Contando e Cantando (Volume 2)

Posts tagged Aberta

O livro que mudou a minha vida

1

A história de um personagem pode fazer com que o leitor se reconheça por meio de suas palavras e ações. O processo é chamado cientificamente de “identificação” e pode ajudar a resolver dilemas da vida cotidiana

Autoconhecimento para ajudar o próximo - Filho adotivo de mãe alemã e pai italiano, desde muito cedo Cláudio Assiz, 62 anos, foi incentivado à leitura. Foi seminarista, formou-se em História, Filosofia e Direito, trabalhou como radialista e acabou ingressando na carreira policial. Dedicou 35 anos da sua vida à Polícia Civil e, agora, aposentado e com mais tempo em mãos, dedica esse tempo aos animais. A rotina policial não é nada fácil, recorda Cláudio. “É uma atuação desconfortável, pois a Polícia tem a obrigação de ser a guardiã da sociedade.” Foi no ambiente familiar, na religião e na intimidade com livros que encontrou suporte que o permitiu ter uma visão aberta para entender os problemas sociais que rodeavam sua profissão. “Procurei praticar a polícia cidadã, sem violência. Julgar os atos e não as pessoas foi um discernimento que veio com os livros de filosofia”, diz. Em sua biblioteca já passaram desde a coleção completa de Monteiro Lobato a obras de filosofia, direito, antropologia, e esotéricos. Mas foi na leitura do Manual Básico de Teosofia, de Antônio Geraldo Buck, que Assiz encontrou respostas a algumas de suas inquietações. “O livro mistura ciência, religião e filosofia, e me aprofundou nas questões de autoconhecimento. E, ao me entender melhor, tenho mais compaixão e tolerância com o próximo”, conta (Wlater Alves / Gazeta do Povo)

(Wlater Alves / Gazeta do Povo)

Carol Benelli, no Gazeta do Povo

“Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros mudam as pessoas”, disse uma vez o poeta gaúcho Mário Quintana. Parece simples, mas como entender o significado que um livro tem para cada um?

Autoconhecimento para ajudar o próximo – Filho adotivo de mãe alemã e pai italiano, desde muito cedo Cláudio Assiz, 62 anos, foi incentivado à leitura. Foi seminarista, formou-se em História, Filosofia e Direito, trabalhou como radialista e acabou ingressando na carreira policial. Dedicou 35 anos da sua vida à Polícia Civil e, agora, aposentado e com mais tempo em mãos, dedica esse tempo aos animais. A rotina policial não é nada fácil, recorda Cláudio. “É uma atuação desconfortável, pois a Polícia tem a obrigação de ser a guardiã da sociedade.” Foi no ambiente familiar, na religião e na intimidade com livros que encontrou suporte que o permitiu ter uma visão aberta para entender os problemas sociais que rodeavam sua profissão. “Procurei praticar a polícia cidadã, sem violência. Julgar os atos e não as pessoas foi um discernimento que veio com os livros de filosofia”, diz. Em sua biblioteca já passaram desde a coleção completa de Monteiro Lobato a obras de filosofia, direito, antropologia, e esotéricos. Mas foi na leitura do Manual Básico de Teosofia, de Antônio Geraldo Buck, que Assiz encontrou respostas a algumas de suas inquietações. “O livro mistura ciência, religião e filosofia, e me aprofundou nas questões de autoconhecimento. E, ao me entender melhor, tenho mais compaixão e tolerância com o próximo”, conta

O escritor italiano Ítalo Calvino declara em seu livro Assunto Encerrado que as coisas que a literatura pode revelar são “pouco numerosas, mas insubstituíveis”. Nesses aprendizados estão sentimentos como a maneira de ver o próximo e a si mesmo, de atribuir valor às coisas, de encontrar as proporções da vida e o lugar do amor e morte nela, além de outros temas como a rudeza, a piedade, a tristeza, a ironia e o humor.

Em uma sociedade regida pelo relógio e de procura por respostas instantâneas, o tempo de leitura permite resgatar o contato com o “eu interior”. “Ao ler um livro, cria-se um espaço para que emoções e pensamentos se assentem, promovendo uma recomposição e reestruturação no nosso próprio ser”, revela o professor de História da América da Universidade Federal de São Paulo, Rafael Ruiz Gonzalez.

Além disso, a narrativa de um livro também tem grande poder transformador. “Quando a gente se defronta com uma história que fala com o ser humano na sua intimidade, é como se um sinal de ‘pare’ aparecesse na nossa frente”, lembra o professor.

