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“Livro adulto” de J.K. Rowling acerta ao se dedicar a tema social, mas erra em estilo

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Alcir Pécora, na Folha de S.Paulo

Em termos estilísticos, “Morte Súbita”, primeiro “romance adulto” (seja lá o que isso queira dizer) de J.K. Rowling, autora de “Harry Potter”, é um livro sem interesse. Em particular, é ruim o emprego das comparações e metáforas, as quais quase sempre trazem referências juvenis banais.

Pode-se alegar que o objetivo da autora é manter-se no horizonte das personagens do romance, vários deles adolescentes, mas o recurso não ajuda o conjunto do romance a ver além delas.

Também o procedimento de imitar o modo de falar de drogados e de pessoas sem instrução funciona mal, pois trai um artificialismo rudimentar que dificulta em vez de franquear o efeito “realista” desejado.

O narrador onisciente, que sabe tudo o que as personagens fazem, falam e pensam, é o mais quadrado possível. Os seus comentários colocados entre parênteses, assim como os diálogos das personagens pontuados com os sentimentos verdadeiros em itálico, são procedimentos tão primários como balões de pensamento em gibi.

Carlo Allegri/Reuters
J.K. Rowling, autora da série "Harry Potter", lança "Morte Súbita"
J.K. Rowling, autora da série “Harry Potter”, lança “Morte Súbita”

Isto dito, no âmbito do seu próprio gênero retrô de romance social -os romances de George Sand (1804-1876), por exemplo, foram bem lembrados pela crítica europeia-, é um bom livro, no sentido de que se dedica ao “estudo” de uma questão social importante.

E a questão é a seguinte: uma determinação de ajustes financeiros e fiscais emanada do governo central inglês repercute no conselho de um distrito de West Country (a mesma região de origem da autora) basicamente em termos de corte dos benefícios sociais para uma comunidade carente que se formara nos limites do lugarejo.

A face pior dos cortes é que eles fornecem o mote político que acolhe todo tipo de mediocridade e preconceito provincianos.

PERSONAGENS

Para mostrá-lo, a autora apresenta oito núcleos familiares, com a formação básica de um casal, a maioria em torno de 40 anos, e seus filhos, quase todos com 16 anos.

Metade das famílias é de gente local e bem estabelecida, e a outra metade é formada por egressos de outras cidades, sendo uma delas estrangeira, de origem sikh, além de um núcleo totalmente desajustado, no qual à falta de condições materiais se junta a dependência de heroína, o assédio do traficante e as dificuldades de manter a guarda do filho pequeno.

Esse conjunto, uma aglomeração organizada de 19 adultos e 11 filhos, admite escalonamentos. Por exemplo, de cada núcleo o narrador tende a enfocar com destaque apenas um adulto e um adolescente.

E dentro desse grupo menor, são protagonistas, no sentido de que têm direito à revelação direta de seus pensamentos mais íntimos, oito adultos e cinco adolescentes.

RAIVA

A raiva é o traço comum entre todas as personagens. Ela penetra as relações sociais, nas quais os mais ricos odeiam os mais pobres e são odiados por eles, mas também as geracionais, pois pais e filhos estão em constante guerra entre si, e ainda as relações locais, nas quais os moradores antigos e os mais recentes se detestam, e todos odeiam o mundo real.

E isto vai até o ponto de abjeção em que estupidez, ressentimento e racismo se alimentam e finalmente explodem, previsivelmente, contra o que está mais perto e é mais indefeso.

Ou seja, a falta de fantasia, a recusa da “mágica”, de que se lamentam os fãs de “Harry Potter”, é o que há de melhor nesse livro.

A dureza de suas constatações nada originais tem a dureza das coisas, tais como caminham na Inglaterra e no mundo.

ALCIR PÉCORA é professor de teoria literária da Unicamp e autor de “Máquina de Gêneros” (Edusp).

Aluna de Rio Preto, SP, acerta todas as questões da 1ª fase da Unesp

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Estudante mostra o gabarito corrigido com 100% de acerto. Questões de 26 a 30 quase foram passadas erradas para o gabarito, mas ela percebeu o erro a tempo (Foto: Marcos Lavezo/G1)

Marcos Lavezo, no G1

Tirar nota 10 em uma prova difícil é o objetivo de todo estudante. Gabaritar um dos vestibulares mais concorridos do Brasil, então, é uma missão quase impossível. Mas não para a estudante de São José do Rio Preto (SP) Elisa Carmo de Pina, de 18 anos, que acertou todas as 90 questões do vestibular da Universidade Estadual Paulista (Unesp) para o curso de medicina.

