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Posts tagged A Bibliotecária de Auschwitz

7 Livros que não podem faltar no seu Clube do Livro

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BookClub

Fabio Mourão, no Dito pelo Maldito

Escolher um livro para ser lido pelo seu Clube do Livro pode acabar sendo algo bem angustiante para alguns. Optar por aquela nova obra irresistível que acabou de entrar pra lista dos mais vendidos, ou fazer uma sessão vintage ressuscitando alguns clássicos? Estipular um limite de páginas levando em conta a capacidade de leitura de cada membro, ou selecionar aquele grosso volume que você está ansioso para ler faz tempo, mesmo correndo o risco dos outros não acompanharem o seu ritmo?
Para que estes momentos não te causem mais esse tipo de aflição, sugerimos que considere as dicas abaixo para compor a leitura do seu Clube do Livro na próxima reunião do grupo. E boa Leitura!!!

✔ A Casa Redonda, de Louise Erdrich

A Casa Redonda, de Louise Erdrich
Num domingo em 1988, Joe Curtis, um menino de 13 anos, descobre que sua mãe foi vítima de um crime brutal na reserva indígena em que vivem, em Dakota do Norte.
Ela fica traumatizada após o ataque e, com medo, se refugia em seu quarto, onde se recusa a falar sobre o que aconteceu. O pai de Joe, um juiz tribal, se empenha em descobrir e processar o criminoso, apesar de todos os problemas legais para fazê-lo.
Ao lado de seus melhores amigos, Joe se coloca então em busca de pistas que os levem até o criminoso, esperando, assim, retomar sua antiga vida. Mas as descobertas o levarão a um caminho perigoso, e Joe, que está apenas descobrindo o mundo, será obrigado a lidar com difíceis questões morais e emocionais. A Casa Redonda é um romance sensível, ao mesmo tempo uma história de mistério e arrependimento, que coloca Louise Erdrich entre as grandes narradoras da literatura norte-americana atual.

 

✔ A Noiva do Tigre, de Téa Obreht

A Noiva do Tigre, de Téa Obreht
Tomada pela dor da misteriosa morte do avô, a jovem médica Natalia, em missão de paz em um país da península Balcânica, relembra as mágicas histórias contadas por ele em sua infância. Narrativas que antes eram apenas fantasia despontam agora como pistas para ajudá-la a encontrar respostas que justifiquem sua recente perda.
Porém, aos poucos, enquanto Natalia precisa enfrentar antigas superstições e segredos para salvar as crianças do vilarejo onde se encontra em missão, ela descobre sozinha a história mais fantástica – e jamais contada – do avô. Em uma brilhante mistura de mitos, perda e amor, Téa Obreht presenteia o leitor com um romance atemporal, que a coloca como uma das mais vibrantes e originais autoras de sua geração.

 

✔ Uma Constelação de Fenômenos Vitais, de Anthony Marra

Uma Constelação de Fenômenos Vitais, de Anthony Marra
Em uma vila na Chechênia, Havaa, de 8 anos, observa seu pai ser levado no meio da noite por soldados russos que o acusam de colaborar com rebeldes chechenos. Do outro lado da rua, Akhmed, um amigo da família, vê a cena e teme pelo pior quando os soldados ateiam fogo à casa da menina. Ao encontrar Havaa escondida na floresta, Akhmed decide buscar refúgio num hospital abandonado onde a única médica remanescente, Sonja, trata os feridos – uma decisão que irá mudar a vida dos três para sempre.
Para a talentosa e determinada Sonja, a chegada de Akhmed e Havaa não passa de uma surpresa inoportuna. Exausta e sobrecarregada, ela não deseja assumir ainda mais responsabilidades nem correr mais riscos. E há uma razão para sua cautela: abrigar aqueles refugiados pode ameaçar a busca por sua irmã desaparecida. Em cinco dias, porém, o mundo de Sonja será virado de cabeça para baixo e as complexas conexões entre esses companheiros improváveis serão reveladas.
Ao retratar o poder transcendente do amor em meio à guerra, Anthony Marra construiu um romance comovente sobre amizade, perda e os laços inesperados que as pessoas são capazes de construir.
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✔ Indesejadas, de Fredrika Bergman & Alex Recht