Eu, personagem

Aristóteles dizia que imitar é próprio da natureza humana. Rafael Ruiz explica que durante a leitura “nos colocamos em diálogo com os personagens e nos vemos por meio de suas palavras e ações”. Esse processo psicológico é chamado de identificação. “O sujeito assimila um atributo, pensamentos ou comportamentos do outro e se transforma, total ou parcialmente, segundo o modelo que o outro fornece”, relata Naim Akel Filho, coordenador da especialização em Neurociência da PUCPR.

O neurocientista ainda vai além. Ele conta que “a personalidade se organiza a partir de nossas experiências, baseada nos modelos com os quais nos identificamos. Portanto, esse processo de identificação com personagens literários pode mesmo moldar a personalidade de alguém com a mesma força das figuras centrais da vida do sujeito”.

É a maturidade do leitor que vai fazer com que, ao folhear algumas obras, elas causem perturbações no comportamento. Indepen­­dentemente da idade, obras da literatura clássica sempre tem um lugar na cabeceira, pois já tiveram sua qualidade atestada. “O clássico é aquilo que foi confirmado pelo tempo porque atinge o ser humano em qualquer época ou lugar, comoveu e provocou questões no homem desde a antiguidade e o toca na sua essência”, orienta o professor Rafael Ruiz.

Silêncio, por favor

Você parou para pensar por que aquele conselho dado a uma pessoa próxima nunca é ouvido? Se o conselho não viesse falado, mas em forma de papel, seria diferente. Akel Filho explica que “quando lemos, rebaixamos nossas defesas racionais e deixamos a emoção e a fantasia substituírem a racionalidade. Por isso é mais fácil sermos seduzidos pela ‘ficção’ do que convencidos pelo mundo real”.

Pesa também que nem sempre as pessoas estão prontas para receber um conselho, e quando um amigo ou terapeuta fala, a sugestão é repelida. Enquanto que a literatura fala manso com o leitor, penetrando no seu coração e mente.

Remédio de papel
Entre tantos espaços de terapia para as inquietações da alma, que tal um lugar diferente, onde você entra, conta sua questão, e sai medicada com um livro? Pensando nisso, a paulista Angélica Ayres trouxe para Curitiba a Mahatma, Livraria de Expansão. “É um espaço onde são selecionados livros que podem ser úteis para uma tomada de decisão, mudança ou redirecionamento de vida”, conta.

Lá é possível encontrar livros de psicologia, comportamento, terapias complementares e até alguns de auto-ajuda. Com 34 anos de experiência no mercado editorial, Angélica é formada em Jornalismo e conta que instalou a livraria em um local calmo. “Não quero clientes de passagem, pois procuro pessoas que de fato querem refletir sobre suas vidas. E Curitiba é uma cidade mais introspectiva por causa do clima, o que favorece a leitura”.

O que diferencia o espaço de uma livraria comum é o atendimento personalizado dado a cada um dos clientes e o conhecimento que a proprietária tem do acervo. Angélica lembra, entretanto, que a literatura é somente uma das ferramentas possíveis para o autoconhecimento. “O livro não substitui algo que a pessoa precisa de caráter físico ou psicológico. É um caminho que vai ajudar as pessoas a entenderem suas necessidades”, pondera.

Coragem para enfrentar a vida - Por vezes, é nas páginas de um livro que as cortinas do teatro da vida se abrem. Foi o que aconteceu com a atriz e artista plástica Graci Mello, 32 anos, após a indicação do livro Montanha Mágica, de Thomas Mann, feita por um professor da universidade. A recomendação era de que era uma leitura obrigatória para a transição da fase adulta. “Acredito que quando era estudante estava carente de experiências, queria ver com meus próprios olhos, e não seguir o caminho que meus pais queriam e imaginaram para mim”, comenta. Nesse livro, a narrativa do personagem principal mostra que o medo é inerente e comum. “Saber disso permitiu enfrentar meus temores e não deixar o medo sobrepor à vontade de fazer as coisas”. E a história escrita a partir desse momento impactou a vida da atriz. Aos 23 anos, saiu da casa dos pais e foi morar com o namorado. “Estamos juntos há 17 anos e tem sido uma experiência linda. Sempre nos apoiamos muito e é um relacionamento tranquilo”, comenta. Parte do enfrentamento do “eu interior”, também tomou forma quando Graci decidiu fazer faculdade de Artes Cênicas. “Era muito envergonhada e, aos poucos, o teatro me mostrou como encarar as oportunidades que aparecem. Ensinou também a vivenciar o momento e não ter medo de me expor em público”, explica a atriz - (André Rodrigues / Gazeta do Povo)

(André Rodrigues / Gazeta do Povo)

