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Queda de matrículas em licenciatura no país gera temor de apagão na formação de professores

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Procura por Português caiu 13% em quatro anos; Educação Física continua no topo da preferência
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Por Leonardo Vieira, O Globo

RIO – Os dados do Censo de Educação Superior de 2013 divulgados na terça-feira pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) confirmaram uma tendência sombria para o futuro do país: o “apagão de professores” nas escolas. O fenômeno ocorre porque, pelo quarto ano seguido, é cada vez menor a quantidade de estudantes que procuram cursos de licenciatura. Consequentemente, o Brasil tem formado menos docentes.

O caso mais emblemático é o de Português. Em dez anos, entre 2003 a 2013, o número de matrículas na disciplina no ensino superior avançou mais de 1000%. Mas, a partir de 2010, tem havido queda. Naquele ano o Brasil tinha mais de 90 mil alunos matriculados no curso. Em 2013, eram 78 mil, redução de quase 13%.

O cenário é o mesmo para Matemática. Em 2010, eram 82.792 estudantes na área, número que caiu para 80.891, ou 2,3% menos.

Para a professora da Faculdade de Educação da Uerj Marise Nogueira Ramos, a queda progressiva no número de matrículas em licenciaturas, tendência iniciada há quatro anos, se dá por conta da pouca atratividade do magistério. Segundo ela, o salto (e, depois, a queda) verificada em Português se explicam pela maior facilidade de acesso à carreira.

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– Somos levados a pensar que vamos nos dar bem profissionalmente em carreiras ligadas às matérias de que mais gostamos na escola. Isso poderia explicar o aumento maior para Português do que para Matemática. É uma carreira mais fácil para passar no vestibular. Então, o aluno a usa para migrar para outras áreas dentro da universidade.

QUÍMICA TEVE CRESCIMENTO

A queda no total de matrículas em licenciaturas desde 2010 é ainda verificada em carreiras como Física (-2,9%) e Biologia (-11%). No entanto, houve poucas áreas onde foi registrado aumento no interesse dos estudantes. É o caso de Química, que viu o número de matrículas em licenciaturas subir 5% nos quatro últimos anos.

Os dados do Censo da Educação Superior também confirmam uma tendência de hegemonia da Educação Física entre as licenciaturas. No ano passado, as matrículas para professor na área foram 51% maiores do que em Matemática, 55% maiores do que em Português, 247% maiores do que em Química e 395% maiores do que em Física.

Especialistas estimam que o Brasil precisará de até dois milhões de novos professores até 2024 para cumprir as metas do Plano Nacional da Educação (PNE), aprovado este ano.

Hoje em dia, porém, já é comum haver escolas sem docentes com formação adequada. De acordo com dados do Censo Escolar de 2013, chega a 67,2% o percentual de professores dos anos finais do ensino fundamental no Brasil que não têm licenciatura na disciplina que ensinam. No ensino médio, a parcela de docentes sem a formação adequada é de 51,7%.

Excesso de trabalho causa erro na correção do Enem, diz educadora

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Gisele Gama, presidente da Abaquar, falou durante audiência na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados que apura falhas na avaliação de redações do exame

Na Câmara dos Deputados, Gisele Gama disse que excesso de trabalho de corretores ainda causará novos erros no Enem LUCIO BERNARDO JR

Na Câmara dos Deputados, Gisele Gama disse que excesso de trabalho de corretores ainda causará novos erros no Enem LUCIO BERNARDO JR

Publicado em O Globo

RIO – As novas regras que aumentam o rigor na correção da redação do Enem, anunciadas pelo Ministério da Educação, não resolvem os problemas principais do exame. Essa é a opinião de Gisele Gama, presidente da Abaquar – Consultores e Editores, que já coordenou a equipe de correção da prova.

Gisele, que participou nesta quinta-feira (09) de audiência pública da Comissão de Educação, afirmou que erros humanos na correção vão continuar ocorrendo por causa do excesso de redações para sem corrigidas em pouco tempo: cerca de 10 milhões de textos avaliados em um mês. Segundo ela, os professores que corrigem as redações continuam atuando em sala de aula e fazem as correções no tempo livre.

Os deputados também ouviram o professor da Faculdade de Educação da USP Ocimar Alavarse. Para ele, apesar da amplitude do Enem, o exame não democratiza o acesso ao ensino superior, porque os alunos de escola pública não conseguem desenvolver as competências pedidas pela prova da mesma forma que os alunos de escolas particulares.

Para o deputado Raul Henry (PMDB-PE), houve uma “feliz coincidência” entre o lançamento do edital do Enem 2013 e a audiência. Responsável pela convocação da reunião na Comissão de Educação, o parlamentar disse ter havido uma reviravolta do Inep.

– Com a divulgação do edital e os critérios mais rígidos de correção na prova de redação, o MEC fez uma autocrítica e mudou de postura ao reconhecer o erro e corrigir – avaliou o deputado.

A audiência foi convocada em abril, após O GLOBO revelar que redações com nota máxima no Enem de 2012 continham erros graves de português de concordância e ortografia. Além disso, a série de reportagens do jornal mostrou inserções indevidas como um aluno que descreveu a receita de Miojo e outro estudante que transcreveu o hino do Palmeiras no meio do texto.

Redações nota máxima com erros de Português

Também convidado para o evento, o professor Claudio Cezar Henriques, do Instituto de Letras da Uerj, defendeu a opinião de que não é justo que erros esparsos de português sejam desconsiderados na correção da redação do Enem. Segundo ele, apenas provas sem nenhum erro devem obter nota máxima. Ele recebeu o apoio do especialista em avaliação José Francisco Soares, que também acredita que a cobrança na correção deve ser maior. Segundo ele, ser tolerante aos erros da língua portuguesa numa prova como o Enem “é criar um País mais ou menos”.

Já a professora do departamento de Linguística da UnB Ormezinda Ribeiro, no entanto, discorda. Para ela, “erros são comuns em momentos de pressão e não desqualificam o pensamento do autor”.

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