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Livro infantil se inspira em Baudelaire; leia crítica de Luiz Felipe Pondé

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Ilustração de ‘Charles na Escola de Dragões’

Luiz Felipe Pondé, na Folhinha

A literatura infantil sempre trabalhou a figura do patinho feio como o “diferente” que sofre na escola. Apesar de com frequência se falar das crianças como anjos, a verdade não é bem essa: a vida infantil, e a escola como seu palco central, é um drama intenso de insegurança, dor, alegria e medo, que exige da criança muita coragem e a sorte de encontrar amigos.

Charles na Escola de Dragões” não foge à regra de ser um livro sobre um patinho feio obrigado a descobrir “sua diferença” para sobreviver. Mas, ao contrário de um bicho bonitinho, o livro fala de dragões e, com isso, defende a diferença de forma clara: dragões também podem ser fofinhos e sofrer como patinhos.

Charles, o pequeno dragão, tem asas muito grandes e pés enormes e, por isso, quase desiste de ser um dragão “normal”.

Além do mais, é poeta e sofre com isso. O livro é inspirado em “Albatroz”, poema do francês Charles Baudelaire, considerado rebelde por chocar a sociedade do seu tempo (século 19) com textos que traziam sua melancolia e descrença no mundo moderno; vale lembrar que “Albatroz” faz parte da sua obra máxima, “Flores do Mal”… O nome já diz tudo…

Mas, diferentemente da ave de Baudelaire, que acaba por sobre o chão, imersa num mundo onde a poesia não vale nada, Charles terá final feliz. Baudelaire para crianças, claro, não pode ser Baudelaire até o fim.

Ken Follett: “Se o leitor se envolve emocionalmente, o livro vira sucesso”

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Publicado na Época

O escritor de “Os pilares da Terra” lança no Brasil “Inverno do mundo”, o segundo volume de uma trilogia sobre o século XX

O escritor Ken Follet na Espanha
(Foto: Carlos Alvarez/Getty Images)

Idade Média, século XX, hoje em dia como em qualquer outro dia, não há limites para a imaginação do escritor galês Ken Follett. Ele é um dos autores mais vendidos do mundo. Em 27 anos de carreira, lançou 21 romances e já vendeu mais de 500 milhões de exemplares em 35 idiomas. Aos 63 anos, ele acaba de lançar simultaneamente em 18 países o romance Inverno do mundo (editora Arqueiro, 880 páginas, R$ 59,90, tradução de Fernanda Abreu). É o segundo volume da trilogia O século, iniciada há dois anos com Queda de gigantes.

Trata-se de uma saga em construção sobre as conturbações do século XX, entre guerras, revoluções, transformações sociais e culturais. O narrador em terceira pessoa acompanha simultaneamente o destino de cinco famílias – americana, alemã, russa, inglesa e galesa –, que se altera e se entrelaça diante das transformações por que passa o mundo. Se o primeiro volume narra a imigração e a Primeira Guerra Mundial, o segundo aborda a ascensão do nazismo. O livro é ambientado no ano de 1933. Em Berlim, a jovem Carla Von Ulrich testemunha a ascensão de Hitler e o envolvimento de sua família com o Nacional Socialismo. É o momento do exílio, que leva Carla a conhecer os personagens que desfilam pelo livro em blocos narrativos paralelos.

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Follett já abordou a Idade Média na série Os pilares da Terra – que foi adaptada com sucesso para a televisão. Ficou famoso com romances policiais, gênero no qual desenvolveu uma narrativa que hoje é seguida por diversos aspirantes a escritores de sucesso. Em entrevista a ÉPOCA, dada por e-mail, Ken Follett afirma que o ser humano é fundamentalmente o mesmo, não importando a época e as condições políticas e econômicas em que viveu ou viverá.

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ÉPOCA – Por que o senhor escolheu enfrentar um assunto tão complexo e grandioso como o século XX, após ter abordado a construção das catedrais na Idade Média em Os pilares da Terra?
Ken Follett
– O século XX é o mais dramático da história da humanidade, com duas grandes guerras e a crise da bomba atômica. Também é o século em que a maior parte dos meus leitores nasceu. É a história de todos nós: quem somos e de onde viemos.

Inverno do Mundo (editora Arqueiro, 880 páginas, R$ 59,90, tradução de Fernanda Abreu) (Foto: Reprodução)

ÉPOCA – Qual foi o maior desafio para abordar as turbulências do século XX e, ao mesmo tempo, fazer um retrato da vida íntima de uma galeria de dezenas de personagens que desfilam pela trilogia O século?
Follett
– Como sempre, o desafio é mostrar a história como parte da vida diária de homens e mulheres.

ÉPOCA – É mais difícil criar personagens e cenários na Idade Média ou no século XX?
Follett
– Não é muito diferente. O mundo mudou bastante desde a Idade Média, mas as pessoas são fundamentalmente as mesmas. As pessoas da Idade Média e as de hoje possuem as mesmas paixões e medos.