Coragem para enfrentar a vida – Por vezes, é nas páginas de um livro que as cortinas do teatro da vida se abrem. Foi o que aconteceu com a atriz e artista plástica Graci Mello, 32 anos, após a indicação do livro Montanha Mágica, de Thomas Mann, feita por um professor da universidade. A recomendação era de que era uma leitura obrigatória para a transição da fase adulta. “Acredito que quando era estudante estava carente de experiências, queria ver com meus próprios olhos, e não seguir o caminho que meus pais queriam e imaginaram para mim”, comenta. Nesse livro, a narrativa do personagem principal mostra que o medo é inerente e comum. “Saber disso permitiu enfrentar meus temores e não deixar o medo sobrepor à vontade de fazer as coisas”. E a história escrita a partir desse momento impactou a vida da atriz. Aos 23 anos, saiu da casa dos pais e foi morar com o namorado. “Estamos juntos há 17 anos e tem sido uma experiência linda. Sempre nos apoiamos muito e é um relacionamento tranquilo”, comenta. Parte do enfrentamento do “eu interior”, também tomou forma quando Graci decidiu fazer faculdade de Artes Cênicas. “Era muito envergonhada e, aos poucos, o teatro me mostrou como encarar as oportunidades que aparecem. Ensinou também a vivenciar o momento e não ter medo de me expor em público”, explica a atriz

As diversas vidas que vivemos - O que seria da vida se fosse possível despir-se de preconceitos e aceitar a transição e a constante mudança? Para Cláudia Janiscki, 43 anos, especialista em I Ching e numeróloga, esse desafio teve início ao ler um livro milenar chinês. “Ler o I Ching ou Livro das Mutações foi como olhar no espelho. Fez com que eu enxergasse com clareza minhas vontades e qual caminho tomar para transformar aquilo que me causava insatisfação”, explica. Na época, Cláudia era dentista e não hesitou em largar anos de prática para tomar a estrada do auto-conhecimento. De lá pra cá, com o aprofundamento das questões humanas, também veio tranquilidade e a descoberta de um novo caminho trabalhando com pessoas. “Abri uma escola de ioga, onde pude praticar uma atividade que trazia benefícios diretos ao público. Agora, estou focada em numerologia e leitura de I Ching e acredito que não existe limite para melhorar e mudar”, comenta - (Daniel Castellano / Gazeta do Povo)

 (Daniel Castellano / Gazeta do Povo)

As diversas vidas que vivemos – O que seria da vida se fosse possível despir-se de preconceitos e aceitar a transição e a constante mudança? Para Cláudia Janiscki, 43 anos, especialista em I Ching e numeróloga, esse desafio teve início ao ler um livro milenar chinês. “Ler o I Ching ou Livro das Mutações foi como olhar no espelho. Fez com que eu enxergasse com clareza minhas vontades e qual caminho tomar para transformar aquilo que me causava insatisfação”, explica. Na época, Cláudia era dentista e não hesitou em largar anos de prática para tomar a estrada do auto-conhecimento. De lá pra cá, com o aprofundamento das questões humanas, também veio tranquilidade e a descoberta de um novo caminho trabalhando com pessoas. “Abri uma escola de ioga, onde pude praticar uma atividade que trazia benefícios diretos ao público. Agora, estou focada em numerologia e leitura de I Ching e acredito que não existe limite para melhorar e mudar”, comenta.

dica do Chicco Sal

Prêmio Jabuti anuncia livros finalistas da primeira etapa; veja lista completa

0

Publicado por Folha de S.Paulo

O comitê organizador do Jabuti, mais tradicional prêmio literário do país, divulgou nesta quarta (18) os resultados da primeira fase de sua 55ª edição, com os dez finalistas de cada uma de suas 27 categorias.

A apuração dos votos, aberta ao público, foi realizada na terça (17), na sede da Câmara Brasileira do Livro, no centro de São Paulo, mas os votos passaram por auditoria até a noite de ontem, para a correção de eventuais erros na contagem ou nas inscrições.

O escritor Evandro Affonso Ferreira, autor de "O Mendigo que Sabia de Cor os Adágios de Erasmo de Rotterdam" (Record), romance mais bem avaliado pelos jurados na primeira fase do Jabuti (Paula Giolito/Folhapress)

O escritor Evandro Affonso Ferreira, autor de “O Mendigo que Sabia de Cor os Adágios de Erasmo de Rotterdam” (Record), romance mais bem avaliado pelos jurados na primeira fase do Jabuti (Paula Giolito/Folhapress)

Nesta primeira etapa, cada um dos três jurados por categoria deu notas de 8 a 10 a dez títulos escolhidos por eles dentre todos os inscritos na categoria em questão –assim, um título que leva 10 de um único jurado fica atrás de outro que recebe 8 de outros dois jurados.