Indesejadas, de Fredrika Bergman & Alex Recht
Crimes brutais marcam um verão sueco. Suécia, meados de um verão chuvoso. O inspetor Alex Recht e sua equipe, auxiliada pela analista criminal Fredrika Bergman, começam a investigar o que parece ser um caso clássico de disputa familiar pela guarda de uma criança. No entanto, quando a menina é encontrada morta no extremo norte da Suécia, com a palavra “indesejada” escrita na testa, o caso se transforma rapidamente no pior pesadelo da equipe de investigadores.
Ohlsson sem dúvida vai se juntar a Jo Nesbø na maioria das listas de leitura obrigatória da literatura policial escandinava.
De escrita elegante e com um grupo de detetives extremamente humanos, a trama de Indesejadas entra no nosso inconsciente do jeito que só os bons thrillers são capazes.
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✔ O Último Mamífero do Martinelli, de Marcos Rey

O Último Mamífero do Martinelli, de Marcos Rey
O Último Mamífero do Martinelli é uma evolvente narrativa, que se passa na época da ditadura e tem como personagem principal um perseguido político. Ele encontra refúgio no Edifício Martinelli, o primeiro arranha-céu de São Paulo, então fechado para reformas. O homem se torna uma espécie de arqueólogo urbano ao vasculhar o prédio abandonado em busca de objetos que lhe rendam algum dinheiro para sobreviver.
No isolamento do antigo edifício, entre os vários objetos que encontra – uma máquina de escrever, algumas placas de velhos estabelecimentos, um buraco de bala, um piano, um bilhete cujo destinatário se perdeu –, o homem passa o tempo inventando histórias e recriando sua própria vida. Parece descobrir uma porta para o passado e, assim, aos poucos ficção e realidade se misturam numa empolgante narrativa de ação e mistério.

 

✔ Uma Vez na Vida, de Marianne Kavanagh

Uma Vez na Vida, de Marianne Kavanagh
Conheça Tess. Obcecada por roupas vintage, ela está sempre enrolada no emprego que detesta e em dúvida sobre seu namorado bonitão Dominic, que conheceu na universidade. Morando em um adorável apartamento com sua melhor amiga, Kirsty, ela poderia se considerar uma pessoa de sorte. Mas se sua vida é tão perfeita, por que ela se desfaz em lágrimas toda vez que pensa no futuro?
Conheça George. Um músico brilhante que divide seu tempo entre brigar com os companheiros de sua banda de jazz e se preocupar com o pai doente. Mas ele sabe que a vida não é só isso. Deve haver mais alguma coisa. Algo especial.
Tess e George são duas partes de um todo, almas gêmeas. Para a sorte deles, seus amigos em comum sabem que eles são feitos um para o outro. O problema é que eles não se conhecem e, sempre que a oportunidade aparece, a vida chacoalha os dois para longe.
E agora? Se todos têm uma alma gêmea, como o destino faz para uni-los?
Acompanhe a história divertida e apaixonante de Tess e George durante uma década de encontros malsucedidos, frustrações românticas e uma dúzia de recomeços. Uma vez na vida é uma comédia romântica moderna e inteligente sobre amizade, destino e oportunidades perdidas e reconquistadas!
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✔ A Bibliotecária de Auschwitz, de Antonio G. Iturbe

A Bibliotecária de Auschwitz, de Antonio G. Iturbe
Muitas histórias do horror e sofrimento testemunhados dentro dos campos de concentração nazistas são contadas e recontadas, já estão gravadas e arquivadas. É difícil, nesses relatos, encontrar atos de esperança e força diante de todo o mal registrado durante o Holocausto.
A Bibliotecária de Auschwitz é um livro diferente. É uma história verdadeira e cheia de detalhes a respeito de um professor judeu, Fredy Hirsh, que criou uma escola secreta dentro do bloco 31, no campo de concentração de Auschwitz, dedicando-se a lecionar para cerca de 500 crianças. Criou também uma biblioteca de poucos volumes com a ajuda de Dita Dorachova, uma menina judia de 14 anos que se arriscava para manter viva a esperança trazida pelo conhecimento e escondia os livros embaixo do vestido. É um registro de uma época sofrida da história, mas que também mostra a coragem de pessoas que não se renderam ao terror e se mantiveram firmes usando os livros como “arma”.

