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Autor de ‘A Mulher na Janela’ presta tributo ao cinema noir na Bienal do Livro

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Publicado no Bem Paraná

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Imagine que você seja um romancista. Um dia, aquele seu editor –no ombro de quem você chora pitangas, reclama que seu livro não está nas livrarias, que isso e aquilo outro– vira um best-seller.

Não só isso: o danado ainda virou um sucesso mundial e agora pula de país em país dando entrevistas. Ao mesmo tempo, você se contenta com vendas mirradas e está no cheque especial.

Foi o que aconteceu ao americano Daniel Mallory, do lado mais vantajoso dessa situação.

Ele trabalhava na William Morrow, selo da HarperCollins, quando começou a tentar vender um original para diversas casas editoriais. Para não ser descoberto, adotou um pseudônimo, A.J. Finn, e viu oito editoras disputarem os direitos do suspense psicológico “A Mulher na Janela”.

De lá para cá, o romance foi comprado pela Fox para virar filme –com estreia em outubro de 2019– e vendido para 37 países. O Brasil entre eles e, por isso, Mallory é uma das atrações da Bienal do Livro de São Paulo, onde fala na tarde deste domingo (5), às 13h30. Seus ex-autores aprovaram?

“Muitos me apoiaram. Mas, sim, alguns se sentiram ameaçados ou mesmo traídos. Depois de dez anos como editor, percebi que escritores são criaturas frágeis e se sentem ameaçados facilmente”, diz.

Não à toa, Mallory até sente falta de alguns de seus autores –mas não todos, fique claro.

Histriônico e cheio de pausas dramáticas, ele conta à Folha de S.Paulo como tudo começou. Aos 31 anos, foi diagnosticado com uma depressão severa e tentou de tudo: medicação, meditação, hipnose, eletrochoque.

Só depois, já com outro psiquiatra, descobriu na verdade ter uma variante do transtorno bipolar –e, com os medicamentos certos, pôde reencontrar o prumo.

Era fã de Patricia Highmisth desde a adolescência, sobre quem já tinha feito um doutorado na Universidade de Oxford, no Reino Unido. Com a saúde mental em dia, assistia “Janela Indiscreta”, de Hitchcock, e especulava sobre a vida de uma vizinha que espiava do seu apartamento.

Assim nasceu “A Mulher na Janela”. Nele, o leitor encontra uma personagem com agorafobia que mistura remédios a álcool e fica obcecada pelos vizinhos do prédio em frente –até o dia em que acredita testemunhar um crime.

Para não ser reconhecido pelos colegas editores, adotou o nome A.J. Finn –mistura do apelido de sua prima Alice Jane com o nome do buldogue francês de um outro primo.

“Não quis escrever o genérico [de alguma moda]. Quando saiu ‘Cinquenta Tons de Cinza’, eu recebia vários livros semelhantes. E sabia que os autores tinham escrito aquilo porque queriam faturar em cima de uma moda”, diz.

Apesar disso, não é que “A Mulher na Janela” esteja fora de uma moda global.

Nos últimos cinco anos, o mercado está inundado de thrillers psicológicos com protagonistas femininas. Em especial depois do sucesso de “Garota Exemplar” e “A Garota no Trem”, quando começaram a pulular livros com títulos semelhantes –garota de não sei quê, garota de não sei onde.

Com o sucesso de Mallory, talvez a garota tenha crescido e –como o mercado editorial é previsível– em breve haja dezenas de livros com mulher no título.

“Não estou reinventando a roda, uso elementos do cinema noir. Mas acho que os leitores se conectam com a substância emocional do romance. A solidão é o tema principal do livro”, diz.

O autor acredita que o suspense psicológico não é uma onda passageira e que o tempo dos serial killers já era. Mas a história de mistério, diz, continuará como um sucesso na indústria da cultura, porque é uma reconfortante educação moral das massas.

“Ao fim, nós sabemos que o culpado será punido; o virtuoso, recompensado; e a justiça, feita. Em tempos de crises em todo o mundo, é reconfortante ler uma história em que o errado é substituído pelo certo. Sherlock Holmes pode resolver problemas de um jeito que o mundo real não é capaz.”

Literatura de suspense e terror marca presença na 25ª Bienal do Livro

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Os americanos A. J. Finn, autor de “Mulher na Janela”, e Charlie Donlea, de “A Garota do Lago”, participam pela primeira vez do da Bienal Internacional do Livro de São Paulo

Publicado no 24 Horas News

A literatura de suspense e terror tem ganhado cada vez mais fãs ao redor do mundo. No Brasil não é diferente e, para contemplar os leitores assíduos, dois grandes escritores do gênero estarão pela primeira vez no país e participarão da 25ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em agosto.