Algumas categorias têm mais de dez finalistas devido a empates –o principal caso foi o de livros de educação, categoria em que dois dos três jurados deram notas 10 para todos os títulos selecionados. Na avaliação do curador do prêmio, José Luiz Goldfarb, foi uma resposta dos jurados à eliminação da possibilidade de dar notas zero aos finalistas –nota que, no ano passado, o crítico literário Rodrigo Gurgel, o “jurado C” na categoria romance, deu a várias obras que analisou.

Na segunda fase, a ser divulgada em 17 de outubro, os resultados são zerados, e os mesmos três jurados avaliam todos os dez livros finalistas em suas categorias. Assim, um livro que inicialmente tenha sido bem avaliado por um só jurado, ficando com pontuação mais baixa na primeira etapa, pode vencer na final se os outros dois também o avaliarem bem.

Dois livros de editoras do Grupo Folha, que edita a Folha, estão entre os finalistas do Jabuti: “História da Imprensa Paulista”, de Oscar Pilagallo (Três Estrelas), na categoria Comunicação; e “Comidinhas Vegetarianas”, de Rita Taraborelli (Publifolha), na categoria Gastronomia.

O prêmio para o vencedor em cada categoria é de R$ 3.500. Em 13 de novembro, serão conhecidos os vencedores do livro do ano de ficção e de não ficção, cada qual reunindo alguma das categorias iniciais. Esses receberão mais R$ 35 mil cada um.

O conselho curador do Jabuti é formado por José Luiz Goldfarb, Antonio Carlos Sartini, Frederico Barbosa, Luis Carlos Menezes, Marcia Ligia Guidin. Os jurados são conhecidos apenas na cerimônia de entrega do prêmio.

Veja, abaixo, os finalistas da primeira etapa.

CATEGORIAS DE FICÇÃO

Romance

1) “O Mendigo que Sabia de Cor os Adágios de Erasmo de Rotterdam” (Record), de Evandro Afonso Ferreira
2) “Barba Ensopada de Sangue” (Companhia das Letras), de Daniel Galera
3) “O que Deu Para Fazer em Matéria de História de Amor” (Companhia das Letras), de Elvira Vigna
4) “Mar Azul” (Rocco), de Paloma Vidal
5) “Sagrada Família” (Objetiva), de Zuenir Ventura
6) “O Céu dos Suicidas” (Alfaguara), de Ricardo Lísias
7) “Quiçá” (Record), de Luisa Geisler
8) “Valentia” (Grua), de Deborah Kietzmann Goldemberg
8) “Carbono Pautado” (Record), de Rodrigo de Souza Leão
9) “Era Meu Esse Rosto” (Record), de Marcia Tiburi
10) “Glória” (7Letras), de Victor Heringer

Contos ou crônicas

1) “Diálogos Impossíveis” (Objetiva), de Luis Fernando Verissimo
2) “Páginas sem Glória” (Companhia das Letras), de Sérgio Sant’Anna
3) “Aquela Água Toda” (Cosac Naify), de João Anzanello Carrascoza
4) “Essa Coisa Brilhante que É a Chuva” (Record), de Cintia Moscovich
5) “Garranchos”, textos inéditos de Graciliano Ramos (Record)
6) “Bem-vindo – Histórias com as Cidades de Nomes Mais Bonitos e Misteriosos do Brasil” (Bertrand Brasil), de Fabricio Carpinejar
6) “Cheiro de Chocolate e Outras Histórias” (Nova Alexandria), de Roniwalter Jatobá
7) “A Verdadeira História do Alfabeto” (Companhia das Letras), de Noemi Jaffe
8) “O Tempo em Estado Sólido” (Grua), de Tércia Montenegro
9) “Réveillon e Outros Dias” (Record), de Rafael Gallo
10) “São Paulo -1971-2011” (Olhares), de Luiz Ruffato, Ignacio de Loyola Brandão, Tony Belloto, Vanessa Barbara
10) “Vento sobre Terra Vermelha” (8Inverso), de Caio Riter
10) “Copacabana Dreams” (Cosac Naify), de Natércia Pontes

