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Por que os suspenses psicológicos com protagonistas femininas estão em alta?

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Karin Slaughter e Paula Hawkins, autoras dos best-sellers “Flores Partidas” e “A Garota no Trem” Imagem: Divulgação

Renata Nogueira, no UOL

Karin Slaughter e Paula Hawkins, autoras dos mais vendidos suspenses psicológicos com protagonistas femininas da atualidade, vieram ao Brasil pela primeira vez para participar da Bienal do Livro do Rio, que se encerrou no domingo. Simultaneamente à visita das estrangeiras que revelam em seus livros o abuso físico e emocional vivido por personagens mulheres, o país se indignava com casos reais de abuso sexual dentro de ônibus e aplicativos de transporte. Apesar de curiosa, a combinação dos fatos nem pode ser considerada uma coincidência, já que no Brasil uma a cada três mulheres sofreu algum tipo de violência no último ano e mais de 503 são agredidas fisicamente a cada hora, segundo dados do Datafolha divulgados no último 8 de março.

“Sei que a realidade brasileira é muito ruim, mas é ruim para as mulheres em todos os lugares. Nos Estados Unidos, uma mulher grávida tem mais chances de morrer assassinada do que ao dar à luz”, aponta a norte-americana Karin Slaughter sobre a realidade de seu próprio país, muitas vezes visto como mais seguro do que qualquer outro lugar no planeta, principalmente sob a ótica dos brasileiros.

Para reforçar a estatística, a escritora também cita uma região europeia considerada modelo de sociedade. “Proporcionalmente, mais mulheres vivem relações abusivas na Escandinávia do que em qualquer outro lugar do Ocidente. Mas é melhor pensar que nesses lugares a situação das mulheres é menos pior do que achar que simplesmente nada acontece”, explica. Os dados são parte da pesquisa que levou Karin a escrever 16 livros e vender mais de 35 milhões de cópias em 36 idiomas.

No Brasil, a autora tem quatro títulos publicados. O mais recente é “Esposa Perfeita”, que tem como fio condutor a descoberta de um corpo em um canteiro de obras que pertence a um atleta rico que já escapou de várias acusações de estupro. Em “Flores Partidas”, o primeiro suspense psicológico de sua carreira, Karin conta a história de duas irmãs que se reaproximam após o assassinato do marido de uma delas e descobrem que a morte pode ter relação com o desaparecimento de uma terceira irmã, Julia.

"Esposa Perfeita" é o livro mais recente de Karin Slaughter lançado no Brasil Imagem: Divulgação

“Esposa Perfeita” é o livro mais recente de Karin Slaughter lançado no Brasil Imagem: Divulgação

 

Autora do fenômeno “A Garota no Trem”, Paula Hawkins acompanhou de perto os casos de abuso em transportes coletivos em São Paulo e diz ter lido e se indignado com o relato da escritora brasileira Clara Averbuck sobre ter sido violada por um motorista da Uber. “No Reino Unido vivemos relativamente seguras se comparado a lugares como o Brasil. Mas o medo [de ser violentada] é sentido por mulheres no mundo todo. Temos que bater na tecla e continuar falando sobre isso, pois é um problema persistente e –mesmo exposto– não necessariamente está melhorando. Em alguns lugares está até piorando”, lamenta a escritora britânica.

Nascida no Zimbábue e filha de pais britânicos, Paula Hawkins foi viver em Londres aos 17 anos. Suas escritas de ficção sempre existiram, mas ficaram guardadas durante os 15 anos em que se dedicou ao jornalismo econômico, seguindo os passos do pai. Um convite para escrever romances acabou despertando novamente a veia escritora de Paula, que só passou a assinar com seu nome quando se sentiu segura de que tinha uma história e personagens próprios. Nascia assim seu primeiro suspense psicológico, “A Garota no Trem”, depois de quatro romances encomendados e assinados sob o pseudônimo de Amy Silver.

Com Emily Blunt no papel principal, “A Garota no Trem” ganhou adaptação para o cinema repetindo o sucesso do livro, com US$ 170 milhões em bilheterias pelo mundo. “Em Águas Sombrias”, segundo suspense psicológico de Paula Hawkins lançado em maio deste ano, também será levado aos cinemas com a autora ainda mais envolvida no papel de produtora executiva. “Esse é um livro até mais complicado de adaptar do que ‘A Garota No Trem’ por causa da quantidade de personagens e tudo o que acontece. Algumas coisas não podem ficar de fora”, explica a escritora que também trabalha como consultora dos roteiristas do projeto em desenvolvimento.

