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Meu filho foi reprovado. Como posso ajudá-lo para que o próximo ano seja diferente?

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Ricardo Falzetta, no Todos pela Educação

A reprovação é um evento traumático para o estudante, pois abala sua segurança e autoestima. Ao contrário do que acreditam seus defensores, que subestimam os seus efeitos negativos, essa é uma estratégia que não motiva o aluno e pode, muitas vezes, levá-lo ao abandono escolar.

Quando um aluno tem um desempenho muito baixo, é agressivo ou falta muito às aulas, há claros indícios de que algo está errado em sua vida. Seja qual for a dificuldade que ele está enfrentando, o carimbo de “reprovado” em seu histórico escolar não ajudará a solucioná-la.

A expectativa de que o aluno supere dificuldades diversas repetindo tudo que já fizera no último ano é um equívoco, pois repetir um mesmo processo esperando resultados diferentes é, no mínimo, um contrassenso.

Muitos pais imaginam que o oposto da reprovação é a aprovação automática. Não é verdade. O contrário da reprovação é a aprendizagem plena. A aprovação automática é, ao lado da reprovação, outra maneira de falhar com os alunos – e isso é unanimidade entres os especialistas em Educação.

Apesar disso, a reprovação do ano letivo é adotada em inúmeras redes de ensino. De acordo com dados do portal QEdu, da Fundação Lemann, cerca de 3,2 milhões de estudantes da Educação Básica foram reprovados em 2015. Se em 2016 esse foi o caso de seu filho ou familiar, este ano deve ser um ano de alerta, pois a relação dele com a Educação está fragilizada. Nesse cenário delicado, a responsabilidade do Estado e da família é ainda maior.

A escola tem por obrigação diagnosticar os obstáculos que impedem o avanço do aluno e promover sua recuperação pedagógica sem estigmatizá-lo, afinal, não existem crianças e jovens “burros”: todos são capazes de aprender. O baixo desempenho pode ser resultado de métodos de ensino inadequados – nesse caso, apresentar o conteúdo de novas maneiras é fundamental. Além disso, os professores e a equipe pedagógica têm de se empenhar para que a criança ou jovem sinta-se confortável e integrado à turma.

Os pais, por sua vez, devem estreitar ainda mais os laços com a Educação. A presença no ambiente escolar e os questionamentos sobre o cotidiano de estudos passam aos filhos uma mensagem de valorização do ensino. Vale destacar também que uma maior participação na escola permite que os pais possam verificar se a recuperação vem acontecendo de forma adequada.

Ficar atento à saúde emocional e física dos filhos é fundamental, uma vez que é possível que os problemas de disciplina e comportamento na escola sejam reflexo de causas mais profundas e carentes de acompanhamento especializado.

O objetivo máximo da escola é que as crianças e jovens aprendam e esse direito não é negociável. Portanto, família e escola devem se unir para criar um ambiente que não despreze um aluno sequer, sejam quais forem as dificuldades dele.

Brasil tem 2,8 milhões de crianças e adolescentes fora da escola

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Marcelle Souza, em UOL

Em todo o país, 2,8 milhões de crianças e adolescentes, ou 6,2% dos brasileiros entre 4 e 17 anos, estão fora da escola. Isso é que mostra um levantamento divulgado nesta terça-feira (19) pelo Todos pela Educação, que levou em conta dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2014.

A partir deste ano, as redes de ensino estão obrigadas a incluir alunos de 4 e 5 anos, segundo a meta 1 do PNE (Plano Nacional de Educação) e uma alteração de 2013 na LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional). As normas regulamentaram a mudança feita na Constituição por meio da Emenda Constitucional nº 59, de 2009. Os números divulgados hoje mostram que a universalização, porém, não deve ser cumprida este ano.

“O Brasil tratou com descaso a educação durante séculos e está tentando recuperar essa dívida histórica nos últimos 25 anos, é um período muito curto”, afirma Priscila Cruz, presidente-executiva do Todos pela Educação.

Para Ângela Maria Costa, professora do curso de pedagogia da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), o número também reflete problemas de gestão. “Os municípios não se prepararam para o cumprimento da lei. Eles tinham desde 2009 para fazer isso, mas todo mundo ignorou”, afirma.