A estudante ficou em primeiro lugar no curso nesta primeira fase. Para gabaritar o vestibular, ela afirma que o importante não são só os estudos. “É claro que tem de estudar muito, mas isso apenas não adianta se você estiver nervoso e desconcentrado no dia da prova. Por isso, além de estudar, o mais importante é ter tranquilidade”, afirma a aluna.

Elisa soube que gabaritou a prova horas depois de prestar o vestibular, no dia 18 de novembro, enquanto corrigia o gabarito com a mãe, Marlene Pina. Ela conta que, a cada questão que acertava, ficava cada vez mais nervosa. “Quando saí da prova falei para a minha mãe que tinha ido muito bem e estava muito feliz, mas nunca ia imaginar que iria acertar todas as questões”, diz a estudante. Para ela, história foi a parte mais difícil, já que prefere a parte de exatas e biológicas.

Elisa contraria quem acha que foi uma questão de sorte. “Chutei apenas uma, porque estava em dúvida entre duas alternativas. No restante eu sabia todas. Me preparei muito para o vestibular e estava bem tranquila no dia, o que me ajudou bastante”, comenta.

Candidata ficou em 1º lugar na classificação geral (Foto: Reprodução / Site da Unesp)

A estudante faz um curso preparatório para vestibular há dois anos, no qual estuda das 7h às 14h. Na parte da tarde, ela alterna os estudos em casa e as aulas complementares do cursinho. “Esta maratona de estudos e vestibular é uma rotina cansativa. Não tem fim de semana, não tem feriado, mas é preciso conciliar com outras atividades para não ficar maluco. Há dois meses que é um vestibular atrás de outro, sem um fim de semana livre sequer”, afirma.

Além do vestibular da Unesp, Elisa fez a prova da primeira fase da Fuvest, que seleciona para vagas na Universidade de São Paulo (USP) e vai prestar a prova da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), da Faculdade de Medicina de Marília (Famema) e também da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), todas para o curso de medicina.

E ainda se prepara para a segunda fase da Unesp, que acontece nos dias 16 e 17 deste mês, com provas dissertativas e redação. “Esta segunda fase será muito mais difícil, mas eu gosto mais de provas dissertativas. O problema para mim será a redação, mas já venho fazendo aulas extras para melhorar até lá.”

Para os estudantes que vão prestar a segunda fase da Unesp, Elisa dá uma dica importante: ter tranquilidade, principalmente na hora de fazer a prova. “Não adianta você estudar o dia inteiro e chegar na prova nervoso e não lembrar do que estudou. É importante ter tranquilidade e, é claro, estudar muito. A maratona de vestibular exige isso. Vou fazer aniversário no dia 12 de dezembro e não vou fazer festa, porque terei muitos vestibulares até o fim do ano e preciso estudar”, afirma.

Para a mãe de Elisa, Marlene Pina, ver a filha acertar todas as questões de um vestibular é motivo de orgulho. Ela faz questão de levar a filha para todos os exames que ela presta. “Ela estava muito feliz quando saiu da prova da Unesp e, à noite, a gente corrigiu juntas o gabarito. Foi uma emoção muito grande ver que ela estava acertando todas. A Elisa se dedica bastante. Nem precisamos ficar cobrando os estudos dela, porque ela é muito responsável. Merece ter acertado todas as questões”, diz a mãe.

‘Nunca vi isso’

Professor do ensino médio e de cursos pré-vestibulares há 12 anos, Jair Vieira Júnior afirma que nunca viu um aluno acertar todas as questões de um vestibular, principalmente um dos mais difíceis do Estado de São Paulo. “Eu estava no colégio quando me disseram que um aluno tinha acertado 83 questões, o que para mim já é um grande feito. Agora, quando me falaram que a Elisa tinha acertado todas, eu não acreditava. Ela é uma menina dedicada e disciplinada, merece passar neste vestibular”, afirma.

Professor de biologia de Elisa, ele se sente um pouco “culpado” por ela ter ido tão bem. “Como ela foi minha aluna, me sinto um pouco realizado também por ela ter conquistado o que alcançava, ainda mais por ela escolher medicina, uma área que acaba envolvendo a minha área também”, diz.

Para as provas da segunda fase da Unesp, Jair recomenda que o aluno tenha organização na hora de fazer a prova. Segundo ele, o candidato não pode perder muito tempo para não se apressar no fim do exame. “Os textos das respostas devem estar bem organizados para que o examinador não se confunda ou perca muito tempo na correção. Porque eles não vão fazer muito esforço para corrigir, se as respostas não estiverem boas”, explica.

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