"Em Águas Sombrias" é a nova aposta depois do sucesso de "A Garota no Trem" Imagem: Divulgação

“Em Águas Sombrias” é a nova aposta depois do sucesso de “A Garota no Trem” Imagem: Divulgação

Mas o que leva as pessoas a se interessarem tanto por histórias de ficção de mulheres que sofrem de abusos físicos e psicológicos se a própria realidade se encarrega de colocar casos assim todos os dias na mídia? “De alguma forma o livro é um escape, pois você sabe que no final o herói estará bem, o crime estará resolvido e a pessoa ruim será punida. Isso nem sempre acontece na vida real”, acredita a escritora norte-americana Karin Slaughter.

Apesar disso, ela conta ouvir sobre muitas tragédias em suas viagens pelo mundo para divulgar as obras. “Ouvi muitas histórias aqui no Brasil, muitas vezes ouço coisas como ‘minha tia foi assassinada e você deveria contar essa história’. Não há nada glamoroso ou sexy sobre isso. Muitas das mulheres se sentem envergonhadas até mesmo de falar sobre abuso. E mesmo sendo uma minoria de abusadores, é difícil saber quem são eles. Isso dá muito poder aos homens”, conta Karin.

Falando sobre o best-seller “A Garota no Trem”, Paula Hawkins vê a identificação com os personagens a as situações como um elo entre a realidade do leitor e a ficção que ele consome. “As pessoas não estavam acostumadas a ver uma jovem mulher que pensa demais. A Rachel é uma personagem incomum e atraente. Mas todo mundo tem um pouco do voyeurismo e curiosidade dela. Já as outras mulheres do livro são muito comuns. Estão vivendo uma vida normal. As pessoas se imaginam dentro daquela história.”

A autora britânica também acredita que lançou o livro no momento certo. “Meu primeiro livro veio logo depois de ‘Garota Interrompida’ e havia muito desejo por mais livros desse tipo. Ainda existe esse desejo, mas agora há centenas de pessoas escrevendo sobre violências sofridas pelas mulheres, o que não havia quando eu fiz ‘A Garota no Trem’. Então também tive sorte”, diz Paula.

Só depois de lançar seus livros, as autoras notaram o quanto suas histórias puderam tocar e ajudar mulheres ao redor de todo o mundo. “Recebi mensagens de mulheres que viviam situações de abuso emocional e ao ler aquilo elas se reconheceram na situação e acabaram mudando as suas vidas. Também outras pessoas que tinham problema com alcoolismo me escreveram dizendo que decidiram enfrentar aquilo. Então tem algumas coisas que você pode mudar. Mas o mais importante é ter debates, e ter jornalistas escrevendo sobre isso, e colocar essas histórias nas primeiras páginas dos jornais”, aposta Paula.

Já Karin se diz muito tocada e inspirada pelas mensagens e interações que recebe de todo o mundo. “Algumas mulheres me escrevem contando que não tinham noção de que estavam em um relacionamento abusivo até terem tido contato com a minha obra. Eu estive em Dubai há alguns anos em uma feira de literatura e fui abordada por uma mulher coberta por véu que me disse: ‘Eu adoro suas personagens femininas porque elas são muito fortes’. Isso me deu a certeza que eu tinha que continuar escrevendo.”

“A Garota no Trem” sai dos livros e chega hoje aos cinemas

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Rachel (Emily Blunt) passa a assediar o ex-marido, hoje casado com a ex-amante Fotos: Divulgação

Rachel (Emily Blunt) passa a assediar o ex-marido, hoje casado com a ex-amante Fotos: Divulgação

 

Filme tem como protagonista a inglesa Emily Blunt, que vive Rachel, uma alcoólatra que perdeu o marido

Publicado no Comercio do Jahu

Todo o suspense contido no best-seller “A Garota no Trem”, da escritora zimbabuana Paula Hawkins, ganhou sua versão para o cinema. O longa, que estreia hoje, tem como protagonista a inglesa Emily Blunt (de “O Diabo Veste Prada”, 2006) e direção do cineasta norte-americano Tate Taylor, do premiado “Histórias Cruzadas” (2011). Atualmente, o livro está entre os mais vendidos entre as obras de ficção no País.

Quem não conhece a história pelo livro vai ser apresentado aos personagens bem aos poucos no filme. A garota do trem é Rachel (Emily Blunt), uma alcoólatra que perdeu o marido, o emprego e passa os dias dentro do trem, viajando até Londres. Da janela, ela pode ver a casa onde morava com o ex, Tom (Justin Theroux).

Crime

Traumatizada pelo abandono, Rachel assedia o ex-marido, hoje casado com a ex-amante, Anna (Rebecca Ferguson), com quem teve um filho. Atormentada, ela tenta fazer parte dessa nova vida de Tom, até que acaba envolvida em um crime. A bela babá Megan (Haley Bennett), que trabalha para o casal, desaparece em certa noite. Rachel acaba como uma das suspeitas do desaparecimento da babá, sem saber que fará parte de um jogo psicológico que colocará em dúvida sua própria sanidade.

