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Nightflyers, escrito por George R. R. Martin, será relançado no Brasil

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Victor Tadeu, no Desencaixados

Há alguns meses o Grupo Companhia das Letras anunciou ter comprado os diretos para publicar os títulos de George R. R. Martin no Brasil, inclusive relançou os três primeiros livros de As Crônicas de Gelo e Fogo, porém este mês estará lançamento mais uma obra do escritor.

Nightflyers foi publicado pela primeira vez no Brasil pela Editora LeYa como Voadores da Noite, mas no dia 17 de junho a Editora Suma, selo do Grupo Companhia das Letras, lançará uma nova edição da obra, incluindo ilustrações.

Sinopse:

Nas fronteiras do universo, uma expedição científica composta de nove acadêmicos dá início à missão de estudar os volcryn, uma misteriosa raça alienígena. Existem, no entanto, mistérios mais perigosos a bordo da própria nave. A Nightflyer, única embarcação que se dispôs à missão, é uma maravilha tecnológica: completamente automatizada e pilotada por uma única pessoa. O capitão Royd Eris, porém, não se mistura com a tripulação – conversando apenas através de comunicadores e se apresentando somente por holograma, ele mais parece um fantasma do que um líder.

Quando Thale Lassamer, o telepata do grupo, começa a detectar uma presença desconhecida e ameaçadora por perto, a tripulação se agita e as desconfianças aumentam. E a garantia de Royd sobre a segurança de todos é posta à prova quando uma entidade malévola começa uma sangrenta onda de assassinatos.

Oficialmente publicada em 1980, o título ganhou uma adaptação cinematográfica em 1987 e durante 2018 foi adaptada em série pela Syfy, mas acabou sendo cancelada após a 1a temporada.

Com faculdades públicas e sem vestibular, Argentina atrai cada vez mais universitários brasileiros

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Getty Images
Image caption Estudantes na Universidade de Buenos Aires, que tem 4% de estrangeiros, principalmente brasileiros

A possibilidade de estudar gratuitamente no exterior sem ter que prestar vestibulares tem atraído número crescente de universitários brasileiros para as universidades argentinas – a ponto de causar incômodo em alguns setores acadêmicos do país vizinho.

Marcia Carmo, na BBC Brasil

Nos últimos anos, a presença de estudantes brasileiros de diferentes regiões passou a ser cada vez mais frequente em cidades como Buenos Aires, La Plata e Rosario, onde estão algumas das principais universidades públicas da Argentina.

Há alunos brasileiros também em universidades menos conhecidas, como a do balneário de Mar del Plata, a 400 km de Buenos Aires.

O curso de Medicina é o mais procurado pelos brasileiros, segundo assessores das instituições de ensino argentinas.

O sistema universitário argentino exige dos brasileiros apenas o diploma do ensino médio, reconhecido nos ministérios da Educação do Brasil e da Argentina, e um documento de identidade (o DNI, emitido pelas autoridades migratórias). O desempenho do aluno no ensino médio não é avaliado. No caso do DNI, o processo foi simplificado nos últimos anos, mas o agendamento para o início da emissão do documento pode demorar alguns meses.

Sem vestibular

Diferentemente das universidades brasileiras, as universidades públicas argentinas não têm limites de vagas para vários cursos, incluindo os de Medicina, de acordo com a assessoria de imprensa das instituições acadêmicas. Essa facilidade de ingresso tem sido um chamariz para estudantes brasileiros.

Outro fator de peso, segundo acadêmicos ouvidos pela BBC Brasil, é a crise econômica brasileira.

“Nos perguntamos aqui por que tantos alunos brasileiros vieram nos últimos dois ou três anos e entendemos que o período coincide com a crise no Brasil”, disse um assessor acadêmico, pedindo para não ser identificado. “Sem dúvida, o que vem ocorrendo nos últimos tempos chama a atenção”, disse outro.

A Faculdade de Medicina da Universidade Nacional de La Plata (UNLP), a uma hora e meia de Buenos Aires, registrava em 2015 apenas 11 alunos brasileiros. Esse número saltou para 311 em 2017 e, neste ano, há 566 universitários brasileiros matriculados.