ÉPOCA – Como o senhor descreve o método de narrar e criar personagens que o senhor desenvolveu ao longo da sua carreira?
Follett
– Meu método é planejar o livro nos mínimos detalhes antes de escrevê-lo. Isso me ajuda a garantir que haverá sempre um motivo para virar a página e continuar a ler a histórias. Desenvolvi minha maneira de narrar, baseando-me em autores de todos os tempos. Às vezes eles têm ideias e técnicas que eu posso adaptar facilmente. Mas há ocasiões em que só me espanto, sem conseguir adaptar coisa alguma.

ÉPOCA – Qual o segredo para contar uma história que provoque entusiasmo e criar um romance de sucesso nos dias de hoje?
Follett
– A única coisa que importa é que o leitor se envolva emocionalmente com o enredo. Ele ou ela precisa sentir a ansiedade, o medo, a raiva e outras emoções. Se a história consegue fazer isso, será um sucesso popular.

ÉPOCA – O senhor acha que as novas possibilidades tecnológicas, como e-books, tablets e leitores digitais, estão pondo em risco a vida literária tal como a conhecemos?
Follett
– Acredito que a tecnologia oferece uma oportunidade para nós no mundo dos livros. Ela vai levar nosso trabalho a mais pessoas. Não temos nada a temer com a tecnologia.

ÉPOCA – Escrever para o senhor é uma busca ou é pura diversão? Qual o seu objetivo quando o senhor escreve?
Follett
– Meu objetivo é deixar o leitor tão interessado na história que ele vai acabar preferindo o mundo imaginário ao real, e ficar desapontado quando chegar o momento de fechar o livro e ir dormir.

ÉPOCA – O senhor já cogitou em escrever uma narrativa “intelectual” e experimental? E em voltar aos livros de suspense?
Follett –
Nunca pensei em ser experimental. Voltar ao suspense, talvez, um dia.

ÉPOCA – Que tipo de interação e relacionamento o senhor mantém com seus leitores?
Follett
– Eu recebo cartas, e-mails e tweets dos meus leitores, e respondo a todos eles.

Jesus Potter, Harry Cristo

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O autor Derek Murphy acaba de promover o lançamento de seu novo livro. Desde já ele está criando  polêmica com “Jesus Potter, Harry Christ”, que tem como subtítulo “a fascinante história do Jesus literário”.

O livro, que estará disponível no final de dezembro, explora as semelhanças e as relações entre Jesus e Harry. Sua conclusão é que a única diferença entre Harry Potter e Jesus Cristo é que Jesus tem tradicionalmente sido considerado por seus seguidores um personagem histórico.

Segundo a editora, o livro “não é principalmente sobre Harry Potter, mas sobre a história religiosa, a mitologia astrológica, o simbolismo esotérico e a tradição literária de Jesus Cristo. O título apenas se refere ao argumento central deste livro: Jesus Cristo e Harry Potter têm muito em comum. O aspecto principal é o fato de que ambos são construções literárias, ou em outras palavras, personagens de ficção.

Derek Murphy, que estudou teologia na ilha de Malta e está agora na Ásia, fazendo doutorado em literatura comparada, afirma: “Eu sempre fui um grande fã de Harry Potter. Como eu estava fazendo minha pesquisa sobre religião e literatura esotérica, descobri tantos paralelismos entre Harry, Jesus e as fontes ainda mais antigas. Fiz a minha tese de mestrado sobre a influência mística tanto em Harry Potter quanto na literatura bíblica.

O mais fascinante, especialmente à luz da controvérsia em torno do livros de Harry Potter (que promoveriam a feitiçaria e o satanismo entre as crianças, etc), é que estas semelhanças vêm sobretudo de fontes pré-cristãs”.

O fato de no final da saga, que reúne 7 volumes, onde Harry acaba morrendo uma morte sacrifical e ressuscita para derrotar de uma vez por todas seu arqui-inimigo, Valdemort, contribui muito para as comparações e paralelos. Cerca de uma dúzia de outros livros sobre a relação entre Jesus e Harry Potter já foram publicados. A maioria é de autores cristãos ansiosos em ajudar a suavizar a tensão entre a popularidade de Harry e as comunidades conservadoras que desejam denunciá-lo como agente do mal. “Jesus Potter, Harry Christ” porém, é um livro para mudar esse jogo, defendendo que as semelhanças entre Jesus e Harry não fazem Harry mais “santo” – apenas tornar Jesus mais obviamente fictício. “A verdadeira questão que precisamos fazer não é se Harry Potter é uma ‘figura de Cristo’ (semelhante a um salvador histórico religioso), mas se Jesus Cristo é uma” figura de Potter “(um redentor, criado a partir de símbolos mitológicos e filosóficos), argumenta o livro.

O livro será lançado em 21 de dezembror (solstício de inverno e aniversário do autor). Conheça melhor o material em www.jesuspotterharrychrist.com.

Fonte: Holy Blasphemy

Tradução e edição: Jarbas Aragão. Todos os direitos de tradução reservados

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