Aos poucos, a relação dos personagens se desembaraça, até que o grande mistério de Megan seja resolvido e Rachel cure seus traumas. Cheia de reviravoltas, a trama do livro foi comparada à de “Garota Exemplar”, romance de Gillian Flynn que também fez sucesso nas livrarias e nos cinemas, dirigido por David Fincher. (Folhapress)

Fenômeno mundial, “A garota no trem” ganha nova capa e chega aos cinemas

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Nas telas, Emily Blunt vive a protagonista Rachel, alcoólatra e instável em meio a uma trama de suspense cheia de reviravoltas

Publicado em O Girassol

Com mais de 10 milhões de exemplares vendidos, meses a fio no topo das listas de best-sellers do New York Times e das publicações brasileiras, além de direitos de tradução vendidos para mais de 40 países, o romance de Paula Hawkins é um fenômeno por onde passa. Agora, “A garota no trem” chega aos cinemas também com grande expectativa. Previsto para estrear no Brasil em 27 de outubro, o longa tem Emily Blunt na pele da protagonista Rachel.

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Tanto alvoroço se deve a uma trama de suspense psicológico que fisga o leitor, em grande parte graças ao mistério que vai se desvendando pouco a pouco sobre seus personagens. “A garota no trem” é Rachel. Diariamente, ela pega o trem de Ashbury até Londres e se distrai olhando o que acontece pela janela. Seu momento favorito é quando o veículo para num determinado sinal, próximo à estação de Witney, e ela consegue espiar um casal na varanda de casa. Ela vê os dois sempre juntos, tomando café, e fantasia sobre a vida perfeita que eles devem ter. Rachel até inventa nomes para os dois: Jess e Jason.

A primeira virada acontece quando Rachel vê algo surpreendente do trem: Jess está beijando outro homem. Frustrada ao ver arruinada sua fantasia, e um tanto abalada ao relacionar o acontecimento com sua própria experiência, ela resolve agir e vai até a rua onde Jess e Jason moram.

Mas há um detalhe: Rachel é alcoólatra. E o consumo excessivo da bebida provoca constantes lapsos de memória. Na noite em que desce na estação de Witney, Rachel já acumulou algumas doses de gin tônica. No dia seguinte, sem saber bem o que aconteceu, acorda machucada e ensangüentada. E descobre que Jess – na verdade, Megan – está desaparecida.

Narrado alternadamente por três personagens nada confiáveis, “A garota no trem” não economiza nas reviravoltas e na angústia – compartilhada por personagens e leitor. Hawkins já disse em entrevistas que escreveu o livro “em estado de pânico e desespero”, temendo que esta fosse sua última chance de, enfim, construir uma carreira de escritora. Ao conseguir transmitir os sentimentos para as páginas, atingiu o objetivo com louvor.

No cinema, o filme dirigido por Tate Taylor (de “Vidas cruzadas”) transfere a ação da Inglaterra para os Estados Unidos. Além de Emily Blunt, o elenco tem ainda Justin Theroux (como Tom), Haley Bennett (Megan), Rebecca Ferguson (Anna), Luke Evans (Scott), Allison Janney (oficial Riley) e Lisa Kudrow, que interpretará uma personagem criada exclusivamente para o longa.

Paula Hawkins trabalhou como jornalista durante 15 anos. Começou na literatura escrevendo livros românticos sob o pseudônimo Amy Silver. “A garota no trem” é seu primeiro thriller, e sua estreia sob seu nome real.

A garota no trem, de Paula Hawkins

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Cristine, no Cafeína Literária

A chamada na capa é um chamariz e tanto. Afinal, Garota exemplar, de Gillian Flynn, é um dos melhores thrillers que li nos últimos meses. E A garota no trem não decepciona. É parecido, mas é diferente e esta é uma grande vantagem, pois o inesperado da trama chega ao leitor de outra forma. E como se não bastasse a referência a Garota exemplar, George R.R. Martin (sim, ele mesmo – aquele senhor que está nos devendo os volumes finais de Game of thrones) indicou a leitura.

Todas as manhãs, Rachel toma o trem das 8:04 de Ashbury a Londres. Conhece o trajeto de cor, sabe os pontos em que o trem diminui a velocidade, e anseia pela parada num dos sinais, em que observa determinada casa e seus habitantes, um casal desconhecido a quem ela batiza de Jess e Jason. Numa das manhãs, presencia uma coisa que a faz mudar de opinião sobre a vida perfeita que ela creditou ao casal. E quando Jess é dada como desaparecida, o que Rachel viu pode se tornar relevante para entender o que aconteceu com ela.

