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Os 20 livros mais “esquecidos” em quartos de hotéis

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Carlos Willian Leite, na revista Bula

E. L. James

O jornal inglês “The Guardian” publicou uma lista dos principais livros que os hóspedes da rede de hotéis Travelodge — uma das maiores redes hoteleiras do mundo — esqueceram em seus quartos. Um total de 22.648 livros foi abandonado nos últimos 12 meses.

A autora de romances eróticos — e escritora com o maior faturamento do ano — E. L. James está no topo da lista: “Cinquenta Tons de Liberdade” é o livro recordista de abandonos. E. L. James aparece três vezes na lista com a trilogia “Cinquenta Tons”, assegurando a primeira posição com 1.209 cópias abandonadas no ano. A segunda colocada é a escritora Sylvia Day, com os títulos “Toda Sua”, “Para Sempre Sua” e “Profundamente Sua”. Em terceiro lugar aparece a escritora Jennifer Probst, autora da  trilogia erótica “Billionaire”. A quarta posição fica com “Garota Exemplar” de Gillian Flynn, e a quinta com “Morte Súbita”, de JK Rowling.

As três principais razões para se abandonar um livro, segundo o levantamento do Guardian são: “Terminei de ler e deixei para que outras pessoas possam ler”, seguida de “perdi ou esqueci” e “fiquei entediado”. Há três autobiografias de celebridades na lista: “My Time”, do ciclista ganhador do ouro olímpico, Bradley Wiggins;  “My Story” da cantora Chery Cole;  e “Camp David”, biografia do comediante David Williams. “O Grande Gatsby”, de F. Scott Fitzgerald, de 1925, aparece na 20ª posição.

1— Cinquenta Tons de Liberdade — E. L. James
2 — Toda Sua — Sylvia Day
3 — The Marriage Bargain — Jennifer Probst
4 — Garota Exemplar —Gillian Flynn
5 — Morte Súbita — JK Rowling
6 — Cinquenta Tons de Cinza — E. L. James
7 — Profundamente Sua — Sylvia Day
8 — My Time — Bradley Wiggins
9 — Para Sempre Sua — Sylvia Day
10 — Cinquenta Tons Mais Escuros — E. L. James
11 — My Story — Chery Cole
12 — The Marriage Trap —  Jennifer Probst
13 — Camp David — David Williams
14 — Call the Midwife — Jennifer Worth
15 — Antes de Dormir —  S. J. Watson
16 — The Marriage Mistake  — Jennifer Probst
17 — The Racketeer — John Grisham
18 — The Carrier — Sophie Hannah
19 — Oh Dear Silvia — Dawn French
20 — O Grande Gatsby — F Scott Fitzgerald

Walmart abandonado vira biblioteca gigante

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Alessandro Martins, no Livros e Afins

A Walmart, nos EUA, não é exatamente conhecida pelas melhores políticas de trabalho, atendimento ao cliente ou mesmo por melhorar a qualidade da economia das localidades onde se instala.

Além disso, nos Estados Unidos, a empresa é uma entre tantas a deixar milhares de enormes galpões abandonados ao longo do País, alguns com o tamanho de dois campos de futebol.

A Walmart ocupa 6,4 milhões de metros quadrados nos Estados Unidos com suas estruturas com importantes impactos ambientais.

Porém, pelo menos um desses prédios abandonados encontrou uma boa finalidade: foi transformado na maior biblioteca de um único andar daquele País.

É em McAllen, no Texas. A biblioteca tem 11 mil metros quadrados e foi idealizada pelo escritório de arquitetura Meyer Scherer & Rockcastle.

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Professor reúne apelidos racistas e cria projeto contra preconceito

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Assustado com mais de 360 nomes ofensivos encontrados entre alunos de escola na Zona Norte do Rio, professor monta jardim que mistura História e cultivo de plantas

O professor de biologia Luiz Henrique Rosa em frente ao muro decorado por alunos da Escola Municipal Herbert Moses com cerca de 200 nomes de escravos Paula Giolito

O professor de biologia Luiz Henrique Rosa em frente ao muro decorado por alunos da Escola Municipal Herbert Moses com cerca de 200 nomes de escravos Paula Giolito

Leonardo Vieira em O Globo

RIO – Mais de 125 anos depois da Lei Áurea, o racismo entre alunos do ensino fundamental chamou a atenção de Luiz Henrique Rosa, professor de biologia da Escola Municipal Herbert Moses, no Jardim América, Zona Norte do Rio. Assustado com a agressividade das crianças, Rosa pediu que todos colassem no papel os apelidos já ouvidos na escola. O resultado? Das mais de 400 terminologias catalogadas, cerca de 360 continham conteúdo racista, como “macaco”, “galinha de macumba” e “asfalto”.