A reitoria da Faculdade de Medicina da UNLP diz que, nesse caso específico, o aumento é explicado pelo recente fim da exigência da prova de admissão, colocando em prática uma lei nacional de 2015.

“As provas (de admissão) deixaram de ser exigência para todas as universidades desde o retorno da democracia, nos anos 1980. Mas, por serem autônomas, algumas delas ainda aplicavam provas”, explica o reitor da Universidade Nacional de Rosário (UNR), Hector Floriani, à BBC Brasil.

Ali, dos cerca de 4 mil alunos de Medicina, 1,5 mil são brasileiros.

A UNR, assim como a Universidade de Buenos Aires (UBA), já não exigia há anos o exame de admissão, nem mesmo para o curso de Medicina.

Para facilitar a vida dos que chegam de fora, algumas universidades ainda oferecem cursos grátis de espanhol, antes de as aulas na faculdade começarem.

A brasileira Raquel Moraes, 25 anos, estudou Engenharia durante cinco anos na Universidade de Brasília e decidiu passar para Medicina. Ela está no primeiro ano da Universidade de La Plata e conta que optou por Buenos Aires justamente pela gratuidade e facilidade de ingresso. “Tem muitos brasileiros estudando aqui”, agrega.

Críticas

No entanto, o acesso ilimitado e gratuito – que é igual para argentinos e estrangeiros – começa a despertar críticas em alguns setores acadêmicos.

Ainda de forma incipiente, há quem defenda que o acesso continue irrestrito, mas apenas para os estrangeiros que cursaram os ensinos fundamental e médio na Argentina e que provavelmente continuarão vivendo no país.

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Image caption Alguns setores acadêmicos já manifestam preocupação com a presença crescente de brasileiros, uma vez que as universidades são financiadas com dinheiro do contribuinte

“A Argentina tem mais de 20% de pobres. Não é mais um país rico. Como podemos sustentar a educação da classe média brasileira?”, questiona um assessor acadêmico.

O reitor Floriani, da UNR, admite que a crescente presença brasileira tem causado preocupação.

“É interessante contar com alunos estrangeiros, porque a troca é enriquecedora. Mas depende da quantidade de alunos. Mil e quinhentos (brasileiros) é um número elevado. Além disso, não existe um sistema de reciprocidade. Não imagino que uma universidade federal brasileira receba 1,5 mil alunos argentinos”, diz ele, destacando ainda que 80% do sistema universitário argentino é financiado por dinheiro público.

Segundo o reitor, algumas famílias brasileiras têm achado mais vantajoso economicamente enviar o filho para uma universidade argentina, mesmo pagando passagem e estadia, do que mantê-lo em uma universidade particular brasileira. Isso apesar de o custo de vida não estar baixo na Argentina, onde a inflação deve chegar a 20% neste ano.

Procurados pela BBC Brasil, o Ministério da Educação da Argentina e o Consulado do Brasil no país vizinho informaram não ter dados atualizados sobre estudantes brasileiros nas universidades públicas.

Em São Paulo, o ex-ministro brasileiro da Educação Renato Janine Ribeiro concorda que a gratuidade do ensino e a não existência do vestibular são os motivos que atraem os estudantes brasileiros para as universidades argentinas. “É muito difícil entrar para uma universidade pública (no Brasil), principalmente em Medicina, e as particulares são caras”, destaca.

Mesmo no ensino particular há grande discrepância de valores. O preço da mensalidade de Medicina na faculdade Barceló, em Buenos Aires, onde a presença de brasileiros é a maior entre estudantes estrangeiros, é de 7,5 mil pesos (cerca de R$ 1.250). Já a mensalidade de uma faculdade particular no Brasil pode variar entre R$ 3,5 mil e mais de R$ 7 mil.

“Temos estudantes brasileiros de vários lugares do Brasil, como Rio de Janeiro, Mato Grosso e Fortaleza”, diz o Departamento de Relações Institucionais e Admissão da Barceló.

Janine afirma ainda que a tradição do ensino argentino também contribui para atrair brasileiros, lembrando que ainda é “muito baixo” (20%) o percentual de brasileiros entre 18 e 24 anos matriculados no ensino superior.