Resenha “A bibliotecária de Auschwitz”

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Fabio de Toledo Tonhosol, no Ler é mais

a bibliotecaria de auschwitz

Sinopse

Muitas histórias do horror e sofrimento testemunhados dentro dos campos de concentração nazistas são contadas e recontadas, já estão gravadas e arquivadas. É difícil, nesses relatos, encontrar atos de esperança e força diante de todo o mal registrado durante o Holocausto. A Bibliotecária de Auschwitz é um livro diferente. É uma história verdadeira e cheia de detalhes a respeito de um professor judeu, Fredy Hirsh, que criou uma escola secreta dentro do bloco 31, no campo de concentração de Auschwitz, dedicando-se a lecionar para cerca de 500 crianças. Criou também uma biblioteca de poucos volumes com a ajuda de Dita Dorachova, uma menina judia de 14 anos que se arriscava para manter viva a esperança trazida pelo conhecimento e escondia os livros embaixo do vestido. É um registro de uma época sofrida da História, mas que também mostra a coragem de pessoas que não se renderam ao terror e se mantiveram firmes usando os livros como “arma”.

dita kraus

Dita em sua juventude

Muito se fala sobre Auschwitz e a internet é recheada de documentos, livros, contos e qualquer outro material que possa interessar ao leitor. Por isso você pode estar se perguntando, o que este livro tem de diferente?

Antonio Iturbe não escreveu um documentário. Não é um livro de história explicando o que acontecia nos campos de concentração e quais as técnicas que os nazistas empregavam para matar. Também não é um conto que enaltece a libertação propagada pelas tropas aliadas, como é comum encontrar por ai. Tudo isso é abordado no livro, é claro, mas o mais importante para o autor foi contar a história vista de dentro, por personagens reais que vivenciaram na pele o dia-a-dia da maior máquina de matar que já existiu.

A escrita é simples e narrada pela visão de diversos personagens, mas a protagonista é Dita Dorachova, uma jovem Checa de 14 anos, residente de Auschwitz e uma garota de sorte. Sorte porque ela foi enviada para o Bloco 31, único bloco residencial do complexo, ou seja, ela tem sorte porque não morreu assim que colocou os pés em Auschwitz e como que por um milagre não foi direcionada para as câmaras de gás como centenas de milhares de outros jovens.

Com muitos detalhes sobre o campo e sobre a vida das pessoas que trabalhavam ou eram prisioneiras no inferno chamado Auschwitz, Iturbe escreveu um romance único, emocionante, tocante e por vezes chocante, privilegiado pelo contato com a própria protagonista do livro que ainda hoje vive em Israel.

crianças

Cena rara com crianças prisioneiras. A maior parte era
assassinada assim que chegava ao campo

Logo após chegar ao campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, Dita recebe uma tarefa bastante incomum para um local onde as pessoas não têm onde dormir, comer ou fazer suas necessidades. Ela tem o desafio de cuidar e administrar a biblioteca do Bloco 31, que constitui incríveis 8 livros impressos e mais alguns vivos, ou seja, narrados por pessoas que praticamente decoraram as obras.

Não só a biblioteca é algo quase sobrenatural quando pensamos nas precariedade do local, como também há uma escola, onde as 500 crianças do bloco tomam aulas utilizando esses poucos livros como apoio.

judeus hungaros

Milhares de judeus Húngaros chegando à Auschwitz.
Quase todos foram mortos no mesmo dia.

Dita assume sua tarefa como se o simples fato de cuidar de preciosidades de papel como seus livros fossem fazer com que a Alemanha perdesse a guerra. De certa forma, ela não está tão longe da verdade, pois ao menos neste bloco, os nazistas são derrotas diante da vontade e teimosia dos prisioneiros em continuar, em viver, em tentarem ser melhores sem se importar com as adversidades ou com a força do inimigo.