Poesia

1) “A Voz do Ventríloquo” (Edith), de Ademir Assunção
2) “Porventura” (Record), de Antonio Cicero
3) “Raymundo Curupyra, o Caypora” (Tordesilhas), de Glauco Mattoso
4) “Deste Lugar” (Ateliê), de Paulo Franchetti
5) “Formas do Nada” (Companhia das Letras), de Paulo Henriques Britto
6) “Um Útero É do Tamanho de um Punho” (Cosac Naify), de Angélica Freitas
7) “O Amor e Depois” (Iluminuras), de Mariana Ianelli
7) “A Praça Azul e Tempo de Vidro” (Paes), de Samarone Lima
8) “Vário Som” (Patua), de Elisa Andrade Buzzo
9) “Variações do Mar” (7Letras), de Josoaldo Lima Rêgo
10) “A Cicatriz de Marilyn Monroe” (Iluminuras), Contador Borges

Infantil

1) “Felizes Quase Sempre” (34), de Antonio Prata
2) “Os 33 Porquinhos” (Objetiva), de José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta
3) “Ela Tem Olhos de Céu” (Gaivota), de Socorro Accioli
4) “A Pedra na Praça” (Rovlle), de Sofia Mariz e Tatiana Mariz
5) “Os Meninos de Marte” (Melhoramentos), de Ziraldo
5) “A Ilha do Crocodilo – Contos e Lendas do Timor Leste” (FTD), de Geraldo Costa
5) “Visita à Baleia” (Positivo), de Paulo Venturelli
5) “Era Uma Vez Duas Linhas” (Iluminuras), de Alonso Alvarez
5) “Contos da Terra do Gelo” (Editora do Brasil), de Rogério Andrade Barbosa
5) “Caixinha de Guardar o Tempo” (Gaivota), Alessandra Roscoe
6) “Psssssssssssssiu!” (Callis), de Silvana Tavano e Daniel Kondo
7) “Primeira Palavra” (Abacatte), de Tino Freitas
8) “Tom” (Projeto), de André Neves
8) “Com Afeto e Alfabeto” (Edelbra), de Dilan Camargo
9) “Estrelas de São João” (Manati), de Graziela Bozana Hetzel
10) “Cultura” (Iluminuras), de Arnaldo Antunes (mais…)

Alunos da UFPI assistem aula em almoxarifado por falta de salas

0

Campus de Parnaíba é o segundo maior da Universidade Federal do Piauí.
As 740 turmas do próximo período contam com 33 salas de aula.

Patrícia Andrade, no G1

Alunos e professores do Campus Universitário de Parnaíba, no Litoral do Piauí, denunciam a falta de estrutura para as atividades de ensino, pesquisa e extensão. No segundo maior campus da Universidade Federal do Piauí, os mais de 4.300 alunos estão com número reduzido de salas de aulas, acervo bibliográfico e material pedagógico insuficiente. Alunos do curso de Psicologia estão assistindo aula no almoxarifado. Outras turmas chegaram a ser improvisadas no auditório e em salas do Departamento de Recursos Humanos.

Alunos do curso de Psicologia assistem aula em almoxarifado, local improvisado (Foto: Patrícia Andrade/G1)

Alunos do curso de Psicologia assistem aula em almoxarifado, local improvisado (Foto: Patrícia Andrade/G1)

Os professores e alunos disputam três datas show disponibilizados pela universidade. Não há ônibus suficiente para atender as atividades de campo. “Precisamos de um ônibus semana passada para uma atividade de campo e não conseguimos. A atividade será feita porque o prefeito disponibilizou um veículo”, disse a estudante Janaína Leocadio, do 6º bloco do curso de Turismo.

Nos 11 cursos de graduação ofertados no campus de Parnaíba há pelo menos 740 turmas formadas para o início do próximo período letivo em outubro. A direção tem feito uma verdadeira manobra para distribuir as turmas em apenas 33 salas de aulas.
O Diretório Central dos Estudantes chegou a elaborar uma carta aberta à toda comunidade relatando todos os problemas na universidade.

De acordo com o diretor do campus, Prof. Alexandre Marinho, o processo com todas as necessidades do campus foram enviadas ainda em fevereiro para a administração superior, inclusive, com a demanda real das salas, mas até agora o projeto não foi executado. Segundo ele, às segundas-feiras há 65 turmas das 20h às 22h para serem distribuídas em 33 salas e nos demais dias da semana a situação não chega a ser diferente.

Diretor do campus diz que todas as necessidades do campus foram enviadas à administração superior (Foto: Patrícia Andrade/G1)

Diretor do campus diz que todas as necessidades
do campus foram enviadas à administração
superior (Foto: Patrícia Andrade/G1)

“Nós mandamos todo o planejamento previsto para o campus e suas necessidades. No processo que foi enviado para a reitoria pedimos 73 terceirizados e no edital da licitação foram colocados apenas 59. A área do campus, que é de 45.340 m², foi colocada no edital como apenas 13 mil m². Está claro que há um boicote ao campus de Parnaíba com editais nesse formato para minar a gestão”, desabafou o diretor.

