Posts tagged acesso à leitura

Fundação lança primeira biblioteca on-line para cegos do Brasil

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Publicado em Folha de S.Paulo

A Fundação Dorina Nowill para Cegos, de São Paulo, lançou em agosto a primeira biblioteca on-line para pessoas com deficiência visual do Brasil.

Até o final do ano, o acervo deve ter cerca de 4.500 títulos, sendo 700 deles dedicados ao público infantil. Para se ter acesso ao conteúdo, que é gratuito, é preciso fazer o cadastro no site.

As obras estão disponíveis em três formatos diferentes. O primeiro é o livro falado, em que um narrador lê toda a história em voz alta. O segundo é o chamado livro digital Daisy, que tem alguns recursos para facilitar a navegabilidade, como ampliação de tela, soletração e busca de palavras. E o terceiro é o livro em braille –o arquivo é adaptado para a impressão com pontinhos em alto relevo.

O formato de cada livro é definido de acordo com o seu gênero: quadrinhos, por exemplo, costumam ser publicados na plataforma Daisy, que oferece mais possibilidades para o leitor visualizar o conteúdo.

Entre os títulos para crianças estão os clássicos “João e Maria”, “Chapeuzinho Vermelho”, “Alice no País das Maravilhas”, “Pinóquio”, “O Picapau Amarelo” e “O Pequeno Príncipe”.

A Fundação Norina Nowill também tem um acervo físico de livros para deficientes visuais. A estante virtual pretende ampliar o acesso a esse tipo de obra para famílias e instituições educativas, como escolas e bibliotecas.

Menino de quatro anos inaugura biblioteca comunitária em parque de BH

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Bernardo Dourado surpreendeu os pais com a ideia de levar seus livros para outras crianças

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Publicado em R7

Há cerca de dois meses, o pequeno Bernardo Dourado, de quatro anos, surpreendeu os pais com um pedido: ele queria montar uma biblioteca comunitária destinada para crianças. Acostumada às ideias “mirabolantes” do filho, Daniela Mascarenhas levou um tempo para entender que o garotinho não desistiria fácil do projeto, que dizia ser “seu compromisso”.

— Ele é pequeno, mas é terrível! Quer morar no Japão, quer passar férias na Alemanha, enfim. Um dia ele chegou e falou que não queria mais ter só a biblioteca do quarto dele, queria que eu colocasse um armário com os livros no passeio do prédio, queria que fosse comunitário. Ele falou que era o compromisso dele e repetiu isso umas mil vezes, dizendo que a gente não entendia.

Intrigada, a mãe ainda questionou Bernardo o que significava este compromisso. Imediatamente, ele disse que era fazer “alguma coisa para alguém”. Logo, Daniela descobriu de onde veio tamanha motivação: em um fim de semana, ele mostrou para ela uma propaganda na TV, que tratava justamente de iniciativas bacanas feitas por crianças ao redor do mundo.

Convencida de que valia a pena ajudar o filho em sua boa ação, ela arregaçou as mangas e conseguiu autorização para promover a “Bibliotequinha do Bê” neste sábado (16), no Parque Aggeo Pio Sobrinho, no bairro Buritis, região oeste de Belo Horizonte, a partir de 9h30. Era para ser um piquenique entre amigos, para dar à Bernardo a sensação de dever cumprido ao seu compromisso, mas o evento tomou proporções maiores.

Graças à divulgação de amigos e familiares, haverá música e a apresentação de um palhaço durante o piquenique, além de medição de pressão oferecida por um laboratório da cidade. Daniela ressalta que o filho teve a quem puxar a paixão pela literatura, já que a avó era escritora e destaca a importância da leitura na criação de “Bê”.

— A gente sempre leu para ele desde bebê e, mesmo ainda não sabendo ler, ele sabe quais são as letrinhas, gosta de ver as figuras e cria as histórias do jeito dele. É bonito ver que tão pequeno ele já está disposto a ajudar.

‘Biblioteca a cavalo’ atende região com vulcões, vilarejos e analfabetos

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Para estimular leitura, homem na Indonésia viaja por Java Central com livros armazenados em caixas nas costas de um cavalo.

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Publicado no G1

O analfabetismo entre adultos na Indonésia está em queda, mas uma região do país possui quase um milhão de adultos que não sabem ler. Em Java Central, um homem e seu cavalo tentam – pelo menos – melhorar o acesso da população a livros.

Ridwan Sururi, de 42 anos, é quem cuida de Luna, um antigo cavalo selvagem. A altura do animal chega apenas ao ombro dele.

Eles vivem no vilarejo de Serang, na região de Purbalingga, em Java, uma região rural e tropical, nos arredores de um dos mais ativos vulcões indonésios – o Monte Slamet.

Numa região de diversos vilarejos, Sururi e Luna fazem uma conexão essencial entre as comunidades nos últimos meses.

Em janeiro, Sururi criou uma livraria móvel chamada Kudapustaka – que significa “biblioteca a cavalo” em indonésio. Ele viaja entre vilarejos com livros armazenados em caixas nas costas do cavalo.

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Ele visita escolas três vezes por semana – às terças, quartas e quintas. Às vezes, leva também sua filha, Indriani Fatmawati.

Crianças e moradores não têm que pagar para emprestar os livros e Sururi diz não querer lucrar com a iniciativa.

“Eu amo cavalos, e quero que esse hobby beneficie as pessoas”, disse ele à BBC Indonésia.

A ideia para a biblioteca itinerante veio de um amigo, Nirwan Arsuka, outro entusiasta de cavalos. “Ele me perguntou: podemos ajudar a sociedade através do nosso hobby? Eu disse que estava interessado, mas não sabia como”.

Então, ele teve essa ideia de criar uma biblioteca móvel usando cavalos. Eu gostei da ideia, mas infelizmente não tinha nenhum livro. Daí, ele me mandou caixas de livros”.

Segundo a Unesco, órgão da ONU para educação e cultura, a Indonésia fez grandes avanços na redução do analfabetismo entre adultos nos últimos anos, reduzindo o número de 15,4 milhões em 2004 para 6,7 milhões em 2011.

No entanto, o órgão diz haver mais de 977 mil adultos analfabetos em Java central, região de Ridwan.

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Sururi não é dono de nenhum dos animais – apenas cuida deles. Teria ele pedido permissão para usar o cavalo como uma biblioteca móvel? “Não”, diz, aos risos.

“O dono vive distante deste vilarejo e faz tempo que não visita os cavalos. Estou um pouco triste por causa disso”.

Dos três cavalos que toma conta, Sururi escolheu Luna para fazer-lhe companhia. “Ele era um cavalo selvagem mas eu o domei. Luna nunca atacou ou mordeu ninguém, e é amável quando está cercado por crianças”.

Ele disse esperar mais doações ao seu programa. “As crianças aqui amam quadrinhos e livros de histórias”.

“Já os adultos precisam de livros de inspiração e guias, sobre agricultura, essas coisas”.

Sururi sonha em ter seu próprio cavalo Kudapustaka – e, também, uma biblioteca real.

“Espero poder ter uma biblioteca pequena na frente de casa”, diz ele. “Mas sei que isto é só um sonho”.

‘Biblioteca a cavalo’ leva livros para regiões sem internet na Argentina

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Estudantes de Condor Huasi distribuem leitura para a comunidade.
Animal puxa carroça com alunos três vezes por semana.

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Publicado no G1

Na pequena aldeia de Condor Huasi, na região noroeste da Argentina, não há conexão com a internet. As crianças e adolescentes que estudam ali adquirem e distribuem informação e conhecimento para os moradores locais transportando uma biblioteca móvel puxada por uma carroça.

O pequeno cavalo Pepe puxa a carroça cheia de livros e alunos. Por três vezes na semana, os estudantes levam os livros para a comunidade local e promovem um encontro de leitura ao ar livre.

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A ideia da biblioteca móvel surgiu a partir de um projeto para ter atividades extracurriculares na escola e na comunidade. Em entrevista à agência APTN, a jovem Julia Lazarte disse que “queria que as crianças tivessem acesso à internet para conseguirem obter informações de forma mais rápida e fácil, mas por enquanto estudar da maneira antiga é a única opção”.

Condor Huasi fica a 27 km de distância de San Miguel de Tucumán, cidade com um milhão de habitantes no norte da Argentina.

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A “nuvem de livros” brasileiros chega à Espanha

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Publicado em El País

Há oito anos, o empresário e editor Jonas Suassuna, presidente do grupo brasileiro Gol, teve uma intuição: “Tudo está virando digital. Os livros também e isso vai ocorrer rapidamente”. Hoje, em 2015, aquela reflexão é algo óbvio. Naquela época, nem tanto. Suassuna acreditou no que dizia seu instinto e começou a preparar uma grande biblioteca virtual. Assegura que, para se inspirar, também pensou nas dimensões continentais de seu país e em uma das suas necessidades mais urgentes. “Imaginei a quantidade de escolas que havia no Brasil sem livros e em uma maneira de levar esses livros a essas escolas. Não havia a menor oportunidade de levar livros até lugares remotos. O segredo estava na Internet. O segredo estava em construir uma grande biblioteca, não uma grande livraria”.

Durante os anos seguintes dedicou-se, com sua equipe, a criar o suporte digital adequado. Também a visitar todas as feiras literárias mundiais mais importantes. Então, em 2011, criou a Nuvem de Livros que, através de uma assinatura, dava acesso a um sistema semelhante ao streaming a cerca de 14.000 títulos em português.

Desde esse momento, a empresa de Suassuna conta com 2,5 milhões de usuários no Brasil, entre eles um grande número dessas escolas remotas que o empresário sonhava em inundar de livros, virtuais ou físicos. Agora, Suassuna, aliado à empresa de telecomunicações Orange, desembarca na Espanha em abril. Pagando 3,99 euros (13 reais) por mês, o cliente terá acesso a mais de 3.000 títulos, mais os 400.000 volumes da Fundação Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes.

De seu escritório no Rio de Janeiro, com uma veemência que é parte de sua personalidade expansiva, relata que alguns anos atrás ninguém acreditava em sua ideia. Agora está competindo com a própria Amazon. “Isso me deixa orgulhoso: é a Amazon que deve ficar com medo”. O empresário acrescenta que outra diferença com a grande plataforma norte-americana é que a Nuvem de Livros “nasce com um espírito familiar, controlado, sem passar por nosso pessoal especialista não é possível colocar nenhum livro em nossa biblioteca”. E acrescenta: “Tampouco aceitamos a autopublicação. O que pode servir para outras plataformas, e de fato é parte da essência delas, não vale para nós. Acreditamos no trabalho de uma editora, de editores, como passo anterior à publicação de um livro, como filtro entre o escritor e os leitores”. Em sua opinião, “a Internet é tudo: pode ser um esgoto a céu aberto, por isso é necessário que existam lugares onde seja aplicado certo nível de exigência”. O catálogo, em espanhol, por enquanto, inclui, em ficção, sobretudo clássicos, e em outras áreas, livros educativos, atlas, jogos educativos e audiobooks.

O objetivo do ambicioso empresário brasileiro não é ficar somente na Espanha: “Escolhemos a Espanha como base de operações, em primeiro lugar, porque sou apaixonado por essa terra e, segundo, porque é a base ideal para se espalhar depois pelo mercado latino-americano”. Suassuna diz que outro fator que o levou a se dirigir a Madri foi o mercado editorial espanhol: “Aqui estão os melhores editores da Europa”. A intenção da Nuvem de Livros é dar o salto, posteriormente, ao complicado mercado editorial francês.

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