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Image caption Analista diz que é mais fácil entrar em universidades argentinas, mas também é mais difícil concluir cursos

Fácil entrar, difícil sair?

O especialista argentino Alieto Guadagni, membro da Academia Argentina de Educação, é um dos que tem levantado hipóteses para a maior presença de alunos brasileiros nas universidades argentinas.

“Será que esses alunos não passaram no Enem no Brasil e buscam as universidades argentinas como alternativa?”, questiona.

Ao mesmo tempo, Guadagni afirma ainda que, embora seja mais fácil ser admitido, “é mais difícil concluir a faculdade na Argentina”.

Ele cita dados oficiais de 2015 que apontam que, a cada 10 mil habitantes na Argentina, 29 estudantes concluíram a universidade (não há dados específicos sobre estudantes brasileiros) naquele ano. Sob os mesmos critérios, no Brasil foram 56 estudantes.

“Ou o ensino aqui é mais exigente ou os alunos estão menos preparados quando entram na universidade e por isso têm dificuldade de chegar ao final da faculdade”, analisa Guadagni.

Como regra própria, a Universidade de Buenos Aires, a maior da Argentina, ministra o Ciclo Básico Comum (CBC), que é o primeiro ano de estudo na instituição e vale para estudantes de todas as áreas, incluindo Medicina. O curso pode ser ministrado até à distância.

O CBC é cursado durante um ano e oferece cursos específicos paralelos, como compreensão de texto e matemática, para aqueles que apresentam dificuldades para acompanhar o ritmo das matérias. O objetivo, informou a UBA, é “nivelar” a educação dos alunos para facilitar o ensino e aprendizagem “igualitários” nas aulas.

‘Meus pais não poderiam pagar’

A brasileira Rafaela Laiz, 20 anos, começou a cursar à distância o CBC neste ano e pretende se mudar de Lajinha (MG) para a Argentina em 2019, para cursar Medicina na UBA.

“Quero ser cardiologista, mas a faculdade aqui no Brasil é muito cara, em torno de R$ 5 mil. Meus pais não poderiam pagar. Por isso, me inscrevi no CBC da UBA, e no ano que vem vou para Buenos Aires”, conta. “Já soube que a prova para revalidar meu diploma argentino aqui no Brasil é bem difícil, mas mesmo assim vale a pena.”

O Revalida é o exame anual realizado no Brasil para que brasileiros ou estrangeiros que cursaram Medicina no exterior possam exercer a carreira de médico no país. O exame, aplicado pelo INEP (ligado ao Ministério da Educação), é considerado exigente. Em 2016, o índice de reprovação chegou a quase 60%.

A UBA, escolhida por Rafaela Laiz, tem 300 mil alunos (40 mil em Medicina) – sendo 4% deles estrangeiros, liderados por brasileiros, que começaram a chegar em maior número a partir de 2016.

Os últimos dados disponíveis apontam que mais de 60% dos brasileiros que estudam na UBA escolhem a carreira de Medicina.

O subsecretário de Assuntos Internacionais de UBA, Patrício Conejero, diz à BBC Brasil que o destaque da instituição nos rankings universitários internacionais acaba atraindo estrangeiros.

“O acesso à universidade é igual para argentinos e estrangeiros. A presença de estudantes estrangeiros contribui para melhorar nossa performance internacional”, opina.

“Os alunos que não competem têm melhor saúde mental”, diz educador

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 Pioneiro da aprendizagem cooperativa David Johnson Víctor Sainz

Pioneiro da aprendizagem cooperativa David Johnson Víctor Sainz

Pioneiro da aprendizagem cooperativa David Johnson esclarece por que escolas deveriam adotar esse modelo

Ana Torres Menárguez, no El País

Nos anos sessenta David Johnson (Indiana, 1940) e seu irmão Roger começaram uma cruzada contra a aprendizagem competitiva e individualista que imperava nas escolas dos Estados Unidos. Seu objetivo era romper com a crença de que somente os mais aptos sobrevivem e demonstrar que a aprendizagem cooperativa era a chave para o aluno se enquadrar na sociedade, encontrar um emprego no futuro e saber superar a ansiedade. Fundaram o Centro de Aprendizagem Cooperativa da Universidade de Minnesota e desde então publicaram mais de 100 pesquisas e formaram mais de um milhão de professores de diferentes partes do mundo. Hoje têm unidades de formação na China, Japão, Noruega e Espanha, onde se ensina uma metodologia desenvolvida por eles e assentada em cinco pilares.

