça e… ouso dizer… sensual. Erika Leonard James, ou E.L. James, aparenta menos que seus 49 anos. Parece ter 30 e poucos. É mais bonita que nas fotos.

Erika – ela concede que eu a chame assim – diz que ainda pode andar pelas ruas de sua cidade sem ser assediada. “Acho bom ter vida normal”, afirma. “Não me interessa essa coisa de celebridade. É tudo o que não quero.” É uma questão de tempo para que comece a causar tumulto nas ruas. E.L. James ostenta hoje o título de maior sucesso de vendas mundial com sua trilogia de romances eróticos Cinquenta tons de cinza. A história está em adaptação para o cinema, com sua supervisão. Deve reprisar o furor da saga Crepúsculo – em cujo enredo Erika se inspirou para contar a iniciação sexual da jovem Anastasia Steele pelo bilionário Christian Grey, em sessões de sadomasoquismo embaladas por música erudita. De abril até hoje, 40 milhões de volumes da série erótica foram vendidos no mundo todo. No Brasil, o primeiro volume, que dá nome à trilogia, atingiu os 300 mil exemplares e 10 mil e-books vendidos. O segundo, Cinquenta tons mais escuros (Intrínseca, 512 páginas, R$ 39,90; e-book: R$ 24,90), chega ao Brasil com uma tiragem de 350 mil cópias. Os americanos apelidaram a saga de “pornô da mamãe”, porque as cenas são tão picantes como o vocabulário para descrevê-las soa respeitável e sem palavrões.

“Evitei o palavreado grosseiro típico da literatura pornô, até porque fica mais excitante quando você descreve as cenas de sexo em bom estilo”, diz. Ao contrário do que eu poderia prever, Erika se mostra mais “pornô” do que “mamãe” ao longo de nossa conversa. Bem-humorada e despretensiosa, não se furta de falar abertamente sobre sexo e vida literária. Ela afirma que jamais contava com o sucesso. “Meu único sonho era ver um dia meu livro numa vitrine de livraria”, diz. “Tudo começou com um grupo de fan fiction de Crepúsculo. O primeiro livro saiu em e-book, só depois interessou a uma editora.” As redes sociais ajudaram. “Sou louca por Twitter, e isso criou curiosidade. Mas o que valeu foi o boca a boca.”

Erika trabalhava havia dezenas de anos como produtora executiva na área de direitos autorais de uma emissora de televisão, quando entrou para o grupo de fan fiction, que escreve variações das obras que admira. A proposta do grupo era criar uma história de amor ambientada nos Estados Unidos. Foi assim que Erika, fã de autoras de best-sellers como Stephenie Meyer e Norah Roberts (jamais leu Sade nem Anaïs Nin), procurou no Google dados sobre Seattle e Portland, onde se passa o livro. São cidades que ela só conhecerá em outubro. “Meu livro mistura Google e fantasia”, afirma. “Queria realizar minhas fantasias sexuais no texto. Não imaginava que tantas mulheres tinham os mesmos desejos.” Diz que leitoras de 15 a 80 anos lhe pedem conselhos. “Os homens agora me procuram. Adoram ler porque esclareço dúvidas deles sobre sexualidade feminina.”

Uma das lendas sobre Erika foi a reação dos filhos, dois meninos de 15 e 17 anos. Segundo jornais ingleses, eles ficaram com vergonha por causa do livro. “Eles me disseram que acham ‘bacana’ a mãe deles fazer livros eróticos. Na escola, os colegas passaram a admirá-los.” Segundo ela, seu marido, o autor de séries de TV Naill Leonard, ficou orgulhoso. “Ele me ajudou a montar a estrutura do livro e se animou para estrear no romance.” Diz que os dois levam uma vida amorosa discreta, o que não significa que não façam o que ela narra no livro. “Não interessa a ninguém o que as pessoas fazem na cama”, diz, piscando um olho.