O analista de sistema Daniel Rocha, presidente do Sindicato dos Servidores Técnicos da UFPI em Parnaíba, questiona o formato dos contratos com as empresas terceirizadas e a falta de concurso público para atender o déficit de servidores efetivos.

“Estamos assistindo o sucateamento do campus. Foram feitos dois aditivos no contrato com a empresa anterior a essa que está atualmente. Então há todo um formato estranho que não dá para entender. É como se houvesse uma proteção a essas empresas”, disse Daniel.

José Arimatéia Dantas Lopes, reitor da UFPI, diz que projeto para novas salas está em andamento (Foto: Patrícia Andrade/G1)

José Arimatéia Dantas Lopes, reitor da UFPI, diz que
projeto para novas salas está em andamento
(Foto: Patrícia Andrade/G1)

Procurada pela G1, a administração superior da universidade disse que não há diferenciação entre os campi e que pelo menos 50% dos processos enviados pelo Campus Universitário de Parnaíba já foram atendidos. O reitor da UFPI, José Arimatéria Dantas, disse que todos os processos cumprem os procedimentos previstos na legislação.

Sobre a construção de novas salas de aula, o reitor disse que o projeto está em fase de finalização para que seja licitado, mas não deu prazos para a execução das obras. Já sobre a terceirização de alguns serviços, o reitor disse que as empresas são contratadas para atender a demanda de cargos que já foram extintos como servente de limpeza, cozinheiro e motorista.

A administração superior da UFPI disse ainda que entregará, no próximo mês, quatro ônibus para os Campi de Parnaíba, Picos, Floriano e Bom Jesus.

Unidade de pisicultura permanece fechada e alunos fazem estágio no CE (Foto: Janaina Leocadio)

Unidade de pisicultura permanece fechada e alunos
fazem estágio no CE (Foto: Janaina Leocadio)

A Unidade de Piscicultura está desativada e segundo o diretor Alexandro Marinho está faltando equipamento para os laboratórios e ainda a ativação dos tanques. O espaço seria uma extensão para o curso Engenharia de Pesca, que só é ofertado no Campus de Parnaíba. “Os estudantes estão fazendo as atividades de estágio em Pentecoste, no Ceará, a mais de 400 quilômetros e custeando as despesas da viagem porque a unidade não tem condições ainda”, disse.

O reitor José Arimatéia Dantas disse que o local está pronto e equipado para receber as atividades.

Paralisação de serviços
Uma recente paralisação dos servidores terceirizados deixou a instituição sem manutenção e limpeza. Os trabalhadores contratados por meio da empresa Mafra Manutenção Serviços de Conservação e Limpeza Ltda estão com as atividades paralisadas há mais de uma semana. Eles alegam que há dois meses não recebem os salários, equipamentos de proteção individual e que a empresa não tem depositado o FGTS e pago outros benefícios como salário família, ticket alimentação e vale transporte.

Estudantes fizeram a limpeza de alguns espaços do campus (Foto: Reprodução/Facebook)

Estudantes fizeram a limpeza de alguns espaços do campus (Foto: Reprodução/Facebook)

Com a suspensão dos serviços, o Restaurante Universitário permanece fechado. Banheiros e salas estão sem limpeza há vários dias. Por uma semana, o Campus também ficou sem água porque a bomba do reservatório queimou.

O G1 esteve no campus e constatou a sujeira espalhada pela instituição e banheiros sujos. Alguns laboratórios para o ensino de Microbiologia e Fisiologia Humana estavam sem manutenção e com diversos materiais de alto risco de contaminação expostos. A limpeza foi suspensa com a paralisação dos servidores terceirizados.

Lixo dos laboratórios ficaram expostos durante a paralisação dos servidores (Foto: Patrícia Andrade/G1)

Lixo dos laboratórios ficaram expostos durante a paralisação dos servidores (Foto: Patrícia Andrade/G1)

O atendimento na Clínica de Fisioterapia também ficou comprometido. Pelo menos 200 pessoas são atendidas no espaço que é uma extensão para as atividades do curso de Fisioterapia que é ofertado apenas no Campus de Parnaíba.

“Algumas estagiárias da clinica estão apenas recolhendo o lixo e mantendo os setores organizados. Como não tem ninguém na recepção, os estagiários ficam se revezando nos horários livres e ficam lá porque sempre aparece alguém querendo informação ou colocar o nome na lista de espera”, relatou a estudante Luiza Couto, aluna do 9º período do curso de Fisioterapia.