A. J. Finn, autor de “A Mulher na Janela”, que ganhará as telas de cinema com Amy Adams no papel principal, e Charlie Donlea, autor de “A Garota do Lago” e “Deixada para trás”, sobem ao Palco Cultural do evento para conversar com o público sobre a literatura de suspense e terror. A ideia é abordar o encantamento que suas histórias produzem nos leitores e a construção das narrativas.

No dia 5 de agosto, às 13h30, A. J. Finn, cuja obra faz sucesso mundo afora e foi vendida para mais de 30 países, se apresenta. Já no dia 8 de agosto, às 16h, é a vez de Charlie Donlea, que estreou há apenas dois anos na literatura e recebeu resenhas fervorosas de grandes nomes nos EUA, entre eles, Mary Kubica. Seus livros no Brasil já alcançam a marca de 150.000 exemplares vendidos. Ele vai contar sobre suas inspirações, falar dos dois primeiros livros e lançar seu novo Thriller, “Don’t Believe IT”.

Outra boa notícia para os fãs do gênero literário é que foi fundada, em janeiro deste ano, a Aberst (Associação Brasileira de Escritores de Romances Policial, Suspense e Terror), que logo criará uma premiação anual para autores do segmento, a exemplo do que acontece em outros países. Esta é uma forma de incentivar a produção da literatura de suspense e terror.

Realizada de 3 a 12 de agosto pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), a 25ª edição marca os 50 anos da Bienal. Durante os 10 dias de evento, os visitantes poderão viver experiências culturais diversas e ter contato direto com autores, em bate-papos e palestras exclusivas.

Com a assinatura “Venha fazer esse download de conhecimento”, a campanha deste ano enfatiza a importância do diálogo, da abertura de perspectivas e busca de novos conceitos. Os debates na Arena Cultural irão abordar desde a literatura infantil, até a literatura de suspense e terror.

Fonte: IG Gente

Livro ‘A Mulher na Janela’, thriller de A. J. Finn sobre solidão e luto, chega ao Brasil

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Dan Mallory, mais conhecido por A. J. Finn, lança o best-seller ‘A Mulher na Janela’ no País

Maria Fernanda Rodrigues, no Estadão

Dan Mallory lutou por 15 anos contra uma depressão até que um novo médico, suspeitando do diagnóstico anterior, propôs outro tratamento. Editor de livros na William Morrow, ele tirou uma licença de seis semanas para experimentar a medicação. Ao final da quarta semana, ele já se sentia outra pessoa e ainda restavam alguns dias até voltar ao trabalho.

Fez o que mais gosta de fazer: releu os livros policiais que o acompanharam em seus 38 anos e reviu filmes antigos. E foi numa dessas noites na frente da televisão que ele teve a ideia da história que, pouco mais de um ano depois, viraria sua vida de cabeça para baixo. No melhor dos sentidos.

Cena do filme Janela Indiscreta, de Alfred Hitchcock Foto: Paramount Pictures

Mallory está sentado em seu apartamento, em Manhattan, assistindo, pela enésima vez, a Janela Indiscreta. James Stewart está na tela, olhando para o pátio. De canto de olho, o editor vê uma luz. Olha para a janela e ali está sua vizinha acendendo a lâmpada da sala da casa dela.

Por alguns minutos, olha fixamente para a cena. Tudo é muito nítido. As janelas costumam ficar abertas na cidade. Ela está vendo TV. Atrás dele, de repente, uma voz diz a James Stewart algo como ‘Não espione seu vizinho porque alguma coisa muito ruim pode acontecer’. Quando ele vira de novo, a mulher o está encarando.

E, assim, o editor que nunca tinha pensado em escrever um livro começou a trabalhar em A Mulher na Janela.

A mulher na janela é Anna Fox, uma psicóloga de crianças que já foi muito respeitada, mas que sofreu um trauma e não pode mais deixar a sua casa. Passa os dias à base de remédios e vinho e acompanhando o desenrolar da vida de seus vizinhos do Harlem, em Nova York.

Isso vira um problema quando ela começa a acreditar que testemunhou um crime. Como ela não consegue sair para investigar ou convencer alguém do que viu, incluindo a polícia, ela passa a duvidar se viu mesmo alguma coisa. E isso é tudo o que podemos contar sobre o enredo do que Mallory chama de “a Janela Indiscreta de Alfred Hitchcock para o século 21”.

O editor terminou o livro, assinou como A. J. Finn, submeteu o original a uma agente literária e, quando se deram conta, os direitos já tinham sido vendidos para quase 40 países – isso, muito antes de ele ter sido lançado. Um recorde para o primeiro livro de um autor desconhecido.

Nas livrarias americanas desde o começo de janeiro e nas britânicas desde o fim daquele mês, A Mulher no Trem já soma cerca de um milhão de exemplares vendidos em língua inglesa – 750 mil só nos EUA. Há 12 anos, o livro de um autor estreante não ficava no topo da lista do New York Times.