Ela não se importa com a reação dos conservadores que a acusam de desencaminhar jovens. Nem das feministas que apontam a trilogia como reforço ao machismo. Erika não vê problema em incitar as jovens (adultas) a práticas de perversão sexual. “Espero que as meninas escolham melhor seus parceiros com o livro. Sobre o sadomasoquismo, ele pode ser saudável se as partes envolvidas estiverem de acordo, se o ambiente for controlado e seguro.” Quanto às feministas, ela começa a rir: “Elas não leram o livro. Acham que Anastasia é passiva. Ela é que domina aos poucos. Ela é virgem de corpo, mas
Christian é virgem de alma”.

Justin Bieber diz ter sido sondado para estrelar ‘Cinquenta Tons de Cinza’ no cinema

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O ídolo teen Justin Bieber (Jason Merritt/Getty Images)


Publicado originalmente na Veja.com

Justin Bieber daria um ótimo protagonista do romance sexual, com pitadas de sadomaquismo, Cinquenta Tons de Cinza em adaptação para o cinema – ao menos é nisso que ele acredita. Em entrevista a um programa de TV britânico, o astro disse ter sido sondado para o papel de Christian Grey, o milionário conquistador do romance de E. L. James. “Minhas fãs querem me ver no filme”, disse no programa de Jonathan Ross na ITV nesta sexta-feira, segundo o site NME.

Os direitos do best-seller foram adquiridos pelos estúdios Universal em março, mas a produção ainda não tem direção, elenco e nem previsão do início das filmagens. Ou seja: Bieber ainda tem bastante tempo para treinar seu lado sedutor com a namorada Selena Gomes.

Apelidado de “pornô para mamães”, Cinquenta Tons de Cinza é o primeiro livro da trilogia escrita pela britânica E. L. James sobre o relacionamento sexual de Christian Grey e a estudante de jornalismo Anastasia Steele. Virgem, a garota se submete aos jogos de sedução sadomasoquistas de Christian Grey, que a ensina a prática sexual e avalia seu desempenho na cama.

E.L. James: ‘Há sexo selvagem. Mulheres gostam de ler sobre isso’

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E L James. Depois de sacudir o mercado editorial, inglesa procura roteirista para o filme da saga
Divulgação

Publicado originalmente no O Globo

Uma mulher risonha, simpática, que responde às perguntas mais escabrosas sobre sadomasoquismo com um misto de vergonha e orgulho. Essa é Erika Leonard, mais conhecida como E L James, autora da trilogia “Cinquenta tons”, que vem turbinando as vendas editoriais no mundo. Só no Brasil, foram 260 mil exemplares de “Cinquenta tons de cinza” em apenas 40 dias. Neste fim de semana, chega às livrarias o segundo volume, “Cinquenta tons mais escuros”. A criadora de Anastasia Steele e Christian Grey fala aqui sobre a concepção da obra, seus personagens, a adaptação para o cinema, sua vida conjugal, e, claro, sexo.

Por que a trilogia fez tanto sucesso?

É uma história de amor apaixonante, um conto de fadas. É narrada na primeira pessoa, você vive o que Ana está experimentando. Há sexo selvagem. Mulheres certamente gostam de ler sobre isso. E também porque uso uma linguagem que não assusta as pessoas.

As situações narradas são factíveis na vida real?

É tudo fantasia. Christian e seu estilo de vida. Ele é incrivelmente rico, realizado, excepcional dentro e fora da cama, um mistério. Você tem uma ideia do que está acontecendo com ele, mas não sabe ao certo. Acho que as mulheres estão conscientes disso. É como ver um filme. É como aceitar Hogwarts (a escola de mágicos de “Harry Potter”). E depois, você volta para o mundo real.

Então Christian é uma versão moderna do príncipe encantado?

Levando em conta que é uma história romântica, com paixão e amor, então, sim, ele é um príncipe. Ele é o tipo de pessoa que quando decide fazer algo, faz bem. Mas eu acho que ser igual a ele… seria bem cansativo.

Você acha que os seus livros agradam tanto aos homens quanto às mulheres?

Eu escrevi o livro para mim mesma, usando as fantasias que estavam perdidas na minha cabeça. Então fico bastante desconfortável com a ideia de que os homens estão lendo o livro, porque mostra a maneira como a minha mente funciona. Mas eu recebi uma mensagem de um senhor de 71 anos que disse: “Obrigado por essa alegria, é como me apaixonar novamente”. Foi adorável. E ainda um cara chamado “Gorgeous days” no Twitter me perguntou: “Por que Christian Grey gosta só de mulheres?” (risos).