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Usando um recurso que virou modinha desde George R.R. Martin, o livro tem três linhas narrativas, três vozes femininas que contam a história: Rachel Watson, Jess (cujo nome verdadeiro é Megan Hipwell) e Anna Watson, atual esposa do ex-marido de Rachel. Interessante como, aparentemente, os homens – Tom Watson e Jason (na verdade, Scott Hipwell) são meros coadjuvantes na narrativa de cada uma delas.

A narração é toda em primeira pessoa, o que de imediato dá a dica de que o que é “contado” ao leitor pode não ser necessariamente o que aconteceu, mas sim a visão de cada personagem. E, levando em conta que Rachel é a que passa mais tempo narrando, é por seus olhos que acompanhamos a maioria dos fatos. Mas temos aí um problema, ou melhor, um recurso narrativo que oblitera a percepção do leitor propositalmente: o uso de um narrador não confiável. Se, em algumas obras, descobrimos apenas próximo do final que não deveríamos ter confiado no narrador, nesta, logo no início somos levados a questionar o quanto são verídicos e fidedignos os fatos que Rachel conta. Afinal, Rachel é alcóolatra e descobre-se que vem mentindo à sua amiga sobre estar desempregada há 3 meses – não é spoiler, já que está no começo da história e consta em várias sinopses. Como confiar no relato de alguém com amnésia alcoólica, se até mesmo a própria personagem duvida da veracidade de suas lembranças? Esse ingrediente a mais é o que deixa o leitor “com a pulga atrás da orelha”, sem saber direito em que se basear para montar a sequência dos fatos em sua cabeça à medida que a leitura avança.

“De vazio, eu entendo. Começo a achar que não há nada a se fazer para preenchê-lo. Foi o que percebi com as sessões de terapia: os buracos na sua vida são permanentes. É preciso crescer ao redor deles, como raízes de árvore ao redor do concreto; você se molda a partir das lacunas.”
(pag.144)

E não é apenas a situação atual de Rachel que a torna uma narradora pouco confiável. O ponto de vista de Anna reforça essa ideia, mesmo que – não se esqueçam – o que se lê é o que ela nos conta, da forma como ela vivenciou os fatos. Para Anna, Rachel é uma stalker que insiste em rondar e invadir sua nova vida com Tom e o bebê recém-nascido. Alguém que não consegue admitir que seu relacionamento com o ex terminou e que é incapaz de seguir em frente e deixá-los, efetivamente, em paz. E o leitor, ao se deparar com duas versões para o mesmo evento, tende a dar mais credibilidade a uma mãe de família do que a uma desempregada, mentirosa, que vive sob efeito do álcool. Dessa forma, mesmo quando Rachel começa a se recordar do que houve na noite em que Megan desapareceu, o quanto disso pode ser levado em consideração?

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Paula Hawkins

Por fim, há a narrativa de Megan que, aos poucos, vai revelando ao leitor detalhes importantes sobre os eventos. Detalhes que tanto complementam o que Rachel presenciou de longe, da janela do trem, como revelam fatos desconhecidos tanto de Anna quanto de Rachel. Fatos que conduzem o leitor a conclusões totalmente diversas das que ele tira inicialmente sobre o que pode ter ocorrido a Megan.

É interessante notar que, a princípio, as vozes narrativas parecem muito semelhantes – algo que me incomodou um pouco, afinal as personagens são bem diferentes entre si. Mas, aos poucos, o estilo vai se modificando, se moldando à personalidade delas, de forma que em dado momento é possível saber quem é mesmo sem ter lido a identificação no início do capítulo.

Apesar de o texto de Hawkins não ser tão envolvente quanto o de Flynn, ela cria a necessidade de continuar lendo entrelaçando os fatos com engenhosidade. Conduzindo o leitor habilmente e induzindo-o a querer encaixar a próxima peça do quebra-cabeça o mais rápido possível. Apesar de as reviravoltas no enredo não serem tão intensas ou surpreendentes quanto em Garota exemplar – algumas são, mas a maioria a gente quase “vê chegando” mesmo que não conscientemente – a autora consegue manter o ritmo da narrativa mesmo em trechos mais amenos que, aparentemente, não agregam muito à trama. Digo aparentemente, pois Hawkins faz um bom uso do recurso de “pista/recompensa” – aquele detalhe que nos parece insignificante e às vezes até desnecessário, mas que capítulos adiante adquire todo um novo significado ao ser inserido em outro contexto.

Enfim, quem resolver ler por ter gostado de Garota exemplar não vai se arrepender. E tomara que a transposição do livro para a tela também seja tão eficiente, quanto foi com o livro de Gillian Flynn.

Vale um capuccino

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