Sobre a paralisação, a administração superior da UFPI disse que a empresa Mafra Manutenção Serviços de Conservação e Limpeza Ltda pagou um dos meses em atraso e foi multada por descumprir alguns pontos do contrato. A UFPI também disse que já está em andamento um novo processo licitatório para a substituição da empresa.

O G1 tentou contato por telefone e e-mail com a empresa Mafra Manutenção Serviços de Conservação e Limpeza Ltda, mas não obtivemos retorno.

Segundo o reitor José Arimatéria Dantas, todos os funcionários dos Restaurantes Universitários serão contratados por uma nova empresa, a Servfaz-Serviços e Mão de Obra Ltda. No entanto, o Ministério Público Federal já abriu procedimento administrativo para averiguar a ocorrência de irregularidades na condução do pregão eletrônico nº 115/2013, feito para contratar os serviços terceirizados.

Maurício de Souza e Ziraldo vão se unir em projeto online de estímulo à leitura

0

Os dois escritores querem usar a internet para difundir a leitura no Brasil. O programa será baseado no método Kumon de aprendizagem

Alana Gandra, no Terra

Ziraldo diz que é preciso incentivar a leitura entre as crianças Foto: Agência Brasil

Ziraldo diz que é preciso incentivar a leitura entre as crianças
Foto: Agência Brasil

Maurício de Souza e Ziraldo, dois dos escritores e ilustradores de maior alcance com o público infantil, querem usar a internet para ampliar o número de leitores no País, por meio do método Kumon de aprendizagem. Esse método de ensino foi criado na década de 1950, no Japão, pelo professor de matemática Toru Kumon, e estimula o aluno a gostar de aprender e a se sentir seguro no processo de aprendizagem.

Ziraldo disse que é preciso fazer algo diferente para que a leitura seja um hábito nacional. “Eu acho que se a gente não tomar providências para fazer um movimento agressivo para transformar o Brasil em um País de leitores, a gente vai ficar nesse rame-rame a vida inteira, botando todo ano uma legião de analfabetos no mercado”, disse o escritor e ilustrador que será homenageado na 16ª Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, que será aberta no próximo dia 29.

Para ele, o ser humano só fica pronto depois que sabe ler, escrever e contar (a história que leu). “Não adianta ter os cinco sentidos e ser analfabeto”, argumentou. Ziraldo que acredita que ler dá autonomia às pessoas.

Se o cara não lê, não escreve e não conta, ele não pode ser educado. Não tem condição
Ziraldo
escritor

A ideia de lançar um método Kumon de leitura começou a ser alinhavada entre os dois ilustradores e consiste em usar suas personagens principais – a Mônica, de Maurício de Souza, e o Menino Maluquinho, de Ziraldo – em um programa de televisão educativo. “Nós vamos inventar um jeito de usar o sistema online para poder fazer o brasileiro gostar de ler. É um experimento. Temos que juntar os dois caras que lidam com a criança no Brasil há mais tempo. O Maurício já sabe mexer com a televisão e eu vou explorar a competência dele”.

Para o criador do Menino Maluquinho, a escola brasileira não sabe ensinar as crianças a gostar de ler porque, em geral, as próprias professoras não foram habituadas a ler quando crianças. Ziraldo, no entanto, destaca que a educação no Brasil não chega a ser um problema. Por isso, o objetivo dele e do criador da Turma da Mônica, com o projeto do estilo Kumon, é colaborar para a formação de mais leitores no país. “Se o cara não lê, não escreve e não conta, ele não pode ser educado. Não tem condição”.

Fungos ameaçam acervo da Biblioteca Mário de Andrade em SP

0

Raquel Cozer, na Folha de S.Paulo

Parte do acervo da Biblioteca Mário de Andrade, o segundo maior do país, está infestado por fungos. O problema foi diagnosticado menos de dois anos após o encerramento de uma extensa reforma em seu prédio principal, ocorrida entre 2007 e 2011.

Levantamento interno feito entre dezembro de 2012 e fevereiro deste ano constatou que ao menos 15 dos 22 andares com acervo na torre principal da biblioteca, no centro de São Paulo, foram atingidos em alguma medida.

Foram 18 mil livros -incluindo raros, mais antigos- afetados, dentre os cerca de 340 mil que ficam nesses andares. No total, a biblioteca tem 7 milhões de itens, considerando livros, periódicos, mapas, fotos e documentos.

A questão foi identificada no ano passado por Maria Christina Barbosa de Almeida, que dirigiu a biblioteca no segundo mandato de Gilberto Kassab (PSD) na Prefeitura de São Paulo -gestão que iniciou a reforma na biblioteca.