Em paralelo o autor nos presenteia com algumas outras histórias e alguns outros personagens, que entram e saem do livro. Essas histórias ajudam a moldar em nossa mente o cenário onde todo o drama da vida se passa, pois deixamos de conhecer somente o local como também as pessoas com quem nossa heroína conviveu.

De ponta a ponta acompanhamos Dita em sua jornada até a libertação. Suas dores, os dramas do dia a dia, fatos desconhecidos dos campos e suas pequenas, porém importantes vitórias contra o medo e a morte. Ela perdeu tudo, mas o tudo não basta, há de perder muito até que finalmente chegue a seus ouvidos frases ditas no idioma inglês, mas que no dia em que as ouviu, deve ter soado como trombetas de anjos.

dita kraus

Dita Kraus em evento que participou em 2007.

O que mais gostei no livro foi de Dita. Essa mulher não pode existir. Sua força e espírito são os de uma pessoa evoluída. E pensar que hoje essa heroína é uma simpática senhora que ainda luta para que o mundo não esqueça as atrocidades do holocausto, sem fraquejar, sem diminuir o ritmo, sem desistir. Foi um prazer conhecer Dita Kraus!

Não gostei de algumas ferramentas que o autor utilizou para dramatizar o livro. Não é nada demais, mas citar Anne Frank por exemplo foi desnecessário, um tentativa de comover e aumentar a dimensão do que foi Auschwitz nos lembrando de outra história triste no mesmo local. Porém, acho que isso é mais gosto pessoal do que qualquer outra coisa…

Antonio G. Iturbe

Antonio G. Iturbe

Trechinhos

:

“ – Inspeção – sussurra o Obersharfuhrer.
Os SS que o acompanham repetem sua ordem e a amplificam, até transformarem-na num grito que penetra os tímpanos dos prisioneiros. Dita, no grupo das garotinhas, sente um calafrio, aperta os braços contra o corpo e ouve os livros roçando em suas costelas. Se a pegarem com eles, será o fim de tudo.
– Não seria justo… – murmura.”

“A menina tinha o vínculo que une algumas pessoas aos livros. Uma cumplicidade que ele próprio não possuía, por ser ativo demais para se deixar fisgar por linhas e linhas de impressas em páginas. Fredy preferia a ação, o exercício, as canções, o discurso. . . Mas se deu conta de que Dita tinha essa empatia que faz com que certas pessoas transformem um punhado de folhas num mundo inteiro só para elas.”

“Seu pai está à sua espera, como toda segunda, quarta e sexta em que não chove, na lateral do barracão. Ali desdobra uma velha manta xadrez repleta de rasgos, mas que ele estende da maneira mais graciosa possível para que os dois se sentem. Essa é a escola de Dita. Quando ela chega, seu pai já trançou um mapa-múndi no barro com um pau. É custoso reconhecer o mundo desenhado na lama de Auschwitz.”

“Dita ergue a cabeça, e seu rosto, suas mãos e seu vestido ficam salpicados de minúsculos flocos cinzentos que se desfazem entre os dedos. As habitantes do bloco 31 saem para vr o que há.
– O que está acontecendo? – pergunta uma menina assustada.
– Não tenham medo – diz Miriam Edelstein. – São nossos amigos do transporte de setembro. Eles estão voltando.

Conclusão:

O tema pode ser meio batido para alguns, mas a humanidade jamais poderá esquecer os erros cometidos durante a segunda-guerra mundial e também as atrocidades cometidas logo após o término do conflito, das quais pouco se fala. Livros como esse nos ajudam a lembrar e a refletir sobre nossas ações, nos tornam melhores, mais humildes, mais humanos! Um livro lindo sobre uma vitória solitária em deserto de derrotas, um livro para ser lido!

Autor: Antonio G. Iturbe
Livro: A Bibliotecária de Auschwitz (La Bibliotecaria de Auschwitz)
Editora: Agir (Editorial Planeta)
http://www.ediouro.com.br/novo/
http://www.planetadelibros.com/editorial-editorial-planeta-8.html
Ano: 2014 (2012)
Páginas: 368

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