Segundo o advogado Ariel de Castro Alves, pais e governos podem ser responsabilizados por criança fora da escola.

Um problema apontado pela pesquisa é que a porcentagem dos alunos fora da escola é distribuída de forma desigual. O Norte, por exemplo, tem o menor índice de inclusão de crianças e adolescentes na escola: 91,9%. Na outra ponta está o Sudeste, que atende 94,9% de 4 a 17 anos.

“No Brasil, temos uma desigualdade que é profunda e persistente e as ascensões sociais são muito voláteis. Para criar uma sociedade com distribuição mais justa, é preciso garantir educação de qualidade principalmente para os mais pobres. Os Estados mais pobres têm mais problemas de acesso e qualidade na educação, então 100% das políticas educacionais precisam ter foco na desigualdade educacional”, diz a presidente do Todos.

Desafio na pré-escola

Cruz afirma que, somados aos problemas regionais, está a necessidade de diferentes estratégias para cada etapa de ensino. “Na faixa de 4 e 5 anos, é um desafio dos municípios, já que eles que são os responsáveis por essa etapa, de criar essas vagas, oferecer transporte, merenda, e está mais ligado a insumos, financiamento”.

O MEC (Ministério da Educação) disse que tem ajudado os municípios a colocar mais alunos na educação infantil. “A meta de universalização deve ser cumprida. Há uma parcela ainda de estudantes fora da pré-escola e há projetos para tornar mais acessível a ampliação de escolas e atingir a meta”, disse o secretário da Educação Básica do MEC, Manoel Palácios, em entrevista ao UOL no início deste mês.

Para a professora da UFMS, além da quantidade de alunos na escola, é preciso pensar também na qualidade da educação. “A pré-escola não pode ser escolarização precoce. A criança só pode aprender de verdade a ler e a escrever aos seis anos. Mas, sem qualificação dos professores, [os municípios] vão querer botar as crianças para escrever”, diz. “A pré-escola está preocupada com outras expressões, a artística, a corporal, a musical. Aprender a ler e escrever é consequência”.

Abandono no ensino médio

Apesar da meta garantir a inclusão dos alunos de 4 e 5, já que o ensino já era obrigatório de 6 a 17 anos até o ano passado, o grande problema são os adolescentes. De acordo com os dados, 17,4% dos jovens de 15 a 17 anos estão fora da escola. Nessa faixa etária, os grandes problemas são o abandono e a reprovação.

“No ensino médio o desafio é outro, porque temos um o grande problema de abandono escolar. Para esse jovem do século 21, a forma de fazer ensino médio no Brasil é anacrônica e expulsa de cara 10% dos alunos no primeiro ano”, afirma Cruz.

Os números também apontam, que apesar dos desafios, houve melhora no acesso à educação: há mais pobres, negros e pardos e moradores de zonas rurais na sala de aula. “É importante destacar e celebrar que o Brasil avançou justamente em relação às populações mais vulneráveis. A gente melhorou, está no caminho correto, agora precisa acelerar mais ainda”, afirma Cruz.

Atraso no ensino estimula abandono escolar, diz especialista do MEC

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Publicado em Folha de S.Paulo

A taxa de aprovação nas escolas brasileiras é de 89,2% no ensino fundamental, segundo o Ministério da Educação. Isso significa que um em cada dez alunos larga a escola ou repete logo na primeira fase escolar.

“No 1º ano do fundamental, ser reprovado é muito traumático para o aluno”, analisa Ernesto Faria, especialista em educação da Fundação Lemann.

Quem passa de série pelo modelo de progressão continuada também enfrenta problemas. O aluno pode passar de ano com atraso no aprendizado e, nesse caso, deveria receber reforço na série seguinte, mas isso muitas vezes não acontece.

Sem ajuda, estudantes acumulam defasagens e tornam-se candidatos a largar a escola. Por isso, índices de abandono e reprovação sobem a cada ano escolar.

No ensino médio, somente 80,3% dos alunos seguem para o ano seguinte. Ou seja: um em cada cinco fica pelo caminho.

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