Sala de periódicos da biblioteca, aberta ao público - Ze Carlos Barretta/Folhapress

Sala de periódicos da biblioteca, aberta ao público – Ze Carlos Barretta/Folhapress

Em março, ao passar o bastão para o novo diretor, o professor da USP Luiz Bagolin, ela entregou relatório apontando problemas na climatização. Indicado por Juca Ferreira, secretário de Cultura na gestão Fernando Haddad (PT), Bagolin assumiu o cargo oficialmente há um mês.

“A ocorrência chama a atenção. Não deveria haver fungos, já que o sistema é climatizado”, disse ele à Folha.

Os fungos resultaram de uma umidade acima do ideal nos andares climatizados -chegando a superar os 60%, quando o recomendado para acervos bibliográficos é 45%.

Como quase todos os R$ 7 milhões do orçamento de 2013 da instituição já estavam empenhados quando Bagolin assumiu, foi necessário um adendo de R$ 400 mil para a higienização e restauro. O trabalho, já iniciado, deve durar de seis meses a um ano.

Nenhum livro chegou a se perder, segundo a instituição, mas volumes infectados ficam inacessíveis ao público, já que têm potencial para causar doenças, e podem ficar deformados.
Procurada para comentar o caso, a ex-diretora Maria Christina preferiu repassar à Folha o relatório que entregou a Bagolin em março.

O texto informa que, até 2007, só os cinco primeiros andares da torre, inaugurada em 1942, eram climatizados. Nunca haviam sido identificados fungos, embora uma infestação por brocas tenha atingido o acervo em 2006.

O sistema de ar condicionado começou a ser instalado em 2008 e a funcionar no segundo semestre de 2011. Entre projeto, instalação e manutenção, três empresas se envolveram no processo.

No início de 2012, foram percebidas deformidades em livros, causadas por fungos. Medidas como higienização e troca de equipamentos foram tomadas, mas no final do ano a situação se agravou.

Em maio deste ano, a biblioteca contratou o Instituto de Pesquisas Tecnológicas para diagnosticar os fungos; agora, especialistas buscam a origem do problema.

“Não sabemos se o projeto de ar condicionado está inadequado; se está adequado, mas a instalação teve problemas; ou se o projeto está adequado, a instalação está adequada e alguma coisa se desregulou”, diz Bagolin.

Segundo ele, como a SP Obras fiscalizou a instalação em 2011, as empresas envolvidas não têm responsabilidade legal sobre o sistema.

O diretor lembra que a Mário de Andrade está de longe em condições melhores que a maior biblioteca do país, a Fundação Biblioteca Nacional, do Rio. Para ele, os fungos refletem um problema crônico nacional. “O Brasil engatinha no que diz respeito à preservação de acervos.”

Editoria de Arte/Folhapress

Editoria de Arte/Folhapress

DIGITALIZAÇÃO

A questão da preservação inclui a digitalização, em relação à qual Bagolin tem visão diferente da gestão anterior. Em vez de terceirizar o serviço, como vinha sendo feito, ele vem organizando um setor interno, para o qual contratou três funcionários.

“Temos 2.000 itens digitalizados num acervo de 7 milhões. Vejo no setor interno não só o serviço da digitalização, mas a aquisição de conhecimento e a chance de desenvolver pesquisa”, diz.

Para 2014, a meta é comprar equipamentos básicos, que devem custar R$ 800 mil.

Outros mais caros, como robôs que viram as páginas sozinhos -como na Biblioteca Mindlin, atual parceira da Mário de Andrade na digitalização-, não são prioridade, já que obras raras têm de ser digitalizadas primeiro e suas páginas precisam ser viradas manualmente.

Outra meta é criar uma sala para crianças, hoje inexistente na instituição. O projeto, estimado em R$ 400 mil, será apresentado em outubro, em evento sobre políticas públicas para a infância.

É claro que as ideias dependem da boa vontade da atual gestão no município. Em 2012 e 2013, a BMA teve orçamentos de, respectivamente, R$ 6 milhões (após projetar R$ 11 milhões) e R$ 7 milhões (após projetar R$ 13 milhões). Para 2014, a meta é conseguir R$ 20 milhões.

RAIO-X LUIZ BAGOLIN

Bagolin, novo diretor da BMA - Eduardo Anizelli/Folhapress

Bagolin, novo diretor da BMA – Eduardo Anizelli/Folhapress

Origem
Nasceu em 1964, em Ribeirão Preto (SP)

Formação
Artista plástico, com mestrado e doutorado em filosofia pela USP

Carreira
Professor e pesquisador do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB/USP)

Go to Top