No mesmo período dessa pesquisa, Rosa, entusiasta da história dos negros no Brasil, ficou impressionado com a falta de curiosidade pelo aniversário da Revolta de Vassouras, rebelião escrava ocorrida em 1838. Pressionado pelo racismo em sala de aula, de um lado, e o desconhecimento da cultura negra, de outro, o professor resolveu agir. Assim nasceu, no fim de 2009, o projeto “Qual é a Graça?”.

No quintal então abandonado da escola, Rosa pediu para que seus alunos escrevessem e colassem no muro os quase 200 nomes de escravos que participaram da revolta. O objetivo era que cada um “apadrinhasse” um cativo, estimulando o sentido de responsabilidade. Cada estudante contribuiu com R$ 6 pelo pedaço de mármore. É possível encontrar nomes cristãos como “Concórdia”, “José” e “Cesário”, dados aos cativos assim que chegavam ao Brasil. Já as pedras com os dizeres “Deus Sabe seu Nome” representam os escravos não identificados, fazendo uma analogia com o “Soldado Desconhecido”, no monumento em homenagem aos combatentes da Segunda Guerra Mundial.

Da canela ao café, uma aula de história

Depois, no mesmo espaço, Rosa fez os alunos cultivarem plantas e espécies ligadas à História do Brasil. O cultivo das plantas começa por especiarias como canela e noz-moscada. Em uma viagem no tempo, passa-se pelo pau-brasil, cana-de-açúcar e café. Para incutir nos estudantes o tempo de viagem entre Moçambique e o Brasil a bordo de um navio negreiro, o professor Luiz Henrique Rosa pediu para que eles plantassem e acompanhassem o ciclo da couve e da alface por 90 dias — o período em que um escravo sofria nos porões da embarcação. Para a viagem entre Brasil e Angola, pepinos e mostardas, que têm ciclos de 60 dias.

— Meus alunos olham para a planta e perguntam: “Ele ainda tá amarrado, professor?”, referindo-se ao escravo. Desse jeito consigo trabalhar com eles a dureza da escravidão e o desenvolvimento dos vegetais — explicou Rosa.

Nascido para combater o racismo, o projeto “Qual é a Graça?” ganhou contornos pedagógicos e agora é transdisciplinar, afirmou. Para ele, é impossível separar os conteúdos no jardim:

— Por que eu planto essa berinjela? Na biologia, para mostrar como as plantas nascem e se reproduzem. Já o professor de português pode botar uma plaquinha com o nome dela e lembrar que “berinjela” se escreve com “j”, não com “g”. O aluno nunca mais vai errar.

Sem apoio financeiro

Os trabalhos no jardim de Rosa não contam para a nota final do aluno, mas todos são incentivados a participar. E dá resultados. Aos 12 anos, a estudante Aretha Barra Mansa Nascimento era chamada na escola de “petróleo”. Hoje, com 14, ela diz que a iniciativa do professor ajudou a amenizar o clima entre as crianças, e agora atender apenas por Aretha no colégio.

— No começo os alunos mais velhos vinham aqui no jardim e destruíam as plantas, mas agora todos participam. Fora que é muito melhor aprender as matérias da aula na prática do que em um livro, dentro de sala — contou ela.

Em seus dois anos e meio de existência, o projeto nunca recebeu incentivos financeiros da Secretaria municipal de Educação. Segundo o diretor da escola, Renato Borges Giagio, um grupo de professores chegou a levar uma coleção de fotos e um relatório ao órgão para convencer os gestores, sem sucesso. Rosa calcula que o “Qual é a Graça?” já consumiu mais de R$ 6 mil da comunidade, entre professores, pais e alunos.
— Estamos fazendo a nossa parte, mas cadê a deles? A educação vai além da sala de aula, e quando se coloca amor, o resultado é isso aí — disse Giagio.

Situada próxima às comunidades de Vigário Geral e Parada de Lucas, em 2011 a Herbert Moses teve nota 4.1 no Ideb, contra 4.7 da média nacional.

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