Há uma justificativa moral no livro para a prática do BDSM (sigla para Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo)?

Christian está perdido, e sua vida é levada para isso. Mas isso não quer dizer que quem pratica BDSM tem um passado tortuoso, de maneira alguma. Eu acho que, se há uma relação segura e consensual, ótimo. O que acontece na cama, pela casa ou em qualquer lugar, é da conta de cada um, não tenho nada com isso. Esse comportamento de Christian funciona para essa história. Eu não tinha ideia de aonde eu iria chegar quando comecei a escrever. Apenas que o BDSM seria o pano de fundo.

Por quê?

É incrivelmente sexy. E eu fiquei imaginando: como seria encontrar alguém que vivesse nesse estilo de vida?

Por que quase não há personagens confiantes no livro?

Alguém confiante talvez não rendesse uma história (risos). Pessoalmente não acho o tipo confiante muito interessante. Eu prefiro refletir sobre mim mesma — e talvez eu esteja revelando demais.

Como está a adaptação para o cinema?

Nós visitamos todos os estúdios, com a exceção da Disney (risos). A Universal aceitou fazer o filme do nosso jeito. E, enquanto procurávamos produtores, nós nos encontramos com Michael De Luca, que fez um trabalho extraordinário com “A rede social”. Estamos agora procurando por um roteirista…

E então você disse: “meu marido” (o roteirista e escritor Niall Leonard)?

Na verdade eu gostaria que um americano escrevesse o roteiro, porque sendo britânica, eu tenho muito o jeito daqui de me expressar. E eu quero manter o meu casamento (risos). Porque, se trabalharmos juntos, podemos ficar loucos. E o filme está nesse ponto, até o momento.

Nada de elenco?

Há muitos rumores. A especulação é simplesmente ridícula.

Você menciona aspectos brasileiros como o samba, Carmen Miranda, que não é brasileira, mas é bem associada ao Brasil, e Villa-Lobos. Por quê?

Minha mãe é chilena, e eu cresci com muita música brasileira, Astrud Gilberto, Villa-Lobos, todos os clássicos, como “Corcovado”, “Manhã de carnaval”. São obras lindas. Eu amo bossa nova. É parte do meu DNA.

Como é ser a responsável pela onda de livros eróticos?

Eu acho extraordinário. Mulheres gostam de livros de sexo. Preferem ler isso do que ver pessoas transando em uma tela.

Como foi escrever as cenas de sexo?

Eu acho que nunca mais vou escrever um livro assim de novo (risos). É realmente difícil para não ficar brega. A coreografia é muito importante. Além do sentido, saber para onde aquilo está se direcionando… Você não pode se esquecer de nada. Onde eu coloco aquela mão? O engraçado é que, enquanto eu escrevia, eu gritava para o meu marido: “Será que a gente pode tentar… sua mão… ali… assim…?” (risos). Nós pesquisamos bastante (gargalhadas).

Depois de ’50 tons de Cinza’, mais pessoas estão interessadas em sadomasoquismo

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Publicado originalmente no Fórmula do Amor

Uma pesquisa feita pelo site YouPorn (caso você não conheça, é um YouTube só de vídeos, como o nome diz, pornôs) revela que, depois do lançamento da série “50 tons de Cinza“, as buscas por vídeos com conteúdo sadomasoquista aumentaram 67%.

Caso você não saiba, os livros, que tem como estrelas Christian Grey e Anastasia Steele, são chamados de ‘pornô para mamães’, pelo seu conteúdo erótico e por sua popularidade entre mulheres de meia idade – aliás, estou pensando em resenhar a série aqui para o blog, o que vocês acham? O casal principal ficou conhecido por práticas S&M, como dominação, bondage e sadismo, entre outras.

E, cada termo individual relacionado ao S&M, teve um enorme crescimento nas buscas no YouPorn. Confira a tabelinha:

Agora eu quero saber: alguém aí já leu o livro? Qual é sua opinião? Depois da leitura, desejos diferentes surgiram? – não precisa comentar com seu nome verdadeiro.

 

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