A Mulher na Janela ficou. Tem mais: o leilão pelo direito de publicar o livro na América do Norte terminou em US$ 2 milhões e a Fox pagou US$ 1 milhão para poder fazer o filme.

Com o repentino sucesso e a conta bancária como ele jamais viu, 10 dias antes de seu livro sair Mallory deixou a William Morrow, onde era responsável pela edição da obra de Agatha Christie, uma de suas principais referências literárias, e de outros autores de diversos gêneros, sobretudo o policial.

Leva, agora, a vida de um escritor preocupado com a continuação do sucesso. Escreve o segundo título e cuida da divulgação do primeiro, que, neste momento, começa a ser publicado mundo afora.

A obra acaba de chegar às livrarias brasileiras como uma das apostas da Arqueiro para o ano – e a editora sugeriu o nome de Dan Mallory, ou A. J. Finn, à Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). A organização não confirma sua participação. Nesta entrevista exclusiva ao Caderno 2, por telefone, o autor fala sobre seu livro.

Dan Mallory, autor de A Mulher na Janela, que assina com o pseudônimo de A.J. Finn Foto: William Morrow/Harper Collins

Mallory reconhece que ter sido editor de livros por 10 anos – em Londres e em Nova York – o ajudou na tarefa de escrever seu thriller, que ele descreve como uma história de solidão e luto. Capítulos curtos, história que prende a atenção e flui, um título que remete a outros best-sellers. Mas o que fez diferença, mesmo, ele diz, foi ter passado a infância e a juventude com a cara atrás de um livro. “A leitura é a melhor forma de aprendizagem e o que me ajudou a escrever essa história foi ter vivido como um leitor”, conta o autor.

Sua vontade de escrever, no entanto, só foi despertada depois de ter lido Garota Exemplar, de Gillian Flynn. “Eu não era desses editores que tinham ambição com relação aos seus próprios escritos. E embora eu tenha crescido lendo Agatha Christie e Sherlock Holmes, tenha estudado Patricia Highsmith em Oxford e editado grandes autores, eu não tinha uma história para contar”, diz.

Quando Garota Exemplar saiu, em 2012, e se tornou um enorme sucesso ao redor do mundo, ele pensou: “Esse é o tipo de livro que eu gostaria de escrever, mas não tenho uma história e não vou forçar”. Passaram-se três anos e meio, saiu A Garota no Trem, de Paula Hawkins, que também foi um grande best-seller, e lamentou de novo por não ter uma história. Quase um ano depois, a vizinha acende a luz e uma personagem “gruda no cérebro” do editor: ela estava sofrendo por um luto e trauma. De repente, ele tinha algo a dizer.

“A experiência da escrita foi muito catártica e foi um privilégio poder explorar, de forma segura, o que eu estava vivendo”, conta. Para o autor, escrever ficção é ato de empatia. E ler também. “Quando lemos, experimentamos a vida de outras pessoas e acontece o mesmo quando escrevemos. Pude mergulhar na mente dessa mulher, chorar e afundar ao lado dela, entrar em pânico com ela. Portanto, escrever não foi divertido ou fácil, mas revigorante.”

Anna Fox, sua protagonista, tem 38 anos. “Estou cansado de ler thrillers onde o personagem central, uma mulher, é muito passivo e reativo. Elas praticamente dependem do homem para seu bem-estar. As mulheres têm muitas outras coisas interessantes acontecendo em sua mente que não têm a ver com homens e bebês. Eu quis escrever um livro em que não havia interesse amoroso pela personagem feminina, no qual ela se preocupa com sua família, sim, mas tem outras coisas. Eu quis escrever um livro sobre uma mulher inteligente, sobre uma mulher que se salva sozinha porque mulheres são capazes de fazer isso”, justifica.

Essa é uma das diferenças entre seu livro, Garota Exemplar e A Garota no Trem. Do ponto de vista do estilo, A Mulher na Janela tem mais relação com A Garota no Trem, considera.

Dan Mallory não conhece a mulher que inspirou sua história e nunca lhe ocorreu contar tudo isso para ela. “Estou olhando para a janela dela neste momento. Ela está na porta. Está nevando. Eu poderia abrir a janela e falar, ‘oi, obrigado’. Seria assustador ou ela ia gostar?, brinca.”

Se ele alguma vez pensou que sua vida daria uma guinada dessas? “Nunca, nunca”, ele grita animado. “Meu único objetivo era conseguir escrever a palavra ‘fim’.” E tudo está apenas começando. A Mulher na Janela tem potencial para ser um dos grandes best-sellers do ano. Deve voltar às listas no ano que vem com o filme nos cinemas. Joe Wright acaba de ser escolhido como diretor. Vencedor do Pulitzer pela peça Álbum de Família, depois transformada em filme, Tracy Letts é o roteirista. E Scott Rudin, de Onde os Fracos Não Têm Vez e A Rede Social, e Eli Bush, de Lady Bird, vão produzir o filme.

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