Considerados os pais da aprendizagem cooperativa, os irmãos Johnson foram os primeiros a compilar e avaliar mais de 550 estudos publicados sobre o tema desde 1898 para depois elaborar suas próprias pesquisas, trabalho pelo qual receberam mais de uma dezena de prêmios, entre os quais o Brock International Prize for Education, em 2007, concedido pela Universidade de Oklahoma.

David Johnson, professor de Psicologia Educacional na Universidade de Minnesota, respondeu às perguntas do EL PAÍS no I Congresso de Inovação Educativa, realizado há duas semanas em Zaragoza, na Espanha, e organizado pelo Governo de Aragão, um fórum de dois dias ao qual compareceram 1.400 professores para intercambiar experiências sobre as últimas metodologias na sala de aula.

Pergunta. O que é a aprendizagem cooperativa e por que deveria ser adotada nas escolas?

Resposta. Muita gente tem uma ideia equivocada. Juntar pessoas numa mesma sala, sentá-las em círculo e dizer-lhes que são um grupo não quer dizer que vão cooperar de forma eficaz. É necessário que existam cinco elementos essenciais que são os que integram nossa metodologia. O mais importante é a interdependência positiva, que implica que todos os integrantes do grupo percebam que o sucesso individual não se dará se não triunfarem todos. Se um falhar, todos perdem. A chave é entender que os esforços individuais não serão em benefício próprio, mas do grupo. Esse método de trabalho consegue fazer com que as pessoas se preocupem com o sucesso das demais, um fator básico para a convivência. Se as escolas promovem a cultura de ser o número um, ao mesmo tempo estão incentivando esses mesmos alunos a desestimular e obstruir os esforços dos outros. Nas competições só ganham alguns poucos.

P. Seus estudos demonstraram que a competitividade entre alunos não melhora os resultados acadêmicos. Por que esse sistema continua instituído nas escolas?

R. Em meados dos anos sessenta, quando Roger e eu começamos a nos interessar pelo tema, a competitividade e o individualismo dominavam os sistemas de ensino no primário, secundário e na universidade. Era o chamado darwinismo social, que consiste em aplicar a teoria da evolução de Darwin ao campo educacional: os estudantes têm de aprender a sobreviver em um mundo no qual uns comem os outros e somente os mais aptos sobrevivem. Nesse momento, a aprendizagem cooperativa era relativamente desconhecida e ignorada pelos educadores. Felizmente, hoje é uma das metodologias escolhidas em todos os níveis educacionais. É muito raro encontrar um professor que não conheça esse tipo de aprendizagem.

P. Qual o principal problema nas salas de aula?

R. A interação entre estudantes é completamente ignorada. Os programas de formação de professores dedicam a maior parte do tempo a ensinar os professores a lidar com os alunos e mostram a eles como devem reagir aos materiais de aula. No entanto, a interação entre os alunos é essencial e diz muito sobre como aprendem ou sobre quanta autoestima serão capazes de adquirir. Não faz sentido que os alunos compitam uns com os outros para ver quem tira dez e fica acima dos outros. Esse modelo está ultrapassado e até as empresas de tecnologia como a IBM contratam aqueles que sabem trabalhar em grupo. No início dos anos 2000, uma pesquisa de uma empresa de consultoria observou que a principal razão pela qual os norte-americanos abandonam seus empregos é a falta de habilidades sociais de seus chefes. O individualismo não funciona mais.

P. Por que vocês são considerados os pais da aprendizagem cooperativa? Qual a contribuição de vocês que as pesquisas anteriores não fizeram?

R. Podemos ser considerados pioneiros da aprendizagem cooperativa da era moderna, mas antes de nós houve dezenas de autores. O filósofo romano Sêneca defendia esse tipo de aprendizagem com afirmações como Qui docet discet, que significa que aquele que ensina aprende duas vezes. No movimento pela escola pública nos Estados Unidos do início do século XIX também houve uma forte defesa dessa corrente. Não é algo novo. O fato de enfrentar pontos de vista opostos gera incerteza e leva a pessoa a buscar mais informações para chegar a uma conclusão mais refinada e fundamentada. Além disso, nossos estudos demonstram que o aluno deve reestruturar a informação para retê-la na memória e uma maneira de fazer isso é explicar algo em voz alta a um terceiro.

P. De seus estudos se depreende que a aprendizagem cooperativa exige mais esforço e apesar disso é mais atraente para os estudantes.

R. Os benefícios podem ser divididos em três grandes grupos: um maior esforço para conseguir o que se deseja, uma melhoria nas relações interpessoais e também na saúde psicológica. O cooperativo é mais complexo do que o individualista porque o aluno deve se conectar ao mesmo tempo com a tarefa a ser feita e com o grupo. Os membros da equipe têm de aprender a liderar, a escolher um ponto de vista, a se comunicar e gerenciar os conflitos. Nossas pesquisas mostram que eles trabalham mais duro quando o fazem isso em grupo do que sozinhos. Aumenta a retenção de informação, eles têm maior capacidade de desenvolver argumentos, maior motivação para continuar aprendendo depois da aula e melhores estratégias para a resolução de problemas.

P. Parece que os estudantes que cooperam sabem lidar melhor com seu caráter e têm mais resistência à ansiedade. Por quê?

R. Cada vez que dois alunos trabalham juntos, o relacionamento muda: eles se entendem melhor e se apoiam mutuamente tanto no aspecto acadêmico quanto no pessoal. Quando não competem, sua saúde mental melhora; ganham autoestima e sua capacidade de lidar com o estresse melhora. O grau de vínculo emocional entre os estudantes tem um profundo efeito sobre seu comportamento em sala de aula. Quanto mais positiva for essa relação, menores serão as taxas de absenteísmo e evasão escolar. O sentimento de responsabilidade sobre o grupo incentiva o desejo de realizar projetos de maior dificuldade e melhora a motivação e a persistência para atingir um objetivo comum. O grupo se sente unido contra ataques externos ou críticas e aumenta o compromisso com o crescimento pessoal e acadêmico do resto dos membros da equipe. As crianças que necessitam de tratamento psicológico costumam ter menos amigos e suas amizades são menos estáveis no longo prazo. A essência da saúde psicológica é a capacidade de construir, manter e modificar as relações com os outros para alcançar determinados objetivos. Aqueles que não são capazes de lidar com isso geralmente apresentam níveis mais elevados de ansiedade, depressão, frustração e sentimentos de solidão. São menos produtivos e menos eficazes no combate à adversidade.

Acadêmicos da UEMS criam aplicativos que encontram festas e livros

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Gabriel de Biasi (Party), Rogers Prates e Rodolpho Pivetta (Busca Livro) – Divulgação

Gabriel de Biasi (Party), Rogers Prates e Rodolpho Pivetta (Busca Livro) – Divulgação

Publicado no Agora MS

Hoje em dia, a maioria das pessoas fica grande parte do tempo utilizando o celular, por isto aplicativos com as mais variadas funções são criados e utilizados rotineiramente. Pensando neste meio de oportunidades, acadêmicos de Ciência da Computação da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), em Dourados, criaram dois aplicativos, um que rastreia as baladas mais próximas e outro que ajuda a encontrar livros em bibliotecas. Os trabalhos ficaram, respectivamente, em 1º e 2º lugar na categoria ensino superior, no eixo ciências exatas da Feira de Ciências e Engenharias (FECEN).

Como ideia central do trabalho de conclusão de curso, o acadêmico do 4º ano de Ciência da Computação, da UEMS de Dourados, Gabriel de Biasi, desenvolveu o “Party!”, que é um aplicativo de divulgação de eventos e localização de baladas mais próximas. A aplicação ganhou a medalha de primeiro lugar na categoria de Melhor Engenhoca no eixo Graduação/Exatas e o troféu de melhor projeto no eixo Graduação.

Segundo Biasi, o sistema utiliza os dados de localização geográfica do aparelho para procurar por eventos que estejam próximos. Previamente, os promotores de eventos podem inscrever os eventos a partir de um site de gerenciamento. Logo, os eventos ficam disponíveis para consulta via GPS ou por busca de uma cidade inteira.

“Como acadêmico da UEMS, eu mesmo me deparei com o problema de não saber quais eventos estão ocorrendo perto de mim, tendo em vista que uma cidade universitária pode ter festas de vários estilos. Então decidi criar este aplicativo. Pretendo realizar a extensão de suporte para todo o país e criar uma empresa que seja responsável pela parceira comercial com os promotores de eventos”, ressaltou Biasi.

O trabalho foi orientado pelo professor, Rubens Barbosa Filho. E está disponível apenas para o sistema operacional Android, com previsão futura para implementação para os sistemas iOS (iPhone) e para Windows Phone, também pode ser acessado pelo site: http://party-biasi.rhcloud.com/

O “Busca Livro” foi criado pelos alunos, também do 4º ano de Ciência da Computação da UEMS de Dourados, Rogers Prates e Rodolpho Pivetta, e orientado pela professora, Glaucia Gabriel Sass. O aplicativo é utilizado para buscas em acervos bibliográficos e tem o objetivo de encontrar livros no acervo das bibliotecas da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) e da UEMS. Mas através do Busca Livro o aluno pode pesquisar nos dois acervos ao mesmo tempo, podendo comparar os resultados, ver em qual acervo existe a versão mais recente, além de ser um aplicativo preparado para Smartphone, já que os sistemas atuais ficam desconfigurados nos celulares. Outro recurso interessante do aplicativo é que ele verifica em tempo real a quantidade de itens disponíveis. A busca foi melhorada, utilizando motores de buscas avançados.

“Pretendemos anexar mais bibliotecas, a começar pela Unigran e Anhanguera. Colocar alertas quando um livro pretendido estiver disponível, entre outros. A ideia surgiu como tema para o TCC, pois queríamos algo que fosse útil para a comunidade acadêmica, até mesmo como forma de agradecimento por todo o conhecimento que a universidade nos possibilitou adquirir”, disseram.

O aplicativo é apenas para celulares android (Busca Livro), mas o site buscalivro.info pode ser acessado por qualquer dispositivo, computador, celular, tablet etc. – independente do sistema operacional.

De acordo com a professora, Glaucia Gabriel Sass, orientadora do “Busca Livro”, trabalhos como estes são importantes, pois permitem aos alunos estudarem e conhecerem as tecnologias mais recentes na área de computação. “Os conceitos e tecnologias evoluem muito rapidamente, a prática desenvolvida na disciplina de projeto final de curso (Ciência da Computação) leva os alunos a trabalharem com novas linguagens de programação e bancos de dados que estão despontando no mercado. O conhecimento adquirido representa um diferencial dos nossos alunos em relação a outros”, disse.

FECEN

A Feira de Ciências e Engenharias (FECEN), aconteceu de 16 a 20 de novembro no campus da UFGD e foi credenciada pela Universidade de São Paulo (USP) para apresentar a melhor engenhoca na FEBRACE – Feira Brasileira de Ciências e Engenharias -, que ocorrerá em 2016 na capital paulista.

O que faz uma universidade ser top mundial?

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O Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) lidera o ranking das melhores universidades do mundo, que tem a Universidade de São Paulo (USP) como a instituição brasileira mais bem colocada, na 132ª posição.

Universidades focadas em pesquisas científicas têm maiores chances de estarem no topo de ranking

Universidades focadas em pesquisas científicas têm maiores chances de estarem no topo de ranking

Publicado por BBC

É o terceiro ano que a universidade americana, famosa por suas pesquisas em ciência e tecnologia, lidera o respeitado ranking mundial QS. A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), na 206ª posição, e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na 271ª, são as outras duas instituições brasileiras entre as 300 melhores.

Mas o que faz uma universidade ser considerada uma das melhores do mundo?

O principal fator levado em conta no ranking QS, publicado há dez anos, é a reputação acadêmica. Este cálculo é feito através de uma enquete com mais de 60 mil acadêmicos (professores, pesquisadores e palestrantes) em todo o mundo, que avaliaram instituições que não fossem as suas próprias.

Isto significa que universidades com nomes mais estabelecidos e respeitados têm chances de ter um desempenho melhor, disse o diretor-gerente do QS, Ben Sowter.

O ranking analisa também as pesquisas publicadas e quantas vezes elas foram citadas por outros pesquisadores, além da proporção do corpo docente para estudantes.

Estes três elementos – reputação, citações e proporção de professores – representam 80% do ranking. Há também observações sobre o grau de internacionalização da equipe acadêmica e dos estudantes.

Diante disso, as melhores escolas provavelmente serão universidades grandes e prestigiadas, com foco em pesquisa, que possuem respeitados departamentos de ciências e muitas colaborações internacionais.

O Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) apareceu como a melhor universidade pelo 3º ano

O Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) apareceu como a melhor universidade pelo 3º ano

Eis um exemplo: as britânicas Cambridge e Imperial College empataram no segundo lugar do ranking. Os acadêmicos destacaram as pesquisas em ciência e tecnologia do Imperial College, que estava na quinta posição no ano passado.

Entre os projetos da universidade está o desenvolvimento do “iKnife”, uma faca que pode alertar o cirurgião se o tecido que está sendo cortado é cancerígeno ou não, e de uma garrafa de água comestível, que reduziria a poluição e o desperdício causados pelas embalagens de plástico convencionais.

Em quarto lugar no ranking está a Universidade de Harvard, a mais rica de todo o mundo. E outras duas instituições britânicas dividem o quinto lugar – a College London e Oxford.

Os rankings são justos?
No entanto, não é difícil perceber as limitações dos rankings universitários. Eles medem os atributos da universidade ao invés de avaliar seus alunos e produzem uma lista dominada por um tipo específico de instituição, a que dá ênfase a pesquisas científicas.

O resultado é que escolas pequenas, especializadas, na área de artes ou sem foco em pesquisa, por exemplo, não aparecem com destaque, independentemente da qualidade que têm. Além disso, a ênfase na reputação reforçará a vantagem daquelas que já são famosas.

Por fim, os primeiros postos neste ranking são exclusivamente preenchidos com universidades em língua inglesa.

Apesar desses poréns, é difícil negar a importância que tais classificações têm. Elas se tornaram uma parte inescapável da reputação e imagem das universidades, ajudando-as a atrair estudantes, professores e investimento em pesquisa.

“Os rankings, para melhor ou pior, têm sido muito influentes entre alunos, líderes governamentais e algumas universidades em vários países”, disse Philip Altbach, diretor do Centro de Educação Superior Internacional do Boston College.

Mas ele alerta sobre o que realmente está sendo avaliado. Instituições que não realizam pesquisas deveriam ser comparadas em rankings destinados a universidades focadas em pesquisas?

Ranking elogiou Imperial College, onde uma garrafa de água comestível está em desenvolvimento

Ranking elogiou Imperial College, onde uma garrafa de água comestível está em desenvolvimento

A União Europeia lançou neste ano um novo comparativo de universidades, o U-Multirank. Ele dá ênfase menor à reputação das instituições e permite que estudantes selecionem seus próprios critérios de comparação.

A ideia parte do princípio de que um aluno interessado em um curso na área de humanas, por exemplo, não se beneficia muito de um ranking focado em universidades com projetos de pesquisa científica.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que lançou o pioneiro teste Pisa em escolas, também quer começar a comparar o ensino superior.

Segundo o diretor de educação da entidade, Andreas Schleicher, há uma demanda pública para que se avalie a qualidade das universidades. Mas ao invés de analisar aspectos das instituições – como verbas, pessoal e instalações – ele está interessado em saber o que os estudantes estão aprendendo.

Propostas para um tipo diferente de classificação das universidades deverão ser apresentadas aos governos da OCDE em